O menino de nove anos e um dia desqualifica por meio de seus irmãos, e os irmãos desqualificam por meio dele — exceto que ele desqualifica no início, e os irmãos desqualificam no início e no fim. Como assim? O menino de nove anos e um dia que teve relação com sua cunhada desqualificou por meio de seus irmãos. Vieram os irmãos e tiveram relação com ela, ou fizeram nela maamar, ou deram get, ou fizeram chalitzá — eles desqualificaram por meio dele. — "Desqualificar" aqui significa retirar da cunhada a possibilidade de yibum, deixando apenas a chalitzá disponível — pois um segundo ato de vínculo sobre a mesma mulher, vindo de um segundo irmão, é tratado como se dois maamarim distintos tivessem sido feitos sobre ela, o que a Guemará explica não produzir aquisição plena para nenhum dos dois. A assimetria entre "início" e "fim" está no maamar: se o menino faz maamar primeiro e depois um irmão maior faz maamar, ele desqualifica; mas se o irmão maior faz maamar primeiro e o menino depois, o maamar do menino não tem qualquer efeito adicional — por isso ele "desqualifica apenas no início". Já na relação física plena, o menino desqualifica os irmãos tanto se agir primeiro quanto por último, pois a Torá equipara sua relação, nesse aspecto, à relação de um adulto.
A Guemará deriva que a Torá equipara a "vinda" (relação) de qualquer irmão elegível — inclusive um menino a partir dos nove anos e um dia, idade a partir da qual sua relação é considerada fisicamente eficaz por lei rabínica — a uma relação plena para efeitos de vínculo, embora sua aquisição não seja completa como a de um adulto. Por isso sua relação (ou seu maamar, get ou chalitzá) tem o poder de afetar o status da cunhada perante seus irmãos maiores, funcionando como uma espécie de vínculo intermediário — mais forte que a inexistência de qualquer ato, mas mais fraco que uma aquisição adulta plena, que exigiria dois pelos pubianos (shtei se'arot) como sinal de maioridade.
A halachá segue integralmente esta mishná; Rambam explica o mecanismo técnico por trás da assimetria entre o maamar do menino e sua relação física plena.
Rambam explica o princípio fundamental: a relação de um menino de nove anos e um dia é considerada uma relação real (biá), e ele tem capacidade para fazer get e maamar — mas nenhum desses dois atos, em sua mão, é considerado pleno como o de um adulto. É por isso que, no maamar, a ordem importa: se o irmão maior agiu primeiro, o maamar subsequente do menino simplesmente não tem mais nada a afetar — o vínculo já estava fixado pelo maamar do adulto, e o ato "incompleto" do menor não acrescenta nada. Mas quando o menino é o primeiro a agir com maamar, seu ato fixa um vínculo parcial suficiente para que o maamar seguinte de um irmão maior seja tratado como um segundo maamar sobre a mesma mulher — o que, segundo a regra geral já estabelecida no Perek Hei, não produz aquisição plena para nenhum dos dois, retirando a opção do yibum. Já na relação física, por ser mais forte, o menino desqualifica os irmãos sempre, seja qual for a ordem.
Bartenura precisa a diferença entre o maamar e a relação física do menino; Rashi, na Guemará, detalha o mesmo mecanismo com a linguagem técnica de "maamar após maamar".
Bartenura confirma a leitura de Rambam com precisão terminológica: o menino "tem" get e maamar, mas nenhum dos dois é "gamur" (completo/pleno) como o de um adulto. Ele explica a estrutura curiosa da mishná — que primeiro afirma a regra geral ("ele desqualifica no início, os irmãos desqualificam no início e no fim") e só depois exemplifica com o caso da relação física — como uma elipse típica do estilo mishnaico: a formulação completa deveria ser lida como "ele desqualifica apenas no início [no caso do maamar], mas os irmãos desqualificam tanto no início quanto no fim [em qualquer caso] — e no caso da relação física, ele desqualifica mesmo por último".
Rashi confirma que, embora a relação do menino seja considerada "biá" real, ela não constitui uma aquisição completa — apenas equivalente a um maamar. É por isso que os quatro atos subsequentes dos irmãos (relação, maamar, get, chalitzá) ainda são eficazes para "desqualificar por meio dele": a relação inicial do menino deixou a cunhada em um estado intermediário, do qual ela ainda pode ser retirada por qualquer um dos quatro atos padrão que um irmão adulto realizaria numa yevamá comum. E quando o vínculo se torna "casa fixada" — dois maamarim tocando a mesma mulher, um do menino e um do irmão adulto —, vale a regra geral de que, uma vez que a "casa não foi construída" (ou seja, o yibum pleno não se completou de forma inequívoca), ela não pode mais ser construída depois — apenas a chalitzá permanece disponível.