Talmud Bavli · Massechet Shabat · Fim do Perek Vinte e Três (Sho'el) · Início do Perek Vinte e Quatro (Mi Shehechshich)
שׁוּב יוֹם אֶחָד לִפְנֵי מִיתָתֶךָ

A alma que sobe e não desce; o elogio fúnebre e o Mundo Vindouro; arrepende-te um dia antes da tua morte e o banquete do rei; o hadran de Sho'el; abre-se o Perek Mi Shehechshich: a bolsa entregue ao gentio no caminho

Shabbat 153a · fecha o Perek Vinte e Três (Sho'el, Shabbat 148a:5-153a:10) e abre o Perek Vinte e Quatro (Mi Shehechshich, Shabbat 153a:11-157b:3) · a guemará prossegue em 153b

O daf continua diretamente de 152b, concluindo a baraita citada por Rabi Abbahu: depois de doze meses, o corpo deixa de existir, e a alma sobe e não volta mais a descer. Rav Yehuda, filho de Rav Shmuel bar Sheilat, ensina em nome de Rav que pelo elogio fúnebre de uma pessoa se reconhece se ela é do Mundo Vindouro, e a guemará concilia isso com o pedido do próprio Rav para que aquecessem o seu elogio; Abaie pergunta a Rabba quem aquecerá o elogio dele, odiado em Pumbedita. Rav e Rabi Chanina dizem quem é do Mundo Vindouro, com Yeshayahu 30:21 e Kohelet 12:5. Segue-se a mishná de Rabi Eliezer, “arrepende-te um dia antes da tua morte” (Avot 2:10), com Kohelet 9:8, a parábola de Rabi Yochanan ben Zakai sobre o rei que convidou os servos para um banquete sem lhes fixar hora, a versão do genro de Rabi Meir, com Yeshayahu 65:13-14, e a leitura das vestes brancas e do óleo como tzitzit e tefilin. Com isso se encerra o Perek Vinte e Três, Sho'el (Shabbat 148a:5-153a:10, conforme a estrutura de capítulos do Sefaria), com o hadran, e abre-se sem pausa o Perek Vinte e Quatro, Mi Shehechshich (Shabbat 153a:11-157b:3). A nova mishná trata de quem é surpreendido pelo anoitecer da véspera do Shabat no caminho: entrega a sua bolsa a um gentio ou, se não houver gentio, coloca-a sobre o jumento, e, ao chegar ao pátio exterior, descarrega os utensílios. Na guemará, explica-se que os Sábios o permitiram porque ninguém se contém diante da perda do seu dinheiro; Rava restringe a permissão à bolsa e não ao objeto achado; prefere-se o gentio ao jumento e o jumento ao surdo-mudo, ao demente e ao menor; e o daf termina no meio da pergunta sobre o surdo-mudo e o menor, que prossegue em Shabbat 153b.

Continuação: a alma depois de doze meses; o elogio fúnebre · מֵהֶסְפֵּדוֹ שֶׁל אָדָם

1697Depois de doze meses, a alma sobe e não volta a descer
Baraita, continuação de 152b
וְנִשְׁמָתוֹ עוֹלָה, וְשׁוּב אֵינָהּ יוֹרֶדֶת.

…e a sua alma sobe ao seu lugar sob o Trono da Glória e não volta mais a descer.

Nota

Conclui-se a baraita trazida por Rabi Abbahu no fim de 152b: durante os doze meses após a morte, o corpo ainda subsiste e a alma sobe e desce; depois disso, o corpo deixa de existir e a alma sobe sem retornar. Por isso a necromante pôde fazer subir Shmuel, que morrera havia menos de doze meses.

1698Pelo elogio fúnebre se reconhece quem é do Mundo Vindouro
Rav Yehuda, filho de Rav Shmuel bar Sheilat, em nome de Rav
אָמַר רַב יְהוּדָה בְּרֵיהּ דְּרַב שְׁמוּאֵל בַּר שִׁילַת מִשְּׁמֵיהּ דְּרַב: מֵהֶסְפֵּדוֹ שֶׁל אָדָם נִיכָּר אִם בֶּן הָעוֹלָם הַבָּא הוּא, אִם לָאו. אִינִי? וְהָאֲמַר לֵיהּ רַב לְרַב שְׁמוּאֵל בַּר שִׁילַת: אַחֵים בְּהֶסְפֵּידָא, דְּהָתָם קָאֵימְנָא! לָא קַשְׁיָא: הָא — דִּמְחַמּוּ לֵיהּ וְחָאֵים. הָא — דִּמְחַמּוּ לֵיהּ וְלָא חָאֵים.

Disse Rav Yehuda, filho de Rav Shmuel bar Sheilat, em nome de Rav: pelo elogio fúnebre de uma pessoa se reconhece se ela é alguém do Mundo Vindouro ou não. Mas é mesmo assim? Não disse Rav a Rav Shmuel bar Sheilat: Aquece os corações no meu elogio fúnebre, pois ali eu estarei de pé e ouvirei? Se até Rav precisou pedir isso, como se pode reconhecer algo pelo elogio? Não é difícil: esta regra trata do caso em que aquecem o elogio e ele de fato aquece os ouvintes; aquela, do caso em que o aquecem e ele não aquece os ouvintes.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “im ben olam haba hu”, “achim behespeida”, “dehatam ka'imna” e “ha dimchamu leih”
אם בן עוה"ב הוא - שאם כשר היה הכל בוכין עליו ומורידין דמעות ומספרים שבחו: אחים בהספידא דהתם קאימנא - בשעת מיתתי התאמץ בהספד שלי שיתחממו ויכמרו רחמי העומדים ויבכו: דהתם קאימנא - בשעת הספד ואשמע איך תתחמם אלמא איצטריך לרב לאזהוריה אהספדא וכיון דרב גברא רבה ובן העולם הבא למה ליה לאזהוריה הא אמר מהספידו ניכר: הא דמחממי ליה - להספידא ואחים כו' לעולם חמומי בעי שאין בני אדם נכמרים כל כך על זקן ומיהו לאדם חסיד כי מחממו בהספידא מחממי ובכו כולהו ולמי שאינו חסיד כל כך מחממו ליה ולא מחממו:

“Se ele é alguém do Mundo Vindouro” — pois, se era digno, todos choram por ele, derramam lágrimas e contam os seus louvores.

“Aquece no elogio fúnebre, pois ali estarei de pé” — isto é, na hora da minha morte, esforça-te no meu elogio fúnebre, para que se aqueçam e se comovam as entranhas dos presentes, e chorem.

“Pois ali estarei de pé” — na hora do elogio, e ouvirei como te aqueces. Logo, Rav precisou adverti-lo a respeito do elogio; e, já que Rav era um grande homem e alguém do Mundo Vindouro, para que precisava adverti-lo? Eis que ele mesmo disse: pelo seu elogio se reconhece!

“Esta, quando o aquecem” — ao elogio, e ele aquece etc. Quer dizer: na verdade, é sempre preciso aquecer o elogio, pois as pessoas não se comovem tanto por um ancião; porém, por um homem piedoso, quando aquecem o elogio, todos se aquecem e choram, e, por quem não é tão piedoso, aquecem-no e os ouvintes não se aquecem.

Nota

Rav pediu a Rav Shmuel bar Sheilat que fizesse do seu elogio fúnebre um discurso comovente, e a guemará pergunta por que ele precisaria disso, se o elogio de um justo já revela a sua grandeza. A resposta, segundo Rashi, é que sempre é preciso esforçar-se no elogio, sobretudo pelo idoso, cuja morte comove menos; a diferença está no resultado: pelo justo, quando o elogio é aquecido, todos choram; por quem não o é, mesmo o elogio aquecido não comove.

1699Quem aquecerá o elogio de Rabba?
Abaie e Rabba
אֲמַר לֵיהּ אַבָּיֵי לְרַבָּה: כְּגוֹן מָר דְּסָנוּ לֵיהּ כּוּלְּהוּ פּוּמְבְּדִיתָאֵי, מַאן מַחֵים הֶסְפֵּידָא? אֲמַר לֵיהּ: מִיסָּתַאי אַתְּ וְרַבָּה בַּר רַב חָנָן.

Disse Abaie a Rabba: No caso de alguém como o mestre, a quem todos os de Pumbedita odeiam, quem aquecerá o seu elogio fúnebre? Disse-lhe: Basta-me que vos aqueçais tu e Rabba bar Rav Chanan.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “desanu leih kulhu Pumbeditaei”
דסנו ליה כולהו פומבדיתאי - משום דמוכח להו במילי דשמיא ובני פומבדיתאי רמאין הן כדאמרינן בשחיטת חולין (חולין קכז.) פומבדיתאי לוייך שני אושפיזך:

“A quem todos os de Pumbedita odeiam” — porque ele os repreendia nas coisas do Céu; e os de Pumbedita são trapaceiros, como dizemos no tratado Shechitat Chulin (Chulin 127a): se um pumbeditano te acompanha, troca de hospedagem.

Nota

Rabba, que ensinava em Pumbedita, era malquisto pelos seus habitantes porque os repreendia em questões religiosas. Ele responde que lhe basta que os seus discípulos mais próximos, Abaie e Rabba bar Rav Chanan, se comovam no seu elogio.

1700Quem é do Mundo Vindouro; diante do esquife e atrás do esquife
Rabi Elazar e Rav; Rabi Chanina; os da Galileia e os da Judeia
בְּעָא מִנֵּיהּ רַבִּי אֶלְעָזָר מֵרַב: אֵיזֶהוּ בֶּן הָעוֹלָם הַבָּא? אֲמַר לֵיהּ: ״וְאׇזְנֶיךָ תִּשְׁמַעְנָה דָבָר מֵאַחֲרֶיךָ לֵאמֹר זֶה הַדֶּרֶךְ לְכוּ בוֹ כִּי תַאֲמִינוּ וְכִי תַשְׂמְאִילוּ״. רַבִּי חֲנִינָא אָמַר: כׇּל שֶׁדַּעַת רַבּוֹתֵינוּ נוֹחָה הֵימֶנּוּ. ״וְסָבְבוּ בַּשּׁוּק הַסּוֹפְדִים״, בְּנֵי גָלִילָא אָמְרִי: עֲשֵׂה דְּבָרִים לִפְנֵי מִטָּתֶךָ, בְּנֵי יְהוּדָה אָמְרִי: עֲשֵׂה דְּבָרִים לְאַחַר מִטָּתֶךָ. וְלָא פְּלִיגִי: מָר כִּי אַתְרֵיהּ, וּמָר כִּי אַתְרֵיהּ.

Rabi Elazar perguntou a Rav: Quem é alguém do Mundo Vindouro? Disse-lhe: Aquele de quem se cumpre “E os teus ouvidos ouvirão uma palavra atrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele, quando fordes para a direita e quando fordes para a esquerda” (Yeshayahu 30:21). Rabi Chanina disse: Todo aquele com quem a mente dos nossos mestres está satisfeita. Sobre o versículo “E os pranteadores rodeiam pelo mercado” (Kohelet 12:5), os da Galileia dizem: Faze coisas dignas de serem ditas diante do teu esquife; os da Judeia dizem: Faze coisas dignas de serem ditas atrás do teu esquife. E não divergem: cada mestre falou conforme o costume do seu lugar.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ve'oznecha tishmana”, “nocha heimenu”, “aseh devarim” e “le'achar mitatecha”
ואזניך תשמענה דבר מאחריך לאמר זה הדרך לכו בה - מאחרי מטתך כשתמות תשמע כשיאמרו זה הדרך שהלך בה זה לכו בה מובטח שהוא בן העוה"ב: נוחה הימנו - דעתם נוחה עליהם ממה ששומעין עליו ורואין בו: עשה דברים - שיאמרו לפני מטתך בהספדך: לאחר מטתך - היא היא אלא שבגליל היו הספדנין לפני המטה וביהודה לאחר המטה:

“E os teus ouvidos ouvirão uma palavra atrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele” — atrás do teu esquife, quando morreres, ouvirás quando disserem: o caminho em que este andou, andai nele; então está assegurado que ele é alguém do Mundo Vindouro.

“Está satisfeita com ele” — isto é, a mente deles fica satisfeita a seu respeito, por aquilo que ouvem sobre ele e veem nele.

“Faze coisas” — que se digam diante do teu esquife, no teu elogio fúnebre.

“Atrás do teu esquife” — é a mesma coisa; só que na Galileia os pranteadores iam diante do esquife, e na Judeia, atrás do esquife.

Nota

Para Rav, o sinal de que alguém tem parte no Mundo Vindouro é ouvir-se, atrás do seu esquife, que o seu caminho deve ser seguido. Rabi Chanina põe o critério na aprovação dos sábios. Os ditos da Galileia e da Judeia têm o mesmo sentido, viver de modo a merecer um bom elogio, e diferem só porque, em cada região, os pranteadores caminhavam numa posição diferente em relação ao esquife.

Arrepende-te um dia antes da tua morte: o banquete do rei · שׁוּב יוֹם אֶחָד לִפְנֵי מִיתָתֶךָ

1701Arrepende-te hoje, pois talvez morras amanhã
Rabi Eliezer e os seus discípulos
תְּנַן הָתָם, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר: שׁוּב יוֹם אֶחָד לִפְנֵי מִיתָתֶךָ. שָׁאֲלוּ תַּלְמִידָיו אֶת רַבִּי אֱלִיעֶזֶר: וְכִי אָדָם יוֹדֵעַ אֵיזֶהוּ יוֹם יָמוּת? אָמַר לָהֶן: וְכׇל שֶׁכֵּן, יָשׁוּב הַיּוֹם, שֶׁמָּא יָמוּת לְמָחָר, וְנִמְצָא כׇּל יָמָיו בִּתְשׁוּבָה. וְאַף שְׁלֹמֹה אָמַר בְּחׇכְמָתוֹ: ״בְּכׇל עֵת יִהְיוּ בְגָדֶיךָ לְבָנִים וְשֶׁמֶן עַל רֹאשְׁךָ אַל יֶחְסָר״.

Aprendemos ali numa mishná (Avot 2:10): Rabi Eliezer diz: Arrepende-te um dia antes da tua morte. Os seus discípulos perguntaram a Rabi Eliezer: E porventura uma pessoa sabe em que dia morrerá? Disse-lhes: Com mais razão ainda: que se arrependa hoje, pois talvez morra amanhã; e assim todos os seus dias se encontrarão em arrependimento. E também Shlomo disse na sua sabedoria: “Em todo tempo sejam brancas as tuas vestes, e não falte óleo sobre a tua cabeça” (Kohelet 9:8).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “vechol shekein” e “begadecha levanim”
וכ"ש - שמפני שאינו יודע איזה יום ימות וטובה תשובה יום אחד לפני מיתתו נמצא כל ימיו בתשובה יהיו: בגדיך לבנים - נשמתך טהורה ונקיה:

“Com mais razão” — pois, por não saber em que dia morrerá, e sendo bom o arrependimento um dia antes da sua morte, acontece que todos os seus dias estarão em arrependimento.

“As tuas vestes brancas” — isto é, a tua alma seja pura e limpa.

Nota

A instrução de Rabi Eliezer, conhecida pela Mishná de Avot, é um convite a viver sempre em arrependimento: como ninguém conhece o dia da sua morte, o único modo de se arrepender um dia antes dela é arrepender-se todos os dias. O versículo de Kohelet, lido por Rashi como pureza da alma, diz o mesmo: estar sempre preparado.

1702O rei que convidou os servos sem fixar a hora
Rabi Yochanan ben Zakai
אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן בֶּן זַכַּאי: מָשָׁל לְמֶלֶךְ שֶׁזִּימֵּן אֶת עֲבָדָיו לִסְעוּדָה, וְלֹא קָבַע לָהֶם זְמַן. פִּיקְחִין שֶׁבָּהֶן קִישְּׁטוּ אֶת עַצְמָן וְיָשְׁבוּ עַל פֶּתַח בֵּית הַמֶּלֶךְ, אָמְרוּ: כְּלוּם חָסֵר לְבֵית הַמֶּלֶךְ? טִיפְּשִׁין שֶׁבָּהֶן הָלְכוּ לִמְלַאכְתָּן, אָמְרוּ: כְּלוּם יֵשׁ סְעוּדָה בְּלֹא טוֹרַח?

Disse Rabi Yochanan ben Zakai: É uma parábola de um rei que convidou os seus servos para um banquete e não lhes fixou hora. Os sensatos dentre eles adornaram-se e sentaram-se à porta da casa do rei; disseram: Falta porventura alguma coisa à casa do rei? Ele pode chamar-nos a qualquer momento. Os tolos dentre eles foram para o seu trabalho; disseram: Há porventura banquete sem trabalho de preparação? Ainda temos tempo.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “kelum chaser beit hamelech” e “kelum yesh se'udah belo torach”
כלום חסר בית המלך - בתמיה הכל מוכן ושמא יבהילנו לבא פתאום ואנו צריכין ליכנס לסעודה מקושטין: כלום יש סעודה בלא טורח - עדיין יצטרכו לטרוח לצורכי סעודה של בית המלך ויש לנו שהות הרבה להתקשט:

“Falta porventura alguma coisa à casa do rei?” — em tom de espanto: tudo está pronto, e talvez o rei nos apresse a vir de repente, e precisamos entrar no banquete adornados.

“Há porventura banquete sem trabalho?” — ainda terão de trabalhar nas necessidades do banquete da casa do rei, e temos muito tempo para nos adornar.

Nota

A parábola ilustra o ensinamento de Rabi Eliezer: o convite do rei é a morte, cuja hora não foi fixada. Os sensatos raciocinam que tudo já está pronto e se preparam desde já; os tolos pensam que ainda falta muito e adiam a preparação.

1703Os adornados comem e bebem; os sujos ficam de pé e olham
Rabi Yochanan ben Zakai, continuação
פִּתְאוֹם בִּיקֵּשׁ הַמֶּלֶךְ אֶת עֲבָדָיו. פִּיקְחִין שֶׁבָּהֶן נִכְנְסוּ לְפָנָיו כְּשֶׁהֵן מְקוּשָּׁטִין, וְהַטִּיפְּשִׁים נִכְנְסוּ לְפָנָיו כְּשֶׁהֵן מְלוּכְלָכִין. שָׂמַח הַמֶּלֶךְ לִקְרַאת פִּיקְחִים וְכָעַס לִקְרַאת טִיפְּשִׁים. אָמַר: הַלָּלוּ שֶׁקִּישְּׁטוּ אֶת עַצְמָן לַסְּעוּדָה — יֵשְׁבוּ וְיֹאכְלוּ וְיִשְׁתּוּ, הַלָּלוּ שֶׁלֹּא קִישְּׁטוּ עַצְמָן לַסְּעוּדָה — יַעַמְדוּ וְיִרְאוּ.

De repente, o rei chamou os seus servos. Os sensatos dentre eles entraram diante dele adornados, e os tolos entraram diante dele sujos. O rei alegrou-se ao encontro dos sensatos e irou-se ao encontro dos tolos. Disse: Estes, que se adornaram para o banquete, sentem-se, comam e bebam; estes, que não se adornaram para o banquete, fiquem de pé e olhem.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “ya'amdu veyir'u”
יעמדו ויראו - ואף לעוה"ב צדיקים יושבים ואוכלים ורשעים עומדים ורואים:

“Fiquem de pé e olhem” — e também no Mundo Vindouro os justos estão sentados e comem, e os ímpios ficam de pé e olham.

Nota

Rashi aplica a parábola ao Mundo Vindouro: os que se prepararam participam do banquete, e os que não se prepararam apenas o contemplam.

1704Uns e outros se sentam: estes comem, aqueles têm fome
O genro de Rabi Meir, em nome de Rabi Meir
חֲתָנוֹ שֶׁל רַבִּי מֵאִיר מִשּׁוּם רַבִּי מֵאִיר אָמַר: אַף הֵן נִרְאִין כִּמְשַׁמְּשִׁין. אֶלָּא אֵלּוּ וָאֵלּוּ יוֹשְׁבִין: הַלָּלוּ — אוֹכְלִין, וְהַלָּלוּ — רְעֵבִין. הַלָּלוּ — שׁוֹתִין, וְהַלָּלוּ — צְמֵאִים, שֶׁנֶּאֱמַר: ״כֹּה אָמַר ה׳ הִנֵּה עֲבָדַי יֹאכֵלוּ וְאַתֶּם תִּרְעָבוּ הִנֵּה עֲבָדַי יִשְׁתּוּ וְאַתֶּם תִּצְמָאוּ הִנֵּה עֲבָדַי יָרוֹנּוּ מִטּוּב לֵב וְאַתֶּם תִּצְעֲקוּ מִכְּאֵב לֵב״.

O genro de Rabi Meir disse em nome de Rabi Meir: Se ficassem de pé, também eles pareceriam servidores do banquete, e não seria uma vergonha. Mas uns e outros ficam sentados: estes comem, e aqueles têm fome; estes bebem, e aqueles têm sede, como foi dito: “Assim disse o Eterno: Eis que os Meus servos comerão, e vós tereis fome; eis que os Meus servos beberão, e vós tereis sede; eis que os Meus servos cantarão de alegria do coração, e vós gritareis de dor do coração” (Yeshayahu 65:13-14).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “Rabi Meir omer”
ר"מ אומר - אין עומדין ורואין שא"כ אף הם היו נראים מן הקרואים ולשמש שכן דרך המשרתים עומדים ואין כאן בושה:

“Rabi Meir diz” — não ficam de pé olhando, pois, se assim fosse, também eles pareceriam estar entre os convidados, e ali para servir, pois assim é o modo dos servidores: ficam de pé; e não haveria aqui vergonha.

Nota

Para Rabi Meir, ficar de pé não seria castigo suficiente, pois os servidores de um banquete também ficam de pé, e isso não envergonha ninguém. Por isso todos se sentam à mesa, mas só os justos comem e bebem. A citação junta Yeshayahu 65:13 e 65:14: o texto bíblico diz “Assim disse o Senhor, o Eterno” e inclui ainda “eis que os Meus servos se alegrarão, e vós vos envergonhareis”, que a guemará omite.

1705As vestes brancas e o óleo: tzitzit e tefilin
Outra explicação
דָּבָר אַחֵר: ״בְּכׇל עֵת יִהְיוּ בְגָדֶיךָ לְבָנִים״ — אֵלּוּ צִיצִית, ״וְשֶׁמֶן עַל רֹאשְׁךָ אַל יֶחְסָר״ — אֵלּוּ תְּפִילִּין.

Outra explicação: “Em todo tempo sejam brancas as tuas vestes” (Kohelet 9:8) — estas são as tzitzit; “e não falte óleo sobre a tua cabeça” — estes são os tefilin.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “zeh tzitzit” e “elu tefilin”
זה ציצית - שמלובן הבגד: אלו תפילין - שהם שם משמן טוב דכתיב וראו כל עמי הארץ כי שם וגו' ותנא ר"א הגדול אומר אלו תפילין שבראש (ברכות דף ו.):

“Estas são as tzitzit” — pois com elas a veste é embranquecida.

“Estes são os tefilin” — pois eles são um nome, que vale mais que o bom óleo, já que está escrito: “E verão todos os povos da terra que o nome etc.” (Devarim 28:10), e ensinou-se: Rabi Eliezer, o Grande, diz: estes são os tefilin da cabeça (Berachot 6a).

Nota

Os fios brancos das tzitzit embelezam a veste, e os tefilin da cabeça são chamados “nome” a partir de Devarim 28:10, “que o nome do Eterno é invocado sobre ti”. Rashi alude a Kohelet 7:1, “melhor é um bom nome do que o bom óleo”: os tefilin, que são “nome”, valem mais do que o óleo sobre a cabeça. Com esta leitura se encerra a guemará do Perek Vinte e Três.

Fim do Perek Vinte e Três · Sho'elהַדְרָן עֲלָךְ שׁוֹאֵל
Nota sobre a transição

Com a leitura das vestes brancas e do óleo como tzitzit e tefilin, encerra-se todo o Perek Vinte e Três, Sho'el, nome tirado da primeira palavra da sua mishná de abertura sobre pedir emprestado no Shabat, que se estendera de Shabbat 148a:5 a 153a:10, conforme a estrutura de capítulos do Sefaria. Ao longo de pouco mais de cinco folhas, o perek percorreu o empréstimo sem a expressão de dívida e o manto deixado como garantia, o cordeiro de Pessach na véspera que cai no Shabat, a contagem dos convidados e o sorteio à mesa, a proibição de contratar trabalhadores e de esperar o anoitecer junto ao limite, as flautas trazidas pelo gentio e o caixão e a sepultura, as necessidades do morto no Shabat e a proibição de fechar os olhos de quem está morrendo, e, a partir daí, uma longa sequência agádica sobre a velhice, a morte, o destino das almas, o elogio fúnebre e o arrependimento. O texto talmúdico tradicional marca esse encerramento com a fórmula Hadran Alach Sho'el, voltaremos a ti, Sho'el, que no Sefaria ocupa o segmento 153a:10. Sem qualquer pausa no texto original, o daf prossegue imediatamente com a Mishná de abertura do capítulo seguinte.

Início do Perek Vinte e Quatro · Mi Shehechshichתְּחִלַּת פֶּרֶק כד · מִי שֶׁהֶחֱשִׁיךְ

Nova Mishná: quem é surpreendido pelo anoitecer no caminho · מִי שֶׁהֶחֱשִׁיךְ בַּדֶּרֶךְ

1706Mishná: entrega a bolsa a um gentio ou coloca-a sobre o jumento; no pátio exterior, descarrega os utensílios
Mishná
מַתְנִי׳ מִי שֶׁהֶחֱשִׁיךְ בַּדֶּרֶךְ — נוֹתֵן כִּיסוֹ לְגוֹי, וְאִם אֵין עִמּוֹ גּוֹי — מַנִּיחוֹ עַל הַחֲמוֹר. הִגִּיעַ לֶחָצֵר הַחִיצוֹנָה — נוֹטֵל אֶת הַכֵּלִים הַנִּיטָּלִין בַּשַּׁבָּת. וְשֶׁאֵינָן נִיטָּלִין בַּשַּׁבָּת — מַתִּיר הַחֲבָלִים, וְהַשַּׂקִּין נוֹפְלִין (מֵאֲילֵיהֶם).

MISHNÁ. Aquele a quem anoiteceu no caminho, quando entrou o Shabat, entrega a sua bolsa a um gentio; e, se não há consigo um gentio, coloca-a sobre o jumento. Quando chegou ao pátio exterior da cidade, toma de cima do jumento os utensílios que se podem mover no Shabat; e, quanto aos que não se podem mover no Shabat, desata as cordas, e os sacos caem por si mesmos.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “matnitin mi shehechshich, noten kiso lenochri”, “ve'im ein imo”, “lechatzer hachitzonah” e “notel”
מתני' מי שהחשיך. נותן כיסו לנכרי - מבעוד יום: ואם אין עמו - הא יש עמו לנכרי עדיף כדמפרש בגמרא: לחצר החיצונה - של עיר שהוא מקום המשתמר ראשון ובא לפרק מן החמור: נוטל - בידו מעליו כלים הניטלין בשבת ושאין ניטלין מתיר החבלים של אוכף שהן קשורים בהן והשקין נופלין:

“MISHNÁ. Aquele a quem anoiteceu. Entrega a sua bolsa ao gentio” — quando ainda é dia.

“E, se não há consigo” — daí se deduz que, se há consigo um gentio, ao gentio é preferível, como se explica na guemará.

“Ao pátio exterior” — da cidade, que é o primeiro lugar guardado, e ali vem descarregar o jumento.

“Toma” — com a sua mão, de cima dele, os utensílios que se podem mover no Shabat; e, quanto aos que não se podem mover, desata as cordas da sela com que estão atados, e os sacos caem.

Nota — abre-se o Perek Vinte e Quatro, Mi Shehechshich

Abre-se aqui o Perek Vinte e Quatro, cujo nome, Mi Shehechshich, aquele a quem anoiteceu, vem das primeiras palavras da sua mishná, e que se estende de Shabbat 153a:11 a 157b:3, conforme a estrutura de capítulos do Sefaria; é o último capítulo do tratado. A mishná trata de quem ainda está viajando quando o Shabat começa e leva consigo dinheiro: segundo Rashi, entrega a bolsa ao gentio ainda de dia; se não há gentio, coloca-a sobre o jumento. Ao chegar ao primeiro lugar protegido da cidade, retira com as mãos os utensílios que podem ser movidos no Shabat e, para os demais, apenas desata as cordas, deixando os sacos cair. No texto do Sefaria, a palavra “por si mesmos” aparece entre parênteses no hebraico.

Guemará: a bolsa, o objeto achado e o jumento · כִּיסוֹ וּמְצִיאָה

1707Ninguém se contém diante da perda do seu dinheiro
Anônimo
גְּמָ׳ מַאי טַעְמָא שָׁרוּ לֵיהּ רַבָּנַן לְמִיתַּב כִּיסֵיהּ לְגוֹי? קִים לְהוּ לְרַבָּנַן דְּאֵין אָדָם מַעֲמִיד עַצְמוֹ עַל מָמוֹנוֹ, אִי לָא שָׁרֵית לֵיהּ — אָתֵי לְאֵיתוֹיֵי אַרְבַּע אַמּוֹת בִּרְשׁוּת הָרַבִּים.

GUEMARÁ. Qual é a razão pela qual os Sábios lhe permitiram entregar a sua bolsa a um gentio, se o gentio a carregará por ele no Shabat? Os Sábios têm por certo que uma pessoa não se contém diante da perda do seu dinheiro; se não lho permites, chegará a carregá-la ele mesmo quatro côvados no domínio público, transgredindo uma proibição da Torá.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “guemará, mai ta'ama” e “ma'amid atzmo”
גמ' מאי טעמא שרי ליה למיתב לנכרי - והרי הוא שלוחו לישאנו בשבת: מעמיד עצמו - מלהציל ממונו:

“GUEMARÁ. Qual é a razão de lhe permitirem entregar ao gentio?” — e eis que ele é o seu emissário para carregá-la no Shabat!

“Se contém” — isto é, abstém-se de salvar o seu dinheiro.

Nota

Pedir a um gentio que carregue algo no Shabat é, em geral, proibido por decreto rabínico. Aqui os Sábios o permitiram para evitar um mal maior: quem está prestes a perder o seu dinheiro não resistiria e acabaria por carregá-lo ele mesmo no domínio público, o que é proibição da Torá.

1708A bolsa, e não o objeto achado
Rava
אָמַר רָבָא: דַּוְקָא כִּיסוֹ, אֲבָל מְצִיאָה — לָא. פְּשִׁיטָא, ״כִּיסוֹ״ תְּנַן! מַהוּ דְתֵימָא הוּא הַדִּין אֲפִילּוּ מְצִיאָה, וְהַאי דְּקָתָנֵי ״כִּיסוֹ״ — אוֹרְחָא דְמִילְּתָא קָתָנֵי, קָא מַשְׁמַע לַן. וְלָא אֲמַרַן, אֶלָּא דְּלָא אֲתַי לִידֵיהּ, אֲבָל אֲתַי לִידֵיהּ — כְּכִיסֵיהּ דָּמֵי.

Disse Rava: a permissão vale especificamente para a sua bolsa; mas para um objeto achado, não. É óbvio! “A sua bolsa” aprendemos na mishná! Era necessário dizê-lo, para que não digas: o mesmo vale até para um objeto achado, e o que a mishná ensina “a sua bolsa” é só porque ensina o modo habitual da coisa; por isso Rava nos ensina que não. E não dissemos isso senão quando o objeto não chegou à sua mão antes do Shabat; mas, se chegou à sua mão, é como a sua bolsa.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “davka kiso” e “velo amaran”
דוקא כיסו - דכיון דטרח בה שע"י טורח הוא משתכר חייס עלה ואי לא שרית ליה הא אתי לאיתויי: ולא אמרן - דמציאה לא אלא דלא אתיא לידה קודם שתחשך ולא הגביהה ולא זכה בה:

“Especificamente a sua bolsa” — pois, já que se esforçou por ela, pois é com esforço que ele ganha, tem apreço por ela; e, se não lho permites, eis que chegará a carregá-la.

“E não dissemos” — que com um objeto achado não é permitido, senão quando não chegou à sua mão antes de escurecer, e ele não o levantou nem o adquiriu.

Nota

A permissão se baseia no apego da pessoa ao dinheiro que ganhou com esforço. Um objeto achado no caminho depois do anoitecer ainda não é seu, e por isso não se teme que o carregue; mas, se o achou e o adquiriu antes do Shabat, já é tratado como a sua bolsa.

1709O objeto achado que chegou à sua mão: teiku
Rava (outra versão)
אִיכָּא דְאָמְרִי, בָּעֵי רָבָא: מְצִיאָה הַבָּאָה לְיָדוֹ מַהוּ, כֵּיוָן דַּאֲתַי לִידֵיהּ — כְּכִיסֵיהּ דָּמֵי? אוֹ דִילְמָא כֵּיוָן דְּלָא טָרַח בַּהּ — לָאו כְּכִיסֵיהּ דָּמֵי. תֵּיקוּ.

Há quem diga que Rava perguntou: um objeto achado que chegou à sua mão antes do Shabat, o que é? Já que chegou à sua mão, é como a sua bolsa? Ou talvez, já que não se esforçou por ele, não é como a sua bolsa? Teiku (fique sem resolução).

Nota

Segundo esta versão, o que na anterior era afirmação de Rava torna-se dúvida: o objeto achado antes do Shabat já é dele, mas não lhe custou esforço, e talvez ele consiga conter-se diante da sua perda. A questão fica sem resolução.

1710O gentio antes do jumento
Anônimo
אֵין עִמּוֹ גּוֹי. טַעְמָא דְּאֵין עִמּוֹ גּוֹי, הָא יֵשׁ עִמּוֹ גּוֹי — לְגוֹי יָהֵיב לֵיהּ. מַאי טַעְמָא? חֲמוֹר — אַתָּה מְצֻוֶּוה עַל שְׁבִיתָתוֹ, גּוֹי — אִי אַתָּה מְצֻוֶּוה עַל שְׁבִיתָתוֹ.

“Se não há consigo um gentio.” A razão é que não há consigo um gentio; mas, se há consigo um gentio, ao gentio a entrega. Qual é a razão? Quanto ao jumento, tu és ordenado a respeito do seu descanso; quanto ao gentio, tu não és ordenado a respeito do seu descanso.

Nota

A Torá ordena que o animal do judeu descanse no Shabat, e fazê-lo carregar uma carga transgride esse preceito; já sobre o descanso do gentio não há tal ordem. Por isso a mishná só permite pôr a bolsa sobre o jumento quando não há um gentio presente.

O jumento, o surdo-mudo, o demente e o menor · חֲמוֹר וְחֵרֵשׁ שׁוֹטֶה וְקָטָן

1711O jumento antes das pessoas; o demente antes do surdo-mudo e do menor
Anônimo
חֲמוֹר וְחֵרֵשׁ שׁוֹטֶה וְקָטָן — אַחֲמוֹר מַנַּח לֵיהּ, לְחֵרֵשׁ שׁוֹטֶה וְקָטָן לָא יָהֵיב לֵיהּ. מַאי טַעְמָא? הָנֵי — אָדָם, הַאי — לָאו אָדָם. חֵרֵשׁ וְשׁוֹטֶה — לְשׁוֹטֶה. שׁוֹטֶה וְקָטָן — לְשׁוֹטֶה.

Se estavam com ele um jumento e um surdo-mudo, um demente e um menor, coloca-a sobre o jumento, e não a dá ao surdo-mudo, ao demente nem ao menor. Qual é a razão? Estes são pessoas; este jumento não é pessoa. Se estavam com ele um surdo-mudo e um demente, dá-a ao demente; um demente e um menor, dá-a ao demente.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre “hai adam” e “leshoteh”
האי אדם - ויש במינו שחייב במצות ואתי לאיחלופי: לשוטה - יהיב דלית ליה דעת כלל אבל חרש דעתא קלישתא אית ליה כדאמרי' ביבמות (דף קיג.):

“Este é pessoa” — e há na sua espécie quem seja obrigado aos preceitos, e as pessoas chegariam a confundir-se.

“Ao demente” — dá-a, pois não tem discernimento algum; mas o surdo-mudo tem um discernimento fraco, como dizemos em Yevamot (Yevamot 113a).

Nota

Embora o surdo-mudo, o demente e o menor não sejam obrigados aos preceitos, são seres humanos, e quem os visse carregando poderia confundi-los com adultos obrigados; por isso prefere-se o jumento. Entre eles, dá-se ao demente, que não tem discernimento algum, e não ao surdo-mudo, que tem algum, nem ao menor, que vai adquiri-lo.

1712O surdo-mudo e o menor: a opinião de Rabi Eliezer
Pergunta dos sábios
אִיבַּעְיָא לְהוּ: חֵרֵשׁ וְקָטָן מַאי? אַלִּיבָּא דְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר לָא תִּיבְּעֵי לָךְ, דְּתַנְיָא: רַבִּי יִצְחָק אוֹמֵר מִשּׁוּם רַבִּי אֱלִיעֶזֶר: תְּרוּמַת חֵרֵשׁ,

Foi-lhes perguntado: se estavam com ele um surdo-mudo e um menor, o que é? Segundo Rabi Eliezer, não te é duvidoso, pois foi ensinado numa baraita: Rabi Yitzchak diz em nome de Rabi Eliezer: a teruma de um surdo-mudo…

Nota

A guemará começa a resolver a dúvida a partir de Rabi Eliezer, que, segundo esta baraita, atribui ao surdo-mudo mais discernimento do que ao menor. A baraita prossegue em 153b.

O daf termina aqui, no meio da baraita de Rabi Yitzchak em nome de Rabi Eliezer sobre a teruma do surdo-mudo. O Perek Vinte e Quatro (Mi Shehechshich, Shabbat 153a:11-157b:3) prossegue em Shabbat 153b.