O daf continua diretamente de 151a, sem qualquer pausa e ainda dentro do Perek Vinte e Três, Sho'el (Shabbat 148a:5-153a:10, conforme a estrutura de capítulos do Sefaria), completando a mishná sobre as necessidades do morto no Shabat: deita-se o morto sobre a areia para retardar a decomposição, ata-se o queixo para que a boca não se abra mais, e escora-se a viga quebrada para que não ceda mais, sem erguê-la. Na guemará, o caso do discípulo de Rabi Meir, a quem se proibiu lavar e ungir o chão da casa de banhos, não contradiz a permissão de ungir o morto, pois o chão se confunde com o chão e o morto não; o “todas” da mishná inclui os utensílios frios sobre o ventre e o tapar dos orifícios, e Kohelet 12:6 é lido como descrição do corpo que se desfaz, com o “excremento das vossas festas” de Malachi. Abre-se então uma nova mishná: não se fecham os olhos do morto no Shabat, e quem os fecha no momento da saída da alma derrama sangue. A guemará compara o moribundo à lâmpada que se vai apagando e traz o conselho de Rabban Shimon ben Gamliel; seguem-se o bebê de um dia vivo e David morto, “entre os mortos, livre”, o bebê e Og, o leão que não se lança sobre dois e a proibição de dormir sozinho em casa; Rabi Shimon ben Elazar ensina “faz enquanto encontras” e lê os dias do mal e os anos sem prazer como a velhice e os dias do Mashiach, contra Shmuel; Rabi Elazar HaKappar e a casa de Rabi Yishmael falam da roda que gira no mundo, com o pão de Rabi Chiyya e a misericórdia ensinada por Rabi Gamliel, filho de Rabi; e Kohelet 12:2 leva às lágrimas e ao colírio depois dos quarenta anos. O daf termina no meio da lista das seis lágrimas, ensinada por Rabi Yochanan em nome de Rabi Yosei ben Katzarta, que prossegue em Shabbat 152a.
…que se retarde a decomposição. Do mesmo modo, ata-se o queixo do morto cuja boca vai se abrindo, não para que suba de volta ao seu lugar, mas para que não continue a abrir-se. E assim também uma viga do telhado que se quebrou no Shabat: escora-se com um banco ou com as traves compridas da cama, não para que suba de volta ao seu lugar, mas para que não continue a ceder.
“Que se retarde” — a decomposição, isto é, que não apodreça por causa do calor do lençol e das almofadas sobre os quais jazia.
“Ata-se o queixo” — de um morto cuja boca ia se abrindo, ata-se o seu queixo para que a sua boca não se abra mais do que já se abriu.
“Não para que suba” — isto é, não se aperta o queixo para se fechar do que se abriu, pois isso é mover um membro do morto, o que é proibido no Shabat; mas apenas para que não continue a abrir-se.
“Escora-se com um banco” — e é permitido manejá-lo, pois tem sobre si o estatuto de utensílio.
“Não para que suba” — a viga de volta ao seu lugar, pois isso seria construir, trabalho proibido no Shabat.
A mishná iniciada no fim de 151a conclui-se aqui: deita-se o morto sobre a areia para retardar a decomposição; pode-se atar-lhe o queixo para que a boca não se abra mais, mas não fechá-la, o que seria mover um membro. Do mesmo modo, uma viga quebrada pode ser escorada para não cair mais, mas não erguida de volta, o que seria construir.
GUEMARÁ. Pergunta-se sobre a permissão da mishná de ungir o morto: Mas não disse Rav Yehuda, disse Shmuel: houve um caso com um discípulo de Rabi Meir, que entrou atrás dele na casa de banhos no Shabat; quis lavar o chão, disse-lhe Rabi Meir: não se lava no Shabat; quis ungir o chão com óleo, disse-lhe: não se unge? Daí se conclui que o que não se pode mover não se pode ungir, e o morto também não se pode mover. Responde-se: o chão confunde-se com o chão, e por isso proibiram mesmo num piso de pedras, para que não se venha a fazê-lo num chão de terra e nivelar os buracos; o morto não se confunde com o chão, e por isso é permitido lavá-lo e ungi-lo.
“GUEMARÁ. E disse-lhe: não se unge” — daí conclui-se que uma coisa que é proibido mover é proibido ungir, e o mesmo valeria para o morto.
“O chão confunde-se com o chão” — isto é, aquilo que Rabi Meir proibiu não é por causa de mover, mas por causa de nivelar buracos no chão; e, embora a casa de banhos seja um piso de pedras e não haja que temer nivelar buracos, em todo caso confunde-se com outro chão de terra.
Parecia que o caso de Rabi Meir proíbe ungir aquilo que não se pode mover, como o morto. A guemará responde que a proibição de lavar e ungir o chão vem do receio de nivelar buracos num chão de terra, com o qual o piso da casa de banhos se confunde; o morto não se confunde com o chão.
“Todas”, na expressão da mishná “todas as necessidades do morto”, vem incluir o quê? Vem incluir isto que ensinaram os Rabanan: trazem-se utensílios de resfriar e utensílios de metal para o morto, e colocam-se sobre o seu ventre, para que não inche. E tapam-se os seus orifícios, para que não entre neles o ar e o faça inchar.
“Todas as necessidades do morto, vem incluir o quê” — isto é, inclui algo que não aprendemos explicitamente na mishná.
“Utensílios de resfriar” — que trazem frescor, como o vidro, e assim retardam o inchaço.
A palavra “todas” da mishná inclui providências que ela não menciona: colocar sobre o ventre do morto objetos frios ou de metal para que não inche, e tapar-lhe os orifícios.
E também Shlomo disse na sua sabedoria a respeito da velhice e da morte: “Antes que se rompa o cordão de prata” (Kohelet 12:6) — esta é a medula espinhal. “E se despedace a taça de ouro” — este é o membro viril, que é como uma fonte. “E se quebre o cântaro junto à fonte” — este é o ventre, que incha e se rompe como um cântaro. “E se despedace a roda na cisterna” — este é o excremento, pois a roda, galgal, lembra gelalim, excrementos.
“E também Shlomo disse na sua sabedoria” — isto se traz a propósito do que se disse, que o ventre do morto incha e se rompe.
“Esta é a medula espinhal” — que é como uma espécie de cordão, e branca como a prata, e por isso é chamada “cordão de prata”.
“Este é o membro” — que é uma fonte de geração, como se diz “fontes de água” (Yehoshua 15:19), com a mesma palavra que “taça”.
“Este é o excremento” — e “galgal”, roda, é da linguagem de “gelal”, excremento (Yechezkel 4:12).
“Na cisterna” — o excremento que cai para dentro da sua boca, a do morto.
O versículo de Kohelet sobre a velhice e a morte é lido como descrição do corpo que se desfaz: a medula, o membro, o ventre que incha e se rompe, e o excremento. Daí a necessidade de impedir que o ventre do morto inche.
E assim diz o versículo: “E espalharei excremento sobre os vossos rostos, o excremento das vossas festas” (Malachi 2:3). Disse Rav Huna, e alguns o dizem, disse Rav Chagga: estes são as pessoas a quem se refere o versículo, que deixam as palavras da Torá e fazem todos os seus dias como festas. Disse Rabi Levi, disse Rav Pappi, disse Rabi Yehoshua: depois de três dias da morte, o seu ventre se rompe e cai-lhe sobre o rosto, e diz-lhe o ventre: “Toma o que puseste em mim.”
“Como festas” — passando os dias em deleites.
O versículo de Malachi é aplicado a quem abandona a Torá e vive cada dia como festa de prazeres: três dias depois da morte, o seu ventre se rompe e cai sobre o seu rosto, devolvendo-lhe o que ele lhe deu.
MISHNÁ. Não se fecham os olhos do morto no Shabat, pois não se move o corpo do morto, nem no dia comum no momento da saída da alma, mas espera-se até que tenha morrido. E quem fecha os olhos no momento da saída da alma, eis que este derrama sangue, pois apressa a sua morte.
“MISHNÁ. Não se fecham” — os seus olhos no Shabat, mesmo depois da saída da alma, pois move nele um membro, o que é proibido.
“Derrama sangue” — como se explica na baraita na guemará, que com um pequeno esforço aproxima a sua morte, como quem apaga uma lâmpada.
Abre-se outra mishná, ainda no Perek Vinte e Três: no Shabat não se fecham os olhos do morto, pois isso é mover um membro; e em nenhum dia se fecham os olhos de quem está morrendo, pois isso apressa a sua morte.
GUEMARÁ. Ensinaram os Rabanan: quem lhe fecha os olhos ao moribundo no momento da saída da alma, eis que este derrama sangue. É semelhante a uma lâmpada que se vai apagando mas ainda arderia um pouco: uma pessoa põe o dedo sobre ela, e imediatamente se apaga. Foi ensinado numa baraita: Rabban Shimon ben Gamliel diz: quem quer que se fechem os olhos de um morto sopra-lhe vinho no nariz, e põe azeite entre as pálpebras dos seus olhos, e segura os dois dedões dos seus pés, e eles, os olhos, se fecham por si mesmos.
“GUEMARÁ. E segura os dois dedões dos seus pés” — aperta-os com os seus dedos, e com isso os olhos se fecham.
A vida de quem está morrendo é como a chama prestes a se extinguir: um leve toque a apaga antes do tempo. Rabban Shimon ben Gamliel ensina um modo de fazer com que os olhos do morto se fechem por si mesmos.
Foi ensinado numa baraita, a propósito dos mortos: Rabban Shimon ben Gamliel diz: por um bebê de um dia, vivo, profana-se o Shabat para salvar-lhe a vida; por David, rei de Israel, morto, não se profana o Shabat. Por um bebê de um dia, vivo, profana-se o Shabat, pois disse a Torá: profana por ele um Shabat, para que guarde muitos Shabatot. Por David, rei de Israel, morto, não se profana, pois, uma vez que a pessoa morreu, cessa dos preceitos, e não há Shabatot que ele venha a guardar. E é isto que disse Rabi Yochanan sobre o versículo: “Entre os mortos, livre” (Tehilim 88:6): uma vez que a pessoa morreu, torna-se livre dos preceitos.
O valor da vida está na possibilidade de cumprir os preceitos: pelo recém-nascido profana-se o Shabat, pois ainda guardará muitos; pelo maior dos reis, depois de morto, não, pois o morto está livre dos preceitos.
Foi ensinado também numa baraita: Rabi Shimon ben Elazar diz: um bebê de um dia, vivo, não é preciso guardá-lo da doninha e dos ratos, pois eles fogem dele; mas Og, rei de Bashan, morto, é preciso guardá-lo da doninha e dos ratos, como foi dito: “E o vosso temor e o vosso pavor estará” (Bereshit 9:2) sobre todo animal da terra: todo o tempo que a pessoa está viva, o seu temor está posto sobre as criaturas; uma vez que morreu, cessou o seu temor, e os animais já não a temem.
“E o vosso pavor” — a palavra hebraica é linguagem de “a vossa vida”, isto é, o temor dura enquanto estais vivos.
Rashi lê “vechitchem” como aludindo a “chayutchem”, a vossa vida: o temor que os animais têm do homem dura enquanto ele vive. Por isso o recém-nascido vivo não precisa de guarda, e o gigante Og, morto, precisa.
Disse Rav Pappa: temos por tradição: um leão não se lança sobre dois homens. Pergunta-se: Mas não vemos que se lança? Responde-se: aquele dito de Rav Pappa é conforme Rami bar Abba, pois disse Rami bar Abba: um animal selvagem não domina o homem até que este lhe pareça como um animal, como foi dito: “E o homem com honra não permanece; é comparado aos animais: assemelham-se” (Tehilim 49:13). Na mesma linha, disse Rabi Chanina: é proibido dormir numa casa sozinho, e todo aquele que dorme numa casa sozinho, Lilit, o espírito maligno, o apanha.
“Um leão não se lança sobre dois” — para matá-los, como está escrito: “E o vosso temor”, no plural, o que indica ao menos dois; e está escrito: “sobre todo animal da terra”, e até o leão está incluído.
“Conforme Rami bar Abba” — aquele sobre quem o leão se lançou é alguém a quem foi imposta a morte como pena, e por isso pareceu ao leão como um animal.
“É comparado” — aquele sobre quem o animal selvagem domina, sabe-se que se assemelhou a um animal pelo seu comportamento.
Rav Pappa deduz do versículo de Bereshit, dirigido a muitos, que o leão não ataca dois homens juntos. Quando ataca, é porque aquele homem, condenado no Céu, se assemelhou a um animal, como lê Rami bar Abba em Tehilim.
Foi ensinado também numa baraita: Rabi Shimon ben Elazar diz: faz caridade enquanto encontras a quem fazê-la, e está ao teu alcance o dinheiro, e ainda estás em tua mão, em teu próprio domínio. E também Shlomo disse na sua sabedoria: “E lembra-te do teu Criador nos dias da tua juventude, antes que venham os dias do mal” (Kohelet 12:1) — estes são os dias da velhice; “e cheguem anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer” — estes são os dias do Mashiach, nos quais não há nem mérito nem culpa, pois não haverá pobres a quem dar.
“Faz” — isto é, caridade.
“Enquanto encontras” — pobres a quem fazê-la.
“E está ao teu alcance” — tens dinheiro.
“E ainda estás em tua mão” — isto é, ainda estás em teu domínio, antes de morreres.
“Nem mérito” — não haverá nenhuma coisa com que obter mérito pela caridade, pois todos são ricos.
“Nem culpa” — não haverá culpa por endurecer o coração e fechar a mão diante do pobre.
Dá-se caridade enquanto há pobres, enquanto se tem dinheiro e enquanto se está vivo. Os anos “sem prazer” são os do Mashiach, quando, segundo esta opinião, não haverá pobres, e por isso nem mérito em dar nem culpa em negar.
E esta explicação discorda de Shmuel, pois disse Shmuel: não há diferença entre este mundo e os dias do Mashiach senão a sujeição aos reinos estrangeiros somente, como foi dito: “Pois não cessará o pobre do meio da terra” (Devarim 15:11), o que indica que sempre haverá pobres, também nos dias do Mashiach.
Para Shmuel, a era messiânica não muda a ordem do mundo, só liberta Israel do domínio dos reinos; e, como o pobre nunca cessará, também então haverá mérito na caridade.
Foi ensinado numa baraita: Rabi Elazar HaKappar diz: sempre peça a pessoa misericórdia divina a respeito desta condição da pobreza, pois, se ela não chega a ela, chega o seu filho; e, se o seu filho não chega, chega o filho do seu filho, como foi dito: “Pois por causa desta coisa” (Devarim 15:10). Ensinou-se na casa de Rabi Yishmael sobre este versículo: “por causa de”, biglal, alude a galgal, roda, pois é uma roda que gira no mundo, na qual uns sobem e outros descem. Disse Rav Yosef: temos por tradição: um jovem estudioso dentre os Rabanan não empobrece. Pergunta-se: Mas eis que vemos que empobrece! Responde-se: se acontece que empobrece, ao menos não anda a mendigar de porta em porta.
“A respeito desta condição” — isto é, que peça que não chegue à pobreza, pois é coisa destinada a vir, ou sobre ele, ou sobre o seu filho, ou sobre o filho do seu filho.
A pobreza circula pelas gerações; a casa de Rabi Yishmael lê “biglal”, por causa, como “galgal”, roda. Rav Yosef acrescenta que o estudioso da Torá, mesmo que empobreça, não chega a mendigar.
Disse Rabi Chiyya à sua esposa: quando vier um pobre à casa, apressa-te a dar-lhe pão, para que se apressem a dá-lo aos teus filhos se um dia precisarem. Ela lhe disse: estás amaldiçoando-os?! Disse-lhe: um versículo está escrito: “Pois por causa desta coisa”, e ensinou-se na casa de Rabi Yishmael: é uma roda que gira no mundo. Foi ensinado numa baraita: Rabi Gamliel, filho de Rabi Yehuda HaNasi, diz: “E te dará misericórdia, e terá misericórdia de ti, e te multiplicará” (Devarim 13:18) ensina que todo aquele que tem misericórdia das criaturas de Deus, tem-se misericórdia dele desde o Céu; e todo aquele que não tem misericórdia das criaturas, não se tem misericórdia dele desde o Céu.
“E te dará misericórdia” — isto é, porá em ti a misericórdia, para que tenhas misericórdia das criaturas, e então Ele terá misericórdia de ti.
Rabi Chiyya não amaldiçoa os filhos: apenas reconhece que a roda pode girar, e quem hoje dá poderá um dia precisar. Rabi Gamliel lê no versículo que a misericórdia do Céu corresponde à misericórdia que se tem pelas criaturas.
Volta-se aos versículos de Kohelet sobre a velhice: “Antes que se escureçam o sol e a luz” (Kohelet 12:2) — esta é a fronte e o nariz, que sobressaem no rosto; “e a lua” — esta é a alma, que ilumina a pessoa; “e as estrelas” — estas são as mandíbulas, isto é, as faces; “e voltem as nuvens depois da chuva” — esta é a luz dos olhos da pessoa, que se vai após o choro, como se coberta de nuvens. Disse Shmuel: esta lágrima que a pessoa chora: até os quarenta anos, a vista se recupera; daqui em diante, passados os quarenta, não se recupera, e cada choro enfraquece a vista.
“Esta é a fronte” — a testa, que é lisa e brilha mais do que todo o rosto, como o sol.
“Este é o nariz” — chamado “luz”, que é a forma do rosto da pessoa.
“Esta é a alma” — chamada “lua” porque ilumina, como está escrito: “Lâmpada de Deus é a alma do homem” (Mishlei 20:27).
“As mandíbulas” — isto é, as faces.
“E voltem as nuvens” — a escuridão dos olhos virá e cobrirá a luz, como nuvens que cobrem o céu, depois que a pessoa multiplicar o choro na sua velhice, por causa do enfraquecimento das forças e das muitas angústias que vêm sobre ela.
Retoma-se a leitura de Kohelet 12 sobre a velhice: os astros que escurecem são os traços do rosto e a alma, e as nuvens que voltam são a vista que se turva pelo choro. Shmuel acrescenta que o dano das lágrimas só é reversível até os quarenta anos.
E do mesmo modo disse Rav Nachman: este colírio, até os quarenta anos, alarga a vista; daqui em diante, mesmo que se encha dele como o fuso dos tecelões, conservar a vista conserva, alargar não alarga. Pergunta-se: o que nos ensina com o exemplo do fuso dos tecelões? Responde-se: que quanto mais grosso o bastão do colírio, tanto melhor.
“Alarga” — isto é, aumenta a luz dos olhos.
“Mesmo que se encha” — de colírio nos seus olhos, em grande quantidade, como um bastão grande de colírio.
“Como o fuso dos tecelões” — o peso dos tecelões, chamado inshubles em língua vernácula.
“Conservar” — a luz dos olhos conserva, para que não escureça mais do que está.
“O que nos ensina” — Rav Nachman com isto que disse: “mesmo como o fuso dos tecelões”.
“Grosso” — isto é, espesso.
“O bastão do colírio” — é uma haste de madeira que se introduz no tubo e se aplica nos olhos, e chamam-lhe michchol.
Também o colírio só melhora a vista até os quarenta anos; depois, apenas a conserva. A comparação com o fuso grosso dos tecelões ensina que, em geral, quanto mais espesso o bastão com que se aplica o colírio, melhor.
A Rabi Chanina morreu-lhe a filha, e ele não chorava por ela. Disse-lhe a sua esposa: acaso uma galinha fizeste sair da tua casa, para não mostrares tristeza?! Disse-lhe: se eu chorar, haveria duas desgraças, a perda de filhos e a cegueira. Ele sustentava conforme isto que disse Rabi Yochanan em nome de Rabi Yosei ben Katzarta: seis lágrimas há, três boas para os olhos e três más. As da fumaça e as do choro
“A perda de filhos e a cegueira” — a perda dos filhos e a cegueira que vem da lágrima.
“As do choro” — por luto e angústia, são más para os olhos.
Rabi Chanina, já idoso, não chorou a filha para não acrescentar à perda a cegueira causada pelas lágrimas. A lista das seis lágrimas de Rabi Yosei ben Katzarta começa aqui e prossegue em 152a.