A oitava mishná registra o marco final e definitivo da série histórica: a construção do Templo em Jerusalém, identificada com "a herança" da Torá. Diferente de todos os marcos anteriores, esta proibição dos altares particulares não conhece mais nenhuma permissão futura.
Chegaram a Jerusalém, os altares particulares foram proibidos, e não houve mais permissão para eles, e ela era a herança. — Com a construção do Templo em Jerusalém pelo Rei Shlomo, a centralização do culto tornou-se definitiva: diferente de Guilgal, Nov e Guivon, que conheceram períodos intermediários de permissão, a proibição dos altares particulares a partir de Jerusalém nunca mais foi suspensa. A mishná identifica Jerusalém com "a herança" mencionada na Torá, o segundo e último dos dois marcos que fecham definitivamente a era dos altares particulares.
As oferendas de santidade suprema são comidas dentro das cortinas; as oferendas de santidade leve e o segundo dízimo, dentro do muro. — Com o Templo definitivo em Jerusalém, a expressão "dentro das cortinas" passa a designar o átrio do Templo de pedra; e a área de consumo das oferendas de santidade leve e do segundo dízimo, que em Shiló era "todo lugar de onde se avista", agora se fixa em "dentro do muro" — os limites definitivos da cidade santa, correspondentes, na estrutura da mishná, ao acampamento de Israel do deserto.
Rambam explica que Jerusalém é chamada "herança" por trazer consigo sua santidade e permanência eternas, e cita o versículo do profeta "e sua herança não abandonará": primeiro se afirma que Deus escolheu Jerusalém para sua Presença e escolheu Israel como seu tesouro, depois que o Santo, bendito seja, guardará esse povo escolhido naquele mesmo lugar também escolhido — e explica a grandeza dessa escolha citando o versículo "este é meu repouso para todo o sempre". Sobre "dentro das cortinas", repete que se refere ao interior das paredes do átrio, como já explicou diversas vezes ao longo do tratado.
Bartenura confirma que "herança" é a mesma palavra do verso de Devarim já citado — "pois não chegastes ainda até agora ao repouso e à herança" —, do qual se conclui que, ao chegar à herança, os altares particulares se tornam proibidos, agora de modo definitivo.
Rashi confirma que "ela era a herança" remete diretamente ao verso já citado, do qual se conclui que, chegando ao repouso e à herança, os altares particulares se tornam proibidos. Sobre o segundo dízimo, observa que a Guemará questiona por que ele precisa ser levado até Jerusalém em vez de ser comido no local, remetendo a essa mesma sugya. Sobre "dentro do muro", esclarece que se trata do muro de Jerusalém, que ocupa, na estrutura da mishná, o lugar do acampamento de Israel no deserto, conforme o verso "e comerás ali diante do Senhor".