Talmud Yerushalmi · Massechet Chalá · Perek Guimel · Halachá 2
חַלָּה

A massa que se tornou dema, a dúvida de impureza e o tevel contado com o profano

Perek Guimel, Halachá 2, no Talmud Yerushalmi, Massechet Chalá

Segunda halachá do Perek Guimel de Massechet Chalá: a Mishná ensina que, se a massa se tornou dema, misturada com terumá, antes de ser enrolada, está isenta, pois o medumá é isento, e, a partir de quando foi enrolada, está obrigada; e que, se lhe surgiu dúvida de impureza antes de ser enrolada, é feita em impureza, e, a partir de quando foi enrolada, em pureza. A guemará traz as duas afirmações de Rabi Chiyá Rabá que parecem divergir, que o tevel é contado com o profano e que a dúvida desqualifica o profano de ser feito terumá, e Rabi Yona as encontra ambas na Mishná; Rav Sheshet atribui a Mishná a Rabi Akiva, e Rabi Zeira a todos, com a objeção a partir das demais espécies; e Rabi Hila ensina que pela palavra da Torá é permitido tornar impuro o tevel, a partir de “a guarda das Minhas terumot”.

A Mishná · מַתְנִיתִין

נִידְמְעָה עִיסָּתָהּ עַד שֶׁלֹּא גִילְגְּילָה פְּטוּרָה שֶׁהַמְּדוּמָע פָּטוּר וּמִשֶּׁגִּלְגְּלָה חַיֶיבֶת. נוֹלַד לָהּ סָפֵק טוּמְאָה עַד שֶׁלֹּא גִילְגְּלָה תֵּיעָשֶׂה בְטוּמְאָה וּמִשֶּׁגִּילְגְּלָָה תֵּיעָשֶׂה בְטָהֳרָה.

Mishná: Se a massa dela se tornou dema (misturada com terumá) antes que ela a enrolasse, está isenta, pois o medumá é isento; e, a partir de quando ela a enrolou, está obrigada. Se lhe surgiu dúvida de impureza antes que ela a enrolasse, que seja feita em impureza; e, a partir de quando ela a enrolou, que seja feita em pureza.

A Halachá · הֲלָכָה ב

01As duas afirmações de Rabi Chiyá Rabá e a permissão de tornar impuro o tevel
Yerushalmi · Chalá 3:2
אָמַר רִבִּי יוֹנָה תַּרְתֵּין מִילִּין תַּנֵּי רִבִּי חִיָיא רוֹבָא וְאִינּוּן פְּלִיגִין חָדָא עַל חָדָא. טֵבֵל מִנְיָנוֹ בְחוּלִּין וְכָל הַסָּפֵק פּוֹסֵל אֶת הַתְּרוּמָה וּפוֹסֵל אֶת הַחוּלִין מִלֵּעָשׂוֹת תְּרוּמָה. וְקַשְׁיָא אִם טֵבֵל ממנו בְחוּלִּין לָמָּה לִי פּוֹסֵל אֶת הַחוּלִין מִלֵּעָשׂוֹתָן תְּרוּמָה. וְהָא מִנְיָנוֹ בִתְרוּמָה. אָמַר רִבִּי יוֹנָה אוּף אֲנָן תַּנִּינָן תַּרְתֵּיהוֹן טֵבֵל מִנְיָנוֹ בְחוּלִּין. דְּתַנִּינָן תַּמָּן אוֹכֶל מַעֲשֵׂר שֶׁהוּכְשָׁר בְּמַשְׁקֶה וְנָגַע בּוֹ טְבוּל יוֹם אוֹ יָדַיִים מְסוֹאָבִין מַפְרִישִׁין מִמֶּנּוּ תְרוּמַת מַעֲשֵׂר בְּטָהֳרָה מִפְּנֵי שֶׁהִיא שְׁלִישִׁי. הָדָא אָמְרָה שֶׁהַטֵּבֵל מִנְיָנוֹ בְחוּלִּין. וְכָל הַסָּפֵק פּוֹסֵל אֶת הַתְּרוּמָה וּפוֹסֵל אֶת הַחוּלִין מִלֵּעָשׂוֹתָן תְּרוּמָה. דְּתַנִּינָן תַּמָּן נוֹלַד לָהּ סָפֵק עַד שֶׁלֹּא גִילְגְּלָה תֵּיעָשֶׂה בְטוּמְאָה מִשֶּׁגִּילְגְּלָה תֵּעָשֶׂה בְטָהֳרָה. אָמַר רַב שֵׁשֶׁת דְּרִבִּי עֲקִיבָה הִיא דְּרִבִּי עֲקִיבָה אָמַר יַעֲשֶׂנָּה בְטוּמְאָה וְאַל יַעֲשֶׂנָּה קַבִּין. אָמַר רִבִּי זְעִירָא דִּבְרֵי הַכֹּל הִיא יַעֲשֶׂנָּה קַבִּין בִּסְפֵיקָן. הָתִיב רִבִּי חִיָיה בֵּירִבִּי בּוּן קוֹמֵי רִבִּי זְעִירָא וְהָתַנֵּי אַף בִּשְׁאָר הַמִּינִין כֵּן. אִית לָךְ מֵימַר יַעֲשֶׂנָּה קַבִּין בִּסְפֵיקָן. רִבִּי זְבִידָא אָמַר אֲנָא בְּעִיתָהּ. רִבִּי יוֹסֵי בְשֵׁם רִבִּי הִילָא בְּדִין הָיָה שֶׁיְּטַמֵּא אָדָם טִבְלוֹ דְּבַר תּוֹרָה דִּכְתִיב וַאֲנִי הִנֵּה נָתַתִּי לְךָ אֶת מִשְׁמֶרֶת תְּרוּמָתִי. תְּרוּמָה צְרִיכָה שִׁימּוּר. אֵין הַטֵּבֵל צָרִיךְ שִׁימּוּר. מַה אֲנִי מְקַיֵים וּנְתַתֶּם מִמֶּנּוּ אֶת תְּרוּמַת יי לְאַהֲרֹן הַכֹֹּהֶן. עֲשֵׂה שֶׁיִינָּתֵן לְאַהֲרֹן הַכֹּהֶן בִּכְהוּנָּתוֹ. וְכָאן הוֹאִיל וְאֵין אַתְּ יָכוֹל לִיתְּנוֹ לַכֹּהֵן בִּכְהוּנָּתוֹ רַשַּׁאי אַתְּ לְטַמוֹתוֹ.

Disse Rabi Yona: duas coisas ensinou Rabi Chiyá Rabá, e elas divergem uma da outra: o tevel é contado com o profano; e toda dúvida desqualifica a terumá e desqualifica o profano de ser feito terumá. E é difícil: se o tevel é contado com o profano, para que preciso de “desqualifica o profano de fazê-lo terumá”? Pois então ele é contado com a terumá! Disse Rabi Yona: também nós ensinamos ambas. O tevel é contado com o profano, pois ensinamos lá: “Alimento de maasser que foi preparado com líquido, e tocou nele um tevul yom (quem imergiu e aguarda o pôr do sol) ou mãos impuras, separa-se dele terumat maasser em pureza, porque ele é de terceiro grau.” Isto diz que o tevel é contado com o profano. E toda dúvida desqualifica a terumá e desqualifica o profano de fazê-lo terumá, pois ensinamos lá: “Se lhe surgiu dúvida antes que ela a enrolasse, que seja feita em impureza; a partir de quando ela a enrolou, que seja feita em pureza.” Disse Rav Sheshet: é de Rabi Akiva, pois Rabi Akiva disse: que a faça em impureza, e não a faça em kabin. Disse Rabi Zeira: é a opinião de todos: que a faça em kabin nos casos de dúvida. Objetou Rabi Chiyá bar Rabi Bun diante de Rabi Zeira: e não se ensinou: “também nas demais espécies é assim”? Tens como dizer: que a faça em kabin nos casos de dúvida? Rabi Zevida disse: eu o perguntei. Rabi Yossei em nome de Rabi Hila: é de direito que a pessoa torne impuro o seu tevel, pela palavra da Torá, pois está escrito: “E Eu, eis que te dei a guarda das Minhas terumot” (Bamidbar 18:8). A terumá precisa de guarda; o tevel não precisa de guarda. Como cumpro “e dareis dele a terumá do Eterno a Aharon, o cohen” (Bamidbar 18:28)? Faze que seja dada a Aharon, o cohen, em seu sacerdócio. E aqui, já que não podes dá-la ao cohen em seu sacerdócio, tens permissão de torná-la impura.

Nota

Esta é a segunda halachá do Perek Guimel de Massechet Chalá: a Mishná aplica o momento do enrolar, estabelecido na halachá anterior, à massa que se tornou dema e à dúvida de impureza. Antes de enrolada, a massa ainda não está obrigada na chalá; por isso o medumá, que só os cohanim podem comer, fica isento, e a dúvida de impureza surgida nessa fase permite seguir trabalhando a massa em impureza.

Na pergunta “se o tevel é contado com o profano”, o hebraico da guemará traz ממנו, “dele”, em vez de מנינו, “sua contagem”, como no restante da passagem; a tradução segue a leitura “contado”, conforme indicado pela edição de Guggenheimer.

A guemará confronta duas afirmações de Rabi Chiyá Rabá, que o tevel é contado com o profano, e por isso não recebe impureza de terceiro grau, e que a dúvida desqualifica o profano de ser feito terumá; Rabi Yona as encontra ambas na Mishná, na de Tevul Yom e nesta. Rav Sheshet atribui a Mishná a Rabi Akiva, Rabi Zeira a todos, e Rabi Chiyá bar Rabi Bun objeta a partir das demais espécies. Por fim, Rabi Hila ensina que a Torá exige guarda da terumá, e não do tevel, e que a terumá que não pode ser dada ao cohen em seu sacerdócio pode ser tornada impura.