A colmeia de abelhas: Rabi Eliézer diz: eis que ela é como a terra, e se escreve sobre ela prosbul, e não recebe impureza em seu lugar, e aquele que dela retira (mel) em Shabat é culpado de trazer uma oferta de pecado (chatat). E os sábios dizem: ela não é como a terra, e não se escreve sobre ela prosbul, e recebe impureza em seu lugar, e aquele que dela retira em Shabat é isento.
A mishná traz uma disputa central sobre a natureza jurídica da colmeia de abelhas — especificamente uma colmeia pousada sobre o chão, sem estar fixada com argamassa nem apoiada sobre estacas (casos em que todos concordariam sobre sua condição, como explica o Bartenura). Rabi Eliézer sustenta que, por sua natureza e função, a colmeia deve ser tratada como se fosse parte da própria terra, e não como um utensílio móvel comum. Dessa classificação decorrem três consequências práticas concretas, listadas na mishná: (1) sobre ela pode-se escrever um prosbul — o documento que preserva, no ano sabático, o direito do credor de cobrar suas dívidas, e que só pode ser escrito quando o devedor possui alguma propriedade de terra; (2) ela não recebe impureza enquanto permanece em seu lugar, do mesmo modo que o solo em si não recebe impureza; e (3) quem retira mel dela em Shabat comete uma violação da categoria de "colher da terra" (como quem colhe uma plantação), e por isso é obrigado a trazer uma oferta de pecado, caso tenha agido por engano.
Os sábios discordam em todos os três pontos: para eles, a colmeia continua sendo um utensílio comum, e não terra. Por isso, não se pode escrever sobre ela um prosbul (pois falta ao devedor a propriedade de terra exigida); ela recebe impureza normalmente, mesmo enquanto permanece em seu lugar de origem; e quem retira mel dela em Shabat não é obrigado a nenhuma oferta de pecado, pois o ato não se enquadra na categoria de colher da terra, mas apenas de manusear um utensílio. A halachá segue a posição dos sábios.
Esta halachá já foi antecipada, ela e sua explicação, ao final de Massechet Sheviit.
“A colmeia de abelhas, etc.”: se ela está fixada com argamassa, todos concordam que é como a terra; e se está colocada sobre estacas, todos concordam que é como um utensílio. Não discordaram senão quando está colocada sobre o chão, sem estar fixada com argamassa.
“Rabi Eliézer diz: eis que ela é como a terra”: e se adquire com dinheiro, com documento e com posse (chazacá), como a terra.
“E se escreve sobre ela prosbul”: documento que o tribunal escreve para o credor, ao qual ele transferiu toda dívida que tem, para que o ano sabático não o dispense (da cobrança). E não se escreve prosbul senão sobre a terra, isto é, quando o devedor possui terra. E se ele tem uma colmeia de abelhas, é como se tivesse terra, e escrevem sobre ela prosbul para o credor.
“E não recebe impureza em seu lugar”: pois é como algo ligado (à terra), que não recebe impureza.
“E aquele que dela retira”: dos favos de mel que estão dentro dela, em Shabat, é culpado de trazer oferta de pecado, como quem arranca de um lugar ligado (à terra). Como está escrito (Shemuel Alef 14): “e mergulhou-a na floresta de mel” — e que relação há entre floresta e mel? Mas, assim como quem arranca de uma floresta em Shabat é culpado de trazer oferta de pecado, também quem retira mel dela em Shabat é culpado de trazer oferta de pecado.