E estas são as permitidas a seus cunhados e proibidas a seus maridos: o sumo sacerdote que apenas desposou (kidesh, sem consumar) a viúva e tem um irmão kohen comum; o apto (kasher) que desposou uma chalalah e tem um irmão chalal; o israelita que desposou uma mamzeret e tem um irmão mamzer; o mamzer que desposou uma filha de Israel e tem um irmão israelita — estas são permitidas a seus cunhados e proibidas a seus maridos. Proibidas a estes e àqueles: o sumo sacerdote que desposou (consumou) a viúva e tem um irmão sumo sacerdote ou kohen comum; o apto que desposou uma chalalah e tem um irmão apto; o israelita que desposou uma mamzeret e tem um irmão israelita; o mamzer que desposou uma filha de Israel e tem um irmão mamzer — estas são proibidas a estes e àqueles. E todas as demais mulheres são permitidas a seus maridos e a seus cunhados. — O primeiro bloco espelha exatamente a mishná anterior, trocando o resultado: agora é o marido quem fica sem ela, e o cunhado quem pode tomá-la em yibum. No caso do sumo sacerdote, a chave é o verbo "kidesh" (apenas desposar, sem consumar): como ele só a noivou e não teve relações com ela, ela nunca se tornou sua esposa plena nem foi "profanada" por ele; assim, permanece proibida a ele (pois um sumo sacerdote não pode se casar com viúva), mas, como o noivado não a transformou em nada, ela permanece plenamente apta para o irmão kohen comum, que pode desposá-la ou tomá-la em yibum normalmente. Os outros três casos deste bloco seguem a mesma lógica invertida do bloco anterior. O segundo bloco reúne os casos mais graves, em que a mulher fica proibida tanto ao marido quanto ao cunhado — como quando o próprio sumo sacerdote consuma o casamento com a viúva (violando sua própria proibição) e tem um irmão que também é sumo sacerdote ou kohen comum igualmente proibido de casar com viúva profanada por sumo sacerdote. E a mishná fecha com a regra geral: fora desses casos especiais de status pessoal desigual entre irmãos, toda mulher casada validamente permanece permitida tanto ao marido quanto, se necessário, ao cunhado que a tomaria em yibum.
O verso proíbe todo kohen — comum ou sumo — de desposar uma chalalah, base do segundo caso de cada bloco desta mishná; e o verso anterior (21:14) especifica que somente ao sumo sacerdote é vedada até mesmo a viúva. A distinção entre "kidesh" (apenas noivar) e "nasa" (consumar o casamento) é o eixo que separa o primeiro bloco do segundo: a Torá proíbe ao sumo sacerdote tomar a viúva por esposa; se ele apenas a noivou, sem consumar, a proibição foi violada apenas no ato do noivado, sem gerar o efeito de "profanação" que a relação provocaria — e por isso ela permanece intocada para o irmão kohen comum. Mas se ele chegou a consumar o casamento, violando a proibição plenamente, ela é então profanada por essa relação — tornando-se proibida a qualquer kohen, inclusive ao próprio irmão sumo sacerdote ou kohen comum que a quisesse em yibum.
Não há disputa tanaítica nesta mishná; a halachá aceita todos os casos como apresentados. O ponto central discutido pela Guemará é por que a mitzvá do yibum (um preceito positivo) não é suficiente para afastar as proibições envolvidas nos casos do segundo bloco.
Rambam explica precisamente por que a mishná precisou especificar "kidesh" (noivou) e não "nasa" (casou plenamente) no caso do sumo sacerdote com a viúva neste primeiro bloco: se ele tivesse consumado o casamento, ela se tornaria chalalah por essa relação proibida, e ficaria proibida não apenas a ele mas a qualquer kohen — inclusive ao irmão kohen comum que, de outra forma, poderia tomá-la em yibum. Só porque o casamento ficou no estágio de noivado, sem consumação, é que ela permanece "limpa" o suficiente para ser permitida ao cunhado kohen comum, ainda que proibida ao próprio sumo sacerdote que a noivou.
Bartenura confirma a distinção entre kidesh e nasa; Rashi, na Guemará, detalha o mesmo ponto e acrescenta a pergunta talmúdica sobre por que o preceito positivo do yibum não afasta as proibições envolvidas; Rambam resume a estrutura dos dois blocos.
Bartenura confirma exatamente o mecanismo apontado por Rambam: a diferença entre "kidesh" e "nasa" é o que decide se a mulher permanece disponível para o cunhado. Se o sumo sacerdote apenas a noivou, a proibição da Torá foi violada sem gerar chilul (profanação) por relação; mas se ele chegou a consumá-la em casamento, aí sim ela se torna chalalah por essa própria relação, e passa a ser proibida tanto ao marido (que já sabia ser proibido) quanto ao cunhado — pois agora ela carrega o status de chalalah para qualquer kohen que a tomasse.
Rashi apresenta a pergunta central da sugia da Guemará sobre esta mishná: por que, quando o sumo sacerdote consuma o casamento proibido com a viúva, o preceito positivo do yibum não pode "empurrar" (docheh) a proibição e permitir que o irmão a tome mesmo assim? Rashi explica que, neste caso, há duas transgressões simultâneas — um preceito positivo violado ("virgem tomará", implicando não viúva) e uma proibição violada ("viúva não tomará") —, e a regra geral é que um preceito positivo isolado (como o do yibum) não tem força para afastar simultaneamente uma proibição e um preceito positivo já violados. Mas Rashi nota o caso inverso, mencionado depois na sugia: se um kohen comum noivou de uma virgem que se tornou viúva ainda durante o noivado (antes da consumação) e ele morreu nessa condição, o sumo sacerdote pode sim tomá-la em yibum — porque ali há apenas uma proibição isolada (viúva), sem o preceito positivo adicional, e o preceito positivo do yibum tem força para afastar essa proibição isolada.
Rambam fecha o comentário a esta mishná notando o propósito da frase final "e todas as demais mulheres são permitidas a seus maridos e a seus cunhados": trata-se de uma cláusula de fechamento que evita qualquer dúvida — fora dos oito casos específicos detalhados nas duas mishnayot (quatro em cada bloco), toda a vasta maioria dos casamentos segue seu curso normal, sem qualquer conflito de status entre o destino da esposa perante o marido e perante um eventual cunhado no yibum.