Talmud Yerushalmi · Massechet Maaser Sheni · Perek Bet · Halachá 4 (última do capítulo)
מַעֲשֵׂר שֵׁנִי

O sela de segundo dízimo trocado em prata e moedas miúdas, e os filhos puros e impuros que bebem do mesmo jarro

Perek Bet, Halachá 4 (última do capítulo), no Talmud Yerushalmi, Massechet Maaser Sheni

Quarta e última halachá do Perek Bet de Massechet Maaser Sheni: a Mishná estabelece as proporções para trocar um sela de segundo dízimo por moedas miúdas. Fora de Jerusalém, a Casa de Shamai permite trocar todo o sela em moedas miúdas, enquanto a Casa de Hilel exige metade em prata e metade em moedas miúdas; Rabi Meir proíbe resgatar prata e frutos juntos sobre uma só moeda de prata, mas os Sábios permitem. Dentro de Jerusalém, às mesmas posições das Casas de Shamai e Hilel somam-se as de "os que debatiam diante dos Sábios", de Rabi Akiva, de Rabi Tarfon e do próprio Shamai, cada um propondo uma proporção diferente entre prata e moeda miúda. Fecha com o caso de quem tem filhos em parte puros e em parte impuros: coloca o sela e declara que ele se resgata sobre o que os puros beberem, permitindo assim que puros e impuros bebam do mesmo jarro de vinho. A guemará abre com Rabi Shimon ben Lakish explicando que Rabi Meir e os Sábios discordam apenas quando os frutos não valem o suficiente para formar uma moeda de prata inteira. Identifica os sábios anônimos da Mishná — Ben Azai e Ben Zoma como "os que debatiam", Chananiá ben Chachinai e Rabi Elazar ben Matia como "os discípulos", Rabi Yossei ben HaMeshulam e Rabi Shimon ben Menassiá como a "assembleia sagrada". Explica o motivo de Shamai, que teme se esquecer e tratar o resto como chulin comum; esclarece sobre o que trata o caso dos filhos puros e impuros — a declaração antecipada do pai, condicionada ao momento em que o vinho for bebido; e fecha distinguindo impureza de morto, que não impede o manuseio do jarro por fora, de impureza de fluxo, que o impede, salvo quando um terceiro puro derrama o vinho.

A Mishná · מַתְנִיתִין

הַפּוֹרֵט סֶלַע מִמָּעוֹת מַעֲשֵׂר שֵׁינִי בֵּית שֶׁמַּאי אוֹמְרִים בְּכָל הַסֶּלַע מָעוֹת וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים בְּשֶׁקֶל כֶּסֶף וּבְשֶׁקֶל מָעוֹת. רִבִּי מֵאִיר אוֹמֵר אֵין מְחַלְּלִין כֶּסֶף וּפֵירוֹת עַל כֶּסֶף. וַחֲכָמִים מַתִירִין. הַפּוֹרֵט סֶלַע שֶּׁלְמַעֲשֵׂר שֵׁנִי בִּירוּשָׁלֵם בֵּית שַׁמַּי אוֹמְרִים בְּכָל הַסֶּלַע מָעוֹת וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים בְּשֶׁקֶל כֶּסֶף וּבְשֶׁקֶל מָעוֹת. הַדָּנִים לִפְנֵי חֲכָמִים אוֹמְרִים בִּשְׁלֹשָׁה דֵינָרֵי כֶסֶף וּבְדֵינָר מָעוֹת. רִבִּי עֲקִיבָה אוֹמֵר בִּשְׁלֹשָׁה דֵינָרִין כֶּסֶף וּבָרְבִיעִית מָעוֹת. רִבִּי טַרְפוֹן אוֹמֵר אַרְבַּע אַסְפָּרוֹ כֶסֶף. שַׁמַּי אוֹמֵר יַנִּחֶנָּה בֶּחָנוּת וְיֹאכַל כְּנֶגְדָּהּ. מִי שֶׁהָיוּ מִקְצָת בָּנָיו טְמֵאִין וּמִקְצָת בָּנָיו טְהוֹרִין מַנִּיחַ אֶת הַסֶּלַע וְאוֹמֵר מַה שֶׁהַטְּהוֹרִין שׁוֹתִין סֶלַע זוֹ מְחוּלֶּלֶת עָלָיו. נִמְצְאוּ טְמֵאִים וּטְהוֹרִין שׁוֹתִין מִכַּד אֶחָד.

Mishná: Aquele que troca um sela das moedas de segundo dízimo (fora de Jerusalém): a Casa de Shamai diz: pode trocar todo o sela em moedas miúdas; e a Casa de Hilel diz: metade em um sekel de prata e metade em um sekel de moedas miúdas. Rabi Meir diz: não se resgata prata e frutos juntos sobre uma única moeda de prata; mas os Sábios permitem.

Aquele que troca em Jerusalém um sela de segundo dízimo: a Casa de Shamai diz: todo o sela em moedas miúdas; e a Casa de Hilel diz: metade em um sekel de prata e metade em um sekel de moedas miúdas. Os que debatiam diante dos Sábios (certos sábios, identificados a seguir na guemará) dizem: três denários de prata e um denário em moedas miúdas. Rabi Akiva diz: três denários de prata e o quarto em moedas miúdas (há também a leitura: o quarto em prata). Rabi Tarfon diz: quatro asper de prata (deixa-se apenas o valor de quatro asper — moeda miúda de cobre — sem trocar, e o restante permanece em prata). Shamai diz: deixe-o (o valor restante do sela) na loja, e coma (em Jerusalém) contra ele (até esgotar seu valor, sem precisar convertê-lo todo em moeda).

Aquele cujos filhos eram em parte impuros e em parte puros: coloca o sela (de segundo dízimo, junto ao vinho que vai ser servido) e diz: o que os puros beberem, que este sela seja resgatado sobre isso. Assim, impuros e puros vêm a beber de um único jarro.

A Halachá · הֲלָכָה ד

01Rabi Shimon ben Lakish: onde discordam Rabi Meir e os Sábios
Yerushalmi · Maaser Sheni 2:4
רִבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן לָקִישׁ אָמַר מַה פְלִיגִין רִבִּי מֵאִיר וְרַבָּנִין בְּפֵירוֹת שֶׁאֵין בָּהֶן כְּדֵי כֶסֶף. אֲבָל בְּפֵירוֹת שֶׁיֵּשּׁ בָּהֶן כְּדֵי כֶסֶף אַף רַבָּנִין מוֹדֵיי. חֲצִי דֵינָר כֶּסֶף וַחֲצִי דֵינָר פֵּירוֹת מוּתָּר. דֵּינָר כֶּסֶף וְדֵינָר פֵּירוֹת אָסוּר. כָּל שֶׁכֵּן שְׁנֵי דֵינָרִין כֶּסֶף וּשְׁנֵי דֵינָרֵי פֵירוֹת שֶׁאָסוּר.

Disse Rabi Shimon ben Lakish: em que discordam Rabi Meir e os Sábios? Em frutos que não valem o suficiente para completar uma moeda inteira de prata; mas em frutos que valem o suficiente para isso, também os Sábios concordam (que não se pode resgatá-los junto com prata sobre uma só moeda). Meio denário em prata e meio denário em frutos é permitido (resgatar juntos sobre uma moeda). Um denário em prata e um denário em frutos é proibido (pois já perfazem, juntos, o valor de uma moeda inteira de prata). Com muito mais razão dois denários em prata e dois denários em frutos, que é proibido.

02Identificando os sábios anônimos da Mishná: Ben Azai, Ben Zoma, e a assembleia sagrada
Yerushalmi · Maaser Sheni 2:4
אֵילּוּ הֵן הַדָּנִין בֶּן עֲזַאי וּבֶן זוֹמָא. אֵילּוּ הֵן הַתַּלְמִידִים חֲנַנְיָה בֶּן חֲכִינַיי וְרִבִּי אֶלְעָזָר בֶּן מַתְיָה. עֵדָה קְדוֹשָׁה רִבִּי יוֹסֵי בֶּן הַמְשׁוּלָּם וְרִבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן מְנַסְיָא.

Estes são "os que debatiam" (mencionados anonimamente na Mishná): Ben Azai e Ben Zoma. Estes são "os discípulos" (outra designação semelhante, usada em outras tradições para o mesmo grupo de sábios): Chananiá ben Chachinai e Rabi Elazar ben Matia. "Assembleia sagrada" (uma terceira designação, também associada a eles): Rabi Yossei ben HaMeshulam e Rabi Shimon ben Menassiá.

03O motivo de Shamai: que não se esqueça e trate o resto como chulin
Yerushalmi · Maaser Sheni 2:4
מַה טַעֲמָא דְשַׁמַּי שֶׁמָּא יִשְׁכַּח וְיַעֲשֶׂה אוֹתָהּ חוּלִין.

Qual é o motivo de Shamai (ao dizer que se deixe o valor restante do sela na loja, em vez de trocá-lo de imediato por prata ou moedas miúdas)? Que não se esqueça e o trate como totalmente chulin (pois, se a loja mantivesse um crédito indefinido em seu nome, haveria risco de, com o tempo, confundi-lo com dinheiro comum).

04Sobre o que se trata o caso dos filhos: a declaração antecipada e o momento da mistura
Yerushalmi · Maaser Sheni 2:4
מַה נָן קַיָימִין. אִם בְּאוֹמֵר מִכְּבָר מַשְׁקֶה מְעוּרָב הוּא. וְאִם בְּאוֹמֵר לִכְשֶׁיִּשָּׁתֶה לְמַפְרֵיעַה חוּלֵי שָׁתֵי. אֶלָּא כִּי נָן קַיָימִין בְּאוֹמֵר מִכְּבָר לִכְשֶׁיִּשָּׁתֶה.

Sobre o que estamos tratando (no caso da Mishná)? Se se trata de quem declara de antemão (que o sela resgata a porção que os puros beberem, antes de o vinho ser derramado), a bebida (no jarro) fica misturada (dízimo e chulin indistintamente, e os impuros não poderiam tocá-la). E se se trata de quem declara apenas no momento em que for beber, então, retroativamente, o que já foi bebido antes seria chulin bebido indevidamente (pois ainda não havia sido resgatado quando foi consumido). Mas, na verdade, estamos tratando de quem declara de antemão, condicionando a declaração ao momento em que o vinho for bebido.

05Impureza de morto e impureza de fluxo: quando podem beber do mesmo jarro
Yerushalmi · Maaser Sheni 2:4
בִּטְמֵאִין טָמֵא מֵת שֶׁאֵין כְּלִי חֶרֶשׂ מִיטָּמֵא מֵאֲחוֹרָיו. אֲבָל בִּטְמֵאִין טוּמְאַת זִיבָה שֶׁהַזָּב מִיטַּמֵּא בְּהֶסֵּט לֹא בְּדָא. בְּשֶׁאֵין אֶחָד מְעָרֶה אֲבָל אִם יֵשׁ אֶחָד מְעָרֶה אֲפִילוּ טְמֵאִים טוּמְאַת זִיבָה.

(A Mishná trata) de impuros por impureza de morto, pois um vaso de barro não se torna impuro por (contato com) suas costas (a face externa) — por isso mesmo um filho impuro por essa impureza pode manusear o jarro por fora e servir o vinho puro a seus irmãos. Mas quanto a impuros por impureza de fluxo (zivá), já que quem sofre de fluxo se torna impuro por deslocamento (sem contato direto), não é assim (não podem manusear o jarro) — isso vale quando não há um (terceiro puro) que derrame o vinho; mas se há um (terceiro) que derrame, mesmo que os filhos sejam impuros por impureza de fluxo (podem beber do mesmo jarro).

Nota

Esta é a quarta e última halachá do Perek Bet de Massechet Maaser Sheni: a Mishná estabelece as proporções para trocar um sela de segundo dízimo por moedas miúdas e prata, fora e dentro de Jerusalém, segundo a Casa de Shamai, a Casa de Hilel, Rabi Meir e os Sábios, os que debatiam diante dos Sábios, Rabi Akiva, Rabi Tarfon e Shamai; e fecha com o caso de quem tem filhos em parte puros e em parte impuros, que declara o sela resgatado sobre o que os puros beberem, para que ambos bebam do mesmo jarro.

A guemará explica, com Rabi Shimon ben Lakish, o limite exato da discordância entre Rabi Meir e os Sábios; identifica os sábios anônimos da Mishná — Ben Azai e Ben Zoma, Chananiá ben Chachinai e Rabi Elazar ben Matia, Rabi Yossei ben HaMeshulam e Rabi Shimon ben Menassiá; e explica o motivo de Shamai, quanto a esquecer e tratar o resto como chulin.

Fecha esclarecendo o caso dos filhos puros e impuros — a declaração antecipada do pai, condicionada ao momento da mistura — e distinguindo impureza de morto, que não impede o manuseio do jarro por fora, de impureza de fluxo, que o impede, salvo quando um terceiro puro derrama o vinho. Com esta halachá, encerra-se o Perek Bet de Massechet Maaser Sheni.