Se ele era sábio, expunha; e senão, discípulos dos sábios expunham diante dele. E se estava habituado a ler, lia; e senão, liam diante dele. — A atividade era ajustada ao nível de cada Cohen Gadol: se ele mesmo dominava a exposição de temas de Torá, era ele quem expunha para os presentes; se não, discípulos dos sábios assumiam esse papel diante dele. Da mesma forma com a leitura de textos sagrados — se estava habituado a ler em voz alta, lia ele mesmo; senão, liam para ele.
E com que liam diante dele? Com Jó, e com Ezra, e com Divré Hayamim. Zecharia ben Kevutal diz: muitas vezes li diante dele em Daniel. — Os livros escolhidos para essa leitura noturna eram narrativas e relatos capazes de prender a atenção e afastar o sono — Jó, Ezra e Divré Hayamim (Crônicas). Zecharia ben Kevutal, um dos próprios anciãos que participava dessa prática, relata em primeira pessoa que muitas vezes optou por ler o livro de Daniel, cujo conteúdo também mantinha o Cohen Gadol acordado e atento.
É desse "delas falarás... ao te deitares" que a Guemará deriva a exigência de que o tempo antes de dormir seja ocupado com palavras de Torá e não com conversa vã — princípio geral que, aplicado ao Cohen Gadol na noite de Yom Kipur, justifica tanto a exposição quanto a leitura em voz alta que a mishná descreve. O objetivo é duplo: cumprir a mitsvá de ocupar-se em Torá antes de deitar, e, na prática, manter o Cohen Gadol acordado e atento, evitando o sono profundo que poderia trazer impureza na véspera do dia mais sagrado do ano.
O Rambam, no Perush HaMishná, explica por que esses livros específicos foram escolhidos para a leitura noturna.
Esses livros mencionados contêm narrativas e relatos de tempos passados, que dão prazer à alma e não a deixam adormecer.
Bartenura explica a distinção entre exposição e leitura, e o critério por trás da escolha dos livros; Rashi, na Guemará, confirma a mesma explicação ao comentar a mishná no fólio.
"Se ele era sábio, expunha" — em matéria de halachá, durante toda a noite de Yom Kipur, para que não dormisse e tivesse emissão involuntária. "E se era discípulo e não sábio" — sabendo compreender e ouvir matéria de halachá, mas não sabendo expor, expunham diante dele.
"Com Jó e com Ezra" — pois são coisas que atraem o coração de quem as ouve, e o sono não o toma de surpresa.
"Se ele era sábio, expunha" — em matéria de halachá, durante toda a noite de Yom Kipur, para que não dormisse e tivesse emissão involuntária. "E senão" — sábio ele é, e sabe compreender e ouvir matéria de halachá, mas não sabe expor, expõem diante dele. "Com Jó e com Ezra" etc. — pois são coisas que atraem o coração de quem as ouve, e o sono não o toma de surpresa.