O feto, e o yavam, e o erusin, e o surdo-mudo, e o menino de nove anos e um dia, desqualificam e não alimentam. E o mesmo vale para a dúvida se ele é menino de nove anos e um dia ou não, e para a dúvida se já trouxe dois pelos ou não. Se a casa caiu sobre ele e sobre a filha de seu irmão, e não se sabe qual deles morreu primeiro, a rival dela faz chalitzá mas não faz yibum. — A mishná reúne cinco vínculos que compartilham a mesma propriedade dupla: cada um deles, quando cria uma ligação entre uma filha de kohen e um israelita, é forte o bastante para desqualificá-la de comer trumá, mas, quando cria a ligação inversa — entre uma filha de Israel e um kohen —, é fraco demais para lhe dar esse direito. São eles: o feto, já discutido; o yavam, cujo vínculo prende a cunhada a ele antes da conclusão do yibum, mas não a torna "esposa" plena o bastante para ela comer, ainda que baste para impedi-la de voltar à casa paterna; o erusin, que já adquire a mulher o bastante para desqualificá-la, mas não a introduz plenamente na casa do marido para alimentá-la, por receio de que ela leve trumá para a casa paterna; o surdo-mudo, cujo casamento vale por decreto rabínico e por isso desqualifica, mas cuja aquisição não é plena o bastante, pela Torá, para alimentar; e o menino de nove anos e um dia, cuja relação já é considerada relação plena para desqualificar, mas cuja capacidade de "adquirir" uma esposa por kidushin ainda não existe, e por isso não alimenta. A mishná estende a mesma regra às dúvidas correspondentes — por rigor, aplica-se o lado mais severo em cada dúvida. E fecha com um caso de outra natureza inteiramente: dois vínculos concorrentes de yibum recaem sobre o mesmo homem através de duas mulheres que morreram ao mesmo tempo em circunstâncias incertas, deixando a rival numa situação intermediária, que exige chalitzá por precaução mas proíbe o yibum, que poderia consumar um casamento proibido caso a ordem real dos óbitos fosse a oposta à suposta.
A palavra "כִּי תִהְיֶה" — "se se casar" — é a fonte de que o erusin já desqualifica a filha do kohen, pois o verso a descreve como desqualificada desde o momento em que passa a "ser" de um homem estranho, mesmo antes da consumação plena do casamento. Já o direito de comer, do lado oposto — a filha de Israel que se torna esposa de um kohen —, depende de uma leitura mais estrita da mesma raiz "קִנְיַן כַּסְפּוֹ" do verso anterior, que a Guemará interpreta como exigindo uma aquisição plena e completa, presente no casamento consumado, mas ausente no erusin, no yibum ainda não concluído, no casamento do surdo-mudo e na relação do menino de nove anos.
Rambam, em Mishné Torá, codifica a regra geral dos cinco vínculos, e trata separadamente o caso da casa que caiu, nas leis de yibum e chalitzá.
Rambam codifica a regra dos cinco vínculos exatamente como a mishná a formula, reunindo-os sob um único princípio: cada um deles é forte o bastante para desqualificar, mas fraco demais para alimentar, e a mesma regra severa se aplica em qualquer situação de dúvida sobre a existência ou validade de um desses vínculos.
Bartenura detalha, um a um, os cinco vínculos e a razão específica de cada um; Rashi, na Guemará, explica a fonte bíblica do erusin e a lógica do caso final, da casa que caiu.
Bartenura escolhe o erusin como exemplo para explicar o padrão que se repete em cada um dos cinco vínculos: do lado da desqualificação, a filha do kohen noiva de um israelita já está tecnicamente "adquirida" a ele desde o momento do erusin, e o próprio verso a descreve nesse instante como pertencente a um "homem estranho" — por isso perde imediatamente o direito de comer trumá em casa do pai. Do lado oposto, porém, a filha de Israel noiva de um kohen ainda não pode comer trumá em casa dele, e a razão não é falta de aquisição, mas um receio prático: enquanto ela ainda vive na casa paterna, existe o risco de que, tendo se acostumado a beber vinho de trumá na casa do noivo, ela sirva inadvertidamente esse mesmo vinho a um irmão ou irmã não-kohen na casa do pai.
Rambam sintetiza o princípio unificador: em todos os cinco casos, o vínculo em questão não constitui uma aquisição completa segundo os parâmetros exigidos por "kinyan kaspo" — seja porque a aquisição ainda está em curso (o erusin, o yavam), seja porque o adquirente não tem capacidade jurídica plena (o surdo-mudo, o menino de nove anos), seja porque o próprio objeto da aquisição ainda não existe como pessoa independente (o feto). Por isso nenhum deles basta para alimentar a esposa não-sacerdotal; mas, do lado inverso, cada um já basta, segundo o próprio texto da Torá, para desqualificar a filha do kohen.
Rashi confirma a leitura de Bartenura sobre o erusin, e explica com clareza o mecanismo do caso final da mishná: se o marido morreu primeiro, sua esposa — sobrinha-filha do irmão sobrevivente — cairia perante o tio como sobrinha proibida por incesto, o que isentaria automaticamente sua rival do yibum e da chalitzá, como se aprendeu no Perek Alef; mas se foi a esposa quem morreu primeiro, o vínculo de proibição nunca chegou a se formar antes da morte do marido, e a rival ficaria plenamente obrigada ao yibum comum. Como não se sabe qual das duas mortes ocorreu primeiro, aplica-se a solução intermediária que evita tanto o risco de omitir uma mitzvá obrigatória quanto o risco, mais grave, de consumar um yibum proibido: a rival faz chalitzá, mas não yibum.