Em todo dia havia ali quatro arrumações, e hoje cinco — palavras de Rabi Meir. — Segundo Rabi Meir, no dia comum o altar externo mantinha quatro pilhas de lenha em chamas simultaneamente, cada qual com uma função própria, e em Yom Kipur uma quinta era acrescentada.
Rabi Yossei diz: em todo dia três, e hoje quatro. — Rabi Yossei reduz a três o número de arrumações permanentes do dia comum, e a quatro a de Yom Kipur.
Rabi Yehudá diz: em todo dia duas, e hoje três. — Rabi Yehudá reduz ainda mais, a apenas duas arrumações permanentes no dia comum, e três em Yom Kipur — e é essa a opinião com que o tratado encerra o perek, deixando ao leitor a tarefa de identificar, na Guemará, qual das três prevalece como halachá.
É desta passagem, e da que a precede em Vayikra 6:2, que os três tanaim da mishná extraem, cada um a seu modo, o número de arrumações permanentes do altar externo. A Guemará identifica três expressões distintas no texto — "sobre sua fogueira, sobre o altar", "e o fogo do altar arderá nele", e "fogo perpétuo arderá sobre o altar, não se apagará" — e debate se cada uma delas indica uma arrumação separada, ou se a última é apenas uma repetição ampliada da primeira. A esse cerne comum, Rabi Meir acrescenta ainda uma quarta arrumação, destinada aos membros e gorduras do sacrifício perpétuo da tarde que não se consumiram durante a noite; e a todas as opiniões acrescenta-se, em Yom Kipur, mais uma arrumação, da qual se retiram as brasas para o incenso queimado no Santo dos Santos, cujo procedimento os perakim seguintes continuarão a descrever.
O Rambam expõe a função de cada uma das arrumações segundo as três opiniões, e decide a halachá como Rabi Yossei — três arrumações em dia comum, e quatro em Yom Kipur.
"Arrumação" é a pilha de fogo que se faz das lenhas arranjadas, empilhadas, e ateia-se o fogo... E todos concordam que, de qualquer forma, é necessário um acréscimo de arrumação no dia do jejum da expiação, por honra e por respeito aos olhos do povo. E a halachá é como Rabi Yossei.
Bartenura detalha a função específica de cada arrumação segundo Rabi Meir, e mostra como Rabi Yossei e Rabi Yehudá derivam suas contagens menores dos mesmos versículos, discordando sobre o destino dos membros não consumidos e sobre a leitura do terceiro versículo.
"Em todo dia havia ali" — no altar externo. "Quatro arrumações" — de lenhas sobre as quais se ateava o fogo: uma, a arrumação grande, sobre a qual se oferecia o sacrifício perpétuo; outra, a segunda arrumação, da qual se tomava fogo para o altar do incenso; outra, a arrumação da manutenção do fogo, para que dali nunca se afastasse o fogo; e outra, a arrumação dos membros e gorduras do sacrifício perpétuo da tarde que não se consumiram na véspera nem se queimaram durante toda a noite — queimavam-nos nessa arrumação. E acrescentam em Yom Kipur mais uma arrumação, para tomar dela brasas para o incenso do Santo dos Santos. "Rabi Yossei diz, em todo dia três" — pois três versículos estão escritos: "sobre sua fogueira, sobre o altar, toda a noite até a manhã" — esta é a arrumação grande; "e o fogo do altar arderá nele" — esta é a segunda arrumação, do incenso; "e o fogo sobre o altar arderá nele, não se apagará" — esta é a terceira arrumação, da manutenção do fogo. E uma quarta arrumação para membros e gorduras não consumidos, Rabi Yossei não a tem, pois ele entende que os membros e gorduras não consumidos se queimam às margens da arrumação grande. "Rabi Yehudá diz, em todo dia duas" — pois ele não tem a terceira arrumação, da manutenção do fogo, e o terceiro versículo, "e o fogo sobre o altar arderá nele, não se apagará", Rabi Yehudá o interpreta como referindo-se a quem acende gravetos finos para atear o fogo sobre a arrumação grande — que não os acenda no chão e depois os suba já em chamas ao altar, mas antes os acenda no próprio topo do altar. E a halachá é como Rabi Yossei.