Mesmo que tenha ouvido de mulheres dizendo 'fulano morreu', basta. Rabi Yehudá diz: mesmo que tenha ouvido de crianças dizendo 'eis que vamos lamentar e enterrar fulano', seja que tenham essa intenção ou não. Rabi Yehudá ben Bava diz: entre judeus, só se tiverem essa intenção; e entre um gentio, se tinha essa intenção, seu testemunho não é testemunho. — A leniência chega ao seu ponto mais amplo: mesmo mulheres — que normalmente não servem como testemunhas formais em outras áreas do direito — podem ser a fonte da informação sobre a morte de alguém, precisamente porque, ao mencionar o fato casualmente, sem qualquer intenção de testemunhar formalmente, sua palavra carrega uma espontaneidade que afasta a suspeita de invenção. Rabi Yehudá estende essa mesma lógica até crianças, contanto que relatem detalhes específicos do luto e do enterro que dificilmente inventariam sem terem realmente testemunhado o evento — pouco importando se elas tinham ou não consciência de que sua fala serviria como prova. Rabi Yehudá ben Bava, porém, traça uma distinção mais fina: entre judeus, exige que a criança tenha falado com intenção consciente e coerente (não como brincadeira infantil aleatória); mas quanto a um gentio, inverte completamente o critério — só aceita seu relato se ele falou sem qualquer intenção deliberada de testemunhar, pois um gentio com intenção de prejudicar ou ajudar alguém é suspeito de manipulação, ao contrário da criança inocente.
O critério unificador de toda a leniência dos Sábios não é o status formal de quem fala — homem ou mulher, adulto ou criança, judeu ou gentio —, mas a espontaneidade genuína do relato, que afasta qualquer suspeita de manipulação deliberada. Onde essa espontaneidade existe, mesmo uma fonte tecnicamente desqualificada como testemunha formal pode ser aceita; onde ela falta — como no gentio com intenção própria —, mesmo um relato aparentemente claro é rejeitado.
Rambam especifica as duas condições exatas que tornam confiável o relato das crianças segundo Rabi Yehudá, e confirma que a halachá segue Rabi Yehudá e Rabi Yehudá ben Bava.
Rambam especifica as duas condições que tornam confiável o relato das crianças segundo Rabi Yehudá: primeiro, que digam explicitamente que já vêm de lamentar e enterrar o falecido (não apenas que estão indo); e segundo, que sejam ouvidas relatando espontaneamente detalhes do próprio luto — quantos rabinos e pranteadores estavam presentes, o que cada um fez ou disse —, detalhes que dificilmente seriam inventados por crianças sem terem realmente presenciado o evento. Quanto ao gentio, Rambam confirma que ele é confiável precisamente quando fala sem qualquer intenção deliberada, 'mesikh lefi tumo' — falando casualmente, sem se dar conta de que sua palavra teria consequências. A halachá segue Rabi Yehudá e Rabi Yehudá ben Bava.
Bartenura explica por que se exige, das crianças, não apenas a afirmação da morte mas o relato detalhado do próprio funeral, para descartar brincadeiras infantis.
Bartenura explica que, quanto às mulheres, sua palavra é aceita justamente porque elas normalmente não têm qualquer intenção de servir como testemunhas formais — sua fala espontânea é mais confiável do que um testemunho deliberado. Mas quanto às crianças, a Guemará exige a cautela adicional de que já venham do próprio funeral, e que sejam ouvidas relatando detalhes específicos do luto, porque as crianças costumam brincar e inventar nomes fictícios — talvez estivessem apenas enterrando uma formiga ou um gafanhoto e brincando de dar-lhe o nome de alguém conhecido. Só o relato detalhado e coerente afasta essa suspeita de brincadeira infantil.