Das quatro raízes do primeiro princípio decorrem muitos ramos. Da unidade: remover de D'us os atributos acrescentados. Da incorporeidade: remover os afetos corporais (ira, tristeza, vingança). Da independência do tempo: o poder infinito e a incomparabilidade. Da ausência de deficiências: remover ignorância e fadiga. E só estas quatro raízes bastam — todo o mais nelas se inclui.
1 Das quatro raízes que dissemos serem ramificadas do primeiro princípio, que é a existência do Nome, decorrem muitos ramos. Pois da primeira raiz, que é a unidade achdut, é forçoso afastar dele, bendito seja, os atributos toarim — como a sabedoria, e a força, e a generosidade e os que se lhe assemelham —, porque todos são atributos acrescentados à essência; e, visto que ele, bendito seja, é um de todo modo, é impossível que tenha atributos essenciais nem acidentais, porque todos obrigam multiplicidade e removem a unidade.
מִן הָאַחְדוּת יְחֻיַּב לְסַלֵּק מִמֶּנּוּ הַתְּאָרִים כְּחָכְמָה וְהַגְּבוּרָה וְהַנְּדִיבוּת, לְפִי שֶׁכֻּלָּם תְּאָרִים נוֹסָפִים עַל הָעַצְמוּת, וְאַחַר שֶׁהוּא אֶחָד מִכָּל אֹפֶן אִי אֶפְשָׁר שֶׁיִּהְיוּ לוֹ תְּאָרִים, כִּי כֻּלָּם מְחַיְּבִים רִבּוּי.
2 E da segunda raiz, que é a de que não é corpo nem força num corpo, é forçoso afastar dele, bendito seja, todos os afetos corporais hitpaaliyot gashmiyim — como a ira, e a tristeza, e a alegria, e a vingança, e o rancor —, já que todos estes são afetos corporais que decorrem de um corpo ou de uma força num corpo.
וּמֵהַשֹּׁרֶשׁ הַב׳ שֶׁאֵינוֹ גּוּף יְחֻיַּב לְסַלֵּק מִמֶּנּוּ הַהִתְפַּעֲלִיּוֹת הַגַּשְׁמִיִּים, כְּמוֹ הֶחָרוֹן וְהָעֶצֶב וְהַשִּׂמְחָה וְהַנְּקִימָה וְהַנְּטִירָה, שֶׁכָּל אֵלּוּ נִמְשָׁכִים לְגוּף.
3 E da terceira raiz, que é a de que não tem dependência do tempo, é forçoso que o seu poder seja sem fim, e que se ache nele um poder sem fim e uma perfeição sem fim; e por isso é impossível que recaia nele igualdade nem semelhança a coisa alguma dos existentes. Pois, visto que todos são influenciados a partir dele, por força o seu poder deles é finito, e, visto que o seu poder é finito, têm dependência do tempo; e D'us, bendito seja, que os faz existir, visto que os renova, é eterno e sem fim. E é isto o que disse a Escritura "eu sou o primeiro e eu sou o último, e além de mim não há D'us" (Isaías 44:6) — quer dizer, visto que eu sou eterno, não há D'us que se iguale a mim; e assim disse a Escritura "e a quem me comparareis, a quem me igualarei? — diz o Santo; levantai aos altos os vossos olhos e vede: quem criou estes?" (Isaías 40:25-26).
וּמֵהַשֹּׁרֶשׁ הַשְּׁלִישִׁי שֶׁאֵין לוֹ הִתְלוּת בַּזְּמָן יְחֻיַּב שֶׁיִּהְיֶה כֹּחוֹ בִּלְתִּי בַעַל תַּכְלִית, וְאִי אֶפְשָׁר שֶׁיִּפֹּל בּוֹ הַשִּׁוּוּי וְלֹא הַדִּמְיוֹן. ״אֲנִי רִאשׁוֹן וַאֲנִי אַחֲרוֹן וּמִבַּלְעָדַי אֵין אֱלֹהִים״.
4 E da quarta raiz, que é a de que ele, bendito seja, é removido das deficiências, é forçoso afastar dele toda coisa que se imagine nele ser uma deficiência — como a ignorância sichlut, e a fadiga leiut e os que se lhe assemelham.
וּמִן הַשֹּׁרֶשׁ הַד׳ שֶׁהוּא מְסֻלָּק מִן הַחֶסְרוֹנוֹת יְחֻיַּב לְסַלֵּק מִמֶּנּוּ כָּל דָּבָר שֶׁיְּדֻמֶּה בּוֹ שֶׁהוּא חִסָּרוֹן, כְּמוֹ הַסִּכְלוּת וְהַלֵּאוּת.
5 E agora não é cabido que se te dificulte por que contamos estas quatro raízes ramificadas do primeiro princípio e não contamos também o ser ele sábio, e querente, e capaz, e vivo e os que se lhe assemelham como raízes, assim como contamos que é um; e por que não contamos que ele, bendito seja, não tem gênero nem diferença nem semelhante nem oposto, e que não se muda e coisas como estas, assim como contamos que não é corpo nem força num corpo; e por que não contamos que ele, bendito seja, é perfeito com uma perfeição sem fim, e que é verdade, e que é bendito, assim como contamos que não tem dependência do tempo. Pois a resposta nisto é clara do que escrevemos, a saber que todos estes são ramos que saem das raízes que escrevemos. Pois o ser ele, bendito seja, sábio, e vivo, e querente, e capaz e os que se lhe assemelham se incluem na quarta raiz, que é a de que ele, bendito seja, é removido das deficiências; e assim o que é justo, e reto, e fiel, e piedoso, e herói, e misericordioso, e clemente e coisas como estas dentre as coisas que se imaginam serem perfeição. E o que ele, bendito seja, não tem gênero nem espécie nem acidente, e que não está num lugar e os que se lhe assemelham, todos se incluem n'o que não é corpo nem força num corpo. E o que ele, bendito seja, não se muda, e que tem perfeição sem fim e os que se lhe assemelham, todos se incluem n'o que ele, bendito seja, não tem dependência do tempo, pois tudo o que cai sob o tempo se muda e é finito. E o que ele, bendito seja, não tem semelhante nem igual e os que se lhe assemelham, todos se incluem na raiz da unidade. E o que ele, bendito seja, é verdade emet se inclui no primeiro princípio, que é a existência do Nome, pois "verdade" não é coisa fora de ser a sua existência dependente de si mesmo e não de outro, como virá na explicação do nome "Verdade"; e assim o ser ele bendito baruch não é coisa fora de ser ele quem influencia todos os existentes no auge da perfeição, como virá, com a ajuda do Nome. E, em geral, destas quatro raízes se entrelaçam todos os assuntos que pendem de D'us, bendito seja, e que se lhe atribuem, e os assuntos que cabe afastar dele. E voltemos a explicar cada uma destas quatro raízes por si mesma; e expliquemos primeiro o assunto dos atributos toarim que se atribuem a D'us, bendito seja, de que modo é possível que se lhe atribuam.
וְאֵין רָאוּי שֶׁיִּקְשֶׁה לָמָּה לֹא מָנִינוּ הֱיוֹתוֹ חָכָם וְרוֹצֶה וְיָכוֹל וְחַי שָׁרָשִׁים. כִּי כֻּלָּם עֲנָפִים יוֹצְאִים מִן הַשָּׁרָשִׁים: חָכָם וְחַי וְרוֹצֶה נִכְלָלִים בְּ״מְסֻלָּק מִן הַחֶסְרוֹנוֹת״; שֶׁאֵין לוֹ סוּג וְלֹא מָקוֹם נִכְלָל בְּ״אֵינוֹ גּוּף״; שֶׁאֵינוֹ מִשְׁתַּנֶּה נִכְלָל בְּ״אֵין לוֹ הִתְלוּת בַּזְּמָן״; שֶׁאֵין לוֹ דּוֹמֶה נִכְלָל בָּאַחְדוּת. וּנְבָאֵר תְּחִלָּה עִנְיַן הַתְּאָרִים.
Este capítulo é a contrapartida, no segundo discurso, da defesa que Albo fez no primeiro: por que apenas estas quatro raízes? A resposta segue o mesmo princípio de elegância — as quatro raízes são geradoras: delas brotam todos os "ramos" (anafim), todas as demais afirmações e negações que fazemos sobre D'us. Não se contam separadamente porque já estão contidas.
Albo organiza toda a teologia negativa e positiva sob quatro cabeças. Da unidade deriva a remoção de todos os atributos acrescentados (sabedoria, força, generosidade como "coisas" distintas da essência) — pois atributo implica multiplicidade. Da incorporeidade, a remoção dos afetos (ira, tristeza, alegria, vingança, rancor) — que são reações de um corpo. Da independência do tempo, o poder infinito e a incomparabilidade ("a quem me comparareis?"). Da ausência de deficiências, a remoção da ignorância e da fadiga.
A segunda metade é um exercício de classificação que revela a arquitetura. Ser D'us sábio, vivo, querente, capaz, justo, misericordioso — tudo cabe sob "removido das deficiências" (pois faltar-lhe qualquer perfeição seria deficiência). Não ter gênero, lugar, acidente — sob "não é corpo". Não mudar, ter perfeição infinita — sob "independência do tempo". Não ter semelhante — sob "unidade". E dois nomes recebem tratamento especial: ser Verdade (emet) não acrescenta nada — é apenas ter existência dependente de si mesmo (o próprio primeiro princípio); ser Bendito (baruch) é apenas ser a fonte que tudo faz fluir em perfeição. A teologia inteira reduz-se assim a um punhado de raízes — e o capítulo abre a transição para o grande tema seguinte do Maamar II: como, então, a Escritura pode atribuir atributos a D'us?