O preceito da chalitzá se cumpre com três juízes, e ainda que os três sejam leigos. Se ela fez a chalitzá com um sapato de couro, sua chalitzá é válida. Com meias de pano, sua chalitzá é inválida. Com uma sandália que tem salto, é válida; e a que não tem salto, é inválida. Do joelho para baixo, sua chalitzá é válida; do joelho para cima, sua chalitzá é inválida. — A mishná estabelece o mínimo legal de três juízes para presidir a chalitzá, mesmo que nenhum deles seja um sábio ordenado — bastando que saibam ler corretamente os versículos hebraicos do ritual. Em seguida, define o que conta como calçado válido: precisa ser algo de couro, que realmente proteja o pé, e não um simples tecido; precisa ter salto firme, para que o pé se apoie normalmente no chão; e a correia que o prende deve estar amarrada abaixo do joelho, na perna propriamente dita, não acima dele.
A Torá exige explicitamente um "sapato" (na'al) — algo que realmente calce e proteja o pé — e determina que o ato ocorra "diante dos olhos dos anciãos", no plural, o que a tradição rabínica fixa num mínimo de três juízes. Desse termo preciso a Guemará deriva toda a lista de calçados válidos e inválidos: qualquer coisa que cumpra a função de um sapato de couro serve; um pano fino que não protege verdadeiramente o pé, não. E do local do versículo — "sapato... do pé dele" — deriva-se que a correia deve estar amarrada na perna propriamente dita, e não acima do joelho, onde já não se considera parte do calçamento do pé.
Rambam, no Perush HaMishná, explica por que basta um mínimo de três juízes leigos e detalha a exceção do pé que não se apoia normalmente no chão.
Rambam explica que hedyotot são leigos que não são sábios, mas sabem apenas ler corretamente o texto em hebraico — e a chalitzá é permitida com eles em caso de necessidade, embora o ideal seja completar cinco juízes para dar maior publicidade ao ato. Anpilia, esclarece Rambam, é um tipo de calçado tecido de linho, semelhante a uma meia, que não cumpre a função de sapato exigida pela Torá. Sobre "do joelho para cima" e "do joelho para baixo", explica que se refere a onde a correia do sapato está amarrada — acima ou abaixo do joelho —, mas se o pé da mulher ou do cunhado foi cortado ou deformado a ponto de não conseguir apoiar o calcanhar normalmente no chão, como quem anda apenas na ponta dos dedos, a chalitzá não é válida, pois o princípio fundamental exige que a perna esteja em condição de se apoiar normalmente.
Bartenura detalha a distinção entre o sapato de couro macio e a sandália de couro rígido; Rashi, na Guemará, explica por que a Torá exige algo que realmente proteja o pé.
Bartenura explica a diferença técnica entre os dois tipos de calçado: o min'al é de couro macio, e sua chalitzá é válida em retrospecto, mas não se deve usá-lo de início, por receio de que esteja rasgado por cima — pois sendo macio, o pé ainda se apoiaria nele mesmo rasgado, e a Torá exige algo que efetivamente proteja o pé. Já o sandal, de couro rígido, se estivesse rasgado o pé não se apoiaria nele normalmente, então não há esse receio, e por isso a chalitzá com sandália é o caso ideal e principal. As anpilaot são como meias de pano, e sua chalitzá é inválida porque a Torá exige algo que realmente proteja o pé, como se depreende da comparação com o versículo de Yechezkel sobre calçado de couro.
Abrindo o perek, a Guemará explica por que a mishná chama de "juízes" até mesmo leigos: porque precisam saber ler os versículos como se fossem juízes, ainda que não pertençam ao tribunal formal da cidade. Rashi confirma que o min'al é de couro macio, semelhante ao calçado comum da época, e que sua chalitzá é válida em retrospecto mas não recomendada de início — por temor de um sapato gasto que perdeu a parte de cima. O sandal, explica, é de couro rígido e curtido, e uma vez rasgado não tem mais conserto nem se costuma calçá-lo, por isso não há o mesmo receio, e ele é o calçado principal para a chalitzá. Já a anpilia — meia de pano, chamada em francês antigo de "kaltson" — é inválida porque a Torá, ao escrever "seu sapato", exige algo que efetivamente proteja o pé, o que um pano fino não cumpre.