Primeira halachá do Perek Bet de Massechet Maaser Sheni, abrindo o segundo capítulo: a Mishná ensina que o segundo dízimo é dado para comer, para beber e para untar-se — comer o que costuma ser comido, e untar-se com o que costuma servir para untar; não se deve untar com vinho ou vinagre, mas com azeite. Não se perfuma óleo de segundo dízimo, nem se compra óleo perfumado com seu dinheiro, mas perfuma-se o vinho. Se um alimento de dízimo, misturado a mel, especiarias, ou cozido com alho-porró ou em massa, aumenta de valor, o aumento é proporcional quando perceptível, e pertence inteiramente ao Segundo quando não o é. A guemará abre com as duas tentativas de Rabi Yoná de provar, a partir do versículo do sangue e depois do versículo do dinheiro, que beber está incluído em comer; segue com as provas de Rabi Yossei, Rabi Chananiá em nome de Rabi Pinchas, Rabi Chinena e Rabi Aba Mari, a partir de juramentos, do jejum de Yom Kipur e do luto. Traz a tentativa de incluir untar-se em comer a partir de Devarim 12:17, e o desafio de que isso implicaria açoite fora da muralha, resolvido com a prova de Rabi Lazar em nome de Rabi Simai de que se trata de mandamento positivo. Detalha o que conta como "comer e beber o costumeiro" — pão mofado, trigo cru, caldo de peixe azedo, vinho com borra — e os casos de dor de dentes, de garganta e de cabeça. Discute óleo e vinho perfumados, o óleo rançoso segundo Rabi Yudan e Rabi Mana, e o sussurro medicinal com azeite no Shabat segundo Shimon bar Aba, Rabi Yaakov bar Idi e Rabi Yossei. Fecha com a disputa de Rabi Yochanan e Reish Lakish sobre peixes cozidos com alho-porró e massa assada — se o critério é o aumento de volume ou o sabor perceptível —, e com a mulher que pediu emprestado especiarias, água e sal para sua massa, e os limites do Shabat segundo Rabi Ba.
Mishná: Segundo dízimo é dado para comer, para beber e para untar-se: comer o que costuma ser comido, e untar-se com o que costuma servir para untar. Não se deve untar com vinho ou vinagre, mas unta-se com azeite. Não se perfuma óleo de segundo dízimo, nem se compra com dinheiro de segundo dízimo óleo perfumado, mas perfuma-se o vinho. Se pôs nele mel e especiarias e o alimento aumentou de valor, o aumento é proporcional (paga-se com dinheiro comum a parte que corresponde ao aumento). Peixes que foram cozidos com alho-porró de segundo dízimo e aumentaram de valor, o aumento é proporcional. Massa de segundo dízimo que, ao ser assada, aumentou de valor, o aumento pertence ao Segundo (inteiramente, sem divisão). Esta é a regra: tudo cujo aumento é perceptível, o aumento é proporcional; e tudo cujo aumento não é perceptível, o aumento pertence ao Segundo.
"Segundo dízimo é dado para comer" etc. É dado para comer, porque a respeito dele está escrito "comer". Para beber, porque o beber está incluído no comer. De onde que o beber está incluído no comer? Rabi Yoná o ouviu disto: "por isso disse aos filhos de Israel: toda pessoa dentre vós não comerá sangue" (Vayikrá 17:12). Sobre o que estamos tratando? Se sobre sangue coagulado, não ensinamos que sangue coagulado não é nem comida nem bebida? Mas estamos tratando dele tal como é (sangue fluido), e a Torá o chamou de "comer". Mas não se ensina: "se derreteu a gordura e a sorveu, ou coagulou o sangue e o comeu, eis que é culpado"? Como resolve isso Rabi Yoná? Não é comida, para ser suscetível à impureza de comida; nem bebida, para ser suscetível à impureza de bebida. Rabi Yoná voltou atrás e o ouviu daqui: "e gastarás o dinheiro em tudo que desejar tua alma" (Devarim 14:26). Sobre o que estamos tratando? Se sobre quem dá sabor de vinho a um guisado, acaso o sabor não é um defeito (o vinho piora o sabor do guisado, não é um verdadeiro "comer" de vinho)? Os rabinos de Cesareia disseram: explica-se com aqueles orzeneia e gamzuzineia (certos temperos ou bebidas à base de resina ou goma, cuja identificação exata se perdeu). Tudo o que é acessório ao comer é como o comer.
Rabi Yossei o ouviu daqui: "juramento de que não comerei" — e comeu e bebeu, é culpado duas vezes (Mishná Shevuot 3:2). Os colegas disseram: não é culpado senão uma vez. Disse-lhes Rabi Yossei: dizem depois disso: "juramento de que não comerei nem beberei" — e comeu e bebeu, é culpado duas vezes. Se alguém tivesse diante de si dois pães, e dissesse "juramento de que não comerei este pão", e voltasse a dizer "juramento de que não comerei aquele pão", acaso não seria culpado duas vezes? (assim também aqui, "comer" e depois "beber" seriam dois juramentos distintos e separados, o que não prova que beber esteja incluído em comer). Rabi Chananiá em nome de Rabi Pinchas o ouviu daqui: "juramento de que não comerei" — e comeu alimentos impróprios para comer, e bebeu bebidas impróprias para beber, está isento; logo, se bebeu bebidas próprias para beber, é culpado (mesmo tendo jurado apenas quanto a "comer" — o que prova que beber está incluído nisso). Isso está bem quanto a "juramento de que não comerei"; mas segundo os rabinos que dizem "juramento de que não comerei e não beberei" (que juram separadamente sobre ambos — como se resolve a prova)? Rabi Chinena o ouviu disto: "comeu e bebeu num só esquecimento, não é culpado senão uma vez" (Mishná Yoma 8:3, sobre quem come e bebe inadvertidamente em Yom Kipur). Rabi Aba Mari o ouviu daqui: "não comi dele em meu luto" (Devarim 26:14) — mas bebi? (o versículo não menciona beber separadamente, o que prova que está incluído em comer). Está bem, segundo quem diz "juramento de que não comerei" — e bebeu; mas segundo quem diz "juramento de que não beberei" — e comeu? O beber está incluído no comer, mas o comer não está incluído no beber.
Há quem queira entender isto daqui: "não poderás comer em teus portões o dízimo de teu cereal, de teu vinho novo e de teu óleo puro" (Devarim 12:17). "Teu vinho novo" — é o vinho; "e teu óleo puro" — é untar-se, e a Torá o chamou de "comer". Mas isso não é claro (que o versículo identifique formalmente untar-se com comer). Se disseres que é claro, seria açoitado por isso fora da muralha (quem usa teruma impura de segundo dízimo para untar-se seria punido como quem come indevidamente). Disse Rabi Yossei ben Chanina: não se açoita fora da muralha senão por segundo dízimo puro que entrou em Jerusalém e saiu. De onde que não é claro? Como se ensina: "no Shabat, tanto untar-se por prazer quanto sem ser por prazer é permitido; em Yom Kipur, tanto untar-se por prazer quanto sem ser por prazer é proibido; em Tishá beAv e nos jejuns públicos, untar-se por prazer é proibido, e sem ser por prazer é permitido." Mas não se ensina: "untar-se equipara-se a beber quanto à proibição e ao pagamento (o quinto adicional), mas não quanto à pena; em Yom Kipur, quanto à proibição, mas não quanto à pena"? E não se ensina: "não profanarão" (Vayikrá 22:15), para incluir quem se unta e quem bebe (referindo-se a quem consome indevidamente comida sagrada por engano)? Disse Rabi Yochanan: aqui não há "unta-se". Disse Rabi Aba Mari: e se aqui não há "unta-se", também não há "bebe", pois então algo que provém de duas proibições distintas se somaria (se o versículo de Vayikrá fosse necessário para incluir beber em comer, seria incompreensível que comer e beber juntos, por engano, em Yom Kipur, gerassem apenas uma única obrigação de sacrifício, já que se infringiriam duas proibições bíblicas separadas)!
De onde que é claro como mandamento positivo? Rabi Lazar em nome de Rabi Simai: "nem dele dei para o morto" (Devarim 26:14). Sobre o que estamos tratando? Se para trazer-lhe caixão e mortalhas, coisa que é proibida para o vivo — para o vivo é proibida, tanto mais para o morto! Qual é a coisa que é permitida para o vivo e proibida para o morto? Dirás: é untar-se.
Como se define "comer o que costuma ser comido"? Não se obriga a comer pão mofado, nem talos de hortaliça descartados, nem guisado cuja forma se estragou. E também: se pediu para comer acelgas cruas, ou mastigar trigo cru, não se lhe atende. Como se define "beber o que costuma ser bebido"? Não se obriga a beber caldo de peixe untuoso, nem caldo de peixe azedo, nem vinho com borra. Quem sente dor nos dentes não deve sorver vinagre e cuspir, mas pode sorvê-lo e engoli-lo, e mergulhar nele tudo o que precisar, sem se abster. Quem sente dor na garganta não deve gargarejar com azeite, mas pode pôr bastante azeite dentro do caldo de peixe e sorvê-lo. Não deve untar-se com vinho e vinagre, mas unta-se com azeite. Quem sente dor na cabeça, ou a quem surgiram feridas, unta-se com azeite, mas não se unta com vinho e vinagre.
Vinho de segundo dízimo que foi perfumado é proibido untar-se com ele. Óleo de segundo dízimo que foi perfumado é permitido untar-se com ele. Qual a diferença entre um e outro? Este (o óleo) costuma ser usado assim (perfumado, para untar-se), e aquele (o vinho) não costuma ser usado assim. Rabi Yudan perguntou sobre óleo de segundo dízimo que rançou. Disse Rabi Mana: uma vez que rançou, sua santidade se rompeu dele (deixa de ser sagrado, pois já não serve como alimento). Por que precisava perguntar? Porque quanto ao óleo de shevi'it, ainda que rançou, permanece em sua santidade (e por isso poderia parecer que o mesmo valeria para o segundo dízimo). Shimon bar Aba em nome de Rabi Chanina: aquele que sussurra (fórmulas de cura sobre um doente) põe azeite sobre a cabeça dele e sussurra, contanto que não o ponha nem com a mão nem com um utensílio (no Shabat, quando procedimentos médicos são proibidos). Rabi Yaakov bar Idi, Rabi Yochanan em nome de Rabi Yanai: põe tanto com a mão quanto com utensílio. Qual a diferença entre eles? Se é repulsivo. Quem diz que põe tanto com a mão quanto com utensílio entende que é repulsivo (e por isso permitido no Shabat, pois ninguém pensaria tratar-se de cura). Quem diz que põe sobre a cabeça e sussurra, sem mão nem utensílio, entende que não é repulsivo. Disse Rabi Yoná: discordam quanto ao segundo dízimo. Quem diz que põe tanto com a mão quanto com utensílio — o segundo dízimo é proibido (pois usá-lo assim seria uso medicinal, vedado). Quem diz que põe sobre a cabeça e sussurra — o segundo dízimo é permitido. Disse Rabi Yossei: acaso tudo o que é permitido no Shabat é permitido com segundo dízimo, e tudo o que é proibido no Shabat é proibido com segundo dízimo? Não se ensina: "a mulher pode lavar seu filho com vinho, no Shabat, por causa do suor"; mas com teruma é proibido? Ora, teruma e segundo dízimo são o mesmo quanto a essas restrições — como se explica então? Contanto que não o faça no Shabat do mesmo modo que faz em dia de semana.
"Peixes cozidos com alho-porró de segundo dízimo, e aumentaram de valor, o aumento é proporcional." Disse Rabi Hoshaia: isto é segundo Rabi Yehudá, pois ensinamos que Rabi Yehudá permite quanto ao molho de peixe, já que ali o alho-porró serve apenas para tirar o mau cheiro (e por isso não conta como aumento próprio do segundo dízimo). Os rabinos de Cesareia perguntaram — e é o que disse Rabi Abahu em nome de Rabi Yochanan: todos os alimentos proibidos são medidos como se fossem cebola, como se fossem alho-porró — o que não está de acordo com Rabi Yehudá? Rabi Yehudá concorda quanto à cebola consagrada ao Templo; Rabi Yehudá concorda quanto à cebola de idolatria (nesses casos especiais, mesmo pouca quantidade importa). Disse Rabi Yochanan: tudo o que aumenta a medida (o volume), o aumento é proporcional; e tudo o que não aumenta a medida, o aumento pertence ao Segundo. Rabi Shimon ben Lakish disse: tudo cujo sabor do aumento é perceptível, o aumento é proporcional; e tudo cujo sabor do aumento não é perceptível, o aumento pertence ao Segundo. A Mishná discorda de Rabi Yonatan: "massa de segundo dízimo que, assada em pão, aumentou de valor, o aumento pertence ao Segundo" — resolve-se isso quando o sabor do aumento não é perceptível. A Mishná discorda de Rabi Yochanan: "peixes cozidos com alho-porró de segundo dízimo, e aumentaram de valor, o aumento é proporcional" — Rabi Yossei em nome de Rabi Hoshaia: resolve-se isso quando cozinhou os dois juntos ao mesmo tempo (aumentando assim o volume). Rabi Yoná em nome de Rav Hoshaia perguntou: pensa bem, e se cozinhou cada um separadamente e depois os misturou (aí não haveria aumento de volume, apenas de sabor, o que contrariaria Rabi Yochanan)? Acaso há nos peixes outro sabor senão o do alho-porró, e no alho-porró outro sabor senão o dos peixes? (sempre há troca de sabor entre os dois, mesmo cozidos separadamente e depois misturados, de modo que a questão permanece).
A Mishná discorda de Rabi Yochanan: "a mulher que pediu emprestado à sua amiga especiarias, água e sal para sua massa, eis que estas seguem os pés de ambas" (Mishná Beitzá 5:4 — quanto aos limites do Shabat e Iom Tov dentro dos quais a massa pode ser levada, ela segue o domínio de ambas as mulheres, ainda que a quantidade emprestada seja mínima e não aumente o volume perceptivelmente). Disse Rabi Ba: os limites (techumin) seguem a medida do direito (uma regra própria e lógica, não relacionada à questão do aumento perceptível). Saibas que é assim, pois ali dizem em nome de Rav Chisda — e não sabemos se é de uma tradição ou de uma mishná — "até mesmo lenha". Pensávamos dizer que a lenha não tem substância própria (e mesmo assim segue os pés de ambas, provando que a regra dos limites é puramente lógica, sem relação com sabor ou volume). Uma baraita discorda de Rabi Shimon ben Lakish: "guisado de segundo dízimo que foi temperado com especiarias comuns, o aumento pertence ao Segundo" — resolve-se isso quando o sabor do aumento não é perceptível. Mas não se ensina: "guisado comum que foi temperado com especiarias de segundo dízimo, o segundo dízimo não escapa de seu resgate" (todo o prato deve ser tratado com a santidade do dízimo, ou este deve ser resgatado)? Segundo a opinião de Rabi Yochanan, desde que ali tenha havido aumento de medida; segundo a opinião de Rabi Shimon ben Lakish, desde que o sabor do aumento seja perceptível.
Esta é a primeira halachá do Perek Bet de Massechet Maaser Sheni, abrindo o segundo capítulo: a Mishná ensina que o segundo dízimo é dado para comer, beber e untar-se; que não se deve untar com vinho ou vinagre, mas com azeite; que não se perfuma óleo de segundo dízimo, mas perfuma-se o vinho; e que o aumento de valor de uma mistura é proporcional quando perceptível, ou pertence inteiramente ao Segundo quando não o é.
A guemará abre com as duas tentativas de Rabi Yoná de provar, a partir do sangue e do dinheiro, que beber está incluído em comer; segue com as provas de Rabi Yossei, Rabi Chananiá, Rabi Chinena e Rabi Aba Mari a partir de juramentos, do jejum de Yom Kipur e do luto; traz a tentativa de incluir untar-se em comer e o desafio do açoite fora da muralha, resolvido com a prova de que se trata de mandamento positivo; e detalha o que conta como comer e beber o costumeiro, com os casos de dor de dentes, garganta e cabeça.
Fecha com as regras de óleo e vinho perfumados, o óleo rançoso, e o sussurro medicinal com azeite no Shabat; e com a disputa de Rabi Yochanan e Reish Lakish sobre peixes com alho-porró e massa assada, e sobre a mulher que pediu emprestado especiarias e sal — se o critério do aumento de valor é o volume ou o sabor perceptível.