A filha de kohen que se casou com um israelita não come trumá. Se ele morre e ela tem dele um filho, não come trumá. Se ela se casa com um levita, come maasser. Se ele morre e ela tem dele um filho, come maasser. Se ela se casa com um kohen, come trumá. Se ele morre e ela tem dele um filho, come trumá. Se seu filho do kohen morre, não come trumá. Se seu filho do levita morre, não come maasser. Se seu filho do israelita morre, retorna à casa de seu pai — e sobre esta está dito (Vayikra 22): "e retornará à casa de seu pai, como em sua juventude, do pão de seu pai comerá". — Esta mishná percorre a mesma sequência de três casamentos da mishná anterior, mas invertida: a filha de kohen começa perdendo o direito à trumá (ao se casar com israelita), recupera parcialmente com o maasser (casando com levita), e recupera totalmente com a trumá (casando de novo com um kohen) — cada novo casamento e cada filho seguindo a mesma lógica de sobreposição da mishná anterior. A diferença crucial aparece no final: enquanto na mishná anterior (bat Israel) a sequência de mortes terminava sem solução — a morte do filho do kohen não liberava nada, pois esse era o direito mais alto que ela já havia alcançado —, aqui, para a bat kohen, a sequência funciona de modo simétrico mas oposto: primeiro a morte do filho do kohen (o direito mais recente) tira a trumá; depois a morte do filho do levita tira o maasser; e por fim, a morte do filho do israelita (o primeiro marido) a devolve inteiramente à condição original de filha solteira na casa do pai — e nesse estado ela volta a comer trumá plenamente, como manda o versículo que a mishná cita explicitamente, fechando tanto a mishná quanto o Perek Tet inteiro com a fonte bíblica direta.
O próprio versículo que a mishná cita — "e retornará à casa de seu pai, como em sua juventude" — é a fonte que fecha toda a sequência: a condição explícita para o retorno é "e descendência não tem" (ve-zera ein lah), o que a Guemará expande para significar não apenas ausência total de filhos, mas ausência de qualquer filho vivo de qualquer um dos maridos. A frase "como em sua juventude" (ki-ne'ureha) é lida como exigindo que ela esteja "vazia" como estava antes de se casar — o que a Guemará usa para excluir a mulher grávida do retorno, já que ela não está tecnicamente "vazia" enquanto grávida. E a frase final, "todo estranho não comerá dele", ensina que o retorno da bat kohen a devolve ao direito da trumá comum comida por qualquer membro da casa do pai — mas, segundo a leitura da Guemará (baseada em "mi-lechem" e não "mi-kol lechem"), não a devolve às porções elevadas (chazé va-shok) dos sacrifícios, que permanecem um direito mais restrito.
A halachá segue integralmente esta mishná; a Guemará debate por que, para efeitos de yibum, "os mortos são tratados como vivos" (a viúva permanece vinculada mesmo depois que o próprio filho morre), enquanto para efeitos de trumá, "os mortos não são tratados como vivos" — a morte do filho de fato libera o direito da mãe.
Rambam explica a leitura restritiva de "mi-lechem" (do pão) em vez de "mi-kol lechem" (de todo pão): a partícula restritiva "mi" ensina que o retorno da bat kohen à casa do pai não é total — ela recupera o direito à trumá comum, mas não às porções elevadas dos sacrifícios (chazé va-shok), que ficam definitivamente fora de alcance uma vez que ela se casou com um zar (não-kohen), mesmo depois do retorno. Rambam também reafirma, encerrando o perek, o ponto já estabelecido na mishná anterior: como o maasser rishon é, segundo a halachá final, permitido a todo estranho, as referências ao "comer maasser" nesta mishná devem ser entendidas, tecnicamente, apenas conforme a posição de Rabi Meir seguida no texto, não como proibição real e universal.
Bartenura confirma a sequência espelhada da mishná anterior; Rashi, na Guemará, fecha o Perek Tet detalhando por que a morte do filho do israelita — o primeiro marido — é o que finalmente devolve a mulher à condição original de filha na casa do pai.
Bartenura resume a estrutura em espelho entre as duas últimas mishnayot do perek: a mishná anterior seguia a bat Israel numa trajetória descendente — começando no ponto mais alto (trumá pelo casamento com kohen) e terminando sem solução na morte do filho do kohen; esta mishná segue a bat kohen numa trajetória ascendente inversa — começando no ponto mais baixo (nenhum direito, casada com israelita) e terminando com uma solução completa: o retorno à casa do pai, restaurando o direito original à trumá que ela tinha antes mesmo de se casar, na condição de filha solteira.
Rashi fecha o Perek Tet explicando o mecanismo final: assim como na mishná anterior, o princípio de que "para yibum os mortos são tratados como vivos, mas para trumá não" continua valendo — a morte de cada filho realmente libera o direito represado. A diferença está no último passo: quando morre o filho do primeiro marido (o israelita), não há mais nenhum filho vivo de nenhum casamento, e a bat kohen — que nunca deixou de ser, em sua origem, filha de kohen — retorna à sua condição original de solteira na casa paterna, com pleno direito à trumá comum. Rashi nota uma sutileza final e elegante: paradoxalmente, é a bat Israel (não a bat kohen) que, ao retornar a comer trumá por causa de um filho, tem direito também às porções elevadas (chazé va-shok) — pois as restrições explícitas do versículo ("mi-lechem", não todo pão) foram escritas especificamente a respeito da bat kohen, não da bat Israel que se beneficia da trumá apenas indiretamente, por meio do filho kohen. Com esse detalhe fino, encerra-se o Perek Tet, que percorreu todo o sistema de vínculos — noivado, gravidez, shomeret yavam, casamento pleno, filhos, e mortes sucessivas — que determinam o direito de uma mulher à trumá e ao maasser.