Seder Tehorot · Massechet Uktzin · Perek Guimel · Mishná 1 de 12

Os quatro graus: hechsher e machshavá — a abertura do Perek Guimel

יֵשׁ צְרִיכִין הֶכְשֵׁר וְאֵינָן צְרִיכִים מַחֲשָׁבָה, מַחֲשָׁבָה וְהֶכְשֵׁר, מַחֲשָׁבָה וְלֹא הֶכְשֵׁר, לֹא הֶכְשֵׁר וְלֹא מַחֲשָׁבָה. כָּל הָאֳכָלִים הַמְיֻחָדִים לָאָדָם צְרִיכִין הֶכְשֵׁר וְאֵינָן צְרִיכִים מַחֲשָׁבָה:
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Abertura do Perek Guimel: os quatro graus de hechsher e machshavá, e a regra dos alimentos próprios ao homem

Há (coisas) que precisam de hechsher (o preparo com líquido) e não precisam de machshavá (intenção); (há que precisam) de machshavá e hechsher; (há que precisam) de machshavá e não de hechsher; (e há que) não (precisam) de hechsher nem de machshavá. Todos os alimentos próprios ao homem precisam de hechsher, e não precisam de machshavá.

Com esta mishná abre-se o Perek Guimel — o terceiro e último capítulo de Massechet Uktzin, e de toda a Mishná. A mishná retoma, num só enunciado, os dois eixos que já percorreram os dois capítulos anteriores e todo o Massechet Machshirin: o hechsher, o contato do alimento com um dos sete líquidos que o tornam suscetível à impureza; e a machshavá, a intenção de servir algo como alimento humano, exigida para os itens que, por natureza, não são obviamente comida. A mishná anuncia que existem quatro combinações possíveis dessas duas condições, e que o restante do capítulo será dedicado a exemplificar cada uma delas.

A própria mishná já adianta o caso mais simples: os alimentos que são reconhecidamente destinados ao consumo humano — pão, carne abatida, frutas cultivadas e semelhantes — precisam apenas de hechsher (contato com líquido) para se tornarem suscetíveis, mas não precisam de machshavá, pois sua condição de alimento já é evidente por si mesma, sem necessidade de intenção declarada. As mishnayot seguintes deste capítulo tratarão dos casos mais ambíguos: os que precisam tanto de machshavá quanto de hechsher, os que precisam apenas de machshavá, e os que não precisam de nenhum dos dois.

יֵשׁ צְרִיכִין הֶכְשֵׁר וְאֵינָן צְרִיכִים מַחֲשָׁבָה, מַחֲשָׁבָה וְהֶכְשֵׁר, מַחֲשָׁבָה וְלֹא הֶכְשֵׁר, לֹא הֶכְשֵׁר וְלֹא מַחֲשָׁבָה. כָּל הָאֳכָלִים הַמְיֻחָדִים לָאָדָם צְרִיכִין הֶכְשֵׁר וְאֵינָן צְרִיכִים מַחֲשָׁבָה:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Uktzin 3:1

Os princípios e detalhes do hechsher já foram explicados em Massechet Machshirin (capítulo 3); já a machshavá consiste em ter a intenção de comer aquela coisa, e então ela se torna suscetível à impureza de alimentos — e algo dela já foi explicado em Massechet Tehorot (capítulo 1); e seu complemento será explicado neste capítulo.

Bartenura · Uktzin 3:1

“Há (coisas) que precisam de hechsher”: (precisam) de água, como está escrito (Vayicrá 11): “e quando for posta água sobre a semente”.

“E não precisam de machshavá”: de ter em mente comê-las. E toda esta mishná será explicada adiante.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Uktzin não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste tratado.