Segunda halachá do Perek Chet, Keitzad Mishtattfin (como se faz o shituf), de Massechet Eruvin. Depois de ensinar como se faz o shituf nos limites, a Mishná dá a medida do alimento do eruv: duas refeições para cada um; para Rabi Meir, as refeições do dia comum, e para Rabi Yehudá, as do Shabat, e os dois querem facilitar; para Rabi Yochanan ben Beroká, um pão comprado por um pundeyon, quando quatro seot de trigo custam um sela, e para Rabi Shimon, duas partes de um pão de três por kav; e a metade e a quarta parte desse pão são medidas para a casa atingida pela lepra e para quem come alimento impuro. Na guemará, Rabi Meir e Rabi Yudan explicam quando se come mais pão, no dia comum ou no Shabat; uma baraita diz que as palavras de Rabi Yochanan ben Beroká e de Rabi Shimon são próximas de ser iguais, e Rav Huna resolve a diferença tirando um terço para a despesa do padeiro; e Rabi Yossi beRabi Bun aplica essa medida aos padeiros. O Bavli discute esta Mishná em Eruvin 82b e 83a.
Mishná: Quanto é o seu shiur (medida), o do eruv? Alimento de duas seudot (refeições) para cada um e cada um: o seu alimento para o chol (dia comum), mas não para o Shabat, palavras de Rabi Meir. Rabi Yehudá diz: Para o Shabat, mas não para o dia comum. Estes e aqueles têm a intenção de facilitar. Rabi Yochanan ben Beroká diz: É a medida de um kikar (pão) comprado por um pundeyon (moeda pequena), quando se vendem quatro seot (medidas de grão) por um sela (moeda de prata). Rabi Shimon diz: De duas partes de um pão, dos que se fazem três por kav (medida de grão). A sua metade é a medida para a casa atingida pela lepra; e a metade da sua metade, para desqualificar o corpo.
Rabi Meir diz: No dia comum, em que não tem o que comer com o pão, ele come pouco pão; no Shabat, em que tem o que comer com o pão, ele come muito pão. Rabi Yudan diz: No dia comum, em que não tem o que comer além do pão, ele come muito pão; no Shabat, em que tem o que comer além do pão, ele come pouco pão.
E assim se ensinou numa baraita: As palavras deles, de Rabi Yochanan ben Beroká e de Rabi Shimon, são próximas de ser iguais. Vem e vê! Este faz o igul (pão redondo) de doze beitzim (ovos, como medida de volume), e aquele faz o igul de oito, e tu dizes assim, que são próximas? Rav Huna disse: Tira deles um terço para a yetziá (a despesa). Rabi Yossi beRabi Bun fixou para estes padeiros o seu ganho conforme esta palavra de Rav Huna, e somente esta medida.
Esta é a segunda halachá do Perek Chet, Keitzad Mishtattfin, de Massechet Eruvin. A halachá ocupa três segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, o segundo é a seção 01 desta página, e o terceiro, a seção 02. A sua Mishná corresponde à Mishná avulsa Eruvin 8:2, inteira e sem diferença de conteúdo. Há diferenças de palavras: o Yerushalmi tem לְכָל אֶחָד וְאֶחָד, “para cada um e cada um”, onde a avulsa tem só לְכָל אֶחָד, “para cada um”; tem duas vezes אֲבָל לֹא, “mas não”, onde a avulsa tem וְלֹא, “e não”; tem אֵילּוּ וָאֵילּוּ, “estes e aqueles”, onde a avulsa tem וְזֶה וָזֶה, “este e aquele”; e tem מִשְּׁתֵּי יָדוֹת, “de duas partes”, onde a avulsa tem שְׁתֵּי יָדוֹת, sem o mem. As outras diferenças são de grafia e de vocalização: o Yerushalmi tem שִׁיעוּרוֹ, לַחוֹל, לַשַּׁבָּת, מִתְכַּוְּונִין, בְּרוֹקָא, בַּפּוּנְדְּיוֹן, בַּסֶּלַע, לַכִּכָּר, לַקַּב, חֶצְיָיהּ, הַמְנוּגָּע e הַגְּוִיָיה, onde a avulsa tem שִׁעוּרוֹ, לְחֹל, לְשַׁבָּת, מִתְכַּוְּנִין, בְּרוֹקָה, בְּפֻנְדְּיוֹן, בְּסֶלַע, לְכִכָּר, לְקָב, חֶצְיָהּ, הַמְנֻגָּע e הַגְּוִיָּה; e a avulsa tem vírgulas e pontos onde o Yerushalmi, no Sefaria, tem menos. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 82b, com לְכׇל אֶחָד וְאֶחָד, como o Yerushalmi, e וְזֶה וָזֶה, como a avulsa. O Bavli deste site ainda vai só até Eruvin 61b; por isso esta página não traz links para Eruvin 82b e 83a.
Sobre a Mishná. O Penei Moshe explica que duas refeições são a medida de comer de cada dia, uma de dia e uma de noite, e que quem adquire a sua morada num lugar precisa ali ao menos da medida de comer do seu dia; o Korban HaEdah diz que, como adquiriu ali a sua morada, precisa pôr ali o alimento de que precisa para o Shabat. Para a medida de Rabi Yochanan ben Beroká, os dois fazem a conta: quatro seot são vinte e quatro kabin, porque a seá tem seis kabin; o sela tem quatro dinarim, e o dinar, seis maot, de modo que o sela tem vinte e quatro maot, um kav por maá; e a maá tem dois pundeyonim; logo, o pão comprado por um pundeyon seria meio kav. O Penei Moshe acrescenta que no Bavli se conclui que se tira a metade para o merceeiro, pelo pagamento da moagem e do cozimento, e que assim o pão do pundeyon é um quarto de kav, seis ovos, pois o kav tem quatro lugin e o lug, seis ovos; e que esta é a medida do eruv para Rabi Yochanan ben Beroká, והלכה כמותו, “e a halachá é como ele”. Para Rabi Shimon, segundo os dois, o pão inteiro é um terço de kav, oito ovos, e as suas duas partes são cinco ovos e um pouco mais. Sobre a casa atingida pela lepra, o Penei Moshe remete ao capítulo 13 de Negaim, que é a Mishná Negaim 13:9: quem entra na casa atingida, vestido com as suas roupas, fica impuro imediatamente, e as roupas ficam puras עַד שֶׁיִּשְׁהֶה כְדֵי אֲכִילַת פְּרָס, “até que se demore o tempo de comer um peras”; o Korban HaEdah traz os versículos de Vayikra 14:46–47, “e quem entrar na casa… ficará impuro até a tarde”, e “quem comer na casa lavará as suas roupas”. O peras é a metade do pão do eruv: para Rabi Yochanan ben Beroká, três ovos, e para Rabi Shimon, quatro. Sobre “desqualificar o corpo”, os dois explicam que os sábios decretaram que quem come alimentos impuros na medida de meio peras fica desqualificado de comer terumá, meio peras que é um ovo e meio para Rabi Yochanan ben Beroká e dois ovos para Rabi Shimon. O Mareh HaPanim comenta a última frase da Mishná e a discussão do Bavli sobre ela.
Sobre a seção 01. O Penei Moshe e o Korban HaEdah explicam que, para Rabi Meir, no dia comum a pessoa não tem muitos pratos para comer o pão com eles, e come pouco pão; e, no Shabat, tem muitos pratos e come pão com cada um deles, e assim come muito pão; e que, para Rabi Yudan, é o contrário: no dia comum não tem outros alimentos, e come muito pão para se saciar, e no Shabat sacia-se com os outros alimentos e come pouco pão. Assim se entende o “estes e aqueles têm a intenção de facilitar” da Mishná: cada um mede pelo dia em que, na sua opinião, se come menos pão, como explica o Penei Moshe na Mishná. O Mareh HaPanim observa que, por esta passagem, também Rabi Yehudá concorda que no Shabat há lugar para as iguarias, e só diz que então se come menos pão. No Bavli, Eruvin 82b, Rav Yehudá diz em nome de Rav que o alimento de duas refeições são תַּרְתֵּי רִיפָתָא אִיכָּרְיָיתָא, “dois pães de lavrador”; e, quando Rav Yosef pergunta a Rav Yosef, filho de Rava, a quem o pai dele segue, a resposta é Rabi Meir, com a razão: דְּאִי כְּרַבִּי יְהוּדָה, קַשְׁיָא הָא דְּאָמְרִי אִינָשֵׁי: רַוְוחָא לִבְסִימָא שְׁכִיחַ, “pois, se fosse como Rabi Yehudá, seria difícil o que as pessoas dizem: para o doce sempre se acha espaço”. A Tosefta Eruvin 6:4, na edição de Lieberman, que é 6:2 na edição comum do Sefaria, traz a palavra de Rabi Shimon ben Lazar: מערבין לחולה ולאסטניס ולקטן במזונו, ולרעבתן בבינונית של כל אדם, “faz-se o eruv para o doente, para o delicado e para o menor com o alimento dele, e para o comilão, com a medida média de qualquer pessoa”; e a Tosefta Eruvin 6:3, na edição de Lieberman, que é 6:1 na edição comum, diz que o vinho é o bastante para beber com o alimento de duas refeições, o azeite, para comer com ele o alimento de duas refeições, e o vinagre, para molhar nele o alimento de duas refeições.
Sobre a seção 02. O Penei Moshe e o Korban HaEdah explicam que a baraita fala das palavras de Rabi Yochanan ben Beroká e de Rabi Shimon na Mishná, e que “vem e vê” é dito com espanto: para Rabi Yochanan ben Beroká, o pão é de doze ovos, que é meio kav, e para Rabi Shimon, de oito ovos, que é um terço de kav; como se diz que são próximas? Rav Huna responde que se tira um terço para a despesa, isto é, para a moagem e o pagamento do cozimento do merceeiro, segundo Rabi Yochanan ben Beroká, e restam oito ovos. O Korban HaEdah explica que Rabi Yochanan ben Beroká falou do pão comprado do merceeiro por um pundeyon, e que o merceeiro ganha um terço do meio kav que comprou por um pundeyon e vende os outros dois terços por um pundeyon; e o Sheyarei Korban pergunta: se é assim, as palavras deles são de todo iguais, e em que discordam? e responde que o merceeiro não ganha um terço inteiro, mas perto de um terço; e observa que o Bavli responde de outro modo, e que a linguagem da Mishná parece seguir o Yerushalmi. Sobre Rabi Yossi beRabi Bun, o Korban HaEdah diz נפק ודרש להנחתומים שלא ישתכרו יותר מן השליש, “saiu e ensinou aos padeiros que não ganhassem mais que um terço”, conforme o que disse Rav Huna, e só nesta medida, um terço e não mais; e o Penei Moshe, que calculou para os que vendem pães a medida da despesa, um terço, desde que se cuidassem desta medida e não ganhassem mais. No Bavli, Eruvin 82b, a mesma baraita, וּקְרוֹבִים דִּבְרֵיהֶן לִהְיוֹת שָׁוִין, é questionada com a conta das refeições, quatro refeições por kav para Rabi Yochanan e nove para Rabi Shimon; Rav Chisda diz צֵא מֵהֶן שְׁלִישׁ לַחֶנְוָנִי, “tira deles um terço para o merceeiro”, e, como ainda restam nove e seis, a guemará traz a outra palavra de Rav Chisda, צֵא מֵהֶן מֶחֱצָה לַחֶנְוָנִי, “tira deles a metade para o merceeiro”; restam nove e oito, e isso é o “próximas de ser iguais”; e as duas palavras de Rav Chisda não se contradizem, porque uma é quando o dono da casa dá a lenha, e a outra, quando não a dá. No Bavli, Eruvin 83a, Rafram bar Papa diz em nome de Rav Chisda que os sábios que medem o meio peras em um ovo e meio são Rabi Yochanan ben Beroká; o Mareh HaPanim, sobre esta seção, compara a conta do Yerushalmi, por ovos, com a conta do Bavli, por refeições. A frase de Rav Huna e a de Rabi Yossi beRabi Bun estão também no Yerushalmi Peah 8:5, onde se lê רִבִּי יוֹסֵי בֵּי רִבִּי בּוּן מַפִּיק לְאִילֵּין נַחְתּוֹמָיָא כְּהָדָא דְּרַב הוּנָא וּבִלְחוּד כְּהָדֵין שֵׁיעוּרָא; Guggenheimer remete a esse lugar. Ver Yerushalmi Peah 8:5 neste site.
Leituras incertas. רִבִּי יוּדָן, na seção 01, ficou Rabi Yudan, como está no hebraico do Sefaria; Guggenheimer traduz “Rebbi Jehudah”, e o Penei Moshe e o Korban HaEdah leem a palavra como a de Rabi Yehudá da Mishná. דְלֵית לֵיהּ מַה לוֹכַל, literalmente “que não tem o que comer”, ficou “em que não tem o que comer com o pão” na palavra de Rabi Meir, e “além do pão” na de Rabi Yudan, com os comentaristas. עִיגּוּלָא ficou igul, o pão redondo, como na Halachá 6:7; e בֵּיעִין, ovos, como medida de volume. לִיצִיאָה ficou “para a despesa”, a moagem e o cozimento, com os comentaristas. נְפַק לֵיהּ לְאֵילֵּין נַחְתּוֹמַיָּא, literalmente “saiu-lhe para estes padeiros”, ficou “fixou para estes padeiros o seu ganho”, entre o Korban HaEdah, que lê “saiu e ensinou aos padeiros”, e o Penei Moshe, que lê “calculou para eles a medida da despesa”. וּלְחוּד כָּהֵן שִׁיעוּרָא ficou “e somente esta medida”, isto é, um terço e não mais, como explicam os dois. Na Mishná, לִפְסוֹל אֶת הַגְּוִיָיה ficou “para desqualificar o corpo”, e o sentido, de quem come alimento impuro, ficou na nota.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz a marca פיס׳ como “Paragraph”, e aqui a marca não foi traduzida e ficou só no hebraico. Ele escreve “Rebbi Meïr”, “Rebbi Jehudah”, “Rebbi Joḥanan ben Beroqa”, “Rebbi Simeon” e “Rebbi Yose ben Rebbi Abun”, e aqui ficaram Rabi Meir, Rabi Yehudá, Rabi Yochanan ben Beroká, Rabi Shimon e Rabi Yossi beRabi Bun; e, na seção 01, רִבִּי יוּדָן ficou Rabi Yudan, e não Rabi Yehudá. Traduz מִכִּכָּר בַּפּוּנְדְּיוֹן מֵאַרְבַּע סְאִין בַּסֶּלַע com “dupondius” e “tetradrachma”, e aqui ficaram pundeyon e sela; traduz מִשְּׁתֵּי יָדוֹת לַכִּכָּר como “two thirds of a loaf”, e aqui ficou “de duas partes de um pão”; traduz לִפְסוֹל אֶת הַגְּוִיָיה como “bring impurity to a body”, e aqui ficou “desqualificar o corpo”; e traduz נְפַק לֵיהּ לְאֵילֵּין נַחְתּוֹמַיָּא como “gave to the bakers”. Ele acrescenta entre colchetes palavras que aqui ficaram em itálico. As palavras acrescentadas na tradução ficaram em itálico.
Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Eruvin 8:2; Mishná Negaim 13:9; Vayikra 14:46–47; Bavli Eruvin 82b, a Mishná, Rav Yehudá em nome de Rav, Rav Yosef, a baraita “próximas de ser iguais” e as duas palavras de Rav Chisda; Bavli Eruvin 83a, Rafram bar Papa em nome de Rav Chisda; Yerushalmi Peah 8:5; Tosefta Eruvin 6:1 e 6:2, na edição comum, e 6:3 e 6:4, na de Lieberman; Penei Moshe, Korban HaEdah, Mareh HaPanim e Sheyarei Korban nesta halachá. Referências corrigidas: a Mishná desta halachá e a sua guemará estão, no Bavli, em Eruvin 82b, e a continuação, com a medida da impureza dos alimentos e o ovo e meio de Rabi Yochanan ben Beroká, em 83a; as palavras “o seu alimento para o dia comum e não para o Shabat” e “estes e aqueles têm a intenção de facilitar” são da Mishná, em 82b, e não da guemará; o “terço para o merceeiro”, no Bavli, é de Rav Chisda, e não de Rav Huna, que o diz no Yerushalmi; a nota de Guggenheimer remete a “Peah 8:6”, e o texto, no Sefaria, está no Yerushalmi Peah 8:5; e a Tosefta não traz a baraita “próximas de ser iguais”. Não há link para o Bavli, porque o Bavli deste site vai até Eruvin 61b.
Nomes nesta página: Rabi Meir, רִבִּי מֵאִיר, e Rabi Yehudá, רִבִּי יְהוּדָה, na Mishná; Rabi Yochanan ben Beroká, רִבִּי יוֹחָנָן בֶּן בְּרוֹקָא, e Rabi Shimon, רִבִּי שִׁמְעוֹן, na Mishná; Rabi Yudan, רִבִּי יוּדָן, na seção 01; Rav Huna, רַב הוּנָא, e Rabi Yossi beRabi Bun, רִבִּי יוֹסֵי בֵירִבִּי בּוּן, na seção 02. Na nota: Rav Yehudá, Rav, Rav Yosef, Rav Chisda e Rafram bar Papa, do Bavli; e Rabi Shimon ben Lazar, da Tosefta.
Do hebraico foram retirados só os rótulos de Mishná e de halachá, no começo do primeiro e do segundo segmentos, e o marcador da página da edição de Vilna 51b, no começo do terceiro segmento, antes de וְתַנֵּי כֵן. Não há marcador numérico nesta halachá, nem parênteses ou colchetes, e nada foi acrescentado. Foram mantidas a marca פיס׳ e as grafias do Sefaria, como לוֹכַל, צִיבְחָר, בְּשַׁבָּתָא ao lado de בְּשׁוּבְתָא e נַחְתּוֹמַיָּא; os dois pontos no fim da Mishná são do Sefaria.
A Mishná seguinte, Eruvin 8:3, no Yerushalmi, trata dos moradores do pátio e dos moradores da varanda que esqueceram e não fizeram eruv: “אַנְשֵׁי חָצֵר וְאַנְשֵׁי מִרְפֶּסֶת שֶׁשָּׁכְחוּ וְלֹא עֵירְבוּ…”, e ensina que o que tem dez palmos de altura pertence à varanda, e o que é menos, ao pátio.