Se um dos dois maridos possíveis era israelita e o outro era kohen: o filho casa com mulher apta ao sacerdócio, e não contrai impureza por mortos, e se se contaminou não recebe os quarenta açoites. E não come trumá, e se comeu não paga o capital e o quinto adicional. E não divide porção na eira. E vende a trumá, e o dinheiro é dele. E não divide nas coisas sagradas do Templo, e não lhe dão coisas sagradas, e não se retira dele o que é seu. E é isento do braço, das bochechas e do estômago. E seu primogênito de animal pastará até ficar com defeito. E impõem-se sobre ele os rigores dos sacerdotes e os rigores dos israelitas. Se ambos eram kohanim: ele fica em luto ritual por eles, e eles ficam em luto ritual por ele. Ele não contrai impureza por eles, e eles não contraem impureza por ele. Ele não os herda, mas eles o herdam. E é isento por ferir ou amaldiçoar este ou aquele. E sobe no turno de serviço deste e daquele, mas não recebe porção. Se ambos estavam no mesmo turno, recebe uma porção. — Quando o filho duvidoso tem como possíveis pais um israelita e um kohen, ele herda quase toda a mesma lista de restrições intermediárias já detalhada para o caso da kohenet misturada com a escrava — permitido casar (com segurança, mulher apta ao sacerdócio), mas isento de quase todos os privilégios e punições que exigem certeza sacerdotal plena. Quando, porém, ambos os pais possíveis são kohanim, uma nova camada de leis específicas ao sacerdócio entra em jogo: onenut (o luto agudo do dia da morte, que proíbe comer coisas sagradas) se aplica nos dois sentidos — ele por qualquer um dos dois, e ambos por ele —, mas a impureza ritual voluntária por parente morto (privilégio que só um kohen certo pode exercer) fica vedada em ambas as direções, por segurança. Na herança, ele não herda de nenhum dos dois pais possíveis (pois cada um tem herdeiros certos que o "empurram" para fora), mas ambos, tendo apenas ele como possível filho, o herdam integralmente caso não deixem outros herdeiros — e ele participa do turno sacerdotal de ambos, mas sem receber porção de nenhum, exceto no caso raro em que os dois turnos coincidem no mesmo grupo.
A Torá reserva ao kohen tanto o privilégio quanto o dever de contrair impureza ritual por seus parentes mais próximos — pai, mãe, filho, filha, irmão e esposa —, mas terminantemente proíbe essa mesma impureza por qualquer outro morto. Quando a paternidade de um kohen é apenas provável, não certa, a Guemará aplica aqui o mesmo raciocínio "safek isura le-chumra" já visto na mishná anterior: como não se sabe com certeza se o falecido era de fato seu pai (ou filho), ele fica proibido de se contaminar por ele — pois se não for seu parente, a impureza seria uma transgressão positiva grave. A mesma lógica de segurança rege onenut, herança e todas as demais obrigações e privilégios sacerdotais tratados nesta mishná final.
Rambam explica a lógica da herança dupla e do turno sacerdotal, encerrando o perek com a aplicação mais elaborada do princípio de segurança por dúvida.
Rambam explica a assimetria da herança: o filho duvidoso não herda de nenhum dos dois pais possíveis, porque cada um deles já tem herdeiros certos, e "quem quer tirar de outrem tem o ônus da prova" — ele não pode provar que é de fato o filho, então os herdeiros certos prevalecem. Mas se um dos dois pais possíveis morre sem nenhum outro herdeiro, o filho duvidoso o herda, junto com os herdeiros certos do outro lado, dividindo o patrimônio como dinheiro de disputa em dúvida (mamon ha-mutal be-safek). Sobre o turno sacerdotal, Rambam explica que ele pode servir com qualquer um dos dois turnos, mas não recebe porção da carne dos sacrifícios, pois cada turno pode alegar que ele pertence ao outro — exceto no caso em que os turnos de ambos os pais possíveis coincidem, quando então ele recebe sua porção sem obstáculo algum.
Bartenura explica como se configura, na prática, o cenário raro em que o filho duvidoso vê a morte de ambos os pais possíveis; Rashi, na Guemará, fecha o perek discutindo os casos concretos em que essa dupla onenut e dupla impureza podem realmente ocorrer.
Bartenura explica como um único homem pode, na prática, presenciar a morte de ambos os pais possíveis — cenário que a mishná exige para que as leis de onenut recíproca façam sentido concreto: a mãe se casou com um segundo marido sob um erro halachico técnico (kidushin condicional que não se cumpriu), de modo que tecnicamente ela nunca precisou de get formal do primeiro. Esse detalhe legal delicado é o que permite que o filho, mesmo sendo kohen certo por qualquer um dos dois cenários, ainda assim não se contamine por nenhum dos dois — pois em ambos os casos a relação com sua mãe se deu dentro de uma estrutura de casamento válido, e o decreto rabínico contra dúvida de paternidade se mantém intacto mesmo aqui.
A Guemará, nota Rashi, debate longamente qual configuração exata de eventos permite que o filho duvidoso "veja" (esteja vivo n)a morte de ambos os pais possíveis sem nunca poder identificar qual era o verdadeiro — considerando cenários de relação ilícita, kidushin condicional, e até uma menor que rejeita o marido por mi'un antes de completar três meses de espera. Com esse fechamento técnico e elaborado — típico do estilo analítico da Guemará em suas últimas linhas de um perek — encerra-se o Perek Yud-Alef, que tratou da fronteira entre lekichá e shechivá, do parentesco apagado pela conversão, das misturas de recém-nascidos entre mães, sogras e escravas, e culminou nesta aplicação mais elaborada e dupla do princípio de que a dúvida sobre a condição sacerdotal nunca gera nem privilégio pleno, nem punição, apenas um meio-termo cuidadosamente calibrado.