Seder Tehorot · Massechet Uktzin · Perek Guimel · Mishná 8 de 12

Peixes vivos, o galho de figueira quebrado e a plantação ainda ligada por uma raiz

דָּגִים מֵאֵימָתַי מְקַבְּלִין טֻמְאָה, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, מִשֶּׁיִּצֹּדוּ. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, מִשֶּׁיָּמוּתוּ. רַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר, אִם יְכוֹלִין לִחְיוֹת. יִחוּר שֶׁל תְּאֵנָה שֶׁנִּפְשַׁח וּמְעֹרֶה בַקְּלִפָּה, רַבִּי יְהוּדָה מְטַהֵר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, אִם יָכוֹל לִחְיוֹת. תְּבוּאָה שֶׁנֶּעֶקְרָה וּמְעֹרָה אֲפִלּוּ בְשֹׁרֶשׁ קָטָן, טְהוֹרָה:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Enquanto podem viver, não recebem impureza: peixes, o galho de figueira quebrado e a plantação arrancada

Os peixes, a partir de quando recebem impureza? Beit Shamai diz: a partir de quando são pescados. E Beit Hilel diz: a partir de quando morrem. Rabi Akivá diz: se ainda podem viver (não recebem impureza). O galho de figueira que se quebrou mas permanece ligado (à árvore) pela casca: Rabi Yehudá declara (que é) puro. E os sábios dizem: (depende) se ainda pode viver. A plantação que foi arrancada mas permanece ligada (à terra), mesmo por uma raiz pequena, é pura.

A mishná reúne três casos regidos por um mesmo princípio subjacente: enquanto um ser vivo — animal ou planta — ainda tem condições de continuar vivendo, ele não recebe impureza como se fosse alimento morto e destacado. O primeiro caso trata dos peixes: Beit Shamai marca o início da suscetibilidade à impureza no momento em que são pescados (retirados da água), pois já ali sua morte é praticamente certa; Beit Hilel exige a morte efetiva; e Rabi Akivá propõe o critério mais preciso, aplicável a ambas as opiniões: o que importa não é o momento da pesca nem o da morte em si, mas se, naquele instante, o peixe ainda seria capaz de sobreviver caso devolvido à água.

O segundo caso é o galho de figueira, com seus figos, que se rompeu de seu ponto de fixação na árvore, mas permanece pendurado apenas pela casca externa, sem a ligação interna do lenho. Rabi Yehudá considera que essa fina ligação pela casca já basta para manter o galho (e os figos) na categoria de "ligado", isento portanto da impureza que afetaria um fruto já destacado; os sábios discordam e aplicam o mesmo critério vital do caso anterior — o que importa é se o galho, amarrado de volta à árvore, ainda seria capaz de vingar e voltar a florescer. A halachá segue os sábios. O terceiro caso, sem disputa, fecha a mishná com um princípio afim: uma plantação arrancada do solo, mas que ainda mantém contato com a terra por uma raiz, mesmo que mínima, continua sendo considerada ligada ao solo, e por isso permanece pura, isenta da impureza de alimentos destacados.

דָּגִים מֵאֵימָתַי מְקַבְּלִין טֻמְאָה, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, מִשֶּׁיִּצֹּדוּ. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, מִשֶּׁיָּמוּתוּ. רַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר, אִם יְכוֹלִין לִחְיוֹת. יִחוּר שֶׁל תְּאֵנָה שֶׁנִּפְשַׁח וּמְעֹרֶה בַקְּלִפָּה, רַבִּי יְהוּדָה מְטַהֵר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, אִם יָכוֹל לִחְיוֹת. תְּבוּאָה שֶׁנֶּעֶקְרָה וּמְעֹרָה אֲפִלּוּ בְשֹׁרֶשׁ קָטָן, טְהוֹרָה:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Uktzin 3:8

“Rabi Akivá diz: se ainda podem viver”: isto é, se a condição é tal que, devolvendo-o à água, ele viveria, então não se contamina quando a impureza o toca, pois ainda está vivo, e os seres vivos não se contaminam enquanto vivos, como já explicamos na introdução.

“O galho da figueira”: um ramo da árvore da figueira, quando se quebrou, e nele há caroços de figos, e permanece ligado à árvore somente pela casca que está sobre a árvore. Rabi Yehudá diz que aqueles figos não se contaminam senão depois de cortados e separados da árvore; e os sábios dizem que não o consideramos ligado, a menos que reste entre ele e a árvore uma ligação tal que, se fosse amarrado com a árvore, se uniria a ela e voltaria a ser um de seus ramos, brotaria e produziria flor. E a tradução de “e o rasgou Shemuel” (Shemuel Alef 15) é “u-fashach”. E a halachá não é conforme Rabi Akivá nem conforme Rabi Yehudá (mas conforme os sábios).

Bartenura · Uktzin 3:8

“Os peixes, a partir de quando recebem impureza?”: pois, enquanto vivos, não recebem impureza.

“A partir de quando são pescados”: já são considerados como mortos.

“Se ainda podem viver”: se, ao devolvê-los à água, viverão, não se contaminam; mas se não podem viver quando devolvidos à água, ainda que ainda não tenham morrido, recebem impureza. E a halachá é conforme Beit Hilel.

“O galho de figueira que se quebrou”: ramo da árvore da figueira, com figos nele, que se destacou e se separou de seu ponto de fixação, mas que permanece ligado e preso à casca da árvore apenas.

“Rabi Yehudá declara puro”: aqueles figos do galho, se os tocou impureza — pois os considera como ligados, já que o galho está de algum modo unido, ainda que só pela casca.

“E os sábios dizem: (depende) se ainda pode viver”: se, amarrando e unindo o galho com a árvore, o galho viveria e produziria frutos, é considerado como ligado, e são puros. E se não viveria quando amarrado à árvore, eis que os figos do galho são considerados como destacados e recebem impureza. E a halachá é conforme os sábios.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Uktzin não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.