Cada espécie tem um fim próprio que a distingue. O do homem não pode ser a nutrição ou a sensação — senão o porco lhe seria igual —, mas a faculdade intelectual, e nela a parte especulativa mais que a prática. Daí a primazia da visão e da audição; a distinção entre perfeição primeira e última; e por que, só na criação do homem, a Escritura não disse "que era bom".
1 Visto que todo existente natural tem, na verdade, na sua forma específica uma propriedade segulá e um fim tachlit pelo qual se distingue das demais espécies — e aquele fim que se acha em cada espécie é a causa da sua existência naquela forma que individua aquela espécie —, e visto que o homem é do conjunto dos existentes naturais e o mais nobre e perfeito da criação dentre eles, como explicámos, é cabido, se é assim, que se ache para ele um fim próprio atribuído à sua forma específica que não está na força da nutrição e da sensação — pois, se fosse assim, seria a perfeição e o fim do jumento e do porco igual à perfeição do homem e ao seu fim; e por isso é manifesto que esta perfeição é cabido que esteja naquilo que se acha nele com que é superior aos viventes.
כָּל נִמְצָא טִבְעִי יֵשׁ לְצוּרָתוֹ הַמִּינִית סְגֻלָּה וְתַכְלִית בָּהּ יִבָּדֵל. וְהָאָדָם, הַנִּכְבָּד וְהַשָּׁלֵם, רָאוּי שֶׁיִּמָּצֵא לוֹ תַּכְלִית מְיֻחָד שֶׁאֵינוֹ בְּכֹחַ הַהֲזָנָה וְהַהֶרְגֵּשׁ — שֶׁאִם כֵּן יִהְיֶה שְׁלֵמוּת הַחֲזִיר שָׁוֶה לִשְׁלֵמוּת הָאָדָם.
2 E, porque nós vemos que há nele potencialidade e disposição para a recepção dos inteligíveis e para a invenção das ciências e a sua extração da potência ao ato mais do que em todos os demais viventes, é cabido que a perfeição humana esteja dependente desta força intelectual. E, visto que esta força se divide em parte especulativa e parte prática, é cabido que a sua perfeição esteja dependente da parte especulativa dela mais do que do que depende da prática, porque ela se relaciona com a sua natureza própria.
יֵשׁ בּוֹ הֲכָנָה עַל קִבּוּל הַמּוּשְׂכָּלוֹת יוֹתֵר מִכָּל בַּעֲלֵי חַיִּים — רָאוּי שֶׁיִּהְיֶה הַשְּׁלֵמוּת הָאֱנוֹשִׁי נִתְלֶה בַּכֹּחַ הַשִּׂכְלִי, וּבַחֵלֶק הָעִיּוּנִי יוֹתֵר מִן הַמַּעֲשִׂי.
3 Pois não é de dizer que o fundamento do achar-se este intelecto no homem seja em razão da ação apenas — quero dizer, a fim de fazer existir as artes práticas e os ofícios —, pois já se explicou na Epístola dos Viventes que compuseram os Irmãos da Pureza Ichván al-Tsafá que no conjunto dos viventes se acha a perfeição das artes e dos ofícios mais do que se acha na espécie do homem. E ainda, que se fosse assim — visto que todo fim é mais nobre do que o que vem antes do fim — seriam as artes práticas mais nobres do que as especulativas, e seriam então as artes especulativas, que não são dirigidas para o lado da ação de modo algum, vãs e coisa nula; e isto é o contrário daquilo sobre o que fomos criados e o contrário da opinião de todos — pois todos os homens concordam em que há vantagem das artes especulativas sobre as práticas. E ainda, que a alegria em toda coisa, na verdade, está no fim e naquilo que se aproxima do fim mais do que naquilo que se afasta dele; e nós achamos a alegria e o agrado no pouco apreendido das coisas especulativas maior, sem medida, do que toda a alegria das práticas — e isto é prova de que o fundamento do fim humano está dependente da parte especulativa da força intelectual.
אִם הָיוּ הַמְּלָאכוֹת הַמַּעֲשִׂיּוֹת תַּכְלִית, הָיוּ נִכְבָּדוֹת מִן הָעִיּוּנִיּוֹת — וְזֶה חִלּוּף דַּעַת הַכֹּל. וְהַשִּׂמְחָה בִּמְעַט הַמּוּשָּׂג מִן הָעִיּוּנִי גְּדוֹלָה לְאֵין שִׁעוּר מִכָּל שִׂמְחַת הַמַּעֲשִׂיּוֹת.
4 E por isso achas que o homem é ansioso pelos sensíveis da visão e da audição mais do que pelos sensíveis do olfato e do gosto, pois a natureza pôs o nosso anseio por estes mais forte, por se relacionarem mais com o facto de adquirirmos por eles as coisas especulativas — nas quais está dependente a perfeição humana, que é o fim da perfeição do homem —, ao passo que os demais sensíveis se relacionam mais com as sensações e os apetites corporais, que estão muito distantes da perfeição específica do homem, e não estão nele senão para sustentar o corpo apenas, como se dá nos demais viventes. E, porque todo existente anseia mais por seguir a coisa que se relaciona com a sua forma específica e com o seu fim próprio a ele, ele deseja mais as forças e os instrumentos que conduzem àquele fim; e por isso o homem é ansioso mais por estes dois sensíveis do que pelos demais, por serem eles os que fazem chegar o homem ao seu fim mais do que os demais.
הָאָדָם כּוֹסֵף אֶל מוּחְשֵׁי הָרְאוּת וְהַשֵּׁמַע יוֹתֵר מֵהָרֵיחַ וְהַטַּעַם, לְפִי שֶׁבָּהֶם נִקְנוּ הַדְּבָרִים הָעִיּוּנִיִּים שֶׁבָּהֶם נִתְלֶה הַשְּׁלֵמוּת הָאֱנוֹשִׁי.
5 E por isso atribuiu a Escritura a criação destes dois sentidos ao Senhor mais do que a dos demais; disse Salomão "ouvido que ouve e olho que vê — o Senhor fez ambos" (Provérbios 20:12). Mas, por ser o aprendizado que chega do mestre mais permanente na alma, explicou Salomão num outro versículo que há vantagem da audição sobre a visão, e disse "ouvido que escuta a repreensão da vida, no meio dos sábios pernoitará" (Provérbios 15:31). E pela excelência destes dois sentidos sobre os demais — por serem eles instrumentos para que se apreenda a perfeição humana por meio deles —, disse Salomão no livro do Cântico dos Cânticos, aludindo a ambos: "minha pomba, que estás nas fendas da rocha, no esconderijo da escarpa, mostra-me o teu aspecto, faze-me ouvir a tua voz, pois a tua voz é suave e o teu aspecto formoso" (Cântico 2:14). Pois ele, a modo de cântico, falava com a sua alma e a descrevia como pomba; e disse sobre ela "minha pomba, que estás nas fendas da rocha, no esconderijo da escarpa", para insinuar que ela habita no esconderijo do corpo e não se conhece onde está o seu lugar; e disse "mostra-me o teu aspecto" — dois aspectos, para insinuar o aspecto das letras que há no livro e o aspecto dos sensíveis, por meio de ambos os quais se apreende o aprendizado, pois cada um deles é "formoso"; disse "faze-me ouvir a tua voz", quer dizer: ainda que a voz da pomba não seja suave, eis que tu, minha pomba, minha perfeita, a tua voz é suave — quer dizer, a voz com que apreendes nela os inteligíveis vindos do mestre é suave para mim em muito; e por isso "faze-me ouvir a tua voz" que recebeste do mestre, "pois a tua voz é suave e o teu aspecto formoso" — porque por meio destes dois sentidos sai a potencialidade que há no homem da potência ao ato, e o homem chega ao fim da sua perfeição ao estar ele a usar destes dois sentidos conforme o que é cabido.
״אֹזֶן שֹׁמַעַת וְעַיִן רֹאָה ה׳ עָשָׂה גַּם שְׁנֵיהֶם״. וְיֵשׁ יִתְרוֹן לַשֵּׁמַע: ״אֹזֶן שֹׁמַעַת תּוֹכַחַת חַיִּים בְּקֶרֶב חֲכָמִים תָּלִין״. ״הַרְאִינִי אֶת מַרְאַיִךְ הַשְׁמִיעִינִי אֶת קוֹלֵךְ כִּי קוֹלֵךְ עָרֵב וּמַרְאֵךְ נָאוֶה״.
6 E, se o homem não usa deles senão nas vaidades do mundo, eis que o homem é como que surdo e cego. E assim chamou o profeta aos que se ocupam das vaidades do mundo "surdos e cegos", como disse "ó surdos, ouvi; e ó cegos, olhai para ver" (Isaías 42:18). E isto é porque não se ocupam deles conforme o que lhes é cabido — que é extrair a perfeição que está em potência ao ato; e é impossível que o homem chegue à perfeição do seu fim senão pela extração da potencialidade que há nele ao ato.
וְאִם לֹא יִשְׁתַּמֵּשׁ בָּהֶם רַק בְּהַבְלֵי הָעוֹלָם, הָאָדָם כְּאִלּוּ הוּא חֵרֵשׁ וְעִוֵּר. ״הַחֵרְשִׁים שְׁמָעוּ וְהַעִוְרִים הַבִּיטוּ לִרְאוֹת״.
7 E isto é: que as perfeições são de duas espécies — perfeição primeira e perfeição última. Perfeição primeira é a perfeição que chega à coisa logo ao estar ela existente em ato, imediatamente ao existir, e chama-se perfeição da existência; e perfeição última é a perfeição que não chega à coisa com a sua existência imediatamente, mas está nela em potência na hora da existência daquela coisa, e só chega àquela perfeição quando sai a potencialidade ao ato, e chama-se perfeição do fim. E esta espécie de perfeição é a visada no homem. Pois a cadeira, por exemplo, a sua perfeição primeira chega com a sua existência imediatamente, logo ao completar-se a sua feitura, e a sua perfeição última — que é a perfeição do fim — não chega senão com o sentar-se sobre ela. E, porque não há nos viventes outra perfeição esperada deles senão a perfeição da existência apenas, disse-se na sua criação "e viu D'us que era bom" (Gênesis 1:21,25), para insinuar que, com a sua existência, imediatamente chegou e se completou a bondade que é possível que esteja neles — que é a perfeição da existência —, e não se espera deles outra perfeição além desta. Mas na criação do homem não se disse "que era bom", e isto parece coisa de admirar — pois acaso não seria cabido que se dissesse sobre a criação do homem "que era bom" como sobre a criação dos demais viventes? Senão que o facto de não se ter dito sobre ele "que era bom" é para ensinar que a bondade visada no homem não é a bondade visada nos demais viventes, que é a perfeição da existência apenas, mas se espera que chegue dele uma bondade outra, mais nobre, que não chega com a sua existência imediatamente, mas só depois que ele extrair a potencialidade que há nele da potência ao ato; e, todo o tempo em que o seu intelecto não sair da potência ao ato, não chega a sua perfeição visada nele, que é a perfeição do fim.
שְׁלֵמוּת רִאשׁוֹן (שְׁלֵמוּת הַמְּצִיאוּת) וּשְׁלֵמוּת אַחֲרוֹן (שְׁלֵמוּת הַתַּכְלִית). הַכִּסֵּא — שְׁלֵמוּתוֹ הָאַחֲרוֹן בַּיְשִׁיבָה עָלָיו. בַּבַּעֲלֵי חַיִּים נֶאֱמַר ״כִּי טוֹב״; בָּאָדָם לֹא נֶאֱמַר — שֶׁהַטּוֹב הַמְכֻוָּן בּוֹ בָּא רַק אַחַר שֶׁיּוֹצִיא הַכֹּחַ אֶל הַפֹּעַל.
8 E por isso disse Salomão "melhor é o bom nome do que o bom óleo, e o dia da morte do que o dia do seu nascimento" (Eclesiastes 7:1) — quer dizer: o bom nome adquirido pelo lado das boas qualidades é melhor do que o bom óleo, pois o bom nome se ouve até os confins da terra mais do que o aroma do bom óleo; mas este não é bem essencial à alma. E por isso o dia da morte — pois então já chegou o homem à perfeição dos conhecimentos — é melhor do que o dia do seu nascimento, porque no dia da morte já extraiu o que estava em potência no seu intelecto ao ato, o que não se dá no dia do seu nascimento, no qual ele está em potência completa, e a perfeição anímica não tem existência senão em potência, ainda que a perfeição corporal se ache então em ato.
״טוֹב שֵׁם מִשֶּׁמֶן טוֹב וְיוֹם הַמָּוֶת מִיּוֹם הִוָּלְדוֹ״ — שֶׁבְּיוֹם הַמָּוֶת כְּבָר הוֹצִיא מַה שֶּׁבְּכֹחַ שִׂכְלוֹ אֶל הַפֹּעַל.
9 E, para insinuar a diferença que há entre a criação do homem e a criação dos viventes, e que os fins destas duas criações são diferentes, achas que, na criação dos viventes, mencionou a Escritura "segundo a sua espécie, segundo a sua espécie", e disse "e fez D'us o animal da terra segundo a sua espécie, e a besta segundo a sua espécie, e todo réptil do solo segundo a sua espécie" (Gênesis 1:25), para ensinar que nos viventes não há diferença entre o fim de uma espécie e o fim de outra espécie, nem entre a criação do macho e a criação da fêmea, pois o visado em todos é um fim apenas, universal — que é a permanência da espécie, a saber a perfeição da existência —, e este é o fim igual em todas as espécies e no macho e na fêmea, pois não há vantagem nela do macho sobre a fêmea. Mas no homem — visto que a intenção na sua criação não é a permanência da espécie apenas, mas a permanência do indivíduo — não se disse na sua criação "segundo a sua espécie", e não foi criada a fêmea com ele imediatamente, para ensinar a diferença imensa que há entre estas duas criações: pois a intenção naquelas é a permanência da espécie, na qual a fêmea e o macho são iguais, e a intenção nesta é a permanência no indivíduo, na qual a fêmea não é igual ao macho — mas foi criada para ajudá-lo, a fim de que ele chegue à sua perfeição visada nele, que se acha nele no tempo da criação em potência e precisa extraí-la da potência ao ato.
בַּבַּעֲלֵי חַיִּים נֶאֱמַר ״לְמִינָהּ לְמִינֵהוּ״ — שֶׁהַמְכֻוָּן קִיּוּם הַמִּין (שְׁלֵמוּת הַמְּצִיאוּת). בָּאָדָם לֹא נֶאֱמַר ״לְמִינֵהוּ״, וְלֹא נִבְרְאָה הַנְּקֵבָה עִמּוֹ מִיָּד — שֶׁהַמְכֻוָּן קִיּוּם הָאִישׁ.
10 E, porque a existência desta perfeição no homem é em potência, e a existência que está em potência é como que um intermediário entre a existência e a privação, chamou-a a Escritura "nada" áin; disse Salomão "e a vantagem do homem sobre a besta é nada, porque tudo é vaidade" (Eclesiastes 3:19) — quer dizer: esta vantagem sobre a besta é coisa cuja existência é débil. E, se tivesse dito "e não há vantagem para o homem sobre a besta", o seu sentido seria um juízo negativo completo; mas, depois que disse "e a vantagem do homem sobre a besta é nada", o seu sentido é um juízo afirmativo, como que dissesse que há para ele vantagem sobre a besta, mas aquela vantagem é "nada" — quer dizer, coisa cuja existência é débil, por não ser senão potencialidade apenas. E isto é manifesto para os possuidores da lógica, pois este juízo, a sua força é força de juízo afirmativo, não de juízo negativo. E sobre esta potência disse Jó "e a sabedoria, de onde me-áin se acha?" (Jó 28:12) — quer dizer: a existência da sabedoria vem da potencialidade que se acha no homem chamada "nada" áin, pois, quando se achar em ato, chegará o fim da perfeição do homem, e não antes disto. E o caminho do chegar esta potência à sabedoria é pelo lado da resposta na pergunta "qual é" a coisa, a fim de conhecer as definições das coisas; e isto é o seu dito "e qual é o lugar do entendimento?" (Jó 28:12).
״וּמוֹתַר הָאָדָם מִן הַבְּהֵמָה אָיִן כִּי הַכֹּל הָבֶל״ — מִשְׁפָּט חִיּוּבִי: יֵשׁ לוֹ מוֹתָר, אֲבָל מְצִיאוּתוֹ חַלּוּשׁ (כֹּחַ בִּלְבַד). ״וְהַחָכְמָה מֵאַיִן תִּמָּצֵא״ — מִן הַכֹּחַ הַנִּקְרָא אָיִן.
Albo aplica ao homem o princípio aristotélico do telos: cada espécie natural existe em vista de um fim próprio (tachlit) inscrito na sua forma. O fim do homem não pode coincidir com o dos animais — nutrição, sensação, reprodução —, pois então "o porco lhe seria igual". Tem de estar naquilo que o distingue: o intelecto. E, dentro do intelecto, na sua parte especulativa (a contemplação da verdade), não na prática (as artes e ofícios).
Albo argumenta com rigor escolástico: (1) os animais superam o homem em certas artes práticas (a aranha tece melhor que qualquer tecelão) — logo o fim humano não está aí; (2) o fim é sempre mais nobre que o meio — se o prático fosse o fim, a ciência teórica seria "vã", contra o consenso universal de que ela é superior; (3) a alegria mede a proximidade do fim, e o gozo de uma só verdade contemplada excede sem comparação todo prazer prático. Daí também a hierarquia dos sentidos: visão e audição (os sentidos do saber — leem-se letras, ouve-se o mestre) são mais nobres que olfato, paladar e tato (sentidos do corpo). Por isso só deles diz a Escritura "o Senhor fez ambos", e a audição supera ainda a visão, pois o ensino do mestre fixa-se melhor na alma.
A leitura alegórica de Cântico 2:14 é típica de Albo: o rei fala "com a sua própria alma", a pomba escondida "nas fendas da rocha" (o corpo, cujo lugar não se conhece). "Mostra-me os teus aspectos" — os dois aspectos da visão: as letras do livro e os objetos sensíveis; "faze-me ouvir a tua voz" — o saber recebido do mestre pelo ouvido. Pelos dois sentidos a potência intelectual sai ao ato. Quem os usa só para "vaidades" é o "surdo e cego" de Isaías.
O ponto culminante é a distinção entre perfeição primeira (a coisa pronta ao existir — a cadeira acabada) e perfeição última (o fim que só se realiza no uso — sentar-se nela). Os animais têm apenas a primeira: cumprida ao nascer, "e viu D'us que era bom". Do homem a Torá omite o "que era bom" — sinal de que a sua bondade própria ainda não existe ao nascer; está só em potência, e só se realiza quando ele atualiza o intelecto. Disso derivam três belas leituras: "melhor o dia da morte que o do nascimento" (na morte o intelecto já se atualizou); "segundo a sua espécie" dito só dos animais (cujo fim é a espécie, não o indivíduo — por isso a mulher não foi criada junto, mas como auxílio para a perfeição individual do homem); e a perfeição-em-potência chamada áin, "nada" — não negação, mas existência débil, "a vantagem do homem sobre a besta é áin", e "a sabedoria, de onde (me-áin) se acha?": justamente dessa potência latente que aguarda ser extraída ao ato. Fica assim posta a questão central do Maamar III: como o homem atinge essa perfeição última — e que papel tem nisso a Torá divina.