Quinta halachá do Perek Guimel de Massechet Maaser Sheni: a Mishná ensina que o segundo dízimo que entrou em Jerusalém e ficou impuro — seja por impureza primária (contraída diretamente de uma fonte bíblica de impureza), seja por impureza derivada (contraída ao tocar algo que tocou a fonte), seja dentro da cidade, seja fora dela — segue regras diferentes conforme a Escola de Shamai e a Escola de Hilel: a Escola de Shamai diz que tudo deve ser resgatado e comido dentro, exceto o que ficou impuro por impureza primária fora; e a Escola de Hilel diz que tudo deve ser resgatado e comido fora, exceto o que ficou impuro por impureza derivada dentro.
A guemará abre lendo o versículo "pois não poderás carregá-lo" (Devarim 14:24) e mostrando que ele só pode significar a proibição de resgatar o dízimo já dentro do Lugar. Traz a disputa entre Bar Kapara, para quem apenas a impureza primária é de lei da Torá, e Rabi Yochanan, para quem ambas o são — e as dificuldades que cada posição enfrenta diante das próprias palavras das Escolas de Shamai e Hilel. Traz o ensino de Rabi Zeirá sobre a condição mental ao trazer dízimo puro para dentro de Jerusalém, questionado por Rabi Yoná. E fecha com a pergunta de Rabi Yaakov de Deromá diante de Rabi Yossei sobre o dízimo que ficou impuro fora e depois entrou, e a pergunta de Rabi Chiyya bar Ada diante de Rabi Maná sobre o dízimo resgatado duas vezes e o comprador de produto com o dinheiro do resgate.
Mishná: Segundo dízimo que entrou em Jerusalém e ficou impuro — seja porque ficou impuro por impureza primária (uma das fontes bíblicas de impureza, como um cadáver), seja porque ficou impuro por impureza derivada (contraída ao tocar algo que tocou a fonte de impureza), seja dentro (da cidade), seja fora — a Escola de Shamai diz: tudo deve ser resgatado e comido dentro, exceto o que ficou impuro por impureza primária fora (pois este, por lei bíblica, nunca poderia ter sido comido dentro, e por isso o recinto sagrado nunca chegou a "tomá-lo"). E a Escola de Hilel diz: tudo deve ser resgatado e comido fora, exceto o que ficou impuro por impureza derivada dentro (pois, sendo a impureza de origem rabínica, a lei bíblica ainda não permitiria retirá-lo de Jerusalém).
Está escrito (Devarim 14:24): "pois não poderás carregá-lo." Sobre qual caso estamos? Se se trata de estar longe do Lugar (Shiló ou Jerusalém), já está escrito: "se o caminho for longo demais para ti" (mesmo versículo). Se se trata de estar perto do Lugar, já está escrito (Devarim 14:26): "e darás o dinheiro." Então o que significa "pois não poderás carregá-lo"? Não poderás resgatá-lo (já dentro do Lugar, se o produto ficou impuro) — e está escrito: "e darás o dinheiro" (ou seja, ainda assim se resgata, apesar de já estar no Lugar).
Foi ensinado: Bar Kapara disse: impureza primária é de lei da Torá, e impureza derivada é das palavras deles (dos Sábios — isto é, de origem rabínica). Rabi Yochanan disse: tanto uma quanto outra são de lei da Torá. E é difícil para Rabi Yochanan a opinião da Escola de Shamai: a Escola de Shamai diz que tudo deve ser resgatado e comido dentro, exceto o que ficou impuro por impureza primária fora — qual é a diferença entre impureza derivada fora e impureza primária fora, se ambas são de lei da Torá? E mesmo as palavras da Escola de Hilel não são difíceis? A Escola de Hilel diz que tudo deve ser resgatado e comido fora, exceto o que ficou impuro por impureza derivada dentro — qual é a diferença entre impureza derivada dentro e impureza primária dentro, se nenhuma das duas é de lei da Torá? Os Sábios não discutiram essa dificuldade, senão a que recai sobre a opinião de Bar Kapara.
E é difícil a opinião de Bar Kapara diante da Escola de Shamai: a Escola de Shamai diz que tudo deve ser resgatado e comido dentro, exceto o que ficou impuro por impureza primária fora — qual é a diferença entre impureza primária e impureza derivada, seja fora, seja dentro, já que segundo Bar Kapara nenhuma das duas é de lei da Torá? Explica-se: para que não se diga que não é segundo dízimo o que entra em Jerusalém e depois sai. Se assim (se fosse permitido resgatar mesmo dentro), não se deveria resgatá-lo ali, para que não se diga que não é segundo dízimo o que entra em Jerusalém e é resgatado ali (o que também é proibido para dízimo puro). No momento em que ficou impuro dentro, o recinto sagrado já o havia "tomado" (por isso permanece dentro e é resgatado ali); no momento em que ficou impuro fora, o recinto não o havia "tomado" (pois nunca poderia ter sido comido dentro do espaço sagrado). E mesmo para a Escola de Hilel isto não é difícil: a Escola de Hilel diz que tudo deve ser resgatado e comido fora, exceto o que ficou impuro por impureza derivada dentro — qual a diferença, para a impureza derivada, entre fora e dentro? Aqui, quando o trouxe para dentro, foi sob condição de que o recinto não o "tomasse."
Disse Rabi Zeirá: isto ensina que segundo dízimo puro que alguém trouxe para dentro sob condição de que os recintos sagrados não o "tomassem" — o recinto não o "toma." Rabi Yoná perguntou: é puro por lei da Torá, e ainda assim dizes isto (que uma condição mental pode afastar o decreto bíblico)? Mas antes é assim: se transgrediu e o resgatou, está resgatado (a validade dessa condição é apenas de origem rabínica, não bíblica — mas, feito o resgate, ele vale).
Rabi Yaakov de Deromá perguntou diante de Rabi Yossei: se o dízimo ficou impuro fora de Jerusalém e depois entrou (e, segundo a Escola de Shamai, deveria sair de novo para ser comido fora) — não deveria sair, para que não se diga: vimos segundo dízimo entrar em Jerusalém e sair! Respondeu-lhe: o rumor (a repercussão pública) se espalha para o que sai (o ato de sair é visível e gera falatório), mas não se espalha rumor para o que é resgatado (o resgate é feito em particular, sem repercussão pública, e por isso não gera a mesma preocupação).
Rabi Chiyya bar Ada perguntou diante de Rabi Maná: se o dízimo ficou impuro por impureza derivada e o resgatou, e voltou a ficar impuro por impureza primária (o produto comprado com o dinheiro do primeiro resgate) — diremos que, se o dinheiro do primeiro resgate ainda existe, transfere-se a santidade sobre ele (fazendo um segundo resgate, este de pleno direito bíblico), e se não existe mais, não se transfere a santidade sobre ele? E não se açoita quem gastou indevidamente o dinheiro nem pelo dinheiro do primeiro resgate, nem pelo dinheiro do segundo (pois nenhum dos dois resgates é plenamente de lei da Torá). Rabi Yoná perguntou: também para quem compra produto com o dinheiro do resgate fora de Jerusalém é assim? Disse Rabi Maná: o recinto sagrado "toma," e o comprador "toma" (o status do produto adquirido segue a mesma regra que o do recinto de Jerusalém); assim como se disse quanto ao recinto, assim se disse quanto ao comprador.
Nesta quinta halachá do Perek Guimel, a Mishná ensina as regras do segundo dízimo que entrou em Jerusalém e ficou impuro — por impureza primária ou derivada, dentro ou fora — e a disputa entre a Escola de Shamai e a Escola de Hilel sobre onde ele deve ser resgatado e comido em cada caso.
A guemará mostra, a partir do versículo "pois não poderás carregá-lo," que a proibição de resgate se refere ao dízimo já dentro do Lugar. Traz a disputa entre Bar Kapara e Rabi Yochanan sobre se impureza primária e derivada são ambas de lei da Torá, com as dificuldades que cada posição enfrenta diante das Escolas de Shamai e Hilel. Traz o ensino de Rabi Zeirá sobre a condição mental ao trazer dízimo puro para dentro, questionado por Rabi Yoná. E fecha com as perguntas de Rabi Yaakov de Deromá e Rabi Chiyya bar Ada diante de Rabi Yossei e Rabi Maná, sobre o rumor público do que sai de Jerusalém e sobre o dízimo resgatado duas vezes.