Há mulheres permitidas a seus maridos e proibidas a seus cunhados; permitidas a seus cunhados e proibidas a seus maridos; permitidas a estes e àqueles; e proibidas a estes e àqueles. E estas são as permitidas a seus maridos e proibidas a seus cunhados: o kohen comum (hedyot) que desposou a viúva e tem um irmão sumo sacerdote; o chalal que desposou uma mulher apta (kesherá) e tem um irmão apto; o israelita que desposou uma filha de Israel e tem um irmão mamzer; o mamzer que desposou uma mamzeret e tem um irmão israelita — estas são permitidas a seus maridos e proibidas a seus cunhados. — A mishná abre anunciando a estrutura de todo o perek: quatro combinações possíveis entre o destino da mulher perante o marido e perante o cunhado — permitida a ambos, proibida a ambos, ou permitida a um e proibida ao outro nos dois sentidos —, e passa a detalhar a primeira combinação com quatro exemplos concretos. No primeiro, um kohen comum desposa legitimamente uma viúva — casamento plenamente válido para ele —, mas seu irmão é sumo sacerdote, a quem a Torá proíbe casar com viúva; permanecendo casada, ela é permitida ao marido, mas se ele morrer sem filhos, ela não pode ser tomada em yibum pelo irmão sumo sacerdote. No segundo, um chalal (descendente desqualificado da kehuná por nascimento de união proibida) desposa uma mulher apta — união válida, pois chalal pode casar com kesherá —, mas ele tem um irmão kasher (kohen pleno, não chalal); como a relação com o chalal a torna chalalah, ela permanece permitida ao marido chalal, mas fica proibida ao cunhado kasher, que não pode desposar uma chalalah. No terceiro, um israelita comum desposa uma filha de Israel — casamento plenamente kosher —, mas tem um irmão mamzer; ela permanece com o marido normalmente, mas não pode ser tomada em yibum pelo mamzer, pois essa união geraria descendência mamzer. No quarto, um mamzer desposa uma mamzeret — união válida entre iguais —, mas tem um irmão israelita pleno; ela fica com o marido, mas não pode ser tomada pelo cunhado israelita, que não pode desposar uma mamzeret.
Este verso, dirigido especificamente ao sumo sacerdote, é a fonte da proibição da viúva no primeiro caso da mishná — e o mesmo capítulo (versículo 7) proíbe a todo kohen, comum ou sumo, casar com uma chalalah ("mulher profanada"), a fonte por trás do segundo caso. A restrição do sumo sacerdote à virgem de seu povo é mais severa que a do kohen comum, que pode desposar viúva; por isso a mesma mulher pode ser plenamente permitida ao irmão kohen hedyot que a desposou e, ao mesmo tempo, vedada ao irmão kohen gadol que a herdaria pelo yibum. Já a proibição de "zoná e chalalah" para todo kohen — comum ou sumo — explica por que a relação com um chalal transforma a esposa em chalalah, vedando-a a qualquer outro kohen, incluindo o cunhado kasher; e a proibição paralela do mamzer de entrar na assembleia de Hashem (Devarim 23:3), já estudada no Perek Chet, explica os dois últimos casos, envolvendo israelitas e mamzerim.
A halachá aceita os quatro casos da mishná como decididos por consenso — não há disputa tanaítica aqui —, e o ponto central é o princípio de que a relação conjugal de um chalal com sua esposa a torna chalalah, vedando-a a outros kohanim mesmo que o próprio casamento com o chalal seja plenamente válido.
Rambam nota, de passagem, um detalhe terminológico: quando a mishná fala de "chalal que desposou kesherá", os termos usados — kasher e kesherá — designam aqui, tecnicamente, kohen apto e kohenet apta. Poderia parecer, à primeira leitura, que a mishná ensina que uma kohenet apta é proibida de se casar com um chalal — mas essa não é a halachá final: o princípio estabelecido é que as mulheres aptas nunca foram proibidas de se casar com homens desqualificados (pesulim) para a kehuná; a proibição de "não tomarão" recai sobre o homem, não sobre a mulher. O que é permitido, e de fato ocorre nesta mishná, é exatamente o oposto: o chalal é permitido a se casar com uma kohenet (ou israelita) apta — é essa união válida, mas cuja consequência (tornar a esposa chalalah) gera a disputa entre o destino dela perante o marido e perante o cunhado.
Bartenura explica por que a mishná escolhe o exemplo da viúva em vez da virgem; Rashi, na Guemará, detalha o mecanismo pelo qual a relação com o chalal torna a esposa proibida ao cunhado kasher; Rambam contextualiza a estrutura geral do perek.
Bartenura explica por que a mishná escolhe especificamente o exemplo da viúva, e não da virgem, para o caso do kohen hedyot: em princípio, o mesmo ensinamento valeria igualmente se ele tivesse desposado uma virgem, pois, ao morrer o kohen hedyot, ela se torna viúva de qualquer forma, e é exatamente nessa condição de viúva que surge a questão do yibum com o irmão sumo sacerdote. Mas a mishná prefere abrir com o caso da viúva porque, na mishná seguinte, ela precisará apresentar o caso espelhado — o sumo sacerdote que desposa a viúva —, e a simetria entre os dois casos (kohen hedyot casado com viúva versus kohen gadol casado com viúva) só se revela claramente se ambos usarem o mesmo tipo de mulher como ponto de partida.
Rashi abre o novo perek confirmando a mesma observação de Bartenura sobre o primeiro caso, e depois esclarece o mecanismo por trás do segundo — o mais importante conceitualmente da mishná: quando um chalal tem relações com uma mulher apta, o próprio ato da relação a torna chalalah, tornando-a proibida a qualquer outro kohen, inclusive ao irmão kasher que quisesse tomá-la em yibum. Rashi remete à fonte já estabelecida no Perek Zayin (a partir do verso "e a filha de kohen que se tornar de homem estranho"): assim como a relação de um kohen com uma mulher proibida desqualifica-a da trumá, a relação de um homem desqualificado com uma mulher apta desqualifica-a dele para futuros casamentos com kohanim — mesmo que, para o próprio chalal que a desposou, ela permaneça sua esposa plenamente permitida, pois "chalal é permitido a se casar com kesherá" desde o início.
Rambam situa esta mishná como abertura de um perek novo, dedicado inteiramente à combinatória entre o status da mulher perante o marido e perante o cunhado — um tema que, embora relacionado à zika e ao yibum tratados nos perakim anteriores, agora se concentra especificamente nos casos em que o próprio status pessoal de marido e cunhado (kohen pleno, chalal, mamzer, israelita) determina resultados opostos para a mesma mulher. Os quatro casos desta primeira mishná formam um padrão que se repetirá, de forma espelhada, na mishná seguinte.