Em todo dia ele recolhia com a pá de prata e a vertia dentro da de ouro, e hoje recolhe já com a de ouro, e nela mesma introduzia. — No serviço diário, as brasas eram recolhidas com uma pá de prata e depois transferidas para uma pá de ouro, evitando o desgaste do vaso de ouro; em Yom Kipur, para poupar esforço ao Cohen Gadol, ele recolhia diretamente com a pá de ouro, sem a etapa da transferência.
Em todo dia recolhia com uma pá de quatro cabin e a vertia dentro de uma de três cabin, e hoje recolhe com a de três cabin, e nela introduzia. Rabi Yossei diz: em todo dia recolhia com uma pá de uma seá e a vertia dentro de uma de três cabin, e hoje recolhe com a de três cabin, e nela introduzia. — Além do metal, também a capacidade da pá era diferente: no dia comum, uma pá maior recolhia as brasas que depois eram transferidas para uma menor; em Yom Kipur, a pá já era a menor desde o início, dispensando a transferência. Rabi Yossei discorda apenas quanto à capacidade da pá inicial usada nos dias comuns.
Em todo dia ela era pesada, e hoje é leve. Em todo dia sua alça era curta, e hoje é longa. Em todo dia seu ouro era esverdeado, e hoje é avermelhado — palavras de Rabi Menachem. — Três diferenças adicionais na própria pá de Yom Kipur: mais leve, para não cansar o Cohen Gadol; de cabo mais comprido, para que o braço o ajudasse a sustentá-la; e feita de um ouro de tonalidade avermelhada, distinto do ouro esverdeado usado nos utensílios do dia a dia.
Em todo dia ele oferecia meia porção pela manhã e meia porção à tarde, e hoje acrescenta o que cabe em suas duas mãos cheias. — A quantidade de incenso também mudava: nos dias comuns, uma porção fixa era dividida entre a oferenda da manhã e a da tarde; em Yom Kipur, além dessas duas porções, acrescentava-se o punhado completo que o Cohen Gadol levava ao Santo dos Santos.
Em todo dia ela era fina, e hoje é fina da mais fina. — Por fim, mesmo a moagem do incenso em si era mais refinada em Yom Kipur do que a padrão empregada no restante do ano.
A frase "incenso de especiarias moído fino" em Vayikra 16:12 é a única vez em que a Torá qualifica o incenso de Yom Kipur com o termo "fino", ainda que a moagem fina do incenso já tenha sido ordenada em geral em Shemot 30:36. É dessa aparente redundância que a mishná — e a Guemará, como se verá no comentário de Bartenura — deriva a exigência de que o incenso de Yom Kipur seja moído com um grau de finura superior ao do incenso comum, "fino da mais fina". As demais diferenças enumeradas pela mishná — o metal da pá, seu peso, o comprimento do cabo, a cor do ouro — não decorrem diretamente de um versículo, mas da preocupação, comum a todo este perek, de facilitar ao máximo o esforço físico do Cohen Gadol durante o jejum de Yom Kipur, poupando-lhe cada etapa desnecessária do serviço.
O Rambam explica o motivo de se dispensar a transferência entre pás em Yom Kipur, e o sentido da expressão "fina da mais fina" para o incenso desse dia.
E não o obrigavam, no dia do jejum da expiação, a verter o fogo de uma pá para outra pá, para que o Cohen Gadol não se cansasse e não aumentasse seu trabalho, mas antes recolhia com a própria pá com que recolheu o fogo do altar... E o Nome, bendito seja, disse a respeito do incenso de todo dia: "moerás dela, moído fino"; e disse a respeito do dia do jejum da expiação: "e o punhado cheio de incenso de especiarias moído fino" — e ao dizer aqui "fino", entendemos que Ele quer dizer para lhe acrescentar moagem, e este é o sentido de "fina da mais fina".
Bartenura explica cada uma das seis diferenças da mishná, incluindo a razão pela qual não se recolhia diretamente com a pá de ouro nos dias comuns, e a origem bíblica exata da exigência de moagem redobrada.
"Recolhia com a de prata e vertia na de ouro" — e não recolhia diretamente com a de ouro, pois a raspagem das brasas desgasta o vaso e o diminui, e a Torá se compadece do dinheiro de Israel. "E hoje recolhe com a de ouro" — para não impor ao Cohen Gadol o trabalho de verter de um vaso a outro. "Pesada" — porque sua parede era espessa. "E hoje leve" — porque sua parede era fina. "E hoje longa" — para que o braço do Cohen Gadol o ajudasse a sustentá-la. "E hoje avermelhado" — do ouro chamado "ouro de Parvaim", assim chamado por se assemelhar ao sangue dos touros. "Meia porção" — meio maneh. "Fina da mais fina" — pois está escrito "e o punhado cheio de incenso de especiarias moído fino"; e o que vem ensinar essa palavra, se já foi dito "moerás dela, moído fino"? Antes, vem dizer que o incenso de Yom Kipur deve ser fino da mais fina.