A filha de Israel noiva (me'oreset) de um kohen, grávida (meuberet) de um kohen, ou aguardando o yibum (shomeret yavam) de um kohen — e o mesmo vale para a filha de kohen noiva de um israelita — não come trumá. A filha de Israel noiva de um levita, grávida de um levita, ou aguardando o yibum de um levita — e o mesmo vale para a filha de levita noiva de um israelita — não come maasser. A filha de levita noiva de um kohen, grávida de um kohen, ou aguardando o yibum de um kohen — e o mesmo vale para a filha de kohen noiva de um levita — não come nem trumá nem maasser. — A mishná aplica sistematicamente, a três pares de status diferentes, o princípio de que três vínculos específicos com um homem — o noivado (erusin), a gravidez de um filho dele, e a condição de shomeret yavam esperando o yibum — desqualificam a mulher do privilégio alimentar do lado do homem, mas não chegam a concedê-lo, porque nenhum desses três vínculos equivale ainda a um casamento pleno e consumado. No primeiro bloco: uma bat Israel noiva de um kohen não pode comer trumá, pois o noivado sozinho não a torna esposa plena de kohen (que daria direito à trumá); e, simetricamente, uma bat kohen noiva de um israelita perde o direito de comer trumá que tinha na casa do pai, pois o noivado já a vincula ao israelita o suficiente para desqualificá-la, mesmo sem lhe dar nada em troca. O segundo bloco repete exatamente o mesmo padrão para o maasser, entre bat Israel/levita e bat levita/israelita. O terceiro bloco combina os dois: uma bat levita noiva de um kohen perde o direito ao maasser (que tinha como filha de levita) sem ganhar a trumá (pois ainda não é esposa plena de kohen) — e vice-versa para a bat kohen noiva de um levita, que perde a trumá sem ganhar o maasser.
Este verso é a base bíblica de que a filha de kohen perde a trumá ao se vincular a um homem que não é kohen — e a tradição oral ensina que esse mesmo verso abrange não apenas o casamento pleno, mas também o noivado, a gravidez, e o estado de shomeret yavam, os três vínculos "que desqualificam mas não alimentam" já estudados no Perek Zayin desta mesma massechet. A mishná generaliza o princípio em ambas as direções: assim como a filha de kohen se desqualifica ao se noivar de um israelita, a filha de Israel não se qualifica para a trumá apenas por se noivar de um kohen — pois, em ambos os casos, o noivado sozinho não cria o vínculo pleno que a lei exige para o direito de comer, mas já cria o vínculo suficiente para desqualificar quem antes tinha esse direito.
A mishná é ensinada, segundo a Guemará, de acordo com Rabi Meir, que sustenta que o maasser rishon também é proibido a estranhos (zarim) como a trumá — posição que não é a halachá final, mas que a mishná adota aqui por uma razão prática específica, explicada por Rambam.
Rambam esclarece que toda esta mishná, ao falar de "não come maasser", reflete a opinião de Rabi Meir, que considera o maasser rishon (o primeiro dízimo, devido aos levitas) proibido também a estranhos (zarim) — assim como a trumá. Mas essa não é a halachá final: segundo o consenso talmúdico, o maasser rishon é, na verdade, permitido a qualquer pessoa, incluindo israelitas comuns, e não carrega a mesma santidade restritiva da trumá. Rambam explica então o real sentido da posição de Rabi Meir nesta mishná: quando ele diz que a bat kohen ou bat levita "não come maasser", isso não significa que lhe seria proibido comê-lo em casa — significa apenas que os sábios decretaram que não se deve distribuir maasser a mulheres na eira (bet ha-goranot) enquanto elas ainda estão vinculadas a um marido levita ou noivo de um kohen, como salvaguarda para não confundir com o caso da mulher já divorciada, que de fato não teria mais direito.
Bartenura explica o pano de fundo da posição de Rabi Meir e a lógica do decreto sobre a eira; Rashi, na Guemará, detalha o mesmo raciocínio a partir do texto talmúdico.
Bartenura confirma que a mishná é toda de acordo com Rabi Meir, cuja opinião de que o maasser rishon é proibido a estranhos não é a halachá aceita. Sobre o terceiro bloco (bat kohen para levita e bat levita para kohen), Bartenura explica o sentido prático real: os sábios decretaram que, na eira, ao distribuir trumá ou maasser, não se deve entregar diretamente a nenhuma mulher — nem à bat kohen nem à bat levita — porque quem observa de fora não sabe se ela está atualmente casada validamente (e portanto tem direito) ou se, por acaso, já se divorciou (e não teria mais direito); para evitar essa confusão pública, o decreto se aplica de forma geral a todas as mulheres na eira, independentemente do seu status momentâneo real.
Rashi traz a discussão talmúdica sobre a razão do decreto de não distribuir trumá ou maasser a mulheres na eira: há duas opiniões na Guemará — uma que atribui o decreto ao receio de "yichud" (isolamento indevido entre homem e mulher na entrega), e outra que o atribui ao receio de confundir com uma "gerushá" (mulher já divorciada, que não teria mais direito). Rashi explica a dificuldade da segunda opinião: se o motivo fosse confundir com uma gerushá, isso já valeria mesmo para uma bat levita ou bat kohen genuinamente divorciada — pois ela mesma, sendo levita ou kohenet de nascença, continuaria tendo direito próprio ao maasser ou à trumá independentemente do divórcio do marido, então não haveria razão de fato para restringi-la. A resposta da Guemará é que o decreto não visa protegê-la a ela mesma, mas evitar que, ao ver mulheres recebendo normalmente na eira, alguém erre e distribua também a uma bat Israel genuinamente divorciada de um levita ou kohen — que de fato perderia todo direito com o divórcio.