A oitava mishná combina os dois fios da sétima e da quinta mishná: primeiro, o sangue de animais sem defeito misturado diretamente com o sangue de animais com defeito — caso em que ninguém discorda, pois aspergir esse sangue viola diretamente a proibição de trazer animais defeituosos ao altar; depois, o caso mais sutil de copos inteiros de sangue que se confundem sem que se saiba qual copo é qual, retomando exatamente a lógica de Rabi Eliezer e dos Sábios vista na mishná dos membros.
Sangue de animais sem defeito com sangue de animais com defeito irá para o canal. — Quando o sangue de um sacrifício válido se mistura diretamente, no mesmo recipiente, com o sangue de um animal com defeito físico e portanto inválido para o altar, não há disputa alguma: toda a mistura é despejada no canal, pois aspergir esse sangue violaria diretamente a proibição de oferecer animais com defeito.
Um copo entre copos — Rabi Eliezer diz: se foi oferecido um copo, serão oferecidos todos os copos. — Aqui o caso muda: não é sangue misturado diretamente, mas copos inteiros e distintos, um dos quais contém sangue de animal com defeito, sem se saber qual. Se um sacerdote, sem consultar, já ofereceu um dos copos, Rabi Eliezer permite oferecer todos os demais — presumindo, como na mishná dos membros, que precisamente o copo defeituoso foi o primeiro a ser oferecido.
E os Sábios dizem: mesmo que tenham sido oferecidos todos, exceto um deles, irá para o canal. — Os Sábios repetem sua posição da mishná anterior: a dúvida permanece atada a cada copo individualmente, e nenhuma quantidade de copos já oferecidos resolve a incerteza sobre o último remanescente, que deve então ser despejado no canal. A halachá segue os Sábios.
Rambam aplica diretamente a mesma precisão que introduziu na mishná anterior: assim como "a cabeça de um deles" significava um par de cabeças, também aqui "um copo", na boca de Rabi Eliezer, refere-se a um par de copos já oferecidos — o mesmo argumento de dúvida dupla que fecha a incerteza. Conclui, mais uma vez, que a halachá segue os Sábios.
Bartenura confirma que a mistura direta de sangue com sangue de animal defeituoso é unanimemente inválida, pois aspergi-la transgride diretamente "não ofereceréis" animais com defeito. Explica por que a Mishná repete a mesma disputa vista com os membros, aqui aplicada aos copos: se a Mishná tivesse ensinado apenas o caso dos membros, poder-se-ia pensar que Rabi Eliezer só permite porque, ali, a expiação já se realizou de modo válido — ou seja, a aspersão do sangue, que é a essência da expiação, já ocorreu antes de os membros subirem; mas no caso do copo, onde a própria aspersão é o que está em questão, talvez ele não permitisse. Por isso ambos os casos precisam ser ensinados separadamente.
Rashi observa que a proibição categórica sobre sangue misturado diretamente com sangue de animal defeituoso também carrega, implicitamente, um elemento de decreto preventivo — o receio de que, se em algum caso se permitisse o teste de aparência, viesse a se generalizar indevidamente para situações em que o sangue desqualificado predomina. Já sobre o caso dos copos, esclarece exatamente o cenário: um copo contém sangue proibido de animal com defeito, misturado fisicamente entre outros copos de sangue válido, sem qualquer meio de identificá-lo.