Seder Moed · Massechet Yoma · Perek Hei · Mishná 5 de 7

A purificação do altar de ouro

וְיָצָא אֶל הַמִּזְבֵּחַ אֲשֶׁר לִפְנֵי יְיָ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Terminadas as aspersões internas, o serviço passa do Santo dos Santos ao Santuário propriamente dito, onde o Cohen Gadol agora purifica os quatro cantos do altar de ouro com o sangue misturado do touro e do bode.

E saía ao altar que está diante de Hashem — este é o altar de ouro.Com o sangue misturado em mãos, ele saía do Santo dos Santos ao Santuário, onde estava o altar interno de ouro, sobre o qual se oferecia o incenso diário.

Começava a purificar e a descer. De onde começava? Do canto nordeste, depois noroeste, depois sudoeste, depois sudeste.Ele aplicava o sangue nos quatro cantos do altar, um após o outro, seguindo essa ordem específica em sentido anti-horário, "descendo" a cada aplicação de cima para baixo.

No canto em que começava a oferenda pelo pecado sobre o altar externo, dali terminava sobre o altar interno.A ordem dos cantos no altar externo, para as oferendas comuns de pecado, começa no sudeste; aqui, no altar interno, essa mesma direção marca o ponto final, e não o inicial — invertendo o percurso.

Rabi Eliezer diz: ficava em seu lugar e purificava.Para Rabi Eliezer, o Cohen Gadol não circundava o altar a pé; permanecia parado em um só ponto e, dali, alcançava com a mão os quatro cantos.

E em todos eles aplicava de baixo para cima, exceto naquele que estava diante dele, no qual aplicava de cima para baixo.Segundo Rabi Eliezer, de seu único ponto fixo, o Cohen Gadol conseguia aplicar o sangue de baixo para cima em três dos cantos sem sujar suas vestes; apenas no canto mais próximo dele — onde não podia inclinar os dedos para baixo sem que o sangue escorresse pela manga — ele era forçado a aplicar de cima para baixo.

וְיָצָא אֶל הַמִּזְבֵּחַ אֲשֶׁר לִפְנֵי יְיָ, זֶה מִזְבַּח הַזָּהָב. הִתְחִיל מְחַטֵּא וְיוֹרֵד. מֵהֵיכָן הוּא מַתְחִיל, מִקֶּרֶן מִזְרָחִית צְפוֹנִית, צְפוֹנִית מַעֲרָבִית, מַעֲרָבִית דְּרוֹמִית, דְּרוֹמִית מִזְרָחִית. מְקוֹם שֶׁהוּא מַתְחִיל בַּחַטָּאת עַל מִזְבֵּחַ הַחִיצוֹן, מִשָּׁם הָיָה גוֹמֵר עַל מִזְבֵּחַ הַפְּנִימִי. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, בִּמְקוֹמוֹ הָיָה עוֹמֵד וּמְחַטֵּא. וְעַל כֻּלָּן הָיָה נוֹתֵן מִלְּמַטָּה לְמַעְלָה, חוּץ מִזּוֹ שֶׁהָיְתָה לְפָנָיו, שֶׁעָלֶיהָ הָיָה נוֹתֵן מִלְמַעְלָה לְמָטָּה:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayikra 16:18
וְיָצָא אֶל הַמִּזְבֵּחַ אֲשֶׁר לִפְנֵי יְהֹוָה וְכִפֶּר עָלָיו, וְלָקַח מִדַּם הַפָּר וּמִדַּם הַשָּׂעִיר, וְנָתַן עַל קַרְנוֹת הַמִּזְבֵּחַ סָבִיב.
E sairá ao altar que está diante de Hashem, e fará expiação por ele; e tomará do sangue do touro e do sangue do bode, e o porá sobre os cornos do altar, ao redor.

A mishná identifica "o altar que está diante de Hashem" como o altar de ouro interno, e não o altar externo do pátio, pois é diante do Santuário — mais próximo da Presença — que ele se encontra. O termo "ao redor" é a base da disputa sobre a ordem: para os Sábios, ele indica que o Cohen Gadol de fato percorria os quatro cantos em sequência circular; para Rabi Eliezer, o termo descreve apenas o resultado — que os quatro cantos recebiam sangue —, sem exigir que o próprio corpo do Cohen Gadol se deslocasse ao redor do altar, já que sua pequena dimensão, de um côvado por um côvado, permitia alcançá-los todos de um único ponto.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam resume a disputa em poucas palavras, e nota que a halachá não segue Rabi Eliezer.

Rambam · Perush HaMishná, Yoma 5:5
הָיָה מַזֶּה בַּקֶּרֶן שֶׁלְּפָנָיו מִלְמַעְלָן לְמַטָּן, כְּדֵי שֶׁלֹּא יַזֶּה מִן הַדָּם עַל בְּגָדָיו. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר.

Ele aplicava no canto que estava diante dele de cima para baixo, para que não aspergisse o sangue sobre suas vestes. E a halachá não é como Rabi Eliezer.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura contrasta as duas opiniões — a caminhada em torno do altar segundo o primeiro tanna, e a permanência fixa segundo Rabi Eliezer — explicando por que cada uma leva a uma direção diferente da aplicação; Rashi, no Bavli, confirma que só o altar de ouro é "diante de Hashem".

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Yoma 5:5
הָיָה מְחַטֵּא וְיוֹרֵד. הַאי תַּנָּא סָבַר שֶׁהָיָה הַכֹּהֵן הוֹלֵךְ בְּרַגְלָיו לְכָל קֶרֶן וְקֶרֶן, וְכָל מַתָּנָה וּמַתָּנָה הָיְתָה בַּקֶּרֶן שֶׁלְּפָנָיו וְסָמוּךְ לוֹ. וּלְהָכִי נָקַט מְחַטֵּא וְיוֹרֵד, כְּלוֹמַר שֶׁהָיָה נוֹתֵן מַתָּנָה מִלְּמַעְלָה לְמַטָּה, שֶׁאִם יִתֵּן מִלְּמַטָּה לְמַעְלָה בַּקֶּרֶן שֶׁלְּפָנָיו הַדָּם זָב לְתוֹךְ בֵּית יָד שֶׁלּוֹ וּמְטַנֵּף אֶת בְּגָדָיו. וְרַבִּי אֱלִיעֶזֶר סָבַר שֶׁהַכֹּהֵן עוֹמֵד בְּקֶרֶן אַחַת וּמִשָּׁם נוֹתֵן הַמַּתָּנוֹת עַל כָּל הַקְּרָנוֹת, שֶׁהֲרֵי כָּל הַמִּזְבֵּחַ אֵינוֹ אֶלָּא אַמָּה עַל אַמָּה מְרֻבָּע, וְכֵיוָן שֶׁאֵין שְׁלֹשֶׁת הַקְּרָנוֹת סְמוּכוֹת לוֹ יָכוֹל לִתֵּן מִלְּמַטָּה לְמַעְלָה וְלֹא יְטַנֵּף אֶת בְּגָדָיו, חוּץ מִקֶּרֶן זוֹ שֶׁהוּא עוֹמֵד אֶצְלָהּ שֶׁאִי אֶפְשָׁר לוֹ לְצַדֵּד רָאשֵׁי אֶצְבְּעוֹתָיו לְמַטָּה אֶלָּא לְמַעְלָה. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר.

"Começava a purificar e a descer" — este tanna entende que o Cohen andava a pé até cada canto, e cada aplicação era feita no canto diante dele e próximo a ele; por isso diz "purificava e descia", isto é, aplicava de cima para baixo, pois, se aplicasse de baixo para cima no canto diante dele, o sangue escorreria pela manga e sujaria suas vestes. E Rabi Eliezer entende que o Cohen ficava parado em um canto, e dali aplicava as porções em todos os cantos — pois todo o altar não é senão um côvado por um côvado quadrado, e, como os outros três cantos não estão junto a ele, pode aplicar de baixo para cima sem sujar suas vestes, exceto nesse canto junto ao qual está parado, no qual não consegue inclinar as pontas dos dedos para baixo, apenas para cima. E a halachá não é como Rabi Eliezer.

Rashi · רַשִׁ״י
Talmud Bavli, Yoma 58b
מַתְנִי' זֶה מִזְבַּח הַזָּהָב. שֶׁאִלּוּ מִזְבֵּחַ הַחִיצוֹן לָאו לִפְנֵי ה' הוּא: הִתְחִיל מְחַטֵּא וְיוֹרֵד. מִשּׁוּם דִּסְבִירָא לֵיהּ לְהַאי תַּנָּא הַקָּפָה בָּרֶגֶל: מְקוֹם שֶׁהוּא מַתְחִיל בַּחַטָּאת עַל מִזְבֵּחַ הַחִיצוֹן. דְּהַיְנוּ בְּקֶרֶן דְּרוֹמִית מִזְרָחִית: חוּץ מִזּוֹ. שֶׁהוּא עוֹמֵד אֶצְלָהּ, שֶׁהִיא לְפָנָיו, שֶׁאִי אֶפְשָׁר לוֹ לְצַדֵּד רָאשֵׁי אֶצְבְּעוֹתָיו לְמַטָּה אֶלָּא לְמַעְלָה, וְצָרִיךְ לִמְשֹׁךְ הַמַּתָּנָה.

"Mishná: este é o altar de ouro" — pois, quanto ao altar externo, ele não é "diante de Hashem". "Começava a purificar e a descer" — porque este tanna entende que o percurso se fazia a pé, em volta. "O ponto em que começa a oferenda pelo pecado no altar externo" — refere-se ao canto sudeste. "Exceto naquele" — junto ao qual ele está parado, que fica diante dele, pois não pode inclinar as pontas dos dedos para baixo, apenas para cima, e precisa puxar a aplicação de outro modo.