Quinta halachá do Perek Vav, HaDar (quem mora), de Massechet Eruvin. A Mishná ensina que o dono da casa que era sócio dos vizinhos, com este no vinho e com aquele no vinho, não precisa fazer eruv com eles; com este no vinho e com aquele no azeite, precisa; e Rabi Shimon diz que, num caso e no outro, não precisam. A guemará explica, em nome de Rabi Yehudá, que a Mishná fala segundo o costume do mundo, pois com o vinho não se importa que se misture, e com o azeite, sim; traz, em nome de Rav, que a Mishná fala quando estão num só recipiente; dá a razão de Rabi Shimon, que costumam bebê-los misturados, como anigaron; traz a baraita de Rabi Elazar ben Tadai, que proíbe em todo caso, e a halachá como ele, em nome de Rav; pergunta qual Rabi Meir é o que ele segue, com as respostas de Rabi Mana e de Rabi Yossi beRabi Bun; e conclui, em nome de Rabi Yochanan, que nos eruvin, no jejum público e na Meguilat Ester todos costumaram agir como Rabi Meir.
Mishná: O ba’al habayit (dono da casa) que era shutaf (sócio) dos shechenim (vizinhos), com este sócio no vinho e com aquele outro no vinho, não precisam fazer eruv (a junção que permite transportar no Shabat); com este no vinho e com aquele no azeite, precisam fazer eruv. Rabi Shimon diz: Tanto neste caso como naquele, não precisam fazer eruv.
“O dono da casa que era sócio dos vizinhos” etc. Rabi Ba disse, em nome de Rabi Yehudá: Segundo o derech eretz (o costume do mundo) ensinaram isto: com este no vinho e com aquele no vinho, uma vez que ele não se importa com a mistura dele, não é preciso fazer eruv; com este no vinho e com aquele no azeite, uma vez que ele se importa com a mistura dele, é preciso fazer eruv. Rabi Ba bar Kahana e Rav Chiya bar Ashi disseram, em nome de Rav: Quando estão postos num kli echad (um só recipiente) é que fala a matnita (a Mishná). Disse Rabi Zerikan: A razão de Rabi Shimon é que o costume deles é bebê-los como anigaron (misturados, vinho com azeite). Ensina-se numa baraita (ensinamento dos tanaítas não incluído na Mishná): “Rabi Elazar ben Tadai diz: Seja assim, seja assim, eles estão proibidos de transportar até que façam eruv.”
Rabi Achá disse, em nome de Rav: A halachá (a norma prática) é como Rabi Elazar ben Tadai. Rabi Yaakov bar Achá disse, em nome de Rabi Zeira: A opinião de Rabi Elazar ben Tadai vem como a de Rabi Meir. Qual Rabi Meir? Disse Rabi Mana: Rabi Meir, que diz: Por meio de eruv e por meio de shituf (a associação dos moradores do beco). Disse Rabi Yossi beRabi Bun: Rabi Meir, que diz que não se faz eruv para uma pessoa senão com o seu conhecimento. Segundo a opinião de Rabi Mana, vem como Rabi Zeira; segundo a opinião de Rav, vem como Rabi Meir. Rabi Zeira disse, em nome de Rabi Yochanan: Nos eruvin e no taanit tzibur (jejum público), todos costumaram agir como Rabi Meir. Rabi Yaakov bar Achá disse, em nome de Rabi Yochanan: Também na Meguilat Ester (o rolo de Ester), todos costumaram agir como Rabi Meir.
Esta é a quinta halachá do Perek Vav de Massechet Eruvin, HaDar, e a sua Mishná corresponde à Mishná avulsa Eruvin 6:5, inteira. Não há diferenças de conteúdo entre as duas; são só de grafia e de vocalização: o Yerushalmi tem שׁוּתָף e לִשְׁכֵינִים, e a avulsa, שֻׁתָּף e לִשְׁכֵנִים; o Yerushalmi vocaliza בַיַיִן e בַשֶּׁמֶן, e a avulsa, בְיַיִן e בְשֶׁמֶן; o Yerushalmi tem אֵינָן צְרִיכִין e צְרִיכִין, e a avulsa, אֵינָם צְרִיכִים e צְרִיכִים; e רִבִּי por רַבִּי, além das vírgulas da avulsa. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 71a, e lê לשכניו, “seus vizinhos”, onde o Yerushalmi tem “os vizinhos”. O Bavli deste site ainda vai só até Eruvin 61b; por isso esta página não traz o link para a discussão do Bavli sobre esta Mishná, em Eruvin 71a a 72a. A halachá ocupa dois segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e o segundo é a única seção desta página.
Sobre a Mishná. O Penei Moshe explica que se trata de sociedade de comércio, de negócio em mercadoria, e que a regra vale para o shituf dos becos, que se pode fazer com qualquer alimento, e não para o eruv dos pátios, que só se faz com pão; e que se pode contar com o vinho que têm em sociedade só quando ele está num só recipiente; por isso, vinho com um e azeite com outro, que não se costuma pôr num só recipiente, não servem. O Korban HaEdah explica que eram sócios só como sociedade, e não para fazer shituf, e que vinho com um e azeite com outro não são um só shituf. O Penei Moshe acrescenta que Rabi Shimon dispensa mesmo quando estão em dois recipientes, e que a halachá não é como Rabi Shimon.
Sobre o começo da seção. O Penei Moshe explica בְּדֶרֶךְ הָאָרֶץ שָׁנוּ como “assim é a ordem”: com o vinho não se importam que se misture, e por isso, com este no vinho e com aquele no vinho, não é preciso fazer eruv; o Korban HaEdah explica: a Mishná ensina sobre aquilo que o mundo costuma misturar. A palavra de Rav está também no Bavli, Eruvin 71a, אָמַר רַב: וּבִכְלִי אֶחָד, “disse Rav: e num só recipiente”, com a prova de Rava a partir do caso do vinho e do azeite. O Penei Moshe explica que, em dois recipientes, mesmo com este no vinho e com aquele no vinho, é preciso fazer eruv; e o Korban HaEdah acrescenta que um eruv em dois recipientes é válido quando se associaram para fazer o eruv, mas aqui não se associaram para isso. Sobre אֲנִיגָרוֹן, o Penei Moshe explica que costumam beber vinho e azeite misturados, e que isto é o anigaron; o Korban HaEdah, que põem vinho e azeite na água de acelga para beber; Guggenheimer entende o grego para vinho com molho de peixe. A glosa segue os comentaristas.
Sobre a baraita. Ela está na Tosefta Eruvin 5:9, na edição de Lieberman, que trata de dois que são sócios, seja no vinho, seja no azeite, e de três, um sócio no vinho e outro no azeite, e termina com לעזר בן תדיי אומ' אסורין עד שיערבו, “Lazar ben Tadai diz: estão proibidos até que façam eruv”. No Bavli, Eruvin 71b, está como רַבִּי אֱלִיעֶזֶר בֶּן תַּדַּאי אוֹמֵר: אֶחָד זֶה וְאֶחָד זֶה צְרִיכִין לְעָרֵב, “Rabi Eliezer ben Tadai diz: tanto este como aquele precisam fazer eruv”; e ali, em nome de Rav, Rav Yehudá diz que a halachá é como Rabi Meir, e Rav Beruna, que a halachá é como Rabi Eliezer ben Tadai, e Rav Yossef conclui que é por uma só razão. O Penei Moshe e o Korban HaEdah explicam que, segundo Rabi Elazar ben Tadai, mesmo com este no vinho e com aquele no vinho é preciso fazer eruv, porque não se conta com o shituf no lugar do eruv. A tradução segue a grafia deste Yerushalmi, רִבִּי אֶלְעָזָר בֶּן תַּדֵּאי.
Sobre qual Rabi Meir. A palavra de Rabi Meir que Rabi Mana cita está na Tosefta Eruvin 6:6, na edição de Lieberman: משתתפין במבוי ומערבין בחצרות, שלא לשכח עיקר העירוב דברי ר' מאיר, וחכמים אומ' או מערבין, או משתתפין, “faz-se shituf no beco e eruv nos pátios, para que não se esqueça a essência do eruv, palavras de Rabi Meir; e os sábios dizem: ou se faz eruv, ou se faz shituf”; o Penei Moshe remete a ela. No Bavli, Eruvin 72a, também se traz וַחֲכָמִים אוֹמְרִים: אוֹ מְעָרְבִין אוֹ מִשְׁתַּתְּפִין. A regra de que não se faz eruv para uma pessoa senão com o seu conhecimento está na Mishná avulsa Eruvin 7:11, שֶׁאֵין מְעָרְבִין לְאָדָם אֶלָּא מִדַּעְתּוֹ, como o ponto em que os sábios concordam com Rabi Eliezer, e ali Rabi Yehudá a restringe aos eruvei techumin; a Mishná não a atribui a Rabi Meir pelo nome. O Penei Moshe explica que Rabi Meir, segundo Rabi Yossi beRabi Bun, aplica essa regra também ao shituf dos becos; o Korban HaEdah, que esta sociedade não foi feita para o eruv, e por isso não se cumpre com ela.
Sobre “segundo a opinião de Rabi Mana” e “segundo a opinião de Rav”. O Penei Moshe explica que, segundo Rabi Mana, este Rabi Meir vem como Rabi Zeira, que diz adiante que todos costumaram agir como Rabi Meir nos eruvin, isto é, costume e não halachá, e que Rabi Zeira o diz também mais adiante, na halachá 7; e que, segundo Rav, que disse que a halachá é como Rabi Elazar ben Tadai, ela vem como o Rabi Meir de Rabi Yossi beRabi Bun. O Korban HaEdah lê על דעתיה דרבי יוסה, “segundo a opinião de Rabi Yossi”, onde o Sefaria tem עַל דַּעְתֵּיהּ דְּרַב; a tradução segue o hebraico do Sefaria, Rav. Sobre a palavra de Rabi Yochanan, o Penei Moshe explica que nos eruvin se requer eruv e shituf; que no jejum público há bênção sacerdotal também à tarde, e o Korban HaEdah acrescenta que também na Neilá; e que na Meguilat Ester é como a Mishná Meguilá 2:3, רַבִּי מֵאִיר אוֹמֵר, כֻּלָּהּ, “Rabi Meir diz: toda ela”, que se deve ler o rolo inteiro. No Bavli, Eruvin 72a, אָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר רַב: הֲלָכָה כְּרַבִּי מֵאִיר. וְרַב הוּנָא אָמַר: מִנְהָג כְּרַבִּי מֵאִיר. וְרַבִּי יוֹחָנָן אָמַר: נָהֲגוּ הָעָם כְּרַבִּי מֵאִיר, “disse Rav Yehudá, disse Rav: a halachá é como Rabi Meir; e Rav Huna disse: o costume é como Rabi Meir; e Rabi Yochanan disse: o povo costumou agir como Rabi Meir”.
Leituras incertas. בְּדֶרֶךְ הָאָרֶץ שָׁנוּ ficou “segundo o derech eretz ensinaram isto”, isto é, segundo o costume do mundo, como no Korban HaEdah, e não “commercial practice”, como em Guggenheimer. עַל תַּעֲרוּבָתוֹ ficou “com a mistura dele”, e “ele”, sem dizer a quem se refere, como no hebraico; צָרִיךְ לְעֵרֵב, no singular, ficou impessoal, “é preciso fazer eruv”. בִּנְתוּנִים בִּכְלִי אֶחָד הִיא מַתְנִיתָא ficou “quando estão postos num só recipiente é que fala a matnita”. אֲנִיגָרוֹן ficou transliterado, com a glosa dos comentaristas. בֵּין כָּךְ וּבֵין כָּךְ ficou “seja assim, seja assim”, e “de transportar” é complemento. אַתְיָא ficou “vem como”, e “a opinião” é complemento; o mesmo “vem” completa as duas frases de עַל דַּעְתֵּיהּ. עַל יְדֵי עֵירוּב עַל יְדֵי שִׁיתּוּף ficou “por meio de eruv e por meio de shituf”, e o “e” é complemento. נָהֲגוּ הַכֹּל ficou “todos costumaram agir”.
Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Guggenheimer traduz פיס׳ como “Paragraph”, e aqui a marca não foi traduzida; escreve “Rebbi Abba” para רִבִּי בָּא, e aqui ficou Rabi Ba; e, na nota 93, manda ler Rav em vez de רִבִּי יְהוּדָה, e aqui ficou Rabi Yehudá, como no hebraico. Ele traduz לָזֶה בַיַיִן וְלָזֶה בַיַיִן, na guemará, como “Everybody with wine”, e aqui ficou “com este no vinho e com aquele no vinho”; escreve “Rebbi Eleazar ben Thaddeus” para רִבִּי אֶלְעָזָר בֶּן תַּדֵּאי, “Rebbi Zeriqan” para רִבִּי זְרִיקָן, “Rebbi Jacob bar Aḥa” para רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא e “Rebbi Yose ben Rebbi Abun” para רִבִּי יוֹסֵה בֵירִבִּי בּוּן; e acrescenta “the reading of” na última frase, onde o hebraico tem só בִּמְגִילַּת אֶסְתֵּר.
Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Eruvin 6:5 e 7:11; Mishná Meguilá 2:3; Bavli Eruvin 71a, a Mishná e “e num só recipiente”; 71b, a baraita de Rabi Eliezer ben Tadai e as palavras de Rav Yehudá, de Rav Beruna e de Rav Yossef; 72a, “ou se faz eruv, ou se faz shituf” e a halachá, o costume e o “o povo costumou”; Tosefta Eruvin 5:9 e 6:6, na edição de Lieberman; Penei Moshe e Korban HaEdah nesta halachá. Referências corrigidas ou não citadas: a nota 100 de Guggenheimer remete à “Mishnah 7:11”, mas o link aponta para o Yerushalmi Eruvin 7:1; a regra está na Mishná avulsa Eruvin 7:11, onde não é atribuída a Rabi Meir pelo nome; a Tosefta Eruvin 5:9 do Sefaria comum é outro texto, e só a edição de Lieberman foi citada; as passagens da nota 102 sobre os jejuns públicos e a Meguilá no Yerushalmi e a referência a “23d l. 47” não foram conferidas, e não foram citadas. A Mishná está no Bavli em Eruvin 71a, que ainda não está publicada neste site, que vai até 61b; por isso não há link para o Bavli.
Nomes nesta página: Rabi Shimon, רִבִּי שִׁמְעוֹן; Rabi Ba, רִבִּי בָּא; Rabi Yehudá, רִבִּי יְהוּדָה; Rabi Ba bar Kahana, רִבִּי בָּא בַּר כַּהֲנָא; Rav Chiya bar Ashi, רַב חִיָיה בַּר אַשִּׁי; Rav, רַב; Rabi Zerikan, רִבִּי זְרִיקָן; Rabi Elazar ben Tadai, רִבִּי אֶלְעָזָר בֶּן תַּדֵּאי; Rabi Achá, רִבִּי אָחָא; Rabi Yaakov bar Achá, רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא; Rabi Zeira, רִבִּי זְעִירָא; Rabi Meir, רִבִּי מֵאִיר; Rabi Mana, רִבִּי מָנָא; Rabi Yossi beRabi Bun, רִבִּי יוֹסֵה בֵירִבִּי בּוּן; Rabi Yochanan, רִבִּי יוֹחָנָן. Na nota: Lazar ben Tadai e Rabi Eliezer ben Tadai, nas grafias da Tosefta e do Bavli; Rava, Rav Yehudá, Rav Beruna, Rav Yossef, Rav Huna, Rabi Eliezer e Rabi Yossi.
Do hebraico foram retirados os rótulos de Mishná e de halachá e o marcador de folha da edição de Vilna 41a, antes de הֵיידֵן רִבִּי מֵאִיר; não há marcador numérico, e nada foi acrescentado. Não há parênteses nem colchetes no hebraico do Sefaria desta halachá. Foram mantidas as marcas פיס׳ e כול׳ e as grafias do Sefaria, como לְעֵרֵב, na guemará, onde a Mishná tem לְעָרֵב, e שִמְעוֹן, sem o ponto do shin, em טַעֲמֵיהּ דְּרִבִּי שִמְעוֹן.