As folhas de cebola e os brotos de cebola (bnei betzalim), se há neles secreção viscosa (rir), medem-se como estão. Se há neles cavidade oca, esmaga-se a sua cavidade. O pão esponjoso mede-se como está; se há nele cavidade oca, esmaga-se a sua cavidade. A carne do bezerro que inchou e a carne (do animal) idoso que encolheu medem-se como estão.
Para que um alimento seja suscetível à impureza, ou para que transmita impureza a outros, é preciso que atinja a medida mínima do kabeitzá (o volume de um ovo). A mishná estabelece como medir corretamente objetos que não são maciços: folhas de cebola e os brotos que crescem do seu centro (bnei betzalim) são ocos por natureza, como pequenos canos; se estão cheios de uma secreção viscosa que gruda na mão, medem-se com essa secreção incluída, no volume em que se encontram. Mas se estão vazios por dentro, sem essa secreção, é preciso primeiro esmagá-los, eliminando o espaço oco, e só então medir o volume real. A mesma regra se aplica ao pão esponjoso e poroso: mede-se como está se está bem preenchido, mas esmaga-se antes de medir se tem cavidades vazias — pois o ar vazio nunca conta para a medida.
O princípio final é ainda mais geral: mede-se sempre o alimento no estado em que ele efetivamente se encontra, sem especular sobre seu estado anterior ou hipotético. A carne do bezerro incha e aumenta de volume ao ser cozida; a carne de um animal idoso, ao contrário, encolhe e diminui. Em nenhum dos dois casos se pergunta qual seria a medida antes do cozimento — não se diz que a carne do bezerro cozido, mesmo tendo menos que um kabeitzá agora, contaminaria porque tinha mais quando crua; nem se diz que a carne do animal idoso, mesmo tendo um kabeitzá agora depois de cozida, deixaria de contaminar por ter tido menos quando crua. Mede-se sempre pelo estado presente: se cru, cru; se cozido, cozido.
A forma das folhas de cebola é conhecida: são ocas, semelhantes a canos, e em seu interior há uma secreção (rir) que gruda na mão. E, do mesmo modo, quando a própria cebola é tocada pela água e brota — sem ainda estar ligada à terra, como é sabido — sai dela um “coração” verde semelhante às folhas de cebola, também com secreção em seu interior; e esse broto é chamado “filhos de cebola” (bnei betzalim).
Diz que, se a secreção está dentro dessas cavidades, medimos como estão, com a cavidade, para completar a medida do ovo; mas se estão vazias, sem secreção, esmaga-se com a mão até que se juntem e o inchamento desapareça, e então se mede pela medida do ovo. E o mesmo vale para o pão cujas partes são desfeitas, como os sufganin (pão esponjoso): mede-se como está, a menos que haja cavidade em seu interior, e então se junta com a mão.
É costume da carne do bezerro ainda mamando, quando cozida, aumentar e crescer; e a carne de animais mais velhos, quando cozida, encolhe e diminui. E diz que medimos pela medida do ovo a partir do estado em que ela está cozida, e não dizemos que, antes de cozida, tinha a medida do ovo, mesmo que agora tenha menos que um ovo, ou o contrário — mas se mede conforme o seu estado atual: se está crua, crua; se cozida, cozida.
“Brotos de cebola”: a coluna central, semelhante a um coração (verde), da qual brotam as cebolas — a essa se chama “filhos de cebola” (bnei betzalim).
“Se há neles secreção (rir)”: isto é, estão cheios de umidade, sem cavidade oca.
“Medem-se como estão”: ao vir medir se há neles alimento na medida do ovo — a medida exigida para receber impureza — medem-se com a secreção, sem necessidade de esmagar a cavidade. E se há neles cavidade, esmaga-se a cavidade e depois se mede pela medida do ovo.
“Esponjoso”: feito macio, como uma esponja, sem estar prensado nem batido.
“Mede-se como está”: sem esmagar.
“A carne do bezerro que inchou”: é costume da carne de bezerro inchar e aumentar quando cozida, e a carne do boi idoso encolher.
“Como estão”: se é carne de boi cozida que encolheu e ficou com menos que a medida do ovo, não se diz que, quando estava crua, tinha a medida do ovo ou mais, e por isso contaminaria mesmo agora sem ter a medida. E, do mesmo modo, se era carne de bezerro que inchou e cresceu, tendo o suficiente para contaminar, não se diz que, já que quando crua não tinha o suficiente para contaminar, também agora não contaminaria.