O novilho era oferecido por vinte e quatro: a cabeça e a perna — a cabeça por um, e a perna por dois. A cauda e a perna — a cauda por dois, e a perna por dois. O peito e o pescoço — o peito por um, e o pescoço por três. As duas patas dianteiras, por dois. Os dois flancos, por dois. As vísceras, a farinha e o vinho, três a três. — Sendo o maior de todos os animais oferecidos, o novilho exigia vinte e quatro cohanim: um para a cabeça, dois para cada perna, dois para a cauda, três para o pescoço, um para o peito, dois para cada pata dianteira, dois para cada flanco, e três cohanim para cada um dos três acompanhamentos — vísceras, farinha e vinho.
A que se referem essas palavras? Aos sacrifícios da comunidade. Mas no sacrifício individual, se um só quiser oferecê-lo sozinho, pode oferecê-lo. O esfolar e o cortar em partes, de uns e de outros, são iguais. — Todo esse número fixo de cohanim aplica-se exclusivamente aos sacrifícios oferecidos em nome de toda a comunidade. Já num sacrifício trazido por um particular, um único cohen pode, se assim desejar, realizar sozinho toda a tarefa, sem necessidade de sorteio ou divisão entre vários. Em ambos os casos, porém, tanto o esfolamento do animal quanto seu corte em partes seguem a mesma regra, sendo válidos mesmo quando feitos por quem não é cohen.
É este mesmo versículo, que arrola lado a lado novilhos, carneiro e cordeiros como oferenda comunitária, que fornece a escala crescente de cohanim que a mishná detalha: sendo o novilho o maior dos três animais, sua oferenda exige o dobro dos cohanim do carneiro, e mais que o triplo dos exigidos pelo cordeiro do sacrifício diário. A ressalva final da mishná — de que essa exigência numérica vale apenas para os sacrifícios comunitários — decorre do fato de que só a oferenda coletiva, trazida em nome de todo o povo, é descrita neste versículo com a fórmula "oferecereis", no plural, refletindo a participação de múltiplos cohanim; a oferenda de um particular permanece regida pela regra geral, que permite a um único cohen realizar sozinho toda a tarefa.
O Rambam, no Perush HaMishná, esclarece o alcance exato da ressalva final da mishná e por que o esfolamento e o corte permanecem válidos mesmo quando feitos por quem não é cohen.
O sentido de "se um só quiser oferecê-lo, pode oferecê-lo" é que ele pode oferecê-lo com o número de cohanim que quiser, menos do que estes ou mais do que estes. E quer dizer, ao afirmar "o esfolar e o cortar em partes, de uns e de outros, são iguais", que ambos são válidos quando feitos por um não-cohen; e é permitido a um não-cohen esfolar, degolar e cortar em partes, tanto nos sacrifícios da comunidade quanto nos sacrifícios do indivíduo.
Bartenura confirma que o número fixo de cohanim é uma exigência exclusiva dos sacrifícios comunitários, e explica que o esfolamento e o corte nunca exigiram um cohen.
"A que se referem essas palavras" — a que precisamos de todos esses cohanim para cada animal, e precisamos de sorteio. "Se um só quiser oferecê-lo" — um único cohen, tudo, e sem sorteio. "O esfolar e o cortar em partes" — de sacrifício individual e de sacrifício comunitário são iguais, sendo válidos quando feitos por um não-cohen, e não exigem cohen.