Talmud Yerushalmi · Massechet Maaser Sheni · Perek Alef · Halachá 2
מַעֲשֵׂר שֵׁנִי

Quem compra animal para sacrifício de paz, e o couro que se torna comum

Perek Alef, Halachá 2, no Talmud Yerushalmi, Massechet Maaser Sheni

Segunda halachá de Massechet Maaser Sheni: a Mishná ensina que, quando alguém compra um animal doméstico com dinheiro de segundo dízimo para oferecê-lo como sacrifício de paz, e um animal selvagem (que jamais pode ser sacrifício) para carne de desejo, o couro do animal doméstico se torna comum, ainda que valha mais que a própria carne; da mesma forma, tornam-se comuns os cântaros de vinho vendidos selados onde é costume vendê-los assim, e as cascas de nozes e amêndoas; e o temed — vinho fraco da segunda prensagem das uvas — não se compra com dinheiro de dízimo antes de fermentar, mas se compra depois de fermentado. Quando, porém, a compra é invertida — animal selvagem para sacrifício de paz e doméstico para carne de desejo — ou o costume local é o oposto, nada se torna comum. A guemará abre com a palavra de Ben Bag Bag sobre gastar o dinheiro do dízimo "em tudo que desejar tua alma", permitindo comprar um animal por causa do seu couro; distingue entre vendedor leigo e vendedor profissional, e entre comprador leigo e comprador profissional; trata dos cestos e caixas de tâmaras, prensadas ou não; retoma o caso do temed; discute a opinião de Rabi Elazar de que a compra do animal para carne de desejo não é válida como aquisição de dízimo; explora, com Rabi Yossei em nome de Rabi Yochanan, se o animal do segundo dízimo em Jerusalém está sujeito às leis do primogênito, segundo Rabi Meir ou segundo Rabi Yehuda, com a pergunta de Rabi Yirmeya sobre a cria que nasce primogênita; e fecha com a sequência de decretos rabínicos que, com o tempo, restringiram cada vez mais a compra de animais defeituosos, selvagens ou aves com dinheiro do dízimo, e a discussão entre Rabi Yirmeya e Rabi Zeira sobre o alcance desses decretos.

A Mishná · מַתְנִיתִין

הַלּוֹקֵחַ בְּהֵמָה לְזִבְחֵי שְׁלָמִים וְחַיָּה לִבְשַׂר הַתַּאֲוָה יָצָא הָעוֹר לְחוּלִין אַף עַל פִּי שֶׁהָעוֹר מְרוּבֶּה עַל הַבָּשָׂר. כַּדֵּי יַיִן סְתוּמוֹת מָקוֹם שֶׁדַּרְכָּן לִימָּכֵר סְתוּמוֹת יָצָא קַנְקַן לְחוּלִין. הָאֶגּוֹזִים וְהַשְּׁקֵדִים יָצְאוּ קְלִיפֵּיהֶן לְחוּלִין. הַתֶּמֶד עַד שֶׁלֹּא הֶחֱמִיץ אֵינוֹ נִלְקָח בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר וּמִשֶּׁהֶחֱמִיץ נִלְקָח בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר. הַלּוֹקֵחַ חַיָּה לִזִבְחֵי שְׁלָמִים וּבְהֵמָה לִבְשַׂר הַתַּאֲוָה לֹא יָצָא הָעוֹר לְחוּלִין. כַּדֵּי יַיִן פְּתוּחוֹת אוֹ סְתוּמוֹת מָקוֹם שֶׁדַּרְכָּן לִימָּכֵר פְּתוּחוֹת לֹא יָצָא קַנְקַן לְחוּלִין. סַלֵּי תְאֵינִים וְסַלֵּי עֲנָבִים עִם הַכֶּלִי לֹא יָצְאוּ דְמֵי הַכֶּלִי לְחוּלִין.

Mishná: Quem compra um animal doméstico para sacrifícios de paz, e um animal selvagem para carne de desejo, o couro (do animal doméstico) se torna comum, ainda que o couro valha mais que a carne. Cântaros de vinho selados, em lugar onde costumam vender selados, o cântaro se torna comum. As cascas das nozes e das amêndoas se tornam comuns. O temed (vinho fraco da segunda prensagem), antes de fermentar, não se compra com dinheiro de dízimo; e depois de fermentar, compra-se com dinheiro de dízimo. Quem compra um animal selvagem para sacrifícios de paz, e um animal doméstico para carne de desejo, o couro não se torna comum. Cântaros de vinho abertos ou selados, em lugar onde costumam vender abertos, o cântaro não se torna comum. Cestos de figos e cestos de uvas com o próprio recipiente, o valor do recipiente não se torna comum.

A Halachá · הֲלָכָה ב

01Ben Bag Bag: comprar por causa do couro, da lã ou do cântaro
Yerushalmi · Maaser Sheni 1:2
תַּנֵּי בֶּן בַּגְבַּג אוֹמֵר וְנָתַתָּ הַכֶּסֶף בְּכָל אֲשֶׁר תְּאַוֶּה נַפְשְׁךָ. תַּנֵּי לוֹקֵחַ הוּא אָדָם פָּרָה מִפְּנֵי עוֹרָהּ וְצֹאן מִפְּנֵי גִיזָתָהּ וְיַיִן מִפְּנֵי קַנְקַנּוֹ. אָמַר רִבִּי זְעִירָא הָדָא דְתֵימָא בְּשֶׁהָיָה הַמּוֹכֵר הֶדְיוֹט. אֲבָל אִם הָיָה הַמּוֹכֵר אוּמָּן נַעֲשֶׂה כְּמוֹכֵר זֶה בִּפְנֵי עַצְמוֹ וְזֶה בִּפְנֵי עַצְמוֹ. אָמַר רִבִּי זְעִירָה מַתְנִיתָא אָמְרָה כֵן כַּדֵּי יַיִן סְתוּמוֹת מָקוֹם שֶׁדַּרְכָּן לִימָּכֵר סְתוּמוֹת יָצָא קַנְקַן לְחוּלִין. אָמַר רִבִּי מָנָא וּמִנָּהּ כְּמַה דְתֵימַר תַּמָּן אִם הָיָה הַמּוֹכֵר אוּמָּן נַעֲשֶׂה כְּמוֹכֵר זֶה בִּפְנֵי עַצְמוֹ וְזֶה בִּפְנֵי עַצְמוֹ. וְדִכְוָותָהּ אִם הָיָה הַלּוֹקֵחַ אוּמָּן נַעֲשֶׂה כְּלוֹקֵחַ זֶה בִּפְנֵי עַצְמוֹ וְזֶה בִּפְנֵי עַצְמוֹ.

Foi ensinado: Ben Bag Bag diz: "e darás o dinheiro de dízimo por tudo que desejar tua alma" (Devarim 14:26). Foi ensinado: a pessoa pode comprar uma vaca por causa de seu couro, e ovelhas por causa de sua lã, e vinho por causa de seu cântaro. Disse Rabi Zeira: isto se diz quando o vendedor era um leigo; mas se o vendedor era um profissional, torna-se como se vendesse isto separadamente e aquilo separadamente (o couro pago à parte, com dinheiro comum). Disse Rabi Zeira: uma mishná já diz assim: "cântaros de vinho selados, em lugar onde costumam vender selados, o cântaro se torna comum." Disse Rabi Mana: e a partir disso, assim como se diz ali que, se o vendedor era profissional, torna-se como se vendesse isto separadamente e aquilo separadamente, do mesmo modo, se o comprador era profissional, torna-se como se comprasse isto separadamente e aquilo separadamente.

02Cestos e caixas de tâmaras, prensadas ou não
Yerushalmi · Maaser Sheni 1:2
חוֹתֶל שֶׁלְתְּמָרִים פַּטּוֹלַיָיא שֶׁלְתְּמָרִים יָצְאוּ לְחוּלִין. קוּפּוֹת שֶׁלְתְּמָרִים אִית תַּנָּיֵי תַנֵּי יָצְאוּ וְאִית תַּנָּיֵי תַנֵּי לֹא יָצְאוּ. אָמַר רַב חִסְדָּא מָאן דְּאָמַר יָצְאוּ דְּרוּסוֹת. וּמָאן דְּאָמַר לֹא יָצְאוּ בְּשֶׁאֵינָן דְּרוּסוֹת.

Cestos de folha de palmeira de tâmaras, e as bandejas de tâmaras se tornam comuns. Quanto às caixas de tâmaras, há tannaim que ensinam que se tornam comuns, e há tannaim que ensinam que não se tornam comuns. Disse Rav Chisda: quem disse que se tornam comuns fala de quando estavam prensadas (inseparáveis do recipiente); e quem disse que não se tornam comuns fala de quando não estavam prensadas.

03O temed antes e depois de fermentar, segundo Rabi Yehuda
Yerushalmi · Maaser Sheni 1:2
הַתֶּמֶד עַד שֶׁלֹּא הֶחֱמִיץ אֵינוֹ נִקַּח בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר וּפוֹסֵל אֶת הַמִּקְוֶה מִשֶּׁהֶחֱמִיץ נִקַּח בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר וְאֵינוֹ פוֹסֵל אֶת הַמִּקְוֶה. מַתְנִיתִין דְּרִבִּי יוּדָה דְּתַנִּינָן תַּמָּן הַמְתַמֵּד וְנָתַן מַיִם בְּמִידָּה וּמָצָא כְדֵי מִידָּתוֹ פָּטוּר. רִבִּי יוּדָה מְחַיֵיב. אָמַר רִבִּי אַבָּהוּ זִימְנִין אָמַר לָהּ בְּשֵׁם רִבִּי לָעְזָר וְזִימְנִין אָמַר לָהּ בְּשֵׁם רִבִּי יוֹסֵי בֵּירִבִּי חֲנִינָא. וְהוּא שֶׁהֶחֱמִיץ. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי דִּבְרֵי הַכֹּל הִיא שֶׁכֵּן אֲפִילוּ מֵי מֶלַח נִיקָּחִין בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר.

"O temed, antes de fermentar, não se compra com dinheiro de dízimo, e invalida o mikvê (pois ainda é considerado água); depois de fermentar, compra-se com dinheiro de dízimo, e não invalida o mikvê." Nossa Mishná é segundo Rabi Yehuda, pois ensinamos ali: "quem faz temed e põe água na medida, e encontra depois a mesma medida, está isento (de dízimo sobre essa água); Rabi Yehuda o obriga." Disse Rabi Abahu: às vezes o dizia em nome de Rabi Elazar, e às vezes em nome de Rabi Yossei beRabi Chanina: e isso apenas quando já havia fermentado. Disse Rabi Yossei: é opinião de todos, pois até água salgada se compra com dinheiro de dízimo.

04Rabi Elazar: o dízimo não adquiriu
Yerushalmi · Maaser Sheni 1:2
אָמַר רִבִּי לָעְזָר לֹא קָנָה מַעֲשֵׂר. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי בְּקַדְמִיָיתָא הֲוִינָן מָרִין הַלּוֹקֵחַ בְּהֵמָה לִבְשַׂר תַּאֲוָה עַל כּוֹרְחוֹ נִתְפָּס הַשֵּׁם לִשְׁלָמִים וְלָא הֲוִינָן אָמְרִין כְּלוּם מִן הָדָא דְאָמַר רִבִּי לָעְזָר לֹא קָנָה מַעֲשֵׂר.

Disse Rabi Elazar: o dízimo não adquiriu (a transação é inválida; o comprador devolve o animal e o vendedor devolve o dinheiro). Disse Rabi Yossei: antes, dizíamos que quem compra um animal para carne de desejo, contra sua vontade o nome de sacrifício de paz recai sobre ele; e não dissemos mais nada quanto a isso, por causa disto que disse Rabi Elazar: o dízimo não adquiriu.

05O animal do segundo dízimo em Jerusalém e as leis do primogênito
Yerushalmi · Maaser Sheni 1:2
רִבִּי יוֹסֵי בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן בְּהֵמָת מַעֲשֵׂר שֵׁינִי בִּירוּשָׁלֵם כְּרִבִּי מֵאִיר פְּטוּרָה מִן הַבְּכוֹרָה כְּרִבִּי יְהוּדָה חַיֶיבֶת בְּבְכוֹרָה. רִבִּי יִרְמְיָה בָּעֵא קוֹמֵי רִבִּי זְעִירָא יָלְדָה בְּכוֹר אֵימוֹרָיו מַהוּ שֶׁיִּקְרְבוּ לְגַבֵּי מִזְבֵּחַ. וְלֹא חָל מַעֲשֵׂר שֵׁינִי עַל אֵימוֹרָיו וְלֹא נִמְצָא מַבְרִיחוֹ מִן הָאֲכִילָה. אָמַר לֵיהּ וְכִי הַלּוֹקֵחַ בְּשַׂר בְּהֵמָה לִבְשַׂר תַּאֲוָה לֹא חָל מַעֲשֵׂר שֵׁינִי עַל אֵימוֹרֶיהָ וְלֹא נִמְצָא מַבְרִיחָהּ מִן הָאֲכִילָה. אָמַר לֵיהּ בִּלְקִיחָתָהּ פָּקְעָה מִמֶּנָּהּ קְדוּשַּׁת מַעֲשֵׂר. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי וַאֲנָן לֹא הֲוִינָן אָמְרִין כֵּן. אֶלָּא לֹא הִתִּירָה הַתּוֹרָה לִיקַּח בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר אֶלָּא שְׁלָמִים בִּלְבַד. מַה נַפְקָה מִבֵּינֵיהוֹן וְולָדָהּ בְּכוֹר וְהִקְדִּשָׁהּ שְׁלָמִים. מָאן דְּאָמַר לֹא הִתִּירָה הַתּוֹרָה לִקַּח בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר אֶלָּא שְׁלָמִים בִּלְבַד קְרֵיבָה. מָאן דְּאָמַר בִּלְקִיחָתָהּ פָּקְעָה מִמֶּנָּהּ קְדוּשַּׁת מַעֲשֵׂר אֵינָהּ קְרֵיבָה.

Rabi Yossei em nome de Rabi Yochanan: o animal do segundo dízimo em Jerusalém, segundo Rabi Meir, está isento das leis do primogênito; segundo Rabi Yehuda, está sujeito às leis do primogênito. Rabi Yirmeya perguntou perante Rabi Zeira: se a fêmea comprada com dinheiro de dízimo deu à luz um primogênito, o que se faz de suas partes sacrificiais — devem ser oferecidas sobre o altar? Mas então o segundo dízimo não recaiu sobre suas partes sacrificiais, e não se encontraria com isso motivo para afastá-las do consumo (pelo dono, como manda o dízimo)? Disse-lhe: mas, quem compra carne de animal para carne de desejo, acaso o segundo dízimo não recai igualmente sobre suas partes sacrificiais, e não se encontraria motivo para afastá-la do consumo? Disse-lhe: no momento da compra do animal para sacrifício, a santidade do dízimo se desprendeu dele. Disse Rabi Yossei: e nós não dizíamos assim, mas sim que a Torá só permitiu comprar com dinheiro de dízimo sacrifícios de paz somente. Qual é a diferença prática entre as duas opiniões? Se sua cria era um primogênito, e ele a consagrou depois como sacrifício de paz. Para quem diz que a Torá só permitiu comprar com dinheiro de dízimo sacrifícios de paz somente, ela é oferecida; para quem diz que, no momento da compra, a santidade do dízimo se desprendeu dela, ela não é oferecida.

06A mishná do trigo e do dinheiro de dízimo apoia Rabi Zeira
Yerushalmi · Maaser Sheni 1:2
אָמַר רִבִּי יוֹסֵי הָא כָּל אִילֵּין מִילַּיָיא אֲנָן מָרִין וּמַתְנִיתָא מְסַיְיעָא לְרִבִּי זְעִירָא. לֹא יָבִיא מֵחִיטֵּי מַעֲשֵׂר שֵׁינִי אֶלָּא מִמָּעוֹת מַעֲשֵׂר שֵׁינִי. מַה בֵּין חִטִּים וּמַה בֵּין מָעוֹת. אֶלָּא בִּלְקִיחָתָהּ פָּקְעָה מִמֶּנָּהּ קְדוּשַּׁת מַעֲשֵׂר. אָמַר רִבִּי חִינְנָא קוֹמֵי רִבִּי מָנָא וְיָבִיא מִן הַחִיטִּים הַתְּרוּמָה לַכֹּהֵן וְהַשְׁאָר לַבְּעָלִין מִפְּנֵי מָה אֵינוֹ מֵבִיא. אָמַר לֵיהּ הַגַּע עַצְמָךְ שֶׁנִּשְׁפַּךְ הַדָּם לֹא נִפְסַל הַלֶּחֶם.

Disse Rabi Yossei: eis que todas estas palavras nós as dizíamos sem prova, mas uma mishná apoia Rabi Zeira: "não deve trazer o pão da oferenda de agradecimento do trigo de segundo dízimo, mas apenas do dinheiro de segundo dízimo." Qual a diferença entre o trigo e o dinheiro? Só pode ser que, no momento da compra do trigo com o dinheiro, a santidade do dízimo se desprendeu dele. Disse Rabi Chinena perante Rabi Mana: mas que traga do próprio trigo de dízimo — a teruma (o pão elevado) para o cohen e o resto para os donos; por que não traz assim? Disse-lhe: imagina que se derramasse o sangue do sacrifício antes de aspergido — o pão não se invalidaria junto com ele? Se o pão fosse feito do próprio trigo de dízimo, sua perda seria irremediável; por isso deve ser comprado à parte, com o dinheiro.

07Os decretos sucessivos: da fêmea defeituosa até proibir mesmo o animal íntegro
Yerushalmi · Maaser Sheni 1:2
אָמַר רִבִּי יוֹחָנָן גָּזְרוּ עַל נְקֵיבָה בַּעֲלַת מוּם מִפְּנֵי וְולָדָהּ. גָּזְרוּ עַל זָכָר בַּעַל מוּם מִפְּנֵי נְקֵיבָה בַּעֲלַת מוּם. וְאָמְרִין בְּשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן אֲפִילוּ תְמִימָה גְּזֵירָה. בָּרִאשׁוֹנָה הָיוּ אוֹמְרִים לוֹקְחִין בְּהֵמָה לִבְשַׂר תַּאֲוָה וְהָיוּ מַבְרִיחִין אוֹתוֹ מֵעַל גַּבֵּי הַמִּזְבֵּחַ. חָזְרוּ לוֹמַר לֹא יִקְחוּ אֲפִילוּ חַיָּה אֲפִילוּ עוֹפוֹת כְּהָדָא דְתַנֵּי אֶחָד שְׁבִיעִית וְאֶחָד מַעֲשֵׂר שֵׁינִי מַחֲלִיפִין אוֹתוֹ עַל נְקֵיבָה בַּעֲלַת מוּם וְעַל שְׁאָר בְּהֵמָה חַיָּה וְעוֹף בֵּין חַיִין בֵּין שְׁחוּטִין דִּברֵי רִבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים אֵין מְחַלְלִין אֶלָּא עַל הַשְּׁחוּטִין בִּלְבַד. רִבִּי יִרְמְיָה בְשֵׁם רִבִּי שְׁמוּאֵל בַּר רַב יִצְחָק גָּזְרוּ אוֹתָן שֶׁלֹּא יִרְעוּ אוֹתָן עֲדָרִים עֲדָרִים. קָם רִבִּי יִרְמְיָה עִם רִבִּי זְעִירָא אָמַר לֵיהּ עַד כְּדוֹן רִבִּי שְׁמוּאֵל בַּר רַב יִצְחָק קַיָים וְאַתּוּן תַּלְיָין בֵּיהּ מַרְטוּטֵיכִין. וְהָאָמַר בְּשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן אֲפִילוּ תְמִימָה גְּזֵירָה. דִּילְמָא דְלָא אִיתְאֲמָרַת אֶלָּא עַל הַשְּׁבִיעִית. אַשְׁכָּח תַּנֵּי עַל הַשְּׁבִיעִית.

Disse Rabi Yochanan: decretaram sobre a fêmea defeituosa por causa de sua cria (que poderia ser criada como gado comum); decretaram sobre o macho defeituoso por causa da fêmea defeituosa. E disseram em nome de Rabi Yochanan: mesmo o animal íntegro é proibido comprar para simples carne de desejo, por decreto. No começo diziam: compram-se animais para carne de desejo, e os afastavam do altar (sem consagrá-los como sacrifício). Voltaram a dizer: não devem comprar sequer um animal selvagem, sequer aves, conforme se ensinou: "tanto a shevi'it quanto o segundo dízimo se trocam por uma fêmea defeituosa e por outros animais domésticos, selvagens e aves, sejam vivos sejam abatidos" — palavras de Rabi Meir. Mas os sábios dizem: só se resgata pelos abatidos somente. Rabi Yirmeya em nome de Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak: decretaram que não os apascentassem em rebanhos (para que não parecessem gado comum do dono). Levantou-se Rabi Yirmeya com Rabi Zeira, que lhe disse: Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak ainda está vivo, e já pendurais nele vossos farrapos (atribuís-lhe algo que ele não disse)! Não se disse em nome de Rabi Yochanan que mesmo o íntegro é decreto? Talvez isso se dissesse apenas sobre a shevi'it. Encontraram ensinado: sobre a shevi'it.

Nota

Esta é a segunda halachá de Massechet Maaser Sheni: a Mishná ensina o que se torna comum quando se compra animal para sacrifício de paz e para carne de desejo — o couro, os cântaros de vinho selados, as cascas de nozes e amêndoas — e as regras do temed antes e depois de fermentar, com a inversão que nada torna comum quando a compra ou o costume local são invertidos.

A guemará discute a palavra de Ben Bag Bag sobre gastar o dinheiro do dízimo conforme o desejo, a diferença entre vendedor e comprador leigos ou profissionais, os cestos e caixas de tâmaras prensadas, e a opinião de Rabi Elazar de que a compra do animal para carne de desejo não é válida como aquisição do dízimo.

Fecha com a discussão sobre se o animal do segundo dízimo em Jerusalém está sujeito às leis do primogênito, e com a sequência de decretos rabínicos que, com o tempo, restringiram cada vez mais a compra de animais defeituosos, selvagens ou aves com dinheiro do dízimo, culminando na proibição mesmo do animal íntegro para simples carne de desejo.