A décima segunda e última mishná do Perek Chet fecha o capítulo com um caso de fronteira que não é mais de mistura entre dois sacrifícios, mas de divisão interna do sangue de um único animal: a chatat cujo sangue foi recolhido em dois copos separados, um dos quais sai do átrio ou entra no Santuário de forma indevida. Discute-se se o copo restante permanece válido, se a mera intenção ou entrada já desqualifica sem consumar a aspersão, e fecha com o alcance exato do tzitz — a lâmina de ouro do Sumo Sacerdote que resgata sacrifícios oferecidos com impureza, mas não os que saíram indevidamente do átrio.
Uma chatat cujo sangue recolheu em dois copos — se saiu um deles para fora, o interno é válido. — Quando o sangue de uma única chatat é dividido, por precaução, em dois copos separados, e um deles sai indevidamente do átrio, isso não compromete o outro copo, que permaneceu dentro: o sacerdote pode aplicar normalmente o sangue do copo que ficou dentro, e o sacrifício é válido.
Se entrou um deles para dentro — Rabi Yossei HaGelili declara válido o externo, e os Sábios desqualificam. — No caso inverso — um dos copos entra indevidamente no Santuário, onde o sangue da chatat não deveria ser levado — Rabi Yossei HaGelili sustenta que, por simetria, o copo que permaneceu fora continua válido; os Sábios discordam.
Disse Rabi Yossei HaGelili: se no lugar onde a intenção desqualifica — fora — não se fez do remanescente como o que saiu; no lugar onde a intenção não desqualifica — dentro — não é lógico que não façamos do remanescente como o que entrou? — Rabi Yossei HaGelili sustenta seu argumento por inferência a fortiori: no caso mais severo (fora do átrio, onde até a mera intenção de aspergir ali desqualifica o sacrifício inteiro), vimos que o sangue restante não é tratado como se tivesse saltado junto com o que saiu. Logo, no caso mais leve (dentro do Santuário, onde a mera intenção de aspergir ali não desqualifica), com mais razão o sangue restante não deveria ser tratado como se tivesse entrado junto.
Se entrou para expiar, ainda que não tenha expiado, é desqualificado — palavras de Rabi Eliezer. — Rabi Eliezer sustenta que a simples entrada do sangue no Santuário com a intenção de aspergi-lo ali já desqualifica o sangue restante, mesmo que a aspersão efetiva ainda não tenha ocorrido — a intenção de expiar, por si só, já consuma o efeito desqualificador.
Rabi Shimon diz: até que expie. — Rabi Shimon exige mais: apenas a aspersão efetivamente realizada, e não a mera intenção ou entrada física, desqualifica o sangue restante.
Rabi Yehudá diz: se entrou por engano, é válido. — Rabi Yehudá introduz uma distinção adicional: se a entrada foi involuntária, sem intenção deliberada, o sangue permanece válido, mesmo tendo fisicamente entrado. A halachá segue Rabi Yehudá.
Todos os sangues desqualificados que foram colocados sobre o altar — o tzitz só resgatou o impuro, pois o tzitz resgata o impuro, mas não resgata o que saiu. — A mishná fecha com o alcance exato do tzitz, a lâmina de ouro sobre a testa do Sumo Sacerdote que "carrega o pecado das coisas sagradas": seu poder de resgate se limita a sacrifícios oferecidos em estado de impureza ritual — ele impede que essa impureza desqualifique retroativamente a oferenda já sobre o altar. Mas o tzitz não tem poder algum sobre sangue ou carne que saiu indevidamente dos limites do átrio ou de Jerusalém: essa desqualificação espacial permanece irreversível, mesmo com a intervenção do tzitz.
Rambam explica a assimetria fundamental entre sair e entrar: carne de kodshei kodashim que sai para fora dos limites do átrio se torna proibida ao consumo, por analogia ao versículo sobre a carne trefá no campo — a carne que ultrapassa seu recinto próprio é como se fosse carne despedaçada por feras. Mas a mesma carne, se levada para dentro do Hechál, não se desqualifica, pois o versículo sobre a chatat fala apenas de "seu sangue", não de sua carne. Rambam conclui que a halachá segue os Sábios e Rabi Yehudá.
Bartenura explica o argumento a fortiori de Rabi Yossei HaGelili apontando que fora do átrio é um "lugar onde a intenção desqualifica" — isto é, se durante o abate o sacerdote apenas pensou em aspergir o sangue lá fora, a chatat inteira já fica desqualificada por essa mera intenção, sem qualquer ação consumada. Conclui explicitamente que a halachá segue Rabi Yehudá quanto à entrada por engano. Sobre o tzitz, esclarece que, embora sacrifícios desqualificados que já subiram ao altar não desçam mais, o tzitz não os torna aceitáveis (meratzá) quando a causa da desqualificação foi saírem indevidamente — seu poder de resgate, conforme o versículo "e Aarão carregará o pecado das coisas sagradas", se limita à impureza ritual.
Rashi confirma o cenário exato descrito pela mishná: quando o texto fala de sangue "fora", refere-se especificamente aos limites do átrio (a azará), e não de Jerusalém como um todo. Observa ainda, retomando a mishná anterior, que para Rabi Eliezer todo sangue que entra no Hechál permanece válido para aplicação posterior no altar externo, exceto especificamente o sangue da chatat e do asham — a mesma exceção discutida na mishná 8:11, que agora se projeta sobre o caso dos dois copos.