A nona mishná retoma o eixo espacial do altar: um fio vermelho o divide horizontalmente em uma metade superior, onde se aplica o sangue da chatat, e uma metade inferior, onde se aplica o sangue da olá, do asham, do shelamim e de outros sacrifícios. Quando o sangue de baixo se mistura com o de cima, Rabi Eliezer propõe uma solução dupla que os Sábios rejeitam — e fecha com a mesma cláusula de leniência para quem já agiu sem consultar.
Os que são dados embaixo, que se misturaram com os que são dados em cima — Rabi Eliezer diz: dará em cima, e eu considero os de baixo, em cima, como se fossem água, e voltará a dar embaixo. — Rabi Eliezer propõe uma solução em duas etapas: primeiro aplica-se a mistura toda no ponto superior, reservado à chatat, considerando mentalmente que a porção de sangue de baixo ali aplicada é como se fosse simples água — sem efeito real; depois, aplica-se novamente a mesma mistura no ponto inferior, cumprindo agora a obrigação do sangue de baixo. Como é mandamento dar precedência ao sangue de cima sobre o de baixo, essa ordem também preserva a sequência correta.
E os Sábios dizem: irão para o canal. — Os Sábios não aceitam esse raciocínio de "considerar como se fosse água" quando se trata de determinar em qual dos dois pontos distintos do altar o sangue deve ser aplicado — pois não é a aparência que está em jogo aqui, mas o próprio lugar da aplicação, que não se pode alterar por conta de uma mistura. A solução é despejar tudo no canal. A halachá segue os Sábios.
E se não consultou e ofertou, é válido. — Mesmo segundo os Sábios, se o sacerdote, sem perguntar, já aplicou a mistura no ponto superior, o ato realizado é válido, e ele deve então voltar a aplicar o restante embaixo — o decreto dos Sábios é apenas orientação prévia, não anulação retroativa do que já foi feito.
Rambam lembra que essa distinção entre "acima" e "abaixo" já foi estabelecida no Perek Hei desta mesma massechet: o sangue da chatat de animal grande é aplicado acima do fio, enquanto o sangue da olá, do asham, do shelamim, do bekhor, do korban pessach e do ma'asser é aplicado abaixo dele. Conclui que a halachá não segue Rabi Eliezer.
Bartenura precisa o mecanismo: assim como na mishná dos membros da chatat misturados com os da olá, Rabi Eliezer aplica de novo a ideia de que, sem intenção de dar eficácia ao sangue de baixo quando o coloca em cima, esse sangue é tratado como água sem efeito. Como é mandamento dar precedência aos sangues de cima sobre os de baixo (pois todas as chataot precedem as olot), a ordem de Rabi Eliezer também respeita essa hierarquia: primeiro em cima, depois embaixo — e a aplicação de baixo, sendo feita por último, serve tanto para despejar os resíduos da chatat quanto para iniciar as aplicações próprias da olá.
Rashi detalha a mecânica final da proposta de Rabi Eliezer: a única aplicação de cima cumpre as maténas da chatat, e a aplicação subsequente de baixo não é apenas repetição, mas cumpre duas funções ao mesmo tempo: descarta os resíduos de sangue de chatat que sobraram (que devem ser despejados na base do altar) e, ao mesmo tempo, inicia validamente as aplicações próprias da olá. Explica a rejeição dos Sábios com precisão: eles não aceitam o princípio de "considerar como se fosse" quando isso significaria alterar o lugar físico correto da aplicação do sangue apenas para validar a porção de cima.