Talmud Yerushalmi · Massechet Chalá · Perek Guimel · Halachá 3
חַלָּה

A massa consagrada antes de ser enrolada e os frutos consagrados antes da época dos dízimos

Perek Guimel, Halachá 3, no Talmud Yerushalmi, Massechet Chalá

Terceira halachá do Perek Guimel de Massechet Chalá: a Mishná ensina que, se ela consagrou a sua massa antes de enrolá-la e a redimiu, está obrigada; mas, se o guizbar, o tesoureiro do Templo, a enrolou antes da redenção, está isenta, pois no momento de sua obrigação estava isenta; e o mesmo vale para os frutos consagrados antes da época dos dízimos, ou antes de concluídos. A guemará pergunta por que a regra foi ensinada duas vezes, e responde, em nome de Rabi Pedaiá, que uma é para a suavização do monte e outra para o terço; Rabi Ba explica que a de Chalá é para a suavização, e a de Peá, para o terço. Por fim, a Mishná é atribuída a Rabi Akiva, que segue o primeiro terço, a partir de sua divergência com os Sábios sobre o campo que atingiu um terço em posse de um gentio, ou a todos, quando se colhe imediatamente.

A Mishná · מַתְנִיתִין

הִקְדִּישָׁה עִיסָּתָהּ עַד שֶׁלֹּא גִילְגְּילָה וּפְדִּיָיתָהּ חַיֶיבֶת. הִקְדִּישָׁתָהּ עַד שֶׁלֹּא גִילְגְּלָה וְגִילְגְּלָהּ הַגִּיזְבָּר וְאַחַר כָּךְ פְּדִיָיתָהּ פְּטוּרָה שֶׁבִּשְׁעַת חוֹבָתָהּ הָיְתָה פְטוּרָה. כְּיוֹצֵא בוֹ הַמַּקְדִּישׁ פֵּירוֹתָיו עַד שֶׁלֹּא בָאוּ לְעוֹנַת הַמַּעְשְׂרוֹת וּפְדָּיָין חַיָיבִין מִשֶׁבָּאוּ לְעוֹנַת הַמַּעְשְׂרוֹת וּפְדָּאָן חַיָיבִין. הִקְדִּישָׁן עַד שֶׁלֹּא נִגְמְרוּ וּגְמָרָן הַגִּזְבָּר וְאַחַר כָּךְ פְּדָיָין פְּטוּרִין שֶׁבִּשְעַת חוֹבָתָן הָיוּ פְטוּרִין.

Mishná: Se ela consagrou a sua massa antes que a enrolasse, e a redimiu, está obrigada. Se ela a consagrou antes que a enrolasse, e o guizbar (tesoureiro do Templo) a enrolou, e depois disso ela a redimiu, está isenta, pois no momento de sua obrigação estava isenta. Semelhante a isso, quem consagra os seus frutos antes que chegassem à época dos dízimos, e os redime, estão obrigados; a partir de quando chegaram à época dos dízimos, e os redimiu, estão obrigados. Se os consagrou antes que fossem concluídos, e o tesoureiro os concluiu, e depois disso os redimiu, estão isentos, pois no momento de sua obrigação estavam isentos.

A Halachá · הֲלָכָה ג

01Por que a regra foi ensinada duas vezes e a opinião de Rabi Akiva sobre o primeiro terço
Yerushalmi · Chalá 3:3
וְלָמָּה תַּנִּינָתָהּ תְּרֵין זִימְנִין. רִבִּי חוּנָה רִבִּי חִיָיה רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי בְשֵׁם רִבִּי פְּדָיָה אַחַת לְמֵירוּחַ וְאַחַת לִשְׁלִישׁ. רִבִּי יוֹסֵי אָמַר רִבִּי בָּא וַחֲבֵרַיָּא. חֲבֵרַיָּא אָמְרִין אַחַת לְמֵירוּחַ וְאַחַת לִשְׁלִישׁ. רִבִּי בָּא מְפָרֵשׁ לַחַלָּה לְמֵירוּחַ. וּפֵיאָה לִשְׁלִישׁ.

E por que a ensinamos duas vezes? Rabi Huna, Rabi Chiyá, Rabi Yehoshua ben Levi em nome de Rabi Pedaiá: uma para a suavização do monte de grãos, e uma para o terço do amadurecimento. Rabi Yossei disse: Rabi Ba e os colegas. Os colegas dizem: uma para a suavização, e uma para o terço. Rabi Ba explica: a de Chalá, para a suavização; e a de Peá, para o terço.

וּמַתְנִיתָא דְּרִבִּי עֲקִיבָה. דְּרִבִּי עֲקִיבָה אָמַר אַחַר שְׁלִישׁ הָרִאשׁוֹן אַתְּ מְהַלֵּךְ. דְּאִיתְפַּלְּגוּן שָׂדֶה שֶׁהֱבִיאָה שְׁלִישׁ לִפְנֵי גּוֹי וּלְקָחָהּ יִשְׂרָאֵל רִבִּי עֲקִיבָה אוֹמֵר הַתּוֹסֶפֶת פְּטוֹר וַחֲכָמִים אוֹמְרִין הַתּוֹסֶפֶת חִייוּב. מַיי כְדוֹן. תִּיפְתָּר אוֹ כְּרִבִּי עֲקִיבָה בְּמַחְלוֹקֶת אוֹ כְדִבְרֵי הַכֹּל בְּקוֹצֵר מִיַּד.

E a nossa Mishná é de Rabi Akiva, pois Rabi Akiva disse: vais atrás do primeiro terço. Pois divergiram: um campo que trouxe um terço diante de um gentio, e um israelita o comprou: Rabi Akiva diz: o acréscimo é isento; e os Sábios dizem: o acréscimo é obrigado. Como é então? Explica-a ou segundo Rabi Akiva, na divergência, ou segundo as palavras de todos, quando ele colhe imediatamente.

Nota

Esta é a terceira halachá do Perek Guimel de Massechet Chalá: a Mishná aplica o momento do enrolar, estabelecido nas halachot anteriores, à massa consagrada ao Templo. Como a propriedade do Templo não está sujeita à chalá, o que conta é de quem era a massa no momento em que surgiu a obrigação: se foi redimida antes de enrolada, foi enrolada já em mãos do dono e está obrigada; se o tesoureiro a enrolou, no momento da obrigação ela pertencia ao Templo e fica isenta. A Mishná avulsa traz ainda a frase “a partir de quando ela a enrolou, e a redimiu, está obrigada”, que não consta no texto do Yerushalmi; a segunda parte, sobre os frutos e os dízimos, corresponde à Mishná avulsa 3:4.

Toda esta halachá aparece também no Yerushalmi de Peá 4:5, onde a mesma regra é ensinada a respeito da peá; por isso a guemará pergunta por que ela foi ensinada duas vezes. A suavização é o alisamento do monte de grãos, que conclui o processamento e fixa a obrigação dos dízimos; o terço é o momento em que o cereal atinge um terço de seu amadurecimento. Na edição de Peá o nome é Bar Pedaiá, e a edição de Guggenheimer o considera a leitura correta.

A guemará prova que a Mishná segue Rabi Akiva, para quem o que importa é o primeiro terço do amadurecimento: no campo que atingiu um terço em posse de um gentio e depois foi comprado por um israelita, Rabi Akiva isenta o acréscimo, e os Sábios o obrigam. A conclusão é que a Mishná pode ser explicada segundo Rabi Akiva, na divergência, ou segundo todos, quando se colhe imediatamente.