A grávida que sentiu o cheiro, alimentam-na até que recupere o ânimo. — Uma mulher grávida que, ao sentir o cheiro de determinado alimento, é tomada por um desejo intenso e potencialmente perigoso para si e para o feto, deve ser alimentada com uma pequena porção daquele alimento até que seu estado se estabilize e o desejo passe.
O doente é alimentado segundo a opinião dos especialistas. — Quando uma pessoa doente necessita se alimentar por razão médica, a decisão de alimentá-la em Yom Kipur é tomada com base na avaliação de médicos experientes na sua área.
E se não há ali especialistas, alimentam-no segundo sua própria palavra, até que diga: "basta". — Na ausência de médicos qualificados para avaliar a situação, confia-se no próprio julgamento do doente sobre sua necessidade, e ele é alimentado até que declare que já não precisa mais.
O versículo, ao dizer que os preceitos foram dados para que o homem "viva por eles", é a base talmúdica do princípio segundo o qual quase todos os mandamentos da Torá — inclusive o jejum de Yom Kipur — cedem diante de uma situação de risco real à vida. É por força desse princípio que a mishná permite alimentar tanto a grávida tomada por um desejo intenso, cuja recusa poderia colocar em risco a ela ou ao feto, quanto o doente cuja condição exige nutrição, mesmo que isso signifique violar, naquele momento específico, a proibição de comer no dia mais sagrado do calendário.
O Rambam explica o critério de decisão quando há desacordo entre médicos, ou entre o doente e os médicos, estabelecendo a regra de que em caso de dúvida sobre risco de vida, decide-se pela leniência.
E o doente, quando pede para comer, mesmo que todos os médicos digam que não precisa, alimentam-no segundo sua própria palavra, até que se sacie. E se um médico experiente instruiu que ele precisa comer, e ele diz que não precisa, alimentam-no segundo o médico, e não se dá ouvidos ao doente. E se os médicos discordam entre si, segue-se a maioria. E se estão empatados em número e em conhecimento, alimentam-no, pois o princípio entre nós é que a dúvida sobre risco de vida se resolve para a leniência.
Bartenura explica por que na ausência de especialistas se confia na palavra do próprio doente, e a Guemará, citada por Rashi, esclarece a hierarquia entre a palavra dos médicos e a do doente.
"A grávida que sentiu o cheiro" — o feto sente o cheiro do prato e ela sente desejo por ele, e se ela não comer, ambos ficam em perigo. "Segundo os especialistas" — médicos peritos em sua profissão. "Se não há ali especialistas, alimentam-no segundo sua própria palavra" — assim explica a mishná na Guemará: quando se aplica que se confia na palavra dos especialistas? Quando o doente diz "não preciso" ou permanece calado; mas se disse "preciso", a perícia deles não vale nada, e alimentam-no segundo sua própria palavra.
Sobre a grávida que sentiu o cheiro, conta-se na Guemará: certa grávida, e era Yom Kipur, sentiu o cheiro de comida — sussurraram-lhe ao ouvido que era Yom Kipur, talvez conseguisse se conter — e ela aceitou o sussurro, e o feto cessou seu desejo.