Seder Moed · Massechet Yoma · Perek Hei · Mishná 4 de 7

O sangue do bode e a mistura dos dois sangues

הֵבִיאוּ לוֹ אֶת הַשָּׂעִיר, שְׁחָטוֹ וְקִבֵּל בַּמִּזְרָק אֶת דָּמוֹ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Assim como o sangue do touro, expiação dos Cohanim, foi aspergido dentro do Santo dos Santos, agora o sangue do bode, expiação de Israel, recebe o mesmo tratamento — com a mesma contagem, o mesmo gesto, e a disputa de Rabi Yehudá sobre quantos suportes havia no Santuário para as bacias de sangue.

Trouxeram-lhe o bode; ele o abateu e recebeu seu sangue na bacia.O segundo dos dois bodes sorteados no Perek Dalet — aquele designado "para Hashem" — era agora abatido, e seu sangue recolhido na bacia de aspersão.

Entrava ao lugar onde havia entrado, e ficava no lugar onde havia ficado, e aspergia dele uma vez para cima e sete para baixo, sem intenção de acertar nem para cima nem para baixo, mas como quem chicoteia; e assim contava: um; um e um; um e dois; um e três; um e quatro; um e cinco; um e seis; um e sete.A aspersão do sangue do bode, dentro do Santo dos Santos, repetia exatamente o procedimento e a contagem já descritos para o sangue do touro.

Saía e o depositava sobre o segundo suporte que estava no Santuário.Assim como o sangue do touro fora colocado sobre um suporte de ouro, o sangue do bode era depositado sobre um segundo suporte, ambos no Santuário, aguardando a próxima etapa.

Rabi Yehudá diz: não havia ali senão um único suporte.Para Rabi Yehudá, um só suporte servia às duas bacias, uma de cada vez.

הֵבִיאוּ לוֹ אֶת הַשָּׂעִיר, שְׁחָטוֹ וְקִבֵּל בַּמִּזְרָק אֶת דָּמוֹ. נִכְנַס לִמְקוֹם שֶׁנִּכְנַס, וְעָמַד בִּמְקוֹם שֶׁעָמַד, וְהִזָּה מִמֶּנּוּ אַחַת לְמַעְלָה וְשֶׁבַע לְמַטָּה, וְלֹא הָיָה מִתְכַּוֵּן לְהַזּוֹת לֹא לְמַעְלָה וְלֹא לְמַטָּה, אֶלָּא כְמַצְלִיף. וְכָךְ הָיָה מוֹנֶה, אַחַת, אַחַת וְאַחַת, אַחַת וּשְׁתַּיִם, אַחַת וְשָׁלשׁ, אַחַת וְאַרְבַּע, אַחַת וְחָמֵשׁ, אַחַת וָשֵׁשׁ, אַחַת וָשֶׁבַע. יָצָא וְהִנִּיחוֹ עַל כַּן הַשֵּׁנִי שֶׁהָיָה בַהֵיכָל. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, לֹא הָיָה שָׁם אֶלָּא כַּן אֶחָד בִּלְבָד.
A mishná encerra com as aspersões voltadas à cortina externa — dessa vez com os dois sangues separados, cada um sete vezes — e com o gesto final de misturar ambos em uma só bacia.

Tomava o sangue do touro e depositava o sangue do bode, e aspergia dele sobre a cortina que ficava diante da Arca, por fora, uma vez para cima e sete para baixo, sem intenção de acertar nem para cima nem para baixo, mas como quem chicoteia; e assim contava, como antes.Segundo a opinião de que havia apenas um suporte, era necessário retirar dali o sangue do touro para poder depositar o do bode; com o sangue do touro em mãos, ele aspergia sobre a face externa da cortina interna, no ponto correspondente à Arca, repetindo a série de oito aspersões e a mesma contagem.

Tomava o sangue do bode e depositava o sangue do touro, e aspergia dele sobre a cortina que ficava diante da Arca, por fora, uma vez para cima e sete para baixo — como antes.Trocava então as bacias, e repetia o mesmo procedimento com o sangue do bode.

Derramava o sangue do touro dentro do sangue do bode, e colocava o cheio no vazio.Por fim, ele misturava os dois sangues, despejando um dentro do outro e vertendo repetidamente de uma bacia para a outra, para que se unissem por completo.

נָטַל דַּם הַפָּר וְהִנִּיחַ דַּם הַשָּׂעִיר, וְהִזָּה מִמֶּנּוּ עַל הַפָּרֹכֶת שֶׁכְּנֶגֶד הָאָרוֹן מִבַּחוּץ, אַחַת לְמַעְלָה וְשֶׁבַע לְמַטָּה, וְלֹא הָיָה מִתְכַּוֵּן לְהַזּוֹת לֹא לְמַעְלָה וְלֹא לְמַטָּה, אֶלָּא כְמַצְלִיף. וְכָךְ הָיָה מוֹנֶה, אַחַת, אַחַת וְאַחַת, אַחַת וּשְׁתַּיִם, אַחַת וְשָׁלשׁ, אַחַת וְאַרְבַּע, אַחַת וְחָמֵשׁ, אַחַת וָשֵׁשׁ, אַחַת וָשֶׁבַע. נָטַל דַּם הַשָּׂעִיר וְהִנִּיחַ דַּם הַפָּר, וְהִזָּה מִמֶּנּוּ עַל הַפָּרֹכֶת שֶׁכְּנֶגֶד הָאָרוֹן מִבַּחוּץ, אַחַת לְמַעְלָה וְשֶׁבַע לְמַטָּה. עֵרָה דַם הַפָּר לְתוֹךְ דַּם הַשָּׂעִיר, וְנָתַן אֶת הַמָּלֵא בָרֵיקָן:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayikra 16:15-16
וְשָׁחַט אֶת שְׂעִיר הַחַטָּאת אֲשֶׁר לָעָם, וְהֵבִיא אֶת דָּמוֹ אֶל מִבֵּית לַפָּרֹכֶת, וְעָשָׂה אֶת דָּמוֹ כַּאֲשֶׁר עָשָׂה לְדַם הַפָּר, וְהִזָּה אֹתוֹ עַל הַכַּפֹּרֶת וְלִפְנֵי הַכַּפֹּרֶת. וְכִפֶּר עַל הַקֹּדֶשׁ מִטֻּמְאֹת בְּנֵי יִשְׂרָאֵל וּמִפִּשְׁעֵיהֶם לְכָל חַטֹּאתָם.
E abaterá o bode da expiação que é do povo, e trará seu sangue para dentro do véu, e fará com seu sangue como fez com o sangue do touro, e o aspergirá sobre o propiciatório e diante do propiciatório. E expiará sobre o santuário das impurezas dos filhos de Israel, e de suas transgressões, quanto a todos os seus pecados.

"Fará com seu sangue como fez com o sangue do touro" ensina que a aspersão do bode segue exatamente o mesmo procedimento e a mesma contagem já estabelecidos para o touro. A cortina externa, sobre a qual ambos os sangues são depois aspergidos, não tem fonte explícita neste versículo, mas é derivada, segundo Rashi, do paralelo com o véu da Tenda da Reunião no deserto (Vayikra 16:16) — "e assim fará à Tenda da Reunião que habita com eles" — indicando que a purificação do santuário se estende também à câmara externa, não apenas ao Santo dos Santos.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam resume o propósito da mistura final dos dois sangues: garantir que se unam por completo antes da próxima etapa, sobre o altar de ouro.

Rambam · Perush HaMishná, Yoma 5:4
הָיָה שׁוֹפֵךְ דַּם הַפָּר בַּמִּזְרָק שֶׁהָיָה בּוֹ דַּם הַשָּׂעִיר, וּמַחְזִיר הַכֹּל בַּמִּזְרָק שֶׁהָיָה בּוֹ דַּם הַפָּר, כְּדֵי שֶׁיִּתְעָרְבוּ הַדָּמִים עֵרוּב יָפֶה, וְהַדָּבָר כֻּלּוֹ מְבֹאָר.

Ele derramava o sangue do touro na bacia em que estava o sangue do bode, e devolvia tudo à bacia em que estava o sangue do touro, para que os sangues se misturassem bem; e o assunto todo é evidente.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura explica a lógica de Rabi Yehudá sobre o suporte único e a fonte da aspersão sobre a cortina; Rashi, no Bavli, esclarece por que era necessário tomar primeiro o sangue do touro segundo essa opinião.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Yoma 5:4
נָטַל דַּם הַפָּר וְהִנִּיחַ דַּם הַשָּׂעִיר. מַסְקָנָא דְּמִלְּתָא דְּרַבִּי יְהוּדָה הִיא, דְּאָמַר לֹא הָיָה שָׁם אֶלָּא כַּן אֶחָד, וְצָרִיךְ לִטֹּל דַּם הַפָּר תְּחִלָּה כְּדֵי לְהָנִיחַ דַּם הַשָּׂעִיר בַּכַּן שֶׁהָיָה עָלָיו דַּם הַפָּר. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי יְהוּדָה: עַל הַפָּרֹכֶת. דִּכְתִיב וְכֵן יַעֲשֶׂה לְאֹהֶל מוֹעֵד: עֵרָה דַּם הַפָּר. דִּכְתִיב בְּמַתְּנוֹת הַמִּזְבֵּחַ וְלָקַח מִדַּם הַפָּר וּמִדַּם הַשָּׂעִיר, מִדַּם שְׁנֵיהֶם יַחַד: וְנָתַן אֶת הַמָּלֵא בָרֵיקָן. וְחוֹזֵר וּמְעָרֶה מִזְרָק מָלֵא תּוֹךְ הָרֵיקָן, כְּדֵי שֶׁיִּתְעָרְבוּ הַדָּמִים יָפֶה יָפֶה.

"Tomava o sangue do touro e depositava o sangue do bode" — é a conclusão da opinião de Rabi Yehudá, que diz que não havia ali senão um único suporte, e por isso era necessário tomar primeiro o sangue do touro, para poder depositar o sangue do bode no suporte em que estivera o sangue do touro. E a halachá não é como Rabi Yehudá. "Sobre a cortina" — pois está escrito: "e assim fará à Tenda da Reunião." "Derramava o sangue do touro" — pois está escrito, a respeito das aspersões do altar: "e tomará do sangue do touro e do sangue do bode" — do sangue de ambos juntos. "E colocava o cheio no vazio" — e voltava a despejar a bacia cheia dentro da vazia, para que os sangues se misturassem muito bem.

Rashi · רַשִׁ״י
Talmud Bavli, Yoma 56b-57b
יוֹם הַכִּפּוּרִים. דְּקָאָמַר לֹא הָיָה שָׁם אֶלָּא כַּן אֶחָד, לֵיעֳבֵיד תְּרֵי: חֲדָא כְּרַבָּנַן. דְּאָמְרַתְּ כַּן הַשֵּׁנִי: וַחֲדָא כְּרַבִּי יְהוּדָה. דְּאָמְרַתְּ נָטַל תְּחִלָּה וְאַחַר כָּךְ הִנִּיחַ, אַלְמָא לֹא הָיָה כַּן שֵׁנִי לְהַנִּיחוֹ, לְכָךְ הֻצְרַךְ לִטֹּל תְּחִלָּה: כְּסִדְרָן. מִלְמַעְלָה לְמַטָּה כְּמַצְלִיף.

Explicando a mishná: "não havia ali senão um único suporte" — a Guemará pergunta por que não fazer dois; e responde que a própria linguagem da mishná combina duas opiniões — uma como os Sábios, que dizem "sobre o segundo suporte" (pressupondo dois), e outra como Rabi Yehudá, que diz "tomava primeiro e depois depositava", o que mostra que não havia um segundo suporte disponível para depositá-lo, e por isso foi necessário tomar o primeiro antes. "Em sua ordem" — de cima para baixo, como um açoite, do mesmo modo já descrito para as aspersões internas.