Ninguém entra no pátio para o serviço, ainda que puro, sem antes imergir. Cinco imersões e dez santificações imerge e santifica o Cohen Gadol nesse dia, e todas elas no recinto sagrado, sobre a casa de Parva, exceto esta apenas. — Mesmo alguém que já se encontra em estado de pureza ritual precisa imergir antes de ingressar no pátio para exercer qualquer função do serviço — a imersão do dia é uma exigência própria, distinta da pureza. Ao longo de todo Yom Kipur, o Cohen Gadol realiza, ao todo, cinco imersões completas e dez santificações de mãos e pés; e todas elas, com uma única exceção, ocorrem dentro do recinto sagrado, sobre o telhado da câmara conhecida como Bet HaParva. A exceção é justamente a primeira imersão, relatada nas mishnayot anteriores, realizada fora do recinto sagrado, já que ainda não havia começado o serviço do dia.
Este versículo estabelece a santificação de mãos e pés como condição permanente para todo cohen que se aproxima do serviço no altar, sob pena de morte se o negligenciar. A mishná deriva desse mesmo princípio, por meio de um raciocínio a fortiori que o Rambam e o Bartenura explicam, a exigência ainda maior de imersão completa: se a mudança entre um serviço e outro dentro do próprio recinto sagrado já exige nova imersão, quanto mais aquele que chega de sua casa, do domínio profano para o sagrado, deve imergir antes de entrar no pátio.
O Rambam, no Perush HaMishná, remete à regra geral de que cada imersão é acompanhada de uma santificação de mãos e pés antes e depois, e identifica qual delas é a exceção mencionada pela mishná.
Toda imersão é acompanhada de santificação de suas mãos e de seus pés antes dela e depois dela, como se explicará. E ao dizer "exceto esta", quer dizer a primeira imersão, e ele mesmo a especificará.
Bartenura reconstrói o raciocínio a fortiori por trás da exigência de imersão antes do serviço, e identifica a câmara de Bet HaParva e a primeira imersão excetuada.
"Sem antes imergir" — pois o raciocínio é a fortiori: se o Cohen Gadol, ao mudar de um serviço sagrado a outro serviço sagrado, do serviço externo ao serviço interno e do serviço interno ao serviço externo, precisa de imersão entre um serviço e outro, quanto mais aquele que vem de sua casa, que é do profano para o sagrado, não precisaria de imersão. "Sobre a casa de Parva" — sobre a câmara da casa de Parva. "Exceto esta" — a primeira, que era realizada em área profana, sobre o Portão das Águas, e ficava ao lado de sua câmara.