Talmud Yerushalmi · Massechet Eruvin · Perek Vav · Halachá 3
עֵרוּבִין

Quem esqueceu de fazer eruv; a renúncia que volta em roda, o gentio que aluga e a hospedaria

Perek Vav, HaDar, Halachá 3, no Talmud Yerushalmi, Massechet Eruvin

Terceira halachá do Perek Vav, HaDar (quem mora), de Massechet Eruvin. A Mishná trata dos moradores de um pátio dos quais um esqueceu e não fez o eruv: a casa dele fica proibida para ele e para eles, e as casas deles ficam permitidas para ele e para eles; se lhe deram o seu domínio, ele fica permitido e eles, proibidos; e, se eram dois, proíbem um ao outro, porque um só dá domínio e recebe domínio, e dois dão domínio e não recebem. A guemará pergunta se a renúncia ao domínio pode voltar em roda, de um morador para o outro, com os discípulos de Rav, que dizem que sim, e Shmuel, que diz que não; traz a baraita sobre quem dá e quem recebe o domínio, entre os que fizeram e os que não fizeram eruv; a palavra de Rav Chisdai sobre dez israelitas numa só casa e a de Rabi Yassa sobre dez gentios; o caso da mulher de um persa que alugou o pátio sem o conhecimento do marido, diante de Rabi Shmuel; a regra de que o israelita renuncia e o gentio aluga; o valor mínimo do aluguel, a prutá, a noz e a tâmara; e o costume de Rabi Yaakov bar Achá quando se hospedava numa hospedaria.

A Mishná · מַתְנִיתִין

אַנְשֵׁי חָצֵר שֶׁשָּׁכַח אֶחָד מֵהֶן וְלֹא עֵירֵב בֵּיתוֹ אָסוּר מִלְּהַכְנִיס וּלְהוֹצִיא לוֹ וְלָהֶם וְשֶׁלָּהֶם מוּתָּרִין לוֹ וְלָהֶן. נָתְנוּ לוֹ רְשׁוּתָן הוּא מוּתָּר וְהֵן אֲסוּרִין. הָיוּ שְׁנַיִם אוֹסְרִין זֶה עַל זֶה שֶׁאֶחָד נוֹתֵן רְשׁוּת וְנוֹטֵל רְשׁוּת וּשְׁנַיִם נוֹתְנִין רְשׁוּת וְאֵינָן נוֹטְלִין רְשׁוּת:

Mishná: Os moradores de um chatzer (pátio), dos quais um esqueceu e não fez eruv (a junção que permite transportar no Shabat): a casa dele é proibida quanto a trazer para dentro e levar para fora, para ele e para eles; e as casas deles são permitidas para ele e para eles. Se lhe deram o seu reshut (domínio), ele fica permitido, e eles, proibidos. Se eram dois os que esqueceram, proíbem um ao outro; pois um só dá domínio e recebe domínio, e dois dão domínio e não recebem domínio.

A Halachá · הֲלָכָה ג

01Pode a renúncia voltar em roda? Rav e Shmuel; a matnita por lados distintos
Yerushalmi · Eruvin 6:3
פיס׳. אַנְשֵׁי חָצֵר שֶׁשָּׁכַח אֶחָד מֵהֶן וְלֹא עֵירֵב כול׳. שֶׁלָּהֶם מוּתָּרִין לוֹ וְלָהֶם. שֶׁבִּיטֵּל רְשׁוּתוֹ. מָהוּ שֶׁתַּחֲזוֹר חָלִילָה. תַּלְמִידוֹי דְרַב בְּשֵׁם רַב. חוֹזֶרֶת חָלִילָה. שְׁמוּאֵל אָמַר. אֵין חוֹזֶרֶת חָלִילָה.

“Os moradores de um chatzer, dos quais um esqueceu e não fez eruv” etc. “As deles são permitidas para ele e para eles”: porque ele renunciou ao seu domínio. Qual é a regra: que a renúncia volte em roda, de um morador para o outro? Os discípulos de Rav, em nome de Rav: Ela volta em roda. Shmuel disse: Ela não volta em roda.

מַתְנִיתָא פְלִיגְא עַל שְׁמוּאֵל. שֶׁלָּהֶם מוּתָּרִין לוֹ וְלָהֶם. שֶׁבִּיטֵּל רְשׁוּתוֹ. וְהָתַנִּינָן נָתְנוּ לוֹ רְשׁוּתָן. הוּא מוּתָּר וְהֵן אֲסוּרִין. פָּתַר לָהּ. לִצְדָדִין הִיא מַתְנִיתָא.

A matnita (a Mishná) diverge de Shmuel: “As deles são permitidas para ele e para eles.” Responde-se: porque ele renunciou ao seu domínio. Mas não ensinamos: “Se lhe deram o seu domínio, ele fica permitido, e eles, proibidos”? Ele a resolve: a matnita é dita por lados distintos.

02Quem dá e quem recebe o domínio: os que fizeram e os que não fizeram eruv
Yerushalmi · Eruvin 6:3
תַּנֵּי. אֶחָד שֶׁלֹּא עֵירֵב נוֹתֵן רְשׁוּת לִשְׁנַיִם שֵׁעֵירְבוּ. וְאֵין שְׁנַיִם שֶׁעֵירְבוּ נוֹתְנִין רְשׁוּת לִאֶחָד שֶׁלֹּא עֵירֵב. וְלֹא שְׁנַיִם שֶׁעֵירְבוּ נוֹתְנִין רְשׁוּת לִשְׁנַיִם שֶׁלֹּא עֵירְבוּ. וְלֹא שְׁנַיִם שֶׁלֹּא עֵירְבוּ נוֹתְנִין רְשׁוּת לִשְׁנַים שֶׁעֵירְבוּ. וְאֵין שְׁנַיִם שֶׁלֹּא עֵירְבוּ נוֹתְנִין רְשׁוּת לִשְׁנַיִם שֶׁלֹּא עֵירֵיבוּ. הַכֹּל נוֹתְנִין רְשׁוּת וְנוֹטְלִין רְשׁוּת חוּץ מִשְּׁנַיִם שֶׁלֹּא עֵירְבוּ שֶׁהֵן נוֹתְנִין רְשׁוּת וְאֵינָן נוֹטְלִין רְשׁוּת.

Ensina-se numa baraita: “Um só que não fez eruv dá o seu domínio a dois que fizeram eruv entre si. E dois que fizeram eruv não dão o seu domínio a um que não fez eruv. Nem dois que fizeram eruv dão o seu domínio a dois que não fizeram eruv. Nem dois que não fizeram eruv dão o seu domínio a dois que fizeram eruv. E dois que não fizeram eruv não dão o seu domínio a dois que não fizeram eruv. Todos dão domínio e recebem domínio, exceto dois que não fizeram eruv, que dão domínio e não recebem domínio.”

03Dez israelitas e dez gentios numa só casa; a mulher do persa; o israelita renuncia e o gentio aluga
Yerushalmi · Eruvin 6:3
רַב חַסְדַּאי אָמַר. עֲשָׂרָה יִשְׂרָאֵל שֶׁהָיוּ דָרִין בְּבַיִת אֶחָד. כָּל אֶחָד וְאֶחָד צָרִיךְ לְבַטֵּל רְשׁוּתוֹ. אָמַר רִבִּי יָסָא. עֲשָׂרָה גוֹיִם שֶׁהָיוּ דָרִין בְּבַיִת אֶחָד. כָּל אֶחָד וְאֶחָד צָרִיךְ לְהַשְׂכִּיר רְשׁוּתוֹ.

Rav Chisdai disse: Dez israelitas que moravam numa só casa: cada um deles precisa renunciar ao seu domínio aos demais. Disse Rabi Yassa: Dez goyim (gentios) que moravam numa só casa: cada um deles precisa alugar o seu domínio ao israelita.

אָמַר רִבִּי בָּא. מַעֲשֶׂה בְאִשְׁתּוֹ שֶׁלְפַּרְסִי אֶחָד שֶׁהִשְׂכִּירָה חָצֵר שֶׁלָּהּ שֶׁלֹּא מִדַּעַת בַּעֲלָהּ. אֲתַא קוֹמֵי רִבִּי שְׁמוּאֵל וְשָׁרָא. סָבְרִין מֵימַר. אֲפִילוּ שַׁמָּשׁוֹ וּלְקִיטוֹ.

Disse Rabi Ba: Houve um caso com a mulher de um persa, que alugou o chatzer dela sem o conhecimento do marido. Veio o caso diante de Rabi Shmuel, e ele permitiu. Pensavam dizer: Mesmo o seu shamash (servente) e o seu lekit (o diarista da colheita) podem alugar.

הֲלָכָה. יִשְׂרָאֵל מְבַטֵּל וְהַגּוֹי מַשְׂכִּיר. וִיבַטֵּל הוּא הַגּוֹי. חָזַר הוּא בוֹ. מֵעַתָּה אֲפִילוּ מַשְׂכִּיר חָזַר הוּא בוֹ. מִיכָּן וָהֵילַךְ בְּגֶזֶל הוּא מִשְׁתַּמֵּשׁ.

Halachá (a norma prática): o israelita renuncia, e o goy aluga. E que renuncie o próprio goy! Responde-se: ele volta atrás. Sendo assim, mesmo quando aluga, ele volta atrás! Daqui em diante, é em roubo que ele se serve do domínio.

04Por quanto se aluga: a prutá, a noz e a tâmara
Yerushalmi · Eruvin 6:3
עַד אֵיכָן. יָיבֹא כַיי דָמַר רִבִּי יָסָא בְשֵׁם רִבִּי מָנָא בַּר תַּנְחוּם רִבִּי אַבָּהוּ בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן. אֵין קַרְקַע נִקְנֶה בְּפָחוֹת מִשָּׁוֶה פְרוּטָה. מִילְּתֵיהּ דְּרִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא אָמַר. אֲפִילוּ בְאֶגּוֹז. אֲפִילו בִתְמָרָה.

Até onde vai o mínimo do aluguel? Que isto venha como o que disse Rabi Yassa, em nome de Rabi Mana bar Tanchum, Rabi Abahu, em nome de Rabi Yochanan: Terra não se adquire com menos que o valor de uma prutá (a menor moeda). Mas a palavra de Rabi Yaakov bar Achá diz: Mesmo com uma noz se aluga, mesmo com uma tâmara.

05Rabi Yaakov bar Achá na hospedaria: o bastão, a sandália e o alforje
Yerushalmi · Eruvin 6:3
רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא כַּד הֲוָה נְפַק לְאַכְסַנְיָיא. אִין הֲוָה מַשְׁכַּח מֵיעֲבֵד תַקָּנָה הֲוָה עֲבַד. וְאִין לָא. מְבַדֵּר מָנוֹי. יְהַב חוּטְרָא הָכָא. סַנְדְּלָא הַכַַא. דִּייסְיקִיָּא הָכָא.

Rabi Yaakov bar Achá, quando saía para uma achsanyá (hospedaria), se encontrava meio de fazer uma takaná (um arranjo), fazia; e se não encontrava, espalhava os seus pertences: punha o bastão aqui, a sandália aqui, o alforje aqui.

אָמַר רִבִּי מַתַּנְיָה. הָדָא דְּתֵימַר בְּשֶׁהָיָה פוּנְדָּקִי גּוֹי. אֲבָל אִם הָיָה פוּנְדָּקִי יִשְׂרָאֵל אֵינוֹ חָשׁוּד לְטַלְטֵל.

Disse Rabi Matanyá: Isto que dizes vale quando o pundaki (o hospedeiro) era goy; mas se o pundaki era israelita, ele não é suspeito de transportar no Shabat.

Nota

Esta é a terceira halachá do Perek Vav de Massechet Eruvin, HaDar, e a sua Mishná corresponde à Mishná avulsa Eruvin 6:3, inteira. As diferenças de conteúdo são estas: o Yerushalmi tem וּלְהוֹצִיא, “e levar para fora”, e a avulsa, וּמִלְּהוֹצִיא, “e de levar para fora”; o Yerushalmi tem, na segunda vez, לוֹ וְלָהֶן, e a avulsa, לוֹ וְלָהֶם; o Yerushalmi tem וּשְׁנַיִם, “e dois”, e a avulsa, שְׁנַיִם, sem “e”; e o Yerushalmi tem וְאֵינָן נוֹטְלִין, e a avulsa, וְאֵין נוֹטְלִין. São só de grafia ou de vocalização אֶחָד por אַחַד, עֵירֵב por עֵרֵב, מוּתָּרִין e מוּתָּר por מֻתָּרִין e מֻתָּר, e נוֹתְנִין por נוֹתְנִים, além das vírgulas da avulsa. No Bavli, a Mishná está em Eruvin 69b, e lê וּמִלְּהוֹצִיא, לוֹ וְלָהֶם nas duas vezes, שְׁנַיִם נוֹתְנִין רְשׁוּת, sem “e”, e וְאֵין נוֹטְלִין רְשׁוּת. O Bavli deste site ainda vai só até Eruvin 61b; por isso esta página não traz o link para a discussão do Bavli sobre esta Mishná. A halachá ocupa seis segmentos no Sefaria: o primeiro é a Mishná, e cada um dos outros cinco é uma seção desta página.

Sobre a Mishná. O Penei Moshe e o Korban HaEdah explicam a Mishná pela guemará do Bavli, Eruvin 69b: o que esqueceu renunciou ao seu domínio no pátio, mas não ao da sua casa, porque הַמְבַטֵּל רְשׁוּת חֲצֵירוֹ — רְשׁוּת בֵּיתוֹ לֹא בִּיטֵּל, “quem renuncia ao domínio do seu pátio não renunciou ao domínio da sua casa”, já que se mora numa casa sem pátio; por isso a casa dele é um domínio, e o pátio, outro, e não se leva de um para o outro. As casas deles são permitidas também para ele, porque ele é como um hóspede diante deles; mas, quando eles lhe deram o seu domínio, eles não ficam como hóspedes diante dele, porque, como diz o Bavli ali, חַד לְגַבֵּי חֲמִשָּׁה — הָוֵי אוֹרֵחַ, חֲמִשָּׁה לְגַבֵּי חַד — לָא הָוֵי אוֹרֵחַ, “um diante de cinco é hóspede; cinco diante de um não são hóspedes”. Quando são dois que não fizeram eruv e os demais lhes renunciaram ao domínio, o pátio é dos dois e cada casa é de um só, e por isso proíbem um ao outro; e, mesmo que um deles renuncie depois ao outro, não adianta, porque, quando os demais lhes renunciaram, eles mesmos não tinham permissão no pátio. O Penei Moshe acrescenta que quem renuncia a vários deve renunciar expressamente a cada um.

Sobre a seção 01. O Korban HaEdah explica מָהוּ שֶׁתַּחֲזוֹר חָלִילָה assim: dois moram num pátio e não fizeram eruv; pode um renunciar ao seu domínio ao outro até que este faça as suas necessidades, e depois o que as fez renunciar de volta ao primeiro? A objeção da Mishná a Shmuel supunha que as casas deles só são permitidas a ele porque eles lhe renunciaram de volta; a resposta é que são permitidas porque ele renunciou e é como um hóspede. A segunda objeção é que, na continuação da Mishná, ele renunciou a eles e eles renunciaram de volta a ele, o que é difícil para Shmuel; e a resposta, לִצְדָדִין הִיא מַתְנִיתָא, segundo Guggenheimer, é que a Mishná trata de casos distintos, em Shabatot distintos. No Bavli, Eruvin 68b, Rav diz מְבַטְּלִין וְחוֹזְרִין וּמְבַטְּלִין, “renuncia-se e volta-se a renunciar”, e Shmuel diz que não; e em Eruvin 69b a guemará tira da Mishná a mesma conclusão, שְׁמַע מִינַּהּ, מְבַטְּלִין וְחוֹזְרִין וּמְבַטְּלִין, e responde הָכִי קָאָמַר: נָתְנוּ לוֹ רְשׁוּתָן מֵעִיקָּרָא, “assim diz: deram-lhe o seu domínio desde o início”, o que corresponde aos lados distintos do Yerushalmi.

Sobre a seção 02. A baraita é a Tosefta Eruvin 5:17, na edição de Lieberman, que no Sefaria comum é a Tosefta Eruvin 5:13, e está também no Bavli, Eruvin 70a. Ali o texto é outro em quatro pontos: a Tosefta e o Bavli dizem, na primeira cláusula, que um que não fez eruv dá o seu domínio a um que fez, onde o Yerushalmi tem “a dois que fizeram”; dizem que dois que fizeram eruv dão o seu domínio a um que não fez, e que dois que não fizeram dão o seu domínio a dois que fizeram, ou a um que não fez, onde o Yerushalmi tem וְאֵין e וְלֹא, a negação; trazem ainda אבל אין אחד שעירב נותן רשותו לאחד שלא עירב, “mas um que fez eruv não dá o seu domínio a um que não fez”, que falta aqui; e a Tosefta termina com “pois, todo o tempo em que moram no pátio e um deles esqueceu e não fez eruv, eis que este proíbe”, e não com a frase final do Yerushalmi, “todos dão domínio e recebem domínio”. Guggenheimer anota que as fontes babilônicas têm “dão” e que esse texto parece necessário; a tradução segue o hebraico do Sefaria. No Bavli, Eruvin 70a, Rabá e Abaye discutem a baraita, e Abaye a lê como ensinando que não é preciso renunciar ao domínio a cada um.

Sobre a seção 03. Guggenheimer explica que os moradores de que fala Rav Chisdai são os residentes permanentes, e que, do mesmo modo, para fazer eruv numa casa de várias famílias é preciso alugar o domínio de todos os gentios que moram nela. Sobre a mulher do persa, ele explica que o marido tem o usufruto dos bens da mulher, e que um tribunal não aceitaria um aluguel de imóvel feito sem o conhecimento dele; mas, como o aluguel do domínio para o Shabat é pura formalidade, aceita-se da mulher, do servente ou do diarista. No Bavli, Eruvin 80a, conta-se de um gentio vizinho de Rabi Zeira, e de outro vizinho de Rav Yehudá bar Oshayá, que não quiseram alugar o seu domínio, e se pergunta se se pode alugar da mulher dele; e se responde, por Reish Lakish em nome de Rabi Chanina e por Rav Yehudá em nome de Shmuel, אִשְׁתּוֹ שֶׁל אָדָם מְעָרֶבֶת שֶׁלֹּא מִדַּעְתּוֹ, “a mulher de um homem faz eruv sem o conhecimento dele”. Sobre o servente e o diarista, o Bavli, Eruvin 64a, traz Rav Yehudá em nome de Shmuel, אֲפִילּוּ שְׂכִירוֹ וַאֲפִילּוּ לְקִיטוֹ — נוֹתֵן עֵירוּבוֹ וְדַיּוֹ, “mesmo o seu assalariado e mesmo o seu diarista: dá o seu eruv e basta”; e o Bavli, Eruvin 66a, traz Rabi Yochanan, para quem quem aluga é como quem faz eruv: אַף שׂוֹכֵר אֲפִילּוּ שְׂכִירוֹ וּלְקִיטוֹ, “também quem aluga, mesmo do seu assalariado e do seu diarista”. Sobre a última frase, Guggenheimer explica que, a partir do momento em que o gentio recebeu o dinheiro, o que ele faz já não importa, e, se usar o domínio, usa-o como quem rouba.

Sobre a seção 04. A palavra de Rabi Yochanan está também no Yerushalmi Kidushin 1:3, onde a cadeia de nomes é רִבִּי יָסָא בְּשֵׁם רִבִּי מָנָא רִבִּי תַנְחוּם רִבִּי אַבָּהוּ בְשֵׁם רִבִּי יוֹחָנָן, com Rabi Mana e Rabi Tanchum separados, e onde se dá a razão pelo versículo שָׂדוֹת בַּכֶּסֶף יִקְנוּ, “campos se comprarão com dinheiro”, Yirmeyahu 32:44; aqui a tradução segue o hebraico, Rabi Mana bar Tanchum. No Bavli, Eruvin 66a, a guemará diz, em nome de Rabi Yochanan, מָה מְעָרֵב וַאֲפִילּוּ בְּפָחוֹת מִשָּׁוֶה פְּרוּטָה, אַף שׂוֹכֵר בְּפָחוֹת מִשָּׁוֶה פְּרוּטָה, “como quem faz eruv, mesmo com menos que o valor de uma prutá, também quem aluga, com menos que o valor de uma prutá”. Guggenheimer explica que, como o aluguel é formalidade, e não realidade, não se aplicam a ele as regras da aquisição de terra, e por isso basta uma noz ou uma tâmara.

Sobre a seção 05. Guggenheimer deriva אַכְסַנְיָיא do grego xenía, a hospedaria; דִּייסְיקִיָּא, do grego disákkion, o alforje; e פוּנְדָּקִי, do grego pándokos, o da hospedaria. Ele explica que, se havia outros judeus, Rabi Yaakov bar Achá procurava fazer com eles o eruv; e, se não, espalhava as suas coisas por todos os cômodos, para poder transportar no Shabat no prédio inteiro; e que, segundo Rabi Matanyá, o hospedeiro israelita não é suspeito de transportar nos cômodos que preparou para os hóspedes, e, se não há outros hóspedes, não é preciso espalhar as coisas. A palavra אַכְסַנְיָיא foi traduzida aqui como hospedaria, e não como a tropa alojada da halachá anterior, porque o sentido do lugar é outro. No Bavli, Eruvin 65b, conta-se de Rabi Chanina bar Yossef, Rabi Chiya bar Abba e Rabi Assi, que chegaram a uma hospedaria cujo dono gentio veio no Shabat, e perguntaram se podiam alugar dele.

Leituras incertas. Na seção 01, מָהוּ שֶׁתַּחֲזוֹר חָלִילָה ficou “que a renúncia volte em roda”, segundo o Korban HaEdah; e לִצְדָדִין ficou “por lados distintos”, segundo Guggenheimer; פָּתַר לָהּ ficou “ele a resolve”, sem dizer quem. Na seção 02, a tradução segue as negações do hebraico, embora a Tosefta e o Bavli leiam de outro modo; e “entre si”, depois do primeiro “dois que fizeram eruv”, é complemento. Na seção 03, לְקִיטוֹ ficou “o seu diarista da colheita”, e שַׁמָּשׁוֹ, “o seu servente”, entendidos como os do gentio; o sujeito de חָזַר הוּא בוֹ ficou “ele”, o gentio; e בְּגֶזֶל הוּא מִשְׁתַּמֵּשׁ ficou “é em roubo que ele se serve do domínio”. Na seção 04, עַד אֵיכָן ficou “até onde vai o mínimo do aluguel?”, e יָיבֹא כַיי דָמַר, “que isto venha como o que disse”, como proposta, e não como pergunta. Na seção 05, מָנוֹי ficou “os seus pertences”; תַקָּנָה ficou “um arranjo”, que Guggenheimer entende como o eruv com outros judeus; e “transportar no Shabat” completa לְטַלְטֵל.

Divergências entre o hebraico e o pivô inglês, em que se seguiu o hebraico. Na seção 01, Guggenheimer traduz פיס׳ como “Paragraph”, e aqui a marca não foi traduzida. Na seção 02, a tradução dele omite a cláusula וְלֹא שְׁנַיִם שֶׁלֹּא עֵירְבוּ נוֹתְנִין רְשׁוּת לִשְׁנַים שֶׁעֵירְבוּ, que aqui foi traduzida. Na seção 03, ele escreve “Rav Ḥasdai” para רַב חַסְדַּאי, e aqui ficou Rav Chisdai; “Rebbi Abba” para רִבִּי בָּא, e aqui ficou Rabi Ba; “Rebbi Samuel” para רִבִּי שְׁמוּאֵל, e aqui ficou Rabi Shmuel; e traduz הֲלָכָה como “Practice”, e aqui ficou halachá; ele põe como pergunta “Then why should the Gentile not cede?”, e aqui ficou exclamação. Na seção 04, ele traduz עַד אֵיכָן como “How little?” e põe a frase seguinte como pergunta. Na seção 05, ele traduz מָנוֹי como “his clothing”, e aqui ficou “os seus pertences”; e escreve “Rabbi Mattaniah” para רִבִּי מַתַּנְיָה, e aqui ficou Rabi Matanyá.

Referências conferidas no Sefaria. Mishná avulsa Eruvin 6:3; Bavli Eruvin 64a, Rav Yehudá em nome de Shmuel sobre o assalariado e o diarista; 65b, a hospedaria do gentio; 66a, Rabi Yochanan, quem aluga é como quem faz eruv; 68b, Rav e Shmuel; 69b, a Mishná e a guemará sobre ela; 70a, a baraita; 80a, a mulher que faz eruv sem o conhecimento do marido; Tosefta Eruvin 5:17, na edição de Lieberman, que no Sefaria comum é 5:13; Yerushalmi Kidushin 1:3; Yirmeyahu 32:44; Penei Moshe e Korban HaEdah nesta halachá, que no Sefaria só comentam a Mishná e o começo da guemará. Referências corrigidas ou não citadas: a nota 60 de Guggenheimer cita a “Tosephta 5:17”, na numeração de Lieberman, que no Sefaria comum é 5:13; a nota 68 remete também ao Yerushalmi Maasser Sheni 4:3, onde a palavra sobre a prutá não foi encontrada, e não foi citada; as notas 63 e 66 remetem a Rabenu Chananel no Bavli 71a, ao Raaviá, ao Shibolei HaLeket, aos Tossafot do Bavli 66a, ao Ritba e ao Semag, que não foram conferidos, e não foram citados. A Mishná está no Bavli em Eruvin 69b, que ainda não está publicada neste site, que vai até 61b; por isso não há link no alto da página.

Nomes nesta página: Rav, רַב; Shmuel, שְׁמוּאֵל; Rav Chisdai, רַב חַסְדַּאי; Rabi Yassa, רִבִּי יָסָא; Rabi Ba, רִבִּי בָּא; Rabi Shmuel, רִבִּי שְׁמוּאֵל; Rabi Mana bar Tanchum, רִבִּי מָנָא בַּר תַּנְחוּם; Rabi Abahu, רִבִּי אַבָּהוּ; Rabi Yochanan, רִבִּי יוֹחָנָן; Rabi Yaakov bar Achá, רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא; Rabi Matanyá, רִבִּי מַתַּנְיָה. Na nota: Rabá, Abaye, Rabi Zeira, Rav Yehudá bar Oshayá, Reish Lakish, Rabi Chanina, Rav Yehudá, Rabi Chanina bar Yossef, Rabi Chiya bar Abba, Rabi Assi e Rabi Mana e Rabi Tanchum, no Yerushalmi Kidushin.

Do hebraico foram retirados os rótulos de Mishná e de halachá e os marcadores de folha da edição de Vilna 39b, na seção 01, antes do último מַתְנִיתָא, e de coluna da edição de Veneza 23c, na seção 02, antes de נוֹתֵן רְשׁוּת; não há marcador numérico, nem parênteses ou colchetes, e nada foi acrescentado. As marcas פיס׳ e כול׳ foram mantidas, assim como as grafias do Sefaria, como שֵׁעֵירְבוּ, לִאֶחָד, לִשְׁנַים e עֵירֵיבוּ, na seção 02; יָיבֹא e אֲפִילו, sem vogal, na seção 04; e הַכַַא, com dois sinais de vogal, na seção 05.