O daf continua diretamente de 152b, concluindo a baraita citada por Rabi Abbahu: depois de doze meses, o corpo deixa de existir, e a alma sobe e não volta mais a descer. Rav Yehuda, filho de Rav Shmuel bar Sheilat, ensina em nome de Rav que pelo elogio fúnebre de uma pessoa se reconhece se ela é do Mundo Vindouro, e a guemará concilia isso com o pedido do próprio Rav para que aquecessem o seu elogio; Abaie pergunta a Rabba quem aquecerá o elogio dele, odiado em Pumbedita. Rav e Rabi Chanina dizem quem é do Mundo Vindouro, com Yeshayahu 30:21 e Kohelet 12:5. Segue-se a mishná de Rabi Eliezer, “arrepende-te um dia antes da tua morte” (Avot 2:10), com Kohelet 9:8, a parábola de Rabi Yochanan ben Zakai sobre o rei que convidou os servos para um banquete sem lhes fixar hora, a versão do genro de Rabi Meir, com Yeshayahu 65:13-14, e a leitura das vestes brancas e do óleo como tzitzit e tefilin. Com isso se encerra o Perek Vinte e Três, Sho'el (Shabbat 148a:5-153a:10, conforme a estrutura de capítulos do Sefaria), com o hadran, e abre-se sem pausa o Perek Vinte e Quatro, Mi Shehechshich (Shabbat 153a:11-157b:3). A nova mishná trata de quem é surpreendido pelo anoitecer da véspera do Shabat no caminho: entrega a sua bolsa a um gentio ou, se não houver gentio, coloca-a sobre o jumento, e, ao chegar ao pátio exterior, descarrega os utensílios. Na guemará, explica-se que os Sábios o permitiram porque ninguém se contém diante da perda do seu dinheiro; Rava restringe a permissão à bolsa e não ao objeto achado; prefere-se o gentio ao jumento e o jumento ao surdo-mudo, ao demente e ao menor; e o daf termina no meio da pergunta sobre o surdo-mudo e o menor, que prossegue em Shabbat 153b.
…e a sua alma sobe ao seu lugar sob o Trono da Glória e não volta mais a descer.
Conclui-se a baraita trazida por Rabi Abbahu no fim de 152b: durante os doze meses após a morte, o corpo ainda subsiste e a alma sobe e desce; depois disso, o corpo deixa de existir e a alma sobe sem retornar. Por isso a necromante pôde fazer subir Shmuel, que morrera havia menos de doze meses.
Disse Rav Yehuda, filho de Rav Shmuel bar Sheilat, em nome de Rav: pelo elogio fúnebre de uma pessoa se reconhece se ela é alguém do Mundo Vindouro ou não. Mas é mesmo assim? Não disse Rav a Rav Shmuel bar Sheilat: Aquece os corações no meu elogio fúnebre, pois ali eu estarei de pé e ouvirei? Se até Rav precisou pedir isso, como se pode reconhecer algo pelo elogio? Não é difícil: esta regra trata do caso em que aquecem o elogio e ele de fato aquece os ouvintes; aquela, do caso em que o aquecem e ele não aquece os ouvintes.
“Se ele é alguém do Mundo Vindouro” — pois, se era digno, todos choram por ele, derramam lágrimas e contam os seus louvores.
“Aquece no elogio fúnebre, pois ali estarei de pé” — isto é, na hora da minha morte, esforça-te no meu elogio fúnebre, para que se aqueçam e se comovam as entranhas dos presentes, e chorem.
“Pois ali estarei de pé” — na hora do elogio, e ouvirei como te aqueces. Logo, Rav precisou adverti-lo a respeito do elogio; e, já que Rav era um grande homem e alguém do Mundo Vindouro, para que precisava adverti-lo? Eis que ele mesmo disse: pelo seu elogio se reconhece!
“Esta, quando o aquecem” — ao elogio, e ele aquece etc. Quer dizer: na verdade, é sempre preciso aquecer o elogio, pois as pessoas não se comovem tanto por um ancião; porém, por um homem piedoso, quando aquecem o elogio, todos se aquecem e choram, e, por quem não é tão piedoso, aquecem-no e os ouvintes não se aquecem.
Rav pediu a Rav Shmuel bar Sheilat que fizesse do seu elogio fúnebre um discurso comovente, e a guemará pergunta por que ele precisaria disso, se o elogio de um justo já revela a sua grandeza. A resposta, segundo Rashi, é que sempre é preciso esforçar-se no elogio, sobretudo pelo idoso, cuja morte comove menos; a diferença está no resultado: pelo justo, quando o elogio é aquecido, todos choram; por quem não o é, mesmo o elogio aquecido não comove.
Disse Abaie a Rabba: No caso de alguém como o mestre, a quem todos os de Pumbedita odeiam, quem aquecerá o seu elogio fúnebre? Disse-lhe: Basta-me que vos aqueçais tu e Rabba bar Rav Chanan.
“A quem todos os de Pumbedita odeiam” — porque ele os repreendia nas coisas do Céu; e os de Pumbedita são trapaceiros, como dizemos no tratado Shechitat Chulin (Chulin 127a): se um pumbeditano te acompanha, troca de hospedagem.
Rabba, que ensinava em Pumbedita, era malquisto pelos seus habitantes porque os repreendia em questões religiosas. Ele responde que lhe basta que os seus discípulos mais próximos, Abaie e Rabba bar Rav Chanan, se comovam no seu elogio.
Rabi Elazar perguntou a Rav: Quem é alguém do Mundo Vindouro? Disse-lhe: Aquele de quem se cumpre “E os teus ouvidos ouvirão uma palavra atrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele, quando fordes para a direita e quando fordes para a esquerda” (Yeshayahu 30:21). Rabi Chanina disse: Todo aquele com quem a mente dos nossos mestres está satisfeita. Sobre o versículo “E os pranteadores rodeiam pelo mercado” (Kohelet 12:5), os da Galileia dizem: Faze coisas dignas de serem ditas diante do teu esquife; os da Judeia dizem: Faze coisas dignas de serem ditas atrás do teu esquife. E não divergem: cada mestre falou conforme o costume do seu lugar.
“E os teus ouvidos ouvirão uma palavra atrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele” — atrás do teu esquife, quando morreres, ouvirás quando disserem: o caminho em que este andou, andai nele; então está assegurado que ele é alguém do Mundo Vindouro.
“Está satisfeita com ele” — isto é, a mente deles fica satisfeita a seu respeito, por aquilo que ouvem sobre ele e veem nele.
“Faze coisas” — que se digam diante do teu esquife, no teu elogio fúnebre.
“Atrás do teu esquife” — é a mesma coisa; só que na Galileia os pranteadores iam diante do esquife, e na Judeia, atrás do esquife.
Para Rav, o sinal de que alguém tem parte no Mundo Vindouro é ouvir-se, atrás do seu esquife, que o seu caminho deve ser seguido. Rabi Chanina põe o critério na aprovação dos sábios. Os ditos da Galileia e da Judeia têm o mesmo sentido, viver de modo a merecer um bom elogio, e diferem só porque, em cada região, os pranteadores caminhavam numa posição diferente em relação ao esquife.
Aprendemos ali numa mishná (Avot 2:10): Rabi Eliezer diz: Arrepende-te um dia antes da tua morte. Os seus discípulos perguntaram a Rabi Eliezer: E porventura uma pessoa sabe em que dia morrerá? Disse-lhes: Com mais razão ainda: que se arrependa hoje, pois talvez morra amanhã; e assim todos os seus dias se encontrarão em arrependimento. E também Shlomo disse na sua sabedoria: “Em todo tempo sejam brancas as tuas vestes, e não falte óleo sobre a tua cabeça” (Kohelet 9:8).
“Com mais razão” — pois, por não saber em que dia morrerá, e sendo bom o arrependimento um dia antes da sua morte, acontece que todos os seus dias estarão em arrependimento.
“As tuas vestes brancas” — isto é, a tua alma seja pura e limpa.
A instrução de Rabi Eliezer, conhecida pela Mishná de Avot, é um convite a viver sempre em arrependimento: como ninguém conhece o dia da sua morte, o único modo de se arrepender um dia antes dela é arrepender-se todos os dias. O versículo de Kohelet, lido por Rashi como pureza da alma, diz o mesmo: estar sempre preparado.
Disse Rabi Yochanan ben Zakai: É uma parábola de um rei que convidou os seus servos para um banquete e não lhes fixou hora. Os sensatos dentre eles adornaram-se e sentaram-se à porta da casa do rei; disseram: Falta porventura alguma coisa à casa do rei? Ele pode chamar-nos a qualquer momento. Os tolos dentre eles foram para o seu trabalho; disseram: Há porventura banquete sem trabalho de preparação? Ainda temos tempo.
“Falta porventura alguma coisa à casa do rei?” — em tom de espanto: tudo está pronto, e talvez o rei nos apresse a vir de repente, e precisamos entrar no banquete adornados.
“Há porventura banquete sem trabalho?” — ainda terão de trabalhar nas necessidades do banquete da casa do rei, e temos muito tempo para nos adornar.
A parábola ilustra o ensinamento de Rabi Eliezer: o convite do rei é a morte, cuja hora não foi fixada. Os sensatos raciocinam que tudo já está pronto e se preparam desde já; os tolos pensam que ainda falta muito e adiam a preparação.
De repente, o rei chamou os seus servos. Os sensatos dentre eles entraram diante dele adornados, e os tolos entraram diante dele sujos. O rei alegrou-se ao encontro dos sensatos e irou-se ao encontro dos tolos. Disse: Estes, que se adornaram para o banquete, sentem-se, comam e bebam; estes, que não se adornaram para o banquete, fiquem de pé e olhem.
“Fiquem de pé e olhem” — e também no Mundo Vindouro os justos estão sentados e comem, e os ímpios ficam de pé e olham.
Rashi aplica a parábola ao Mundo Vindouro: os que se prepararam participam do banquete, e os que não se prepararam apenas o contemplam.
O genro de Rabi Meir disse em nome de Rabi Meir: Se ficassem de pé, também eles pareceriam servidores do banquete, e não seria uma vergonha. Mas uns e outros ficam sentados: estes comem, e aqueles têm fome; estes bebem, e aqueles têm sede, como foi dito: “Assim disse o Eterno: Eis que os Meus servos comerão, e vós tereis fome; eis que os Meus servos beberão, e vós tereis sede; eis que os Meus servos cantarão de alegria do coração, e vós gritareis de dor do coração” (Yeshayahu 65:13-14).
“Rabi Meir diz” — não ficam de pé olhando, pois, se assim fosse, também eles pareceriam estar entre os convidados, e ali para servir, pois assim é o modo dos servidores: ficam de pé; e não haveria aqui vergonha.
Para Rabi Meir, ficar de pé não seria castigo suficiente, pois os servidores de um banquete também ficam de pé, e isso não envergonha ninguém. Por isso todos se sentam à mesa, mas só os justos comem e bebem. A citação junta Yeshayahu 65:13 e 65:14: o texto bíblico diz “Assim disse o Senhor, o Eterno” e inclui ainda “eis que os Meus servos se alegrarão, e vós vos envergonhareis”, que a guemará omite.
Outra explicação: “Em todo tempo sejam brancas as tuas vestes” (Kohelet 9:8) — estas são as tzitzit; “e não falte óleo sobre a tua cabeça” — estes são os tefilin.
“Estas são as tzitzit” — pois com elas a veste é embranquecida.
“Estes são os tefilin” — pois eles são um nome, que vale mais que o bom óleo, já que está escrito: “E verão todos os povos da terra que o nome etc.” (Devarim 28:10), e ensinou-se: Rabi Eliezer, o Grande, diz: estes são os tefilin da cabeça (Berachot 6a).
Os fios brancos das tzitzit embelezam a veste, e os tefilin da cabeça são chamados “nome” a partir de Devarim 28:10, “que o nome do Eterno é invocado sobre ti”. Rashi alude a Kohelet 7:1, “melhor é um bom nome do que o bom óleo”: os tefilin, que são “nome”, valem mais do que o óleo sobre a cabeça. Com esta leitura se encerra a guemará do Perek Vinte e Três.
Com a leitura das vestes brancas e do óleo como tzitzit e tefilin, encerra-se todo o Perek Vinte e Três, Sho'el, nome tirado da primeira palavra da sua mishná de abertura sobre pedir emprestado no Shabat, que se estendera de Shabbat 148a:5 a 153a:10, conforme a estrutura de capítulos do Sefaria. Ao longo de pouco mais de cinco folhas, o perek percorreu o empréstimo sem a expressão de dívida e o manto deixado como garantia, o cordeiro de Pessach na véspera que cai no Shabat, a contagem dos convidados e o sorteio à mesa, a proibição de contratar trabalhadores e de esperar o anoitecer junto ao limite, as flautas trazidas pelo gentio e o caixão e a sepultura, as necessidades do morto no Shabat e a proibição de fechar os olhos de quem está morrendo, e, a partir daí, uma longa sequência agádica sobre a velhice, a morte, o destino das almas, o elogio fúnebre e o arrependimento. O texto talmúdico tradicional marca esse encerramento com a fórmula Hadran Alach Sho'el, voltaremos a ti, Sho'el, que no Sefaria ocupa o segmento 153a:10. Sem qualquer pausa no texto original, o daf prossegue imediatamente com a Mishná de abertura do capítulo seguinte.
MISHNÁ. Aquele a quem anoiteceu no caminho, quando entrou o Shabat, entrega a sua bolsa a um gentio; e, se não há consigo um gentio, coloca-a sobre o jumento. Quando chegou ao pátio exterior da cidade, toma de cima do jumento os utensílios que se podem mover no Shabat; e, quanto aos que não se podem mover no Shabat, desata as cordas, e os sacos caem por si mesmos.
“MISHNÁ. Aquele a quem anoiteceu. Entrega a sua bolsa ao gentio” — quando ainda é dia.
“E, se não há consigo” — daí se deduz que, se há consigo um gentio, ao gentio é preferível, como se explica na guemará.
“Ao pátio exterior” — da cidade, que é o primeiro lugar guardado, e ali vem descarregar o jumento.
“Toma” — com a sua mão, de cima dele, os utensílios que se podem mover no Shabat; e, quanto aos que não se podem mover, desata as cordas da sela com que estão atados, e os sacos caem.
Abre-se aqui o Perek Vinte e Quatro, cujo nome, Mi Shehechshich, aquele a quem anoiteceu, vem das primeiras palavras da sua mishná, e que se estende de Shabbat 153a:11 a 157b:3, conforme a estrutura de capítulos do Sefaria; é o último capítulo do tratado. A mishná trata de quem ainda está viajando quando o Shabat começa e leva consigo dinheiro: segundo Rashi, entrega a bolsa ao gentio ainda de dia; se não há gentio, coloca-a sobre o jumento. Ao chegar ao primeiro lugar protegido da cidade, retira com as mãos os utensílios que podem ser movidos no Shabat e, para os demais, apenas desata as cordas, deixando os sacos cair. No texto do Sefaria, a palavra “por si mesmos” aparece entre parênteses no hebraico.
GUEMARÁ. Qual é a razão pela qual os Sábios lhe permitiram entregar a sua bolsa a um gentio, se o gentio a carregará por ele no Shabat? Os Sábios têm por certo que uma pessoa não se contém diante da perda do seu dinheiro; se não lho permites, chegará a carregá-la ele mesmo quatro côvados no domínio público, transgredindo uma proibição da Torá.
“GUEMARÁ. Qual é a razão de lhe permitirem entregar ao gentio?” — e eis que ele é o seu emissário para carregá-la no Shabat!
“Se contém” — isto é, abstém-se de salvar o seu dinheiro.
Pedir a um gentio que carregue algo no Shabat é, em geral, proibido por decreto rabínico. Aqui os Sábios o permitiram para evitar um mal maior: quem está prestes a perder o seu dinheiro não resistiria e acabaria por carregá-lo ele mesmo no domínio público, o que é proibição da Torá.
Disse Rava: a permissão vale especificamente para a sua bolsa; mas para um objeto achado, não. É óbvio! “A sua bolsa” aprendemos na mishná! Era necessário dizê-lo, para que não digas: o mesmo vale até para um objeto achado, e o que a mishná ensina “a sua bolsa” é só porque ensina o modo habitual da coisa; por isso Rava nos ensina que não. E não dissemos isso senão quando o objeto não chegou à sua mão antes do Shabat; mas, se chegou à sua mão, é como a sua bolsa.
“Especificamente a sua bolsa” — pois, já que se esforçou por ela, pois é com esforço que ele ganha, tem apreço por ela; e, se não lho permites, eis que chegará a carregá-la.
“E não dissemos” — que com um objeto achado não é permitido, senão quando não chegou à sua mão antes de escurecer, e ele não o levantou nem o adquiriu.
A permissão se baseia no apego da pessoa ao dinheiro que ganhou com esforço. Um objeto achado no caminho depois do anoitecer ainda não é seu, e por isso não se teme que o carregue; mas, se o achou e o adquiriu antes do Shabat, já é tratado como a sua bolsa.
Há quem diga que Rava perguntou: um objeto achado que chegou à sua mão antes do Shabat, o que é? Já que chegou à sua mão, é como a sua bolsa? Ou talvez, já que não se esforçou por ele, não é como a sua bolsa? Teiku (fique sem resolução).
Segundo esta versão, o que na anterior era afirmação de Rava torna-se dúvida: o objeto achado antes do Shabat já é dele, mas não lhe custou esforço, e talvez ele consiga conter-se diante da sua perda. A questão fica sem resolução.
“Se não há consigo um gentio.” A razão é que não há consigo um gentio; mas, se há consigo um gentio, ao gentio a entrega. Qual é a razão? Quanto ao jumento, tu és ordenado a respeito do seu descanso; quanto ao gentio, tu não és ordenado a respeito do seu descanso.
A Torá ordena que o animal do judeu descanse no Shabat, e fazê-lo carregar uma carga transgride esse preceito; já sobre o descanso do gentio não há tal ordem. Por isso a mishná só permite pôr a bolsa sobre o jumento quando não há um gentio presente.
Se estavam com ele um jumento e um surdo-mudo, um demente e um menor, coloca-a sobre o jumento, e não a dá ao surdo-mudo, ao demente nem ao menor. Qual é a razão? Estes são pessoas; este jumento não é pessoa. Se estavam com ele um surdo-mudo e um demente, dá-a ao demente; um demente e um menor, dá-a ao demente.
“Este é pessoa” — e há na sua espécie quem seja obrigado aos preceitos, e as pessoas chegariam a confundir-se.
“Ao demente” — dá-a, pois não tem discernimento algum; mas o surdo-mudo tem um discernimento fraco, como dizemos em Yevamot (Yevamot 113a).
Embora o surdo-mudo, o demente e o menor não sejam obrigados aos preceitos, são seres humanos, e quem os visse carregando poderia confundi-los com adultos obrigados; por isso prefere-se o jumento. Entre eles, dá-se ao demente, que não tem discernimento algum, e não ao surdo-mudo, que tem algum, nem ao menor, que vai adquiri-lo.
Foi-lhes perguntado: se estavam com ele um surdo-mudo e um menor, o que é? Segundo Rabi Eliezer, não te é duvidoso, pois foi ensinado numa baraita: Rabi Yitzchak diz em nome de Rabi Eliezer: a teruma de um surdo-mudo…
A guemará começa a resolver a dúvida a partir de Rabi Eliezer, que, segundo esta baraita, atribui ao surdo-mudo mais discernimento do que ao menor. A baraita prossegue em 153b.