Seder Moed · Massechet Yoma · Perek Alef · Mishná 7 de 8

Os jovens cohanim afastam dele o sono com o dedo

בִּקֵּשׁ לְהִתְנַמְנֵם, פִּרְחֵי כְהֻנָּה מַכִּין לְפָנָיו
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Depois de descrever a exposição e a leitura que ocupavam a mente do Cohen Gadol, a mishná chega ao último recurso, físico e direto, para o caso de o sono ainda assim ameaçar vencê-lo antes do amanhecer.

Se ele tentava cochilar, jovens cohanim batiam diante dele com o dedo indicador, e diziam-lhe: meu senhor Cohen Gadol, levanta-te e refresca-te uma vez no piso.Quando a exposição e a leitura não bastavam e o Cohen Gadol começava a ceder ao sono, jovens da classe sacerdotal — ainda sem barba plena — produziam um estalo audível batendo o dedo indicador contra o polegar diante dele, e o instavam a se levantar e caminhar descalço sobre o piso frio de mármore, cujo contato ajudava a dissipar o calor do corpo que traz o sono.

E o ocupavam até que chegasse a hora do abate.Esse ciclo de vigília — exposição, leitura, e por fim o estímulo físico — se repetia durante toda a noite, mantendo o Cohen Gadol ativo e acordado até o momento em que se aproximava o horário do abate do tamid da manhã, marcando o início efetivo do serviço de Yom Kipur.

בִּקֵּשׁ לְהִתְנַמְנֵם, פִּרְחֵי כְהֻנָּה מַכִּין לְפָנָיו בְּאֶצְבַּע צְרֵדָה, וְאוֹמְרִים לוֹ, אִישִׁי כֹהֵן גָּדוֹל, עֲמֹד וְהָפֵג אַחַת עַל הָרִצְפָּה. וּמַעֲסִיקִין אוֹתוֹ עַד שֶׁיַּגִּיעַ זְמַן הַשְּׁחִיטָה:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Mishlê (Provérbios) 6:13
קֹרֵץ בְּעֵינָיו מֹלֵל בְּרַגְלָיו, מֹרֶה בְּאֶצְבְּעֹתָיו.
Pisca com seus olhos, faz sinais com seus pés, aponta com seus dedos.

A Guemará usa este versículo para explicar que "acenar", "piscar" e "apontar" são todos a mesma linguagem de sinal — apenas que um recai sobre os olhos e outro sobre os dedos — o que confirma que o gesto de bater com o dedo diante do Cohen Gadol era, ele próprio, uma forma reconhecida de sinal silencioso. Assim como o versículo descreve o homem perverso que se comunica por sinais físicos em vez de palavras, os jovens cohanim comunicavam ao Cohen Gadol, por meio do estalo do dedo, a mensagem de que era hora de se levantar — sem precisar, a princípio, de uma só palavra.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam, no Perush HaMishná, explica o gesto do "dedo indicador" e o sentido preciso da expressão "refresca-te no piso".

Rambam · Perush HaMishná, Yoma 1:7
מַכִּין בָּאֶצְבַּע צְרֵדָה הוּא שֶׁיַּכֶּה בַּגֻּדָל עִם הָאֶצְבַּע הָאֶמְצָעִי בְּכֹחַ, וְהַרְבֵּה עוֹשִׂין אוֹתוֹ בְּנֵי אָדָם בְּעֵת הַשִּׂמְחָה וְיַעֲשׂוּ בּוֹ תְּנוּעוֹת עֲרֵבוֹת. וְעִנְיַן וְהָפֵג אַחַת עַל הָרִצְפָּה, רָצָה לוֹמַר הַפְשֵׁר חֲמִימוּת רַגְלְךָ שֶׁתַּעֲמֹד שָׁעָה אַחַת עַל הָרִצְפָּה, לְפִי שֶׁהָרִצְפָּה תְּצַנֵּן הָרַגְלַיִם וּתְדַדֶּה הַשֵּׁנָה, וּכְשֶׁיִּתְחַמְּמוּ הָרַגְלַיִם תָּבֹא הַשֵּׁנָה.

"Batem com o dedo indicador" significa que batia com o polegar junto ao dedo médio com força, e muitas pessoas fazem isso em momentos de alegria, e fazem com ele movimentos agradáveis. E o sentido de "e refresca-te uma vez no piso" quer dizer: dissipa o calor de teus pés, permanecendo uma hora sobre o piso, pois o piso resfria os pés e afugenta o sono; e quando os pés se aquecem, vem o sono.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura identifica quem eram os "jovens cohanim" e explica a origem da expressão "dedo tzeredá"; Rashi, na Guemará, comenta o mesmo gesto ao introduzir a mishná no fólio.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Yoma 1:7
פִּרְחֵי כְהֻנָּה. בַּחוּרִים שֶׁמַּתְחִיל שְׂעַר זְקָנָם לִפְרֹחַ קְרוּיִין פִּרְחֵי. בְּאֶצְבַּע צְרֵדָה. הָאֶצְבַּע הַסְּמוּכָה לָאֲגוּדָל. וּלְשׁוֹן צְרֵדָה, צָרְתָא דְּדָא, כְּלוֹמַר צָרָתָהּ שֶׁל הָאֲגוּדָל הַסְּמוּכָה לָהּ, הָיוּ מְחַבְּרִים הָאֲגוּדָל בָּאֶצְבַּע הַסְּמוּכָה לָהּ וְשׁוֹמְטָהּ וּמַכֶּה עַל כַּפּוֹ וּמַשְׁמִיעַ קוֹל כְּדֵי שֶׁלֹּא יִישַׁן כֹּהֵן גָּדוֹל. עֲמֹד. עַל רַגְלֶיךָ. וְהָפֵג אַחַת עַל הָרִצְפָּה. שֶׁל שַׁיִשׁ, לְהָסִיר חֻמָּם, שֶׁצִּנּוּן הָרַגְלַיִם מֵסִיר הַשֵּׁנָה. וְהָפֵג לְשׁוֹן הֲסָרָה, כְּמוֹ מְפִיגִין טַעֲמָן.

"Jovens cohanim" — rapazes cujos pelos da barba começam a brotar são chamados de pirchei. "Com o dedo tzeredá" — o dedo vizinho ao polegar. E a palavra tzeredá vem de "tzarata deda" — isto é, a rival do polegar que lhe é vizinha: juntavam o polegar ao dedo vizinho a ele e o soltavam, batendo na palma da mão e produzindo um som, para que o Cohen Gadol não dormisse.

"Levanta-te" — sobre teus pés. "E refresca-te uma vez no piso" — de mármore, para tirar seu calor, pois o resfriamento dos pés tira o sono. E hafeg é linguagem de remoção, como em "dissipam seu sabor".

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Yoma 19b
מַתְנִי' אֶצְבַּע צְרֵדָה. מְפָרֵשׁ בַּגְּמָ'. וְהָפֵג. טַיֵּל לְהָפִיג שֵׁנָה מֵעֵינֶיךָ, עֲמֹד וְהָפֵג אַחַת שְׂחוֹק לָנוּ פַּעַם אַחַת עַל הָרִצְפָּה לְהָפִיג שֵׁנָתְךָ, וּבַגְּמָרָא מְפָרֵשׁ מַאי הִיא. וּמַעֲסִיקִין אוֹתוֹ. בַּהֲפָגָתָם וּבְטִיּוּלָם, שֶׁלֹּא יִישַׁן עַד שֶׁמַּגִּיעַ זְמַן שְׁחִיטַת תָּמִיד שֶׁל שַׁחַר, שֶׁהוּא בְּהָאִיר הַמִּזְרָח.

"Mishná: dedo tzeredá" — a Guemará explica. "E refresca-te" — passeia para dissipar o sono de teus olhos; levanta-te e refresca-te uma vez, faze algo por nós uma vez sobre o piso, para dissipar teu sono, e a Guemará explica o que é isso. "E o ocupavam" — com o passeio e a dissipação do sono, para que não dormisse até que chegasse a hora do abate do tamid da manhã, que é quando o oriente clareia.