Disseram-lhe "tua esposa morreu", e ele se casou com a irmã dela por parte de pai; ela morreu, e ele se casou com a irmã dela por parte de mãe; ela morreu, e ele se casou com a irmã dela por parte de pai; ela morreu, e ele se casou com a irmã dela por parte de mãe — e descobriu-se que todas estavam vivas: ele é permitido à primeira, à terceira e à quinta, e elas isentam suas rivais; e é proibido à segunda e à quarta, e a relação de nenhuma delas isenta sua rival. E se ele veio à segunda depois da morte da primeira, é permitido à segunda e à quarta, e elas isentam suas rivais; e é proibido à terceira e à quinta, e a relação de nenhuma delas isenta sua rival. — A chave da mishná é que kidushin não se firma sobre a irmã de uma mulher com quem já se tem kidushin válido — daí a segunda mulher (irmã da primeira, que continua viva e casada) nunca ter sido, de fato, sua esposa; a relação com ela foi mera znut. Mas, precisamente por isso, o kidushin com a terceira (irmã da segunda) se firma normalmente, pois a segunda nunca foi esposa válida dele. O padrão se repete: quarta é proibida (irmã da terceira, que é esposa válida), quinta é permitida (irmã da quarta, que nunca foi esposa válida). O resultado é uma cadeia alternada — ímpares permitidas, pares proibidas —, e a mishná fecha invertendo a premissa: se ficar provado que apenas a primeira estava viva desde o início (e as demais mortes eram reais), a cadeia se inverte por completo, e são as pares que se tornam permitidas.
A proibição de tomar a irmã de uma esposa se aplica apenas "em vida dela" — enquanto a primeira irmã ainda é esposa válida; e é exatamente essa mesma cláusula que a Guemará usa para explicar por que o kidushin nunca se firma sobre a irmã de uma esposa viva, tornando essa relação, tecnicamente, uma relação sem efeito jurídico de casamento. Como o kidushin não se firma, a mulher com quem ele teve relação nessas condições nunca se tornou, de fato, sua esposa — o que libera, paradoxalmente, o kidushin da irmã seguinte dela. É esse mecanismo puramente técnico — não qualquer julgamento moral sobre a situação — que produz o padrão alternado de permissões e proibições ao longo de toda a cadeia de cinco irmãs.
A halachá segue integralmente esta mishná; Rambam nota que o princípio é simples uma vez compreendido, mas exige acompanhar cuidadosamente cada elo da cadeia.
Rambam ilustra com nomes o mecanismo que rege toda a cadeia: se Leia é irmã de Rachel apenas por parte de pai, e Rachel é irmã de Rivka apenas por parte de mãe, então Leia e Rivka não têm parentesco algum entre si — cada elo da cadeia rompe a proibição em relação ao elo seguinte, mas não em relação a elos mais distantes. Rambam observa que, uma vez compreendido esse princípio básico — que a proibição de "irmã de esposa" opera apenas entre vizinhos imediatos da cadeia, e que o kidushin inválido de um elo permite o kidushin válido do próximo —, toda a halachá da mishná se torna simples de seguir.
Bartenura detalha passo a passo a construção da cadeia de cinco irmãs e explica o princípio por trás do padrão alternado; Rashi, na Guemará, confirma o mesmo mecanismo com formulação sucinta.
Bartenura demonstra que o padrão se sustenta por indução ao longo de toda a cadeia: como o kidushin da segunda mulher nunca se firmou (por ser irmã da primeira, que permanecia esposa válida), a relação com ela foi, tecnicamente, relação de znut — equiparada à de uma mulher estuprada ou seduzida —, o que libera o kidushin da terceira (irmã da segunda). E como o kidushin da terceira se firma normalmente, a relação com a quarta (irmã da terceira) é a proibida, liberando por sua vez o kidushin da quinta. O resultado é uma alternância perfeita: primeira, terceira e quinta são esposas plenas — e cada uma delas, se um cunhado depois vier fazer yibum, isenta sua "rival" (tzarah) da chalitzá; segunda e quarta nunca foram esposas de fato, e por isso sua relação com um eventual yavam não isenta rival alguma.
Rashi confirma, com a mesma formulação sucinta de Bartenura, que a proibição de cada elo par decorre diretamente do elo ímpar anterior — "a segunda é proibida por causa da primeira, a quarta por causa da terceira" — enquanto os elos ímpares permanecem sempre válidos porque o kidushin nunca se firmou sobre suas antecessoras pares. Sobre a cláusula final da mishná, Rashi esclarece que ela descreve um cenário totalmente diferente: descobre-se que apenas o primeiro relato de morte era falso — a primeira esposa estava viva o tempo todo —, mas todos os relatos posteriores eram verdadeiros, ou seja, cada mulher de fato morreu antes de ele se casar com a seguinte. Nesse cenário invertido, é a própria estrutura da cadeia que se inverte: agora a segunda mulher é a primeira esposa válida dele (pois a primeira nunca deixou de ser viva e continua sendo a única barreira), e o padrão de permissão e proibição se desloca inteiramente para as posições pares.