As shniyot são de origem rabínica (mi'divrei soferim). Segunda do marido mas não do cunhado — proibida ao marido e permitida ao cunhado. Segunda do cunhado mas não do marido — proibida ao cunhado e permitida ao marido. Segunda de ambos — proibida a ambos. Ela não tem ketubá, nem frutos, nem sustento, nem desgastes; mas o filho é válido, e ele é forçado a divorciá-la. A viúva para o sumo sacerdote, a divorciada e a chalutzá para o kohen comum, a mamzeret e a netiná para o israelita, a filha de Israel para o netin e para o mamzer — estas têm ketubá. — As shniyot são parentescos que os sábios, por decreto próprio, estenderam a partir das relações proibidas pela Torá — por exemplo, a avó (mãe da mãe ou mãe do pai), que não está explicitamente listada entre as ariot bíblicas mas foi proibida pelos sábios como extensão protetora ao redor da proibição da mãe. Como se trata de proibição rabínica, ela pode variar entre marido e cunhado: se a mulher é "segunda" (parente proibida por decreto) apenas em relação ao marido — por exemplo, por ser avó dele especificamente — mas não do cunhado, ela é proibida a um e permitida ao outro, e vice-versa. Por ser uma proibição apenas rabínica, os sábios puniram (kansu) a união com sanções econômicas severas: nenhuma ketubá, nenhum direito aos frutos dos bens que trouxe, nenhum sustento, nenhuma compensação pelo desgaste de seus pertences — mas, como a proibição é apenas rabínica e não bíblica, o filho gerado é plenamente válido (kasher), e o casal é forçado a se separar pois a união nunca deveria ter ocorrido. Em contraste, a mishná lista cinco uniões proibidas por lei explícita da própria Torá — mais graves em princípio — em que, surpreendentemente, a mulher mantém direito a ketubá: os sábios reservaram essa proteção econômica justamente para as proibições bíblicas mais sérias, como forma de desencorajar o homem (que tem mais iniciativa nesses casos) de continuar a relação, retirando dele o incentivo de manter a esposa por medo do pagamento.
A Torá lista explicitamente as relações proibidas — mãe, irmã, filha, e as demais ariot — mas os sábios, exercendo sua autoridade de "fazer uma cerca em torno da Torá" (Avot 1:1), estenderam essas proibições a graus adicionais de parentesco, as shniyot ("segundas"), como salvaguarda. Assim, embora a Torá proíba a mãe, os sábios proíbem também a avó (mãe da mãe ou do pai); embora proíba a filha do filho ou da filha (neta), proíbem também a bisneta; e assim por diante em cada categoria de arayot. Por serem apenas decreto rabínico, e não texto explícito da Torá, as shniyot podem gerar assimetrias entre marido e cunhado (que às vezes têm graus de parentesco diferentes com a mesma mulher) — o que nunca ocorreria com uma proibição bíblica direta, que se aplicaria igualmente a ambos.
A halachá aceita a distinção entre a penalidade econômica total contra as shniyot e o direito parcial de ketubá preservado nos cinco casos de proibição bíblica listados no final da mishná — precisamente porque estes últimos são mais graves e a Torá quis desencorajar ativamente o homem de persistir na união.
Rambam explica a razão, à primeira vista contraintuitiva, de que a proibição mais leve (a shniyá, apenas rabínica) receba a punição econômica mais severa (nenhuma ketubá), enquanto as proibições mais graves (as cinco uniões bíblicas do final da mishná) preservam o direito à ketubá: exatamente porque os decretos rabínicos são "leves" aos olhos do povo — sem o peso explícito de um versículo — os sábios precisaram reforçá-los (chizuk) com sanções econômicas duras, para garantir que fossem levados a sério. Já as proibições bíblicas, por trazerem consigo o peso da própria Torá e sua gravidade evidente, não precisam desse reforço adicional — a ketubá permanece, e a gravidade da transgressão fala por si mesma.
Bartenura detalha cada uma das quatro perdas econômicas da shniyá; Rashi, na Guemará, explica o exemplo concreto de "segunda do marido e não do cunhado" e a lógica das perdas; Rambam sintetiza o princípio geral por trás da distinção entre os dois grupos de proibições.
Bartenura primeiro explica com um exemplo concreto como surge a assimetria "segunda do marido e não do cunhado": trata-se, por exemplo, da avó materna do marido (mãe da mãe dele) — se marido e cunhado são irmãos apenas por parte de pai (não da mesma mãe), essa mulher é avó apenas do marido, não do cunhado, e por isso é shniyá (proibida por decreto) somente em relação a ele. Sobre as quatro perdas econômicas, Bartenura detalha cada uma: "sem frutos" significa que o marido não precisa devolver os frutos que consumiu dos bens dela (nichsei melog); "sem sustento" significa que, mesmo que ela tenha ido viver fora e contraído dívidas para se alimentar às custas dele, ele não é obrigado a pagar — ao contrário de uma esposa válida, cujo marido responde por tais dívidas.
Rashi confirma o exemplo de Bartenura sobre a avó materna e aprofunda o raciocínio jurídico por trás da perda dos frutos: normalmente, quando um marido consome os frutos dos bens de sua esposa (nichsei melog), a regra talmúdica (Ketubot) é que isso é compensado pela obrigação dele de resgatá-la caso seja capturada — "eu te resgatarei e te desposarei" é uma cláusula implícita da ketubá. Mas, no caso da shniyá, como o casamento nunca foi válido, não se pode dizer que ele a "desposou" no sentido pleno, e portanto essa obrigação de resgate nunca existiu — o que, à primeira vista, deveria significar que ele TEM de devolver os frutos, já que não há nenhuma contrapartida. Mas Rashi explica que os sábios, mesmo assim, penalizaram-no com a perda desse pagamento: assim como decretaram que ele não recupera a ketubá principal (que ela nunca teve o direito de reivindicar), decretaram igualmente que ele não pode reter os frutos que consumiu — toda a estrutura de "condições da ketubá" foi tratada como equivalente à própria ketubá, e cancelada por igual.
Rambam resume o princípio geral por trás de todas as quatro perdas: como o casamento com a shniyá foi, desde o início, uma transgressão (nissuin ba'avera), poder-se-ia pensar que a mulher deveria ter direito de reaver dele tudo o que consumiu de seus bens, precisamente por não haver casamento válido que justificasse esse consumo. Mas os sábios decretaram o oposto — negando-lhe até essa compensação —, como forma adicional de desencorajar completamente esse tipo de união, retirando qualquer benefício econômico que pudesse restar para qualquer uma das partes envolvidas na transgressão.