Talmud Yerushalmi · Massechet Maaser Sheni · Perek Guimel · Halachá 4
מַעֲשֵׂר שֵׁנִי

A árvore sobre o muro, as casas de prensa de azeite, e as câmaras entre o sagrado e o profano

Perek Guimel, Halachá 4, no Talmud Yerushalmi, Massechet Maaser Sheni

Quarta halachá do Perek Guimel de Massechet Maaser Sheni: a Mishná ensina que uma árvore que está de pé dentro (do muro de Jerusalém) e se inclina para fora, ou está de pé fora e se inclina para dentro, segue o critério do ponto correspondente ao muro — dali para dentro é como dentro, dali para fora é como fora. Traz a disputa entre a Escola de Shamai e a Escola de Hilel sobre casas de prensa de azeite cujas entradas ficam de um lado do muro mas cujo espaço interno se estende para o outro: a Escola de Shamai considera tudo como dentro, e a Escola de Hilel aplica o mesmo critério do ponto correspondente ao muro. E fecha com as regras das câmaras do Templo construídas no espaço sagrado ou no profano, cujo interior e teto seguem o lado em que foram construídas, ou, quando construídas em ambos e abertas para ambos, seguem o lado para onde estão voltadas.

A guemará traz a resposta de Rabi Elazar — "para o rigor" — à pergunta de Rabi Yossei sobre o sentido da regra do ponto correspondente ao muro, explicada por Rabi Yoná a partir do ensino sobre as casas de prensa de azeite: nem se abate ali sacrifícios de santidade leve como se fosse dentro, nem se resgata ali segundo dízimo como se fosse fora. Traz a versão de Rabi Yaakov bar Acha da Mishná sobre as câmaras, esclarecendo que onde o interior é sagrado ali se comem os sacrifícios santíssimos, se abatem os sacrifícios de santidade leve, e o impuro que ali entra é culpado. E fecha com o debate entre Rav Yehuda, em nome de Rav, sobre as medidas do pátio do Templo para efeito de açoite, e a objeção da câmara construída rente ao muro do pátio — resolvida pela distinção de Rabi Yossei entre a Mishná de Rabi Akiva e as palavras dos Sábios, segundo as quais todas as câmaras seguem suas entradas.

A Mishná · מַתְנִיתִין

אִילָן שֶׁהוּא עוֹמֵד בִּפְנִים וְנוֹטֶה לַחוּץ אוֹ עוֹמֵד לַחוּץ וְנוֹטֶה לִפְנִים מִכְּנֶגֶד הַחוֹמָה וְלִפְנִים כְּלִפְנִים. מִכְּנֶגֶד הַחוֹמָה וְלַחוּץ כְּלַחוּץ. בָּתֵּי הַבַּדִּים שֶׁפִּתְחֵיהֶן לִפְנִים וַחֲלָלָן לַחוּץ אוֹ שֶׁפִּתְחֵיהֶן לַחוּץ וַחֲלָלָן לִפְנִים בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים הַכֹּל כְּלִפְנִים וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים כְּנֶגֶד הַחוֹמָה וְלִפְנִים כְּלִפְנִים מִכְּנֶגֶד הַחוֹמָה וְלַחוּץ לַחוּץ. הַלְּשָׁכוֹת בְּנוּיוֹת בַּקּוֹדֶשׁ וּפְתוּחוֹת לַחוֹל תּוֹכָן חוֹל וְגַגּוֹתֵיהֶן קוֹדֶשׁ בְּנוּיוֹת בַּחוֹל וּפְתוּחוֹת לַקּוֹדֶשׁ תּוֹכָן קוֹדֶשׁ וְגַגּוֹתֵיהֶן חוֹל. בְּנוּיוֹת בַּקּוֹדֶשׁ וּבַחוֹל וּפְתוּחוֹת לַקּוֹדֶשׁ וְלַחוֹל תּוֹכָן וְגַגּוֹתֵיהֶן כְּנֶגֶד הַקּוֹדֶשׁ וְלַקּוֹדֶשׁ קוֹדֶשׁ. כְּנֶגֶד הַחוֹל וְלַחוֹל חוֹל.

Mishná: Uma árvore que está de pé dentro (do muro de Jerusalém) e se inclina para fora, ou está de pé fora e se inclina para dentro: do ponto correspondente ao muro para dentro é como dentro (a copa que fica sobre a faixa do muro e para dentro dela segue o estatuto de dentro de Jerusalém), do ponto correspondente ao muro para fora é como fora. Casas de prensa de azeite cujas entradas estão para dentro mas cujo espaço interno se estende para fora, ou cujas entradas estão para fora mas cujo espaço interno se estende para dentro: a Escola de Shamai diz que tudo é como dentro; e a Escola de Hilel diz que do ponto correspondente ao muro para dentro é como dentro, do ponto correspondente ao muro para fora é como fora. As câmaras (do Templo) construídas no espaço sagrado e abertas para o espaço profano — seu interior é profano e seus tetos são sagrados; construídas no profano e abertas para o sagrado — seu interior é sagrado e seus tetos são profanos. Construídas no sagrado e no profano, e abertas para o sagrado e para o profano — seu interior e seus tetos: o que está voltado para o sagrado e conduz ao sagrado é sagrado, o que está voltado para o profano e conduz ao profano é profano.

A Halachá · הֲלָכָה ד

01Rabi Elazar: "para o rigor" — a explicação de Rabi Yoná a partir das casas de prensa de azeite
Yerushalmi · Maaser Sheni 3:4
אָמַר רִבִּי לָעְזָר לַחוֹמָרִין. רִבִּי יוֹסֵי בָּעֵי מַהוּ לַחוֹמָרִין. אָמַר רִבִּי יוֹנָה הָדָא דְתַנִּינָן תַּמָּן בָּתֵּי הַבַּדִּין שֶׁפִּתְחֵיהֶן לִפְנִים וַחֲלָלָן לַחוּץ מִכְּנֶגֶד הַחוֹמָה וְלִפְנִים כְּלִפְנִים. מִכְּנֶגֶד הַחוֹמָה וְלַחוּץ כִּלְחוּץ. אֵין שׁוֹחֲטִין שָׁם קֳדָשִׁים קַלִּין כְּלִפְנִים וְלֹא פּוֹדִין שָׁם מַעֲשֵׂר שֵׁינִי כִּלְּחוּץ. אִין פִּתְחֵיהֶן לַחוּץ וַחֲלָלָן לִפְנִים מִכְּנֶגֶד הַחוֹמָה וְלַחוּץ כִּלְּחוּץ. מִכְּנֶגֶד הַחוֹמָה וְלִפְנִים אֵין שׁוֹחֲטִין שָׁם קֳדָשִׁים קַלִּים כְּלִפְנִים וְלֹא פוֹדִין שָׁם מַעֲשֵׂר שֵׁינִי כִּלְחוּץ.

Disse Rabi Elazar: para o rigor (a regra do ponto correspondente ao muro serve para restringir, não para facilitar). Perguntou Rabi Yossei: o que significa "para o rigor"? Disse Rabi Yoná: é o que ensinamos ali a respeito das casas de prensa de azeite cujas entradas estão para dentro mas cujo espaço interno se estende para fora — do ponto correspondente ao muro para dentro é como dentro, do ponto correspondente ao muro para fora é como fora: não se abate ali sacrifícios de santidade leve (permitido apenas dentro de Jerusalém) como se fosse dentro, e não se resgata ali segundo dízimo (permitido apenas fora de Jerusalém) como se fosse fora (a faixa correspondente ao muro é tratada com o rigor de ambos os lados). Se suas entradas estão para fora e seu espaço interno se estende para dentro — do ponto correspondente ao muro para fora é como fora; do ponto correspondente ao muro para dentro, não se abate ali sacrifícios de santidade leve como se fosse dentro, e não se resgata ali segundo dízimo como se fosse fora.

02A versão de Rabi Yaakov bar Acha da Mishná sobre as câmaras
Yerushalmi · Maaser Sheni 3:4
אָמַר רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא כֵּינִי מַתְנִיתָא תּוֹכָן קוֹדֶשׁ וְגַגּוֹתֵיהֶן (חוֹל) מִכְּנֶגֶד הַקּוֹדֶשׁ וְלַקּוֹדֶשׁ כִּלְקוֹדֶשׁ מִכְּנֶגֶד הַחוֹל וְלַחוֹל חוֹל. בְּנוּיוֹת בַּקּוֹדֶשׁ וּפְתוּחוֹת לַקּוֹדֶשׁ וְלַחוֹל תּוֹכָן קוֹדֶשׁ. בְּנוּיוֹת בַּחוֹל וּפְתוּחוֹת לַקּוֹדֶשׁ וְלַחוֹל תּוֹכָן חוֹל. הֵן דְּאַתְּ אָמַר תּוֹכָן קוֹדֶשׁ אוֹכְלִין שָׁם קָדְשֵׁי קֳדָשִׁים וְשׁוֹחֲטִין שָׁם קֳדָשִׁים קַלִּין וְטָמֵא שֶׁנִּכְנַס לְשָׁם חַיָיב.

Disse Rabi Yaakov bar Acha: assim é a Mishná: "seu interior é sagrado e seus tetos (profanos); o que está voltado para o sagrado e conduz ao sagrado é como sagrado, o que está voltado para o profano e conduz ao profano é profano." As câmaras construídas no sagrado e abertas para o sagrado e para o profano — seu interior é sagrado. As construídas no profano e abertas para o sagrado e para o profano — seu interior é profano. Onde dizes que o interior é sagrado, ali se comem os sacrifícios santíssimos, ali se abatem os sacrifícios de santidade leve, e o impuro que ali entra é culpado (passível de punição por ter entrado em área sagrada em estado de impureza).

03Rav Yehuda em nome de Rav: as medidas do pátio; a objeção da câmara rente ao muro; a distinção de Rabi Yossei
Yerushalmi · Maaser Sheni 3:4
רַב יְהוּדָה בְשֵׁם רַב אֵין לוֹקִין אֶלָּא עַל אוֹרֶךְ מֵאָה וּשְׁמוֹנִים וְשֶׁבַע וְעַל רוֹחַב מֵאָה וּשְׁלֹשִׁים וְחָמֵשׁ. וְהָתַנֵּי לִשְׁכָּה שֶׁהִיא בְנוּיָה בְּשִׁיווּי חוֹמַת הָעֲזָרָה אוֹכְלִין שָׁם קָדְשֵׁי קֳדָשִׁים וְשׁוֹחֲטִין שָׁם קֳדָשִׁים קַלִּים וְטָמֵא שֶׁנִּכְנַס לְשָׁם פָּטוּר. תִּיפְתָּר כְּהָדָא תַנַּיָיא דְתַנֵּי אָמַר רִבִּי יוֹסֵי זוֹ מִשְׁנַת רִבִּי עֲקִיבָה. אֲבָל דִּבְרֵי חֲכָמִים הִבְדִּילוּ הַּכָּל הַלְּשָׁכוֹת וְכָל הַלְּשָׁכוֹת הוֹלְכִין אַחַר פִּתְחֵיהֶן.

Rav Yehuda, em nome de Rav: só se é açoitado (por entrar impuro em área sagrada) dentro do comprimento de cento e oitenta e sete côvados e da largura de cento e trinta e cinco côvados (as medidas internas do pátio do Templo). Mas não ensinamos: uma câmara construída rente ao muro do pátio — ali se comem os sacrifícios santíssimos, ali se abatem os sacrifícios de santidade leve, mas o impuro que ali entra é isento (de punição, embora a câmara esteja fora das medidas do pátio propriamente dito — o que contradiz Rav)? Explica-se conforme aquele Tana que ensinou: disse Rabi Yossei, esta é a Mishná de Rabi Akiva (que trata a câmara rente ao muro como fora do pátio); mas segundo as palavras dos Sábios, distinguiram todas as câmaras uma da outra conforme sua abertura, e todas as câmaras seguem suas entradas (concordando, assim, com Rav).

Nota

Nesta quarta halachá do Perek Guimel, a Mishná ensina o critério do ponto correspondente ao muro de Jerusalém para árvores que crescem de um lado do muro para o outro, a disputa entre a Escola de Shamai e a Escola de Hilel sobre casas de prensa de azeite nessa mesma situação, e as regras das câmaras do Templo construídas entre o espaço sagrado e o profano.

A guemará explica, com Rabi Yoná, que a resposta "para o rigor" de Rabi Elazar significa que a faixa correspondente ao muro é tratada com o rigor de ambos os lados — nem permitindo o abate de sacrifícios de santidade leve como dentro, nem o resgate do segundo dízimo como fora. Traz a versão de Rabi Yaakov bar Acha da Mishná sobre as câmaras, e fecha com o debate entre Rav Yehuda e a baraita sobre a câmara construída rente ao muro do pátio, resolvido pela distinção de Rabi Yossei entre a Mishná de Rabi Akiva e as palavras dos Sábios.