Talmud Yerushalmi · Massechet Eruvin · Perek Zayin · Halachá 8
עֵרוּבִין

A medida do alimento do shituf: duas refeições para os muitos, um figo seco para cada um dos poucos

Perek Zayin, Challon, Halachá 8, no Talmud Yerushalmi, Massechet Eruvin

Oitava halachá do Perek Zayin, Challon (janela), de Massechet Eruvin. Depois de ensinar que, se o alimento do shituf (a sociedade do beco) diminuiu, se acrescenta e se faz adquirir, a Mishná diz qual é a sua medida: quando os moradores são muitos, alimento de duas refeições para todos; quando são poucos, como um figo seco para cada um. Na guemará, Rav diz que muitos são dezessete e poucos, dezesseis; Rabi Yochanan mede pela divisão do alimento, se dá um figo seco para cada um; e os da academia queriam dizer que não discordam, pois Rav segue Rabi Meir e Rabi Yochanan segue Rabi Yochanan ben Beroká. Depois se pergunta quanto são os restos do eruv, e responde-se com o que disse Rabi Yossi em nome de Rabi Hoshayá sobre o hissopo com que já se aspergiu uma vez. O Bavli discute esta mesma Mishná em Eruvin 80b.

A Mishná · מַתְנִיתִין

כַּמָּה הוּא שִׁיעוּרוֹ בִּזְמַן שֶׁהֵן מְרוּבִּין מְזוֹן שְׁתֵּי סְעוּדוֹת לְכוּלָּן. וּבֶזְמַן שֶׁהֵן מוּעָטִין כַּגְּרוֹגֶרֶת לְכָל אֶחָד וְאֶחָד:

Mishná: Quanto é a sua medida, a do alimento do shituf? Quando os moradores são muitos, alimento de duas seudot (refeições) para todos eles; e, quando são poucos, como uma grogueret (figo seco) para cada um e cada um.

A Halachá · הֲלָכָה ח

01Muitos e poucos: dezessete e dezesseis, ou um figo seco para cada um
Yerushalmi · Eruvin 7:8
פיס׳. רַב אָמַר. מְרוּבִּין שִׁבְעָה עָשָׂר. מוּעֲטִין שִׁשָּׁה עָשָׂר. אָמַר רִבִּי יוֹחָנָן. כָּל שֶׁאִילּוּ יֵיחָלְקוּ וְיֵשׁ בּוֹ כִגְרוֹגֶרֶת לְכָל אֶחָד וְאֶחָד מְרוּבִּין. וְאִם לָאו הֵן מועֲטִין. פיס׳. הֲווֹן בָּעֵיי מֵימַר. וְלָא פְלִיגֵי. מַה דְאַמַר רַב כְּרִבִּי מֵאִיר. מָאן דָּמַר רִבִּי יוֹחָנָן כְּרִבִּי יוֹחָנָן בֶּן בְּרוֹקָה.

Disse Rav: Muitos são dezessete; poucos, dezesseis. Disse Rabi Yochanan: Todo caso em que, se repartissem o alimento, houvesse nele como uma grogueret para cada um e cada um, eles são muitos; e, se não, eles são poucos. Queriam dizer que não discordam entre si: o que disse Rav é conforme Rabi Meir; o que disse Rabi Yochanan é conforme Rabi Yochanan ben Beroká.

02Quanto são os restos do eruv: o hissopo com que se aspergiu uma vez
Yerushalmi · Eruvin 7:8
כַּמָּה הֵן שִׁיֵרֵי עֵירוּב. כַּיי דָמַר רִבִּי יוֹסֵי בְשֵׁם רִבִּי הוֹשַׁעְיָה. אֵזוֹב שֶׁהִזָּה בוֹ פַּעַם אֶחָד כָּשֵׁר. מִיכָּן וָאֵילַךְ שִׁיֵּרִיים. אוֹף הָכָא כֵן.

Quanto são os shiyarei eruv (restos do eruv)? Como o que disse Rabi Yossi em nome de Rabi Hoshayá: Um ezov (hissopo) com que se aspergiu uma vez é kasher (apto); daí em diante, o que dele fica são restos. Também aqui é assim.

Nota

Esta é a oitava halachá do Perek Zayin, Challon, de Massechet Eruvin. A halachá ocupa três segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros dois é uma seção desta página. A sua Mishná corresponde à Mishná avulsa Eruvin 7:8, mas não inteira: a avulsa diz כִּגְרוֹגֶרֶת לְהוֹצָאַת שַׁבָּת, “como um figo seco, a medida do transporte para fora no Shabat”, e o Yerushalmi tem só כַּגְּרוֹגֶרֶת, sem as palavras do transporte no Shabat. As outras diferenças são de grafia: o Yerushalmi tem שִׁיעוּרוֹ, מְרוּבִּין, לְכוּלָּן, וּבֶזְמַן e מוּעָטִין, onde a avulsa tem שִׁעוּרוֹ, מְרֻבִּין, לְכֻלָּם, בִּזְמַן e מֻעָטִין; a avulsa tem o ponto depois da pergunta e as vírgulas, e o Yerushalmi, no Sefaria, não. A medida do transporte é a da Mishná Shabat 7:4, הַמּוֹצִיא אֳכָלִים כִּגְרוֹגֶרֶת, חַיָּב, “quem leva para fora alimentos na medida de um figo seco é culpado”, e o Korban HaEdah explica assim as palavras da avulsa.

No Bavli, a Mishná está em Eruvin 80b, com כַּמָּה הוּא שִׁיעוּרָן e sem לְהוֹצָאַת שַׁבָּת, e junta a ela a palavra de Rabi Yossi, בַּמֶּה דְּבָרִים אֲמוּרִים — בִּתְחִילַּת עֵירוּב, אֲבָל בִּשְׁיָרֵי עֵירוּב — כׇּל שֶׁהוּא, “quando se diz isto? no começo do eruv, mas nos restos do eruv, qualquer quantidade”, que no Yerushalmi é a Mishná seguinte, 7:9. Ali a guemará pergunta quantos são os muitos, e Rav Yehudá diz em nome de Shmuel: dezoito pessoas, isto é, de dezoito em diante; e Rav Yitzchak, filho de Rav Yehudá, explica que, sempre que se reparte o alimento de duas refeições entre eles e não chega um figo seco para cada um, eles são os muitos, e bastam duas refeições; e, se não, são poucos; e daí se aprende que duas refeições são dezoito figos secos. O Bavli deste site ainda vai só até Eruvin 61b; por isso esta página não traz o link para a discussão do Bavli sobre esta Mishná, em Eruvin 80b. O Rambam, Hilchot Eruvin 1:9, e o Shulchan Aruch, Orach Chayim 368:3, decidem que, até dezoito pessoas, a medida é um figo seco para cada um, e, acima disso, mesmo que sejam milhares, duas refeições, que são dezoito figos secos, como seis ovos; e o Shulchan Aruch traz também a opinião de que são como oito ovos.

Sobre a primeira seção. O fundo é a Mishná Eruvin 8:2, sobre a medida do eruv dos limites: duas refeições para cada um; Rabi Meir diz que é o alimento de dia comum e não o de Shabat, e Rabi Yochanan ben Beroká mede por um pão comprado por um pundeyon (moeda pequena), quando quatro seás de trigo custam um sela; e Rabi Shimon diz dois terços de um pão de três por kav. O Penei Moshe lê o texto como está: Rabi Yochanan chama de muitos aqueles entre os quais, repartidas as duas refeições, haja um figo seco para cada um, de dezoito pessoas para cima, e de poucos os que são menos; Rav, que segue Rabi Meir, mede pelas duas refeições de dia comum, que são só dezessete figos secos, e por isso dezessete já são muitos; e Rabi Yochanan, que segue Rabi Yochanan ben Beroká, mede pelas duas refeições de Shabat, que são dezoito figos secos, um quarto de kav, seis ovos. O Korban HaEdah corrige o texto e lê o contrário, מועטין ואם לאו הן מרובין: quando o alimento repartido dá um figo seco para cada um, são poucos, e, se não dá, são muitos; e explica que, para Rabi Meir, duas refeições são oito ovos, e cada ovo, dois figos secos, isto é, dezesseis figos secos, e por isso dezessete pessoas são muitos e dezesseis, poucos; e que, para Rabi Yochanan ben Beroká, duas refeições são seis ovos, e assim mesmo menos de dezesseis já são muitos. O Mareh HaPanim mostra que a palavra de Rabi Yochanan é a mesma de Rav Yitzchak, filho de Rav Yehudá, no Bavli. Guggenheimer também troca os lugares de muitos e poucos, e propõe ler Rabi Shimon em vez de Rabi Meir; aqui se seguiu o hebraico como está.

Sobre a segunda seção. A pergunta, segundo o Penei Moshe, é sobre a palavra de Rabi Yossi na Mishná seguinte, de que os restos do eruv valem em qualquer quantidade: desde quando o alimento se chama resto. A resposta se apoia na Mishná Pará 11:8, אֵזוֹב שֶׁהִזָּה בוֹ, כָּשֵׁר לְטַהֵר בּוֹ אֶת הַמְּצֹרָע, “o hissopo com que se aspergiu é apto para purificar com ele o leproso”, e em Pará 11:9, onde Rabi Yossi diz que o preceito do hissopo é de três hastes, וּשְׁיָרָיו שְׁנַיִם, וְגַרְדֻּמָּיו כָּל שֶׁהוּא, “e os seus restos, duas, e os seus tocos, qualquer quantidade”. Assim como o hissopo, depois de se ter aspergido com ele uma vez, se chama resto, também o eruv, depois de se ter saído com ele uma vez, se chama resto do eruv. O Korban HaEdah diz: se já se saiu com ele num Shabat, daí em diante é resto do eruv. O Sheyarei Korban acha difícil a linguagem, pois a Mishná de Pará mostra que se asperge muitas vezes com o mesmo hissopo, e explica que fala da primeira aspersão feita como apta; e nota que o Shulchan Aruch, Orach Chayim 368, diz que, mesmo se o eruv diminuiu depois da entrada do primeiro Shabat, já é resto. A Tosefta Eruvin 6:1, na edição comum, que é 6:3 na de Lieberman, traz a mesma questão: as medidas do vinho, do azeite e do vinagre do shituf devem ser תחלתו וסופו כשיעור הזה, “no começo e no fim desta medida”, e Rabi Shimon diz תחלתו כשיעור הזה אף על פי שאין סופו כשיעור הזה, “no começo, desta medida, ainda que no fim não seja desta medida”. O Rambam, Hilchot Pará Adumá 11:4, decide que os restos do hissopo valem em qualquer quantidade.

Leituras incertas. כָּל שֶׁאִילּוּ יֵיחָלְקוּ וְיֵשׁ בּוֹ ficou “todo caso em que, se repartissem o alimento, houvesse nele”, com o pronome בּוֹ referido ao alimento. A troca de muitos e poucos, do Korban HaEdah e de Guggenheimer, não entrou no texto. הֲווֹן בָּעֵיי מֵימַר. וְלָא פְלִיגֵי ficou “queriam dizer que não discordam”, com o Penei Moshe, que diz que eram os da academia. מָאן דָּמַר רִבִּי יוֹחָנָן, literalmente “quem disse Rabi Yochanan”, ficou “o que disse Rabi Yochanan”. מִיכָּן וָאֵילַךְ שִׁיֵּרִיים ficou “daí em diante, o que dele fica são restos”.

Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz as duas marcas פיס׳ como “Paragraph”, a segunda entre parênteses, como fora do lugar; aqui as marcas não foram traduzidas e ficaram só no hebraico. Ele inverte, em nota, muitos e poucos na palavra de Rabi Yochanan; aqui ficou a ordem do hebraico. Ele acrescenta entre colchetes palavras que aqui ficaram em itálico. As palavras acrescentadas na tradução ficaram em itálico.

Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Eruvin 7:8 e 7:9; Bavli Eruvin 80b, a Mishná, com a palavra de Rabi Yossi, e as palavras de Rav Yehudá em nome de Shmuel e de Rav Yitzchak, filho de Rav Yehudá; Mishná Eruvin 8:2; Mishná Shabat 7:4; Mishná Pará 11:8 e 11:9; Tosefta Eruvin 6:1, na edição comum, e 6:3, na de Lieberman; Rambam, Hilchot Eruvin 1:9 e Hilchot Pará Adumá 11:4; Shulchan Aruch, Orach Chayim 368:3; Penei Moshe, Korban HaEdah, Mareh HaPanim e Sheyarei Korban nesta halachá. Referências corrigidas: a discussão do Bavli sobre a medida dos muitos e dos poucos está toda em Eruvin 80b, e não se estende a 81a, onde já começa a guemará da Mishná seguinte do Bavli; e a fonte do hissopo é a Mishná Pará 11:8 e 11:9, e não o capítulo 8 da Mishná Shabat, que não menciona o hissopo. Não há link para o Bavli, porque o Bavli deste site vai até Eruvin 61b, nem para a Mishná Eruvin 8:2 do Yerushalmi, que ainda não foi publicada aqui.

Nomes de sábios nesta halachá: Rav, Rabi Yochanan, Rabi Meir, Rabi Yochanan ben Beroká, Rabi Yossi e Rabi Hoshayá. Na nota: Rav Yehudá, Shmuel e Rav Yitzchak, filho de Rav Yehudá, do Bavli; e Rabi Shimon, da Mishná e da Tosefta.

Do hebraico foram retirados só os rótulos de Mishná e de halachá, no começo do primeiro e do segundo segmentos. Não há marcador de folha das edições de Vilna e de Veneza nem marcador numérico nesta halachá, e nada foi acrescentado. Foram mantidas as duas marcas פיס׳ e as grafias do Sefaria, como מועֲטִין, sem o ponto do vav, e שִׁיֵרֵי ao lado de שִׁיֵּרִיים.

A Mishná seguinte, Eruvin 7:9, no Yerushalmi, traz a palavra de Rabi Yossi sobre o começo do eruv e os seus restos, e o porquê do eruv dos pátios: para que as crianças não esqueçam.