Se o abateu com a intenção de deixar seu sangue ou suas partes [destinadas ao altar] para o dia seguinte, ou de tirá-las para fora — Rabi Yehudá invalida, e os sábios validam. — Aqui a intenção não é de queimar as partes no dia seguinte (o que seria claramente "fora do tempo", produzindo pigul), nem de queimá-las fora do átrio (claramente "fora do lugar") — mas apenas de deixá-las, sem uso algum, até o dia seguinte, ou de retirá-las para fora sem intenção de ali oferecê-las. Rabi Yehudá considera que essa intenção de "abandono" equivale, na prática, à intenção de queimar fora do tempo ou do lugar, pois o resultado seria o mesmo (o sangue se invalida ao pôr do sol de qualquer forma); os sábios discordam, sustentando que só a intenção explícita de comer ou queimar fora do tempo ou do lugar invalida — a mera intenção de deixar de lado, sem esse propósito específico, não tem esse poder.
Se o abateu com a intenção de colocá-lo sobre a rampa, não em frente à base; de colocar os destinados a baixo, em cima, e os destinados a cima, embaixo; os destinados a dentro, fora, e os destinados a fora, dentro; que impuros o comam; que impuros o ofereçam; que incircuncisos o comam; que incircuncisos o ofereçam; de quebrar os ossos do [cordeiro] pascal e comer dele cru; de misturar seu sangue com sangue de [oferendas] desqualificadas — é válido. — Esta longa lista reúne intenções de naturezas muito diferentes: erros de local na aspersão do sangue (já vistos em 3:2, mas agora como intenção tida no momento do abate, não como ato realizado), a intenção de que pessoas proibidas — impuros ou incircuncisos — venham a comer ou a oferecer a carne, e, especificamente quanto ao cordeiro pascal, a intenção de transgredir dois preceitos próprios dele: quebrar seus ossos (proibido por Shemot 12:46) e comê-lo malpassado, cru (proibido pelo mesmo versículo). Nenhuma dessas intenções, por mais grave que seja como transgressão em si, tem o poder de invalidar a oferenda.
Pois a intenção não invalida senão fora de seu tempo e fora de seu lugar; e, para o [cordeiro] pascal e a oferenda de pecado, quando não em seu próprio nome. — A mishná fecha o capítulo com o princípio geral que unifica tudo o que veio antes: das quatro avodot centrais (abate, recebimento, transporte e aspersão do sangue), apenas duas categorias de intenção têm poder halachico de invalidar — pensar em comer ou queimar fora do tempo devido (produzindo pigul) ou fora do lugar devido (produzindo invalidação simples). Toda e qualquer outra intenção proibida — por mais séria que seja em si mesma, como fazer impuros comerem coisas sagradas, ou quebrar os ossos do pascal — simplesmente não pertence a essas duas categorias, e por isso não afeta a validade da oferenda. A única exceção mencionada é o par oferenda pascal e oferenda de pecado, que têm sua própria vulnerabilidade especial: a intenção de "não em seu nome" durante o abate — tema já estabelecido no Perek Alef, com o qual todo o tratado começou.
Rambam distingue com precisão os dois tipos de intenção sobre "deixar para amanhã": se o sacerdote pensou explicitamente em aspergir o sangue ou queimar as partes no dia seguinte, trata-se, sem dúvida, de uma intenção "fora do tempo" plena, que torna a oferenda pigul — esse caso nem é o que a mishná discute. O debate entre Rabi Yehudá e os sábios é sobre a intenção de simplesmente deixar o sangue ou as partes, sem qualquer propósito posterior de asperjá-los ou queimá-los — apenas abandoná-los até o dia seguinte (ou tirá-los para fora, sem intenção de lá aspergir ou queimar). Os sábios sustentam que, como não houve intenção explícita de comer, queimar ou aspergir fora do tempo ou do lugar, essa intenção de mero abandono não invalida; Rabi Yehudá considera que, como o resultado seria o mesmo de qualquer forma (o sangue efetivamente se perderia), essa intenção deve ser tratada como se fosse a intenção plena. A lei segue os sábios.
Bartenura precisa que a intenção de "deixar para amanhã" não é a de queimar no dia seguinte (o que já seria pigul evidente), mas a de simplesmente abandonar tudo até lá, sem queimá-lo. Explica a lógica de Rabi Yehudá: como o próprio ato de deixar o sangue ou as partes até o dia seguinte de fato invalida a oferenda na prática (pois o sangue se torna inválido ao pôr do sol), a mera intenção de fazer isso já deveria ter o mesmo peso que a intenção de queimar fora do tempo. Os sábios discordam porque, tecnicamente, essa intenção não corresponde a nenhuma das categorias reconhecidas — comer, queimar ou aspergir fora do tempo ou do lugar —, e por isso não invalida. A lei segue os sábios.
Rashi observa que a posição de Rabi Yehudá é notável precisamente porque, neste caso, não há intenção explícita nem de comer nem de queimar — apenas de abandonar o sangue e as partes até o dia seguinte —, e ainda assim ele considera que isso basta para invalidar; a Guemará, nota Rashi, é quem desenvolve a razão por trás dessa posição. Sobre a expressão "não em frente à base", esclarece que se refere tanto à rampa de acesso quanto ao próprio altar, quando o sangue é colocado num ponto que não está alinhado com a base.