Com esta mishná abre o Perek Tet de Massechet Zevachim, que passa do problema da mistura entre sacrifícios — tema do Perek Chet — para o problema da retificação pelo altar: uma vez que algo desqualificado subiu sobre o altar, permanece ali ou deve descer? A mishná abre com a disputa fundamental entre Rabi Yehoshua e Rabán Gamliel sobre o próprio critério de "aptidão" que ativa o poder consagrador do altar — aptidão para ser consumido pelo fogo, ou aptidão simplesmente para o altar — e fecha com a posição intermediária de Rabi Shimon sobre o sangue e as libações.
O altar consagra o que lhe é apto. — Esta é a regra geral que abre o capítulo: o altar tem o poder de tornar irrevogável aquilo que sobe sobre ele, desde que seja próprio da sua função. A mishná passa a explicar, através da disputa entre Rabi Yehoshua e Rabán Gamliel, o que exatamente significa "apto para ele".
Rabi Yehoshua diz: tudo o que é apto para o fogo — se subiu, não desce, pois foi dito: "Ela é a oferenda queimada sobre sua fogueira, sobre o altar." Assim como a oferenda queimada, que é apta ao fogo, se subiu, não desce, também qualquer coisa que seja apta ao fogo, se subiu, não desce. — Para Rabi Yehoshua, o critério é a aptidão para ser consumido pelo fogo do altar: qualquer item — mesmo desqualificado por algum outro defeito — que em princípio poderia ser queimado ali, como uma oferenda de holocausto ou os eimurim de outros sacrifícios, permanece sobre o altar se já subiu, por analogia com o versículo sobre a oferenda queimada, cuja permanência "sobre sua fogueira" indica que, uma vez ali, ela não desce mais.
Rabán Gamliel diz: tudo o que é apto ao altar — se subiu, não desce, pois foi dito: "Ela é a oferenda queimada sobre sua fogueira, sobre o altar." Assim como a oferenda queimada, que é apta ao altar, se subiu, não desce, também qualquer coisa que seja apta ao altar, se subiu, não desce. — Rabán Gamliel lê o mesmo versículo com ênfase diferente: o critério não é a aptidão para ser consumido pelo fogo, mas a aptidão para o próprio altar — isto é, para ser aspergido ou colocado sobre ele, mesmo que depois não seja queimado, como é o caso do sangue e das libações.
Não há diferença entre as palavras de Rabán Gamliel e as palavras de Rabi Yehoshua senão o sangue e as libações: que Rabán Gamliel diz não descem, e Rabi Yehoshua diz descem. — A mishná isola o ponto exato da controvérsia: sangue e libações — vinho, água, azeite — são aspergidos ou derramados sobre o altar, mas não são consumidos pelo fogo. Para Rabi Yehoshua, por não serem "aptos ao fogo", se foram aplicados de forma desqualificada e depois subiram ao altar, devem descer; para Rabán Gamliel, por serem "aptos ao altar", uma vez ali permanecem.
Rabi Shimon diz: o sacrifício é válido e as libações são desqualificadas, as libações são válidas e o sacrifício é desqualificado — mesmo que ambos sejam desqualificados, o sacrifício não desce, e as libações descem. — Rabi Shimon propõe uma terceira posição, que distingue não pela natureza do item, mas por sua relação com o sacrifício principal: a carne do próprio animal sacrificado, uma vez subida, nunca desce, seguindo aqui a posição de Rabi Yehoshua quanto ao holocausto; mas as libações — mesmo as que acompanham o sacrifício — sempre descem se desqualificadas, pois não vêm "por si mesmas", como a oferenda queimada, mas apenas em função do animal.
Rambam esclarece que "o que lhe é apto" significa apto a ser oferecido: por isso o punhado (komeç) da oferenda de farinha, se não foi consagrado em recipiente de serviço sagrado e por isso não é apto a ser oferecido, não se consagra mesmo que tenha subido sobre o altar. Observa que as posições de Rabán Gamliel e Rabi Yehoshua têm argumentos válidos, cada um refutando o outro, e que Rabi Shimon segue basicamente a opinião de Rabi Yehoshua. Todos se apoiam no princípio de que "tudo o que toca o altar se consagra", desde que seja apto, conforme a condição estabelecida no início da mishná. Conclui que a halachá segue Rabi Yehoshua.
Bartenura explica que Rabán Gamliel inclui até o sangue e as libações desqualificados no princípio de que o altar consagra o que lhe é apto: uma vez subidos, não descem. Sobre Rabi Shimon, esclarece que ele combina as duas posições conforme o caso: quanto às libações que acompanham um sacrifício, segue Rabi Yehoshua (descem se desqualificadas); mas quanto ao próprio sangue e às libações que vêm sozinhas, segue Rabán Gamliel. Por isso, seja o sacrifício válido e as libações desqualificadas, seja o inverso, as libações — por virem em função do sacrifício — são desqualificadas junto com ele. Conclui que a halachá segue Rabi Yehoshua.
Rashi explica que a expressão "o altar consagra" significa que mesmo um item desqualificado, uma vez subido ao altar, é consagrado por ele para tornar-se "seu pão" — isto é, para ser queimado ali — e não se faz descer. Sobre "o que lhe é apto", explica que se refere ao que já foi claramente destinado à porção do Altíssimo: por isso o punhado da oferenda de farinha que não foi consagrado num recipiente de serviço sagrado depois de retirado não se qualifica como "apto", pois, embora toda a oferenda tenha sido consagrada no recipiente, isso não constitui uma porção claramente separada para o Alto — já que nem toda a oferenda é oferecida — e o punhado retirado sem passar por um recipiente não está claramente destinado ao altar.