Se ele tentava cochilar, jovens cohanim batiam diante dele com o dedo indicador, e diziam-lhe: meu senhor Cohen Gadol, levanta-te e refresca-te uma vez no piso. — Quando a exposição e a leitura não bastavam e o Cohen Gadol começava a ceder ao sono, jovens da classe sacerdotal — ainda sem barba plena — produziam um estalo audível batendo o dedo indicador contra o polegar diante dele, e o instavam a se levantar e caminhar descalço sobre o piso frio de mármore, cujo contato ajudava a dissipar o calor do corpo que traz o sono.
E o ocupavam até que chegasse a hora do abate. — Esse ciclo de vigília — exposição, leitura, e por fim o estímulo físico — se repetia durante toda a noite, mantendo o Cohen Gadol ativo e acordado até o momento em que se aproximava o horário do abate do tamid da manhã, marcando o início efetivo do serviço de Yom Kipur.
A Guemará usa este versículo para explicar que "acenar", "piscar" e "apontar" são todos a mesma linguagem de sinal — apenas que um recai sobre os olhos e outro sobre os dedos — o que confirma que o gesto de bater com o dedo diante do Cohen Gadol era, ele próprio, uma forma reconhecida de sinal silencioso. Assim como o versículo descreve o homem perverso que se comunica por sinais físicos em vez de palavras, os jovens cohanim comunicavam ao Cohen Gadol, por meio do estalo do dedo, a mensagem de que era hora de se levantar — sem precisar, a princípio, de uma só palavra.
O Rambam, no Perush HaMishná, explica o gesto do "dedo indicador" e o sentido preciso da expressão "refresca-te no piso".
"Batem com o dedo indicador" significa que batia com o polegar junto ao dedo médio com força, e muitas pessoas fazem isso em momentos de alegria, e fazem com ele movimentos agradáveis. E o sentido de "e refresca-te uma vez no piso" quer dizer: dissipa o calor de teus pés, permanecendo uma hora sobre o piso, pois o piso resfria os pés e afugenta o sono; e quando os pés se aquecem, vem o sono.
Bartenura identifica quem eram os "jovens cohanim" e explica a origem da expressão "dedo tzeredá"; Rashi, na Guemará, comenta o mesmo gesto ao introduzir a mishná no fólio.
"Jovens cohanim" — rapazes cujos pelos da barba começam a brotar são chamados de pirchei. "Com o dedo tzeredá" — o dedo vizinho ao polegar. E a palavra tzeredá vem de "tzarata deda" — isto é, a rival do polegar que lhe é vizinha: juntavam o polegar ao dedo vizinho a ele e o soltavam, batendo na palma da mão e produzindo um som, para que o Cohen Gadol não dormisse.
"Levanta-te" — sobre teus pés. "E refresca-te uma vez no piso" — de mármore, para tirar seu calor, pois o resfriamento dos pés tira o sono. E hafeg é linguagem de remoção, como em "dissipam seu sabor".
"Mishná: dedo tzeredá" — a Guemará explica. "E refresca-te" — passeia para dissipar o sono de teus olhos; levanta-te e refresca-te uma vez, faze algo por nós uma vez sobre o piso, para dissipar teu sono, e a Guemará explica o que é isso. "E o ocupavam" — com o passeio e a dissipação do sono, para que não dormisse até que chegasse a hora do abate do tamid da manhã, que é quando o oriente clareia.