Seder Moed · Massechet Yoma · Perek Dalet · Mishná 5 de 6

Subindo pelo meio da rampa

כֹּהֵן גָּדוֹל עוֹלֶה בָאֶמְצַע וְיוֹרֵד בָּאֶמְצַע
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná registra mais duas honras reservadas ao Cohen Gadol em Yom Kipur: o caminho que ele percorria pelo meio da rampa do altar, em vez de pelas laterais como os demais sacerdotes, e a purificação de mãos e pés a partir de um jarro de ouro, e não da pia comum.

Em todo dia os sacerdotes sobem pelo lado leste da rampa e descem pelo lado oeste, e hoje o Cohen Gadol sobe pelo meio e desce pelo meio. Rabi Yehudá diz: sempre o Cohen Gadol sobe pelo meio e desce pelo meio.Nos dias comuns, os sacerdotes circulavam pela rampa mantendo-se sempre à direita, subindo por um lado e descendo pelo outro, para evitar cruzamentos desnecessários; em Yom Kipur, como sinal de honra, o Cohen Gadol caminhava pelo centro da rampa, tanto na subida quanto na descida. Rabi Yehudá estende essa honra a todos os dias do ano em que o Cohen Gadol sobe ao altar, não apenas a Yom Kipur.

Em todo dia o Cohen Gadol purifica suas mãos e seus pés a partir da pia, e hoje a partir do jarro de ouro. Rabi Yehudá diz: sempre o Cohen Gadol purifica suas mãos e seus pés a partir do jarro de ouro.Da mesma forma, a purificação ritual de mãos e pés, normalmente feita na grande pia comum a todos os sacerdotes, era feita para o Cohen Gadol em Yom Kipur a partir de um jarro de ouro reservado só para ele; e, novamente, Rabi Yehudá entende que essa distinção vale durante todo o ano, não apenas nesse dia.

בְּכָל יוֹם כֹּהֲנִים עוֹלִים בְּמִזְרָחוֹ שֶׁל כֶּבֶשׁ וְיוֹרְדִין בְּמַעֲרָבוֹ, וְהַיּוֹם כֹּהֵן גָּדוֹל עוֹלֶה בָאֶמְצַע וְיוֹרֵד בָּאֶמְצַע. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, לְעוֹלָם כֹּהֵן גָּדוֹל עוֹלֶה בָאֶמְצַע וְיוֹרֵד בָּאֶמְצַע. בְּכָל יוֹם כֹּהֵן גָּדוֹל מְקַדֵּשׁ יָדָיו וְרַגְלָיו מִן הַכִּיּוֹר, וְהַיּוֹם מִן הַקִּיתוֹן שֶׁל זָהָב. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, לְעוֹלָם כֹּהֵן גָּדוֹל מְקַדֵּשׁ יָדָיו וְרַגְלָיו מִן הַקִּיתוֹן שֶׁל זָהָב:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Shemot 30:19-20
וְרָחֲצוּ אַהֲרֹן וּבָנָיו מִמֶּנּוּ אֶת יְדֵיהֶם וְאֶת רַגְלֵיהֶם. בְּבֹאָם אֶל אֹהֶל מוֹעֵד יִרְחֲצוּ מַיִם וְלֹא יָמֻתוּ.
E Aharon e seus filhos lavarão dele suas mãos e seus pés. Quando entrarem na Tenda do Encontro, lavar-se-ão com água, para que não morram.

Este mandamento institui a lavagem de mãos e pés a partir da pia — o "dele" do versículo — como condição obrigatória para todo sacerdote antes do serviço, sob pena de morte. A mishná não altera essa obrigação em si, mas apenas sua fonte física para o Cohen Gadol em Yom Kipur: em vez da grande pia comum, ele a realizava a partir de um jarro dourado próprio, tal como recebia outras honras específicas nesse dia — a pá de ouro da mishná anterior, e agora também o caminho pelo meio da rampa, que não decorre de um versículo, mas de um costume que distinguia visivelmente sua posição diante de todo o povo reunido no átrio.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam explica que ambas as honras desta mishná decorrem do mesmo princípio — o respeito devido ao Cohen Gadol — e decide a halachá contra a opinião de Rabi Yehudá.

Rambam · Perush HaMishná, Yoma 4:5
מִפְּנֵי כְּבוֹד כֹּהֵן גָּדוֹל הִטְרִיחוּ לַכֹּהֲנִים שֶׁיִּהְיֶה עֲלִיָּתָם וִירִידָתָם בְּאֶמְצַע הַכֶּבֶשׁ לְפָנָיו, וּמִפְּנֵי כְּבוֹדוֹ הָיָה מְקַדֵּשׁ גַּם כֵּן יָדָיו וְרַגְלָיו מִקִּיתוֹן שֶׁל זָהָב הוּא לְבַדּוֹ מִשְּׁאָר כֹּהֲנִים. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי יְהוּדָה.

Por respeito ao Cohen Gadol impuseram aos sacerdotes que sua subida e descida fossem pelo meio da rampa diante dele, e por seu respeito ele também purificava suas mãos e seus pés a partir do jarro de ouro, ele sozinho, diferentemente dos demais sacerdotes. E a halachá não é como Rabi Yehudá.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura explica por que os sacerdotes comuns sempre viravam para a direita ao subir a rampa, e o que a honra concedida ao Cohen Gadol em Yom Kipur representava diante do povo.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Yoma 4:5
בְּכָל יוֹם עוֹלִין בְּמִזְרָחוֹ שֶׁל כֶּבֶשׁ. דְּאָמַר מָר, כָּל פִּנּוֹת שֶׁאַתָּה פּוֹנֶה לֹא יְהוּ אֶלָּא דֶּרֶךְ יָמִין, שֶׁהוּא לַמִּזְרָח, שֶׁהֲרֵי הַכֶּבֶשׁ בַּדָּרוֹם, לְכָךְ עוֹלִין בְּמִזְרָחוֹ שֶׁל כֶּבֶשׁ, שֶׁסָּמוּךְ לִפְנוֹת לְיָמִין: וְהַיּוֹם כֹּהֵן גָּדוֹל. מִשּׁוּם כְּבוֹדוֹ, לְהַרְאוֹת חֲשִׁיבוּתוֹ שֶׁהוּא כְּבֶן בַּיִת וְהוֹלֵךְ בְּמָקוֹם שֶׁהוּא חָפֵץ, מַה שֶּׁאֵין שְׁאָר כֹּהֲנִים רַשָּׁאִין לַעֲשׂוֹת כֵּן.

"Em todo dia sobem pelo lado leste da rampa" — pois foi dito: todas as voltas que fizeres não devem ser senão pela direita, que é o leste, pois a rampa está no sul, por isso sobem pelo lado leste da rampa, que é o lado próximo para virar à direita. "E hoje o Cohen Gadol" — por respeito a ele, para mostrar sua importância, que é como um filho da casa e caminha por onde deseja, o que os demais sacerdotes não têm permissão de fazer.