Seder Moed · Massechet Yoma · Perek Guimel · Mishná 3 de 11

As cinco imersões e as dez santificações

חָמֵשׁ טְבִילוֹת וַעֲשָׂרָה קִדּוּשִׁין
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Depois de explicar a imersão do Cohen Gadol logo ao amanhecer, a mishná generaliza a regra para todo aquele que entra no pátio para o serviço, e então anuncia a soma total das imersões e santificações que aguardam o Cohen Gadol ao longo de todo o dia de Yom Kipur.

Ninguém entra no pátio para o serviço, ainda que puro, sem antes imergir. Cinco imersões e dez santificações imerge e santifica o Cohen Gadol nesse dia, e todas elas no recinto sagrado, sobre a casa de Parva, exceto esta apenas.Mesmo alguém que já se encontra em estado de pureza ritual precisa imergir antes de ingressar no pátio para exercer qualquer função do serviço — a imersão do dia é uma exigência própria, distinta da pureza. Ao longo de todo Yom Kipur, o Cohen Gadol realiza, ao todo, cinco imersões completas e dez santificações de mãos e pés; e todas elas, com uma única exceção, ocorrem dentro do recinto sagrado, sobre o telhado da câmara conhecida como Bet HaParva. A exceção é justamente a primeira imersão, relatada nas mishnayot anteriores, realizada fora do recinto sagrado, já que ainda não havia começado o serviço do dia.

אֵין אָדָם נִכְנָס לָעֲזָרָה לָעֲבוֹדָה, אֲפִלּוּ טָהוֹר, עַד שֶׁיִּטְבֹּל. חָמֵשׁ טְבִילוֹת וַעֲשָׂרָה קִדּוּשִׁין טוֹבֵל כֹּהֵן גָּדוֹל וּמְקַדֵּשׁ בּוֹ בַיּוֹם, וְכֻלָּן בַּקֹּדֶשׁ עַל בֵּית הַפַּרְוָה, חוּץ מִזּוֹ בִלְבָד:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Shemot 30:20-21
בְּבֹאָם אֶל אֹהֶל מוֹעֵד יִרְחֲצוּ מַיִם וְלֹא יָמֻתוּ, אוֹ בְגִשְׁתָּם אֶל הַמִּזְבֵּחַ לְשָׁרֵת לְהַקְטִיר אִשֶּׁה לַה'. וְרָחֲצוּ יְדֵיהֶם וְרַגְלֵיהֶם וְלֹא יָמֻתוּ, וְהָיְתָה לָהֶם חָק עוֹלָם, לוֹ וּלְזַרְעוֹ לְדֹרֹתָם.
Quando entrarem na Tenda do Encontro, lavar-se-ão com água, para que não morram; ou quando se aproximarem do altar para servir, para queimar oferenda de fogo a Hashem. E lavarão suas mãos e seus pés, para que não morram; e será para eles lei perpétua, para ele e para sua descendência, por suas gerações.

Este versículo estabelece a santificação de mãos e pés como condição permanente para todo cohen que se aproxima do serviço no altar, sob pena de morte se o negligenciar. A mishná deriva desse mesmo princípio, por meio de um raciocínio a fortiori que o Rambam e o Bartenura explicam, a exigência ainda maior de imersão completa: se a mudança entre um serviço e outro dentro do próprio recinto sagrado já exige nova imersão, quanto mais aquele que chega de sua casa, do domínio profano para o sagrado, deve imergir antes de entrar no pátio.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam, no Perush HaMishná, remete à regra geral de que cada imersão é acompanhada de uma santificação de mãos e pés antes e depois, e identifica qual delas é a exceção mencionada pela mishná.

Rambam · Perush HaMishná, Yoma 3:3
כָּל טְבִילָה מְקַדֵּשׁ יָדָיו וְרַגְלָיו לְפָנֶיהָ וּלְאַחֲרֶיהָ, כַּאֲשֶׁר יִתְבָּאֵר. וְאָמַר חוּץ מִזּוֹ, רוֹצֶה לוֹמַר הַטְּבִילָה הָרִאשׁוֹנָה, וְהוּא יַגִּיד אוֹתָהּ.

Toda imersão é acompanhada de santificação de suas mãos e de seus pés antes dela e depois dela, como se explicará. E ao dizer "exceto esta", quer dizer a primeira imersão, e ele mesmo a especificará.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura reconstrói o raciocínio a fortiori por trás da exigência de imersão antes do serviço, e identifica a câmara de Bet HaParva e a primeira imersão excetuada.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Yoma 3:3
עַד שֶׁיִּטְבֹּל. שֶׁהַדְּבָרִים קַל וָחֹמֶר, וּמַה כֹּהֵן גָּדוֹל הַמְּשַׁנֶּה מִקֹּדֶשׁ לְקֹדֶשׁ, מֵעֲבוֹדַת חוּץ לַעֲבוֹדַת פְּנִים וּמֵעֲבוֹדַת פְּנִים לַעֲבוֹדַת חוּץ, טָעוּן טְבִילָה בֵּין עֲבוֹדָה לַעֲבוֹדָה, זֶה הַבָּא מִבֵּיתוֹ שֶׁהוּא מֵחֹל לְקֹדֶשׁ לֹא כָּל שֶׁכֵּן שֶׁטָּעוּן טְבִילָה: עַל בֵּית הַפַּרְוָה. עַל לִשְׁכַּת בֵּית הַפַּרְוָה: חוּץ מִזּוֹ. הָרִאשׁוֹנָה, שֶׁהָיְתָה בְּחֹל עַל גַּבֵּי שַׁעַר הַמַּיִם, וּבְצַד לִשְׁכָּתוֹ הָיְתָה.

"Sem antes imergir" — pois o raciocínio é a fortiori: se o Cohen Gadol, ao mudar de um serviço sagrado a outro serviço sagrado, do serviço externo ao serviço interno e do serviço interno ao serviço externo, precisa de imersão entre um serviço e outro, quanto mais aquele que vem de sua casa, que é do profano para o sagrado, não precisaria de imersão. "Sobre a casa de Parva" — sobre a câmara da casa de Parva. "Exceto esta" — a primeira, que era realizada em área profana, sobre o Portão das Águas, e ficava ao lado de sua câmara.