O menino de nove anos e um dia que teve relação com sua cunhada, e depois teve relação com ela seu irmão que também é menino de nove anos e um dia — ele desqualificou por meio dele. Rabi Shimon diz: não desqualificou. — Segundo o tana kama, a relação do primeiro menino, embora não seja uma aquisição plena, é equiparada a um maamar — suficiente para que a relação do segundo menino (seu irmão) funcione como "um segundo maamar sobre a mesma mulher", retirando dela definitivamente a possibilidade de yibum, restando apenas a chalitzá. Rabi Shimon discorda porque considera a relação de um menino de nove anos um ato de status incerto (safek): ou ela adquire plenamente — e então a relação do segundo irmão não tem qualquer efeito, pois a mulher já estaria totalmente vinculada ao primeiro —, ou não adquire nada — e então nenhum dos dois atos teve qualquer eficácia. Em ambas as possibilidades, o segundo menino não desqualifica nada por meio de sua relação.
A mesma base que fundamenta a mishná anterior — a relação de um menino de nove anos e um dia sendo tratada como um vínculo real, embora intermediário — está por trás desta disputa: o tana kama entende que essa relação intermediária é suficiente para ativar o mecanismo de "maamar após maamar" mesmo entre dois irmãos igualmente menores, enquanto Rabi Shimon considera que o próprio caráter incerto (safek) do status jurídico do menino torna essa dupla relação incapaz de gerar qualquer novo efeito. A Guemará debate a razão exata de Rabi Shimon: a relação de um menino de nove anos, para ele, não é uma categoria intermediária estável, mas um estado dúbio que se resolve por completo em uma direção ou outra — nunca ficando "pela metade" como pressupõe o tana kama.
A halachá segue o tana kama contra Rabi Shimon. Rambam não dedica um comentário separado a esta mishná específica no Perush HaMishná — trata o princípio já em sua explicação da mishná anterior, onde estabelece que a relação do menino equivale a um maamar para todos os efeitos de "maamar após maamar".
Bartenura formula com clareza a lógica binária de Rabi Shimon: para ele, não existe um terceiro estado "intermediário" para a relação de um menino de nove anos — ela ou adquire completamente (caso em que a mulher já está vinculada ao primeiro irmão, tornando irrelevante a relação do segundo) ou não adquire nada (caso em que nem a primeira nem a segunda relação tiveram qualquer efeito jurídico). Em nenhum dos dois cenários há espaço para o mecanismo de "maamar após maamar" que o tana kama pressupõe — por isso Rabi Shimon nega que o segundo irmão tenha desqualificado qualquer coisa. Bartenura confirma que a halachá segue o tana kama, não Rabi Shimon.
Rashi, na Guemará, detalha o mesmo raciocínio de Rabi Shimon com sua formulação característica sobre a natureza dúbia da aquisição do menino.
Rashi acrescenta uma nuance importante: a discussão pressupõe que a relação do segundo irmão foi inadvertida (shegagá) — ele não sabia que seu irmão já havia tido relação com a mesma mulher. Rashi nota, de passagem, que se a relação fosse deliberada (mezid), a halachá já estabelece em outro lugar (tratado Nidá) que a relação de um menino de nove anos e um dia é uma relação real o suficiente para tornar a mulher sujeita à pena capital caso ela tivesse tido relação com ele sabendo da proibição — o que mostra a seriedade halachica dessa idade limiar, mesmo estando aquém da maioridade plena para efeitos de kidushin.