A yevamá não faz chalitzá nem se consuma o yibum antes de ter três meses. E assim todas as demais mulheres não se noivam nem se casam antes de terem três meses. Sejam virgens ou não virgens, sejam divorciadas ou viúvas, sejam casadas ou noivas. Rabi Yehudá diz: as casadas podem se noivar, e as noivas podem se casar, exceto as noivas da Judeia, porque seu coração já está familiarizado com ela. Rabi Yosef diz: todas as mulheres podem se noivar, exceto a viúva, por causa do luto. — Assim como a mishná do fim do Perek Guimel já exigia três meses de afastamento para as noivas trocadas por engano, este princípio se generaliza aqui: qualquer mulher cujo vínculo com um homem termina — seja por morte, seja por divórcio — deve aguardar noventa dias completos antes de assumir um novo compromisso matrimonial, para que se possa distinguir com clareza se ela estava grávida e de qual dos dois homens é a criança, evitando confusão sobre a paternidade. Essa regra vale igualmente para todas as categorias de mulheres — virgens ou não, divorciadas ou viúvas, previamente casadas ou apenas noivas — sem exceção na formulação básica. Rabi Yehudá propõe uma flexibilização: como o noivado, ao contrário do casamento pleno, normalmente não envolve relações conjugais, não há risco real de gravidez a ser esclarecida, de modo que uma mulher que já era casada pode se noivar novamente de imediato, e uma que já era apenas noiva pode se casar de imediato — com a única exceção das noivas da região da Judeia, onde era costume que noivo e noiva ficassem a sós antes da chuppá, criando intimidade e possibilidade real de relações, o que reintroduz o mesmo risco de dúvida sobre a gravidez. Rabi Yosef, por sua vez, discorda especificamente quanto à viúva: ele permite que todas as demais mulheres se noivem de imediato, mas não a viúva, cuja razão de espera não é mais o risco de gravidez, mas sim o respeito ao período formal de luto pelo marido falecido.
Bartenura observa que deste mesmo versículo — "e se o homem não quiser" — deriva-se um princípio adicional aplicado por toda a Guemará: tudo o que é apto para o yibum é apto para a chalitzá, e tudo o que não é apto para o yibum não é apto para a chalitzá. Como a Torá condiciona a chalitzá à existência de uma verdadeira opção de yibum — "se ele não quiser tomá-la", implicando que ele poderia tomá-la —, segue-se que, enquanto não decorrido o tempo necessário para esclarecer se ela está grávida, nem o yibum nem a chalitzá podem ser realizados, pois ambos dependem da mesma condição prévia de clareza quanto ao seu estado.
Rambam esclarece a contagem exata dos três meses e confirma que a halachá segue Rabi Yosef, e não Rabi Yehudá.
Rambam esclarece que os "três meses" da mishná são, na prática, noventa dias completos, contados sem incluir o próprio dia em que ocorreu o divórcio ou a morte do marido, nem o dia em que ela aceita o novo noivado. Quanto à disputa entre os sábios, ele decide explicitamente que a halachá não segue Rabi Yehudá — que permitia às casadas se noivarem de imediato —, mas sim Rabi Yosef, que permite o noivado imediato a todas as mulheres exceto a viúva.
Bartenura detalha a razão de cada categoria e o costume específico da Judeia mencionado por Rabi Yehudá; Rashi, na Guemará, confirma a mesma explicação sobre a distinção entre casadas e noivas.
Rambam fixa com precisão a contagem prática dos três meses e resolve a disputa final da mishná em favor de Rabi Yosef.
Bartenura explica que a razão dos três meses vem do próprio versículo do yibum, que condiciona a chalitzá a uma verdadeira possibilidade de yibum — daí o princípio geral de que os dois institutos sempre andam juntos. Sobre o costume da Judeia, ele esclarece que ali era comum deixar noivo e noiva a sós antes da cerimônia da chuppá, justamente para que se acostumassem um com o outro e não sentissem vergonha no momento da primeira relação conjugal; por causa desse costume, havia receio real de que já tivessem tido relações antes do casamento formal, reintroduzindo a necessidade da espera.
Rashi confirma que a razão fundamental de toda a mishná é distinguir com clareza entre a semente do primeiro marido e a do segundo, evitando a dúvida sobre se um filho nasceria "de nove meses do primeiro" ou "de sete meses do segundo" — a mesma dúvida já vista na mishná 4:2. Como o noivado normalmente não envolve relações, essa preocupação não se aplica a ele, exceto no caso específico da Judeia, onde o costume local de deixar os noivos a sós antes da chuppá introduzia o mesmo risco que o casamento pleno.