Quatro irmãos casados a quatro mulheres, e morreram — se o maior deles quis fazer o yibum com todas elas, a permissão está em sua mão. Aquele que era casado a duas mulheres, e morreu, a relação ou a chalitzá de uma delas isenta sua rival. Se uma era apta e outra desqualificada — se ele for fazer chalitzá, que faça chalitzá com a desqualificada; e se for fazer yibum, que faça yibum com a apta. — Se quatro irmãos, cada um casado a uma mulher diferente, morrem todos sem filhos, restando apenas um quinto irmão vivo, esse irmão sobrevivente não está limitado a desposar apenas uma das quatro viúvas: se ele desejar, tem plena permissão de realizar o yibum com todas as quatro, tomando-as como esposas simultaneamente, pois cada uma delas caiu perante ele por um vínculo de yibum independente e distinto, oriundo de um irmão diferente. Já o segundo caso trata de um homem comum, casado com duas esposas ao mesmo tempo, que morre sem filhos: a relação de yibum, ou a chalitzá, realizada com uma delas — qualquer uma — automaticamente isenta a outra de qualquer obrigação adicional, pois ambas eram esposas do mesmo homem falecido, e um único ato de yibum ou chalitzá já resolve o vínculo comum das duas. O terceiro caso lida com uma complicação prática: se, entre as duas esposas rivais, uma é apta a se casar com um cohen — uma virgem comum, por exemplo — e a outra é desqualificada dessa possibilidade — por já ter sido divorciada de outro homem, digamos —, o cunhado deve escolher cuidadosamente com qual delas realiza cada ato: se optar pela chalitzá, deve fazê-la com a que já está desqualificada, evitando desqualificar desnecessariamente também a apta; e se optar pelo yibum, deve fazê-lo com a apta, preservando ao máximo as possibilidades futuras de ambas as mulheres envolvidas.
Bartenura observa, a partir da expressão "aquele que não constrói a casa de seu irmão" — asher lo yivneh —, que o versículo fala sempre de uma única casa por vez: um homem constrói uma casa, e não constrói duas casas simultaneamente com a mesma cunhada. É desse princípio que se deriva a regra de que a relação ou a chalitzá com uma das rivais já resolve o vínculo comum de ambas: assim como não se pode fazer yibum com as duas esposas de um único irmão falecido, também não se pode — nem é necessário — fazer chalitzá com ambas, pois tudo que não é apto para o yibum tampouco é apto para a chalitzá, e o vínculo de uma única "casa" já se extingue com o ato realizado sobre qualquer uma das duas.
Rambam explica por que a mishná menciona especificamente quatro irmãos, e detalha a razão prática do terceiro caso da mishná.
Rambam explica que a escolha específica do número quatro na mishná não é uma limitação halachica rígida, mas um bom conselho prático: um homem não deveria, idealmente, tomar mais do que quatro esposas, pois além desse número torna-se praticamente impossível cumprir adequadamente com todas elas a obrigação conjugal regular de "oná" a que tem direito cada esposa.
Bartenura detalha a razão do número quatro e o princípio bíblico por trás do segundo caso; Rashi, na Guemará, explica a preocupação prática levantada na sugia sobre como um único irmão sustentaria quatro esposas.
Rambam explica que a escolha de fazer chalitzá especificamente com a esposa já desqualificada visa preservar a aptidão da outra esposa para se casar futuramente com um cohen — pois, se ele fizesse chalitzá com a apta, ela se tornaria uma chalutzá, o que a desqualificaria permanentemente da kehuná, uma perda evitável.
Bartenura esclarece que o mesmo princípio se aplicaria mesmo a um número ainda maior de esposas, se o homem tivesse condições reais de sustentá-las — a menção específica a quatro é apenas um bom conselho prático quanto ao limite razoável, não uma barreira halachica absoluta. Quanto ao segundo caso, ele cita a base bíblica: o versículo fala de "construir a casa de seu irmão" no singular — uma única casa —, indicando que o yavam constrói apenas uma casa, e não duas simultaneamente com a mesma dupla de rivais.
Rashi explica que o exemplo típico de uma "esposa desqualificada" é aquela que já havia sido divorciada de outro homem antes deste casamento — uma divorciada é proibida a se casar com um cohen. E, quanto à escolha de fazer chalitzá com a desqualificada, ele cita o dito popular: "não se derrama a água do próprio poço quando outros ainda precisam dela" — mesmo que o próprio yavam não tenha interesse em preservar a aptidão sacerdotal daquela mulher para si, ele deve evitar prejudicá-la desnecessariamente, já que outros poderiam se beneficiar de sua condição preservada. Na Guemará, os sábios chegam a questionar o próprio cenário inicial da mishná: se todos os quatro irmãos morreram, quem restaria para realizar o yibum com as quatro?