Todo ato de Yom Kipur dito em ordem — se um ato precedeu o outro, não fez nada. — A sequência descrita ao longo dos perakim anteriores não é apenas narrativa, mas normativa: a ordem em si é parte da lei, e quem inverte dois atos, adiantando um que deveria vir depois, não cumpriu a obrigação com o ato adiantado.
Se o sangue do bode precedeu o sangue do touro, deve voltar a aspergir do sangue do bode depois do sangue do touro. — Caso o Cohen Gadol tenha, por engano, aspergido primeiro o sangue do bode e depois o do touro — invertendo a ordem estabelecida nas mishnayot 3 e 4 —, ele deve repetir a aspersão do sangue do bode, desta vez depois da do touro, para que a ordem correta seja cumprida.
E se, antes de terminar as aplicações de dentro, o sangue se derramou, deve trazer outro sangue e voltar a aspergir desde o início, dentro. — Se, no meio da série de aplicações do Santo dos Santos, a bacia com o sangue se derramasse antes de completadas todas as aspersões daquele grupo, não bastava continuar de onde parara — era necessário trazer sangue novo do animal e recomeçar toda aquela etapa específica desde o início.
E assim também no Santuário, e assim também no altar de ouro — pois todas são expiações independentes umas das outras. — A mesma regra — de recomeçar do início em caso de derramamento — aplica-se igualmente às aplicações sobre a cortina externa e às aplicações sobre o altar de ouro, porque cada uma dessas três etapas constitui uma expiação distinta e completa em si mesma, e uma vez concluída, permanece válida por si só.
Rabi Elazar e Rabi Shimon dizem: do lugar onde parou, dali recomeça. — Segundo esses dois sábios, não era necessário recomeçar do início mesmo dentro de uma única etapa; bastava retomar exatamente do ponto em que o sangue se derramara, com sangue novo, completando apenas as aplicações que faltavam.
O termo "e assim fará" liga o serviço do Santo dos Santos ao da Tenda da Reunião — o Santuário e o altar de ouro — estabelecendo-os como etapas paralelas e igualmente necessárias de uma mesma expiação. É desse paralelismo, e da palavra "chukah" — "estatuto perpétuo" — associada ao serviço do dia em Vayikra 16:29, que a Guemará deriva o caráter obrigatório da própria ordem: não apenas os atos devem ser realizados, mas na sequência exata em que a Torá os dispôs, e cada uma das três etapas — dentro do Santo dos Santos, no Santuário, e no altar de ouro — é tratada como uma expiação própria, completa e independente, cuja invalidação em um ponto não contamina as demais já concluídas.
O Rambam resume a disputa final do perek, e decide que a halachá não segue Rabi Elazar e Rabi Shimon.
Rabi Shimon e Rabi Elazar dizem que, se ele aspergiu três ou quatro aspersões e o sangue se derramou, ele completa a contagem, sobre as aspersões que já fez, com outro sangue. E a halachá não é como eles.
Bartenura explica cada cláusula da regra geral e a razão de tratar as três etapas como expiações independentes; Rashi, no Bavli, mostra como a mesma disputa se estende ao caso de derramamento parcial no meio das aplicações.
"Todo ato de Yom Kipur" — todos os serviços que ele realiza em vestes brancas, dentro e no Santuário. "Dito em ordem" — em nossa mishná. "E assim também no Santuário" — se ele fez parte das aplicações sobre a cortina e o sangue se derramou, deve trazer outro touro e recomeçar as aplicações da cortina, sem necessidade de recomeçar as de dentro. "Pois todas são expiações independentes umas das outras" — por isso, a expiação que já foi concluída permanece concluída. "Do lugar onde parou" — mesmo que aquela expiação não tenha sido concluída, ele não precisa repetir o que já aplicou. E a halachá não é como Rabi Elazar e Rabi Shimon.
"Mishná: ditos em ordem" — em nossa mishná. "E assim também no Santuário" — se aplicou parte das aplicações sobre a cortina e o sangue se derramou, traz outro touro e recomeça as aplicações da cortina, sem necessidade de recomeçar as de dentro. "Pois todas são expiações independentes umas das outras" — por isso, a expiação já concluída permanece concluída. "Do lugar onde parou" — mesmo que aquela expiação não tenha sido concluída, não é necessário repetir o que já foi aplicado. "Se o sangue do bode precedeu" — pode-se entender, à primeira vista, que se refere às aplicações de dentro do Santo dos Santos, ou seja, que o bode foi abatido antes da aplicação do sangue do touro — mas a Guemará esclarece que o caso tratado é o das aplicações do Santuário, sobre a cortina, e não a ordem do abate.